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24/03/2016

INSTRUÇÃO SOBRE ALGUNS ASPECTOS A RESPEITO DOS SANTOS ÓLEOS

1. A História

            O óleo litúrgico é o óleo de oliveira. Servia no Antigo Testamento para a consagração do Altar, de Sacerdotes, profetas, reis e fazia parte dos sacrifícios. No Novo Testamento é mencionado como meio de honrar o hóspede (Lc 7, 46) e pessoas de estima (Maria Madalena), de curar doentes (Mc 6, 13).

            2. O Uso

            No rito moderno distinguem-se três espécies de óleos santos: o óleo dos enfermos, o óleo dos catecúmenos e o óleo do crisma (é óleo misturado com bálsamo).

a) O óleo dos enfermos constitui matéria do Sacramento da Unção dos Enfermos. Dá a saúde corporal e espiritual, e constitui a unção real para o trono eterno.

b) O óleo dos catecúmenos servia na antiguidade cristã, como o Crisma, para unção dos catecúmenos. Chamava-se o óleo do exorcismo porque devia proteger o catecúmeno contra o demônio. Por isto, no rito do Batismo, a unção com este óleo é feita antes do Batismo.

c) O óleo do crisma remonta, como o óleo dos catecúmenos, ao princípio do terceiro século e se chamava “óleo de ação de graças”. É matéria do Sacramento da Confirmação. Significa a santificação pelo Espírito Santo e sua presença na alma. Por isso, a unção com o Crisma se faz depois do Batismo. É empregado para a ordenação de bispos e presbíteros, na consagração das igrejas e dos altares.

            3. Observações quanto ao manuseio e guarnição

            *Os Santos Óleos devem ser renovados?

Sim. Os Óleos a serem usados nos Sacramentos sejam abençoados ou consagrados recentemente pelo Bispo (cânon 847). Não devem ser usados Óleos velhos. Por isso entende-se que, por ocasião da Missa da Quinta-feira Santa, pela manhã, sejam levados pelos senhores Párocos os Óleos consagrados no dia (em virtude do novo ano, é conveniente esta renovação dos Santos Óleos).

*Que fazer com os Santos Óleos do ano anterior?

            Devem ser queimados. Como não sabemos precisar a evolução de uma possível deterioração dos Santos Óleos, devemos eliminá-los convenientemente. Assim: tomam-se flocos de algodão embebendo-os com os Óleos. Em seguida, coloca-se fogo tendo o cuidado para que os Santos Óleos não se derramem. Assim que o algodão foi consumido pelo fogo, sejam enterrados seus restos.

            *Como conservar os Santos Óleos?

            O Catecismo da Igreja Católica faz menção no n. 1183 para que o Crisma tenha um lugar para ser conservado e venerado. Perto dele podem-se colocar os outros dois óleos. O cânon 847 § 2 diz: “o Pároco obtenha do próprio Bispo os Santos Óleos e com diligência os conserve decorosamente guardados”.

            *Como lavar os vidrinhos?

            Devem ser cuidadosamente lavados com água quente. Esta água deposita-se em plantas ou enterra-se.

            *Que fazer com os vidrinhos vazios?

            Cada ano se precisa novos vidros. É recomendável que sejam trazidos à igreja Catedral para reposição.

            Em espírito de fé, devoção e unidade, colocamos nas mãos dos senhores Párocos este subsídio, para ajudar no trato com os Santos Óleos.

            Mons. Inácio José Schuster, Vigário Geral

Fontes:

A Bíblia de Jerusalém. São Paulo 19852.

Elliott, Peter J., Guía Práctica de Liturgia, EUNSA, 19983.

João Paulo PP II, Carta Apostólica Vicesimus Quintus Annus (04 de dezembro de 1988).

Vv.Aa., Catecismo da Igreja Católica. Petrópolis: Vozes; São Paulo: Paulinas, Loyola, Ave-Maria, 19933.

Vv.Aa., Código de Direito Canônico. Conferência dos Bispos do Brasil. Edições Loyola, São Paulo, 199811.

Elaborado pelos Revmos. Mons. Américo Cemin e Pe. César Augusto Worst.

Paroquia da Piedade

17/03/2016

O matrimônio – entre o ideal cristão

Por Mestranda em Teologia do Programa de Estudos Pós Graduados em Teologia, PUC/SP. E-mail: reginagraciani@uol.com.br

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No AT, obedece ao desenvolvimento histórico-cultural de Israel: baseado em documentos bem antigos, aparece a família patriarcal, onde o marido é o núcleo fundamental em torno do qual se organiza a família israelita. O matrimônio permite a poligamia, mas a monogamia foi o estado mais frequente na família judaica e considerada a forma ideal (Gn 2,21-24). Ainda relacionado ao matrimônio, há em Israel:

• o tabu do incesto

• o levirato: um irmão ou parente deve dar descendência ao defunto com a viúva

• o divórcio: por meio de libelo ou de repúdio; as mulheres não podiam pedir o divórcio

O casamento adquire um caráter religioso ao ser introduzido no âmbito da Aliança.

O livro de Tobias descreve um matrimônio ideal reunindo todos os elementos positivos: fecundidade, amor personalista, clima religioso. Na família de Tobias se vê como os valores humanos e terrenos são vividos à luz de Deus, com quem o casal trata confidencialmente.

No NT, se vê que a revelação de Jesus Cristo vem completar o mistério do amor conjugal: seu ensinamento se coloca na linha de querer levar à plena realização a realidade do amor tal como foi dado pelo Criador.

A Igreja primitiva, seguindo a orientação de Jesus, se ateve ao ideal de indissolubilidade: entre cristãos não pode existir divórcio. O NT reprova explicitamente o adultério, que é avaliado com gravidade. Além da falta de justiça que ele supõe, expressa no AT, ele adquire maior gravidade por ir contra a indissolubilidade do matrimônio, imagem da união de Cristo com a Igreja, e da igualdade em Cristo.

Na era patrística, o matrimônio é considerado como um âmbito da vida real no qual se devem verificar e pôr à prática as atitudes morais cristãs: é o âmbito da vocação cristã. A doutrina de Clemente de Alexandria diz que os fins do matrimônio não se reduzem à procriação, também contam o mútuo apoio e a vida de relação entre os casados. 

 Há o esboço de uma moral sexual matrimonial nesse sentido, aprofundada por Santo Agostinho. A moralidade da relação conjugal deste santo pode ser sintetizada assim: 

• a procriação dos $lhos é o $m do matrimônio; por conseguinte, o ato conjugal não é pecaminoso, embora ele não encontre nenhum outro ato humano que sirva de ocasião para que se transmita o pecado original; 

• é um ato legítimo e honroso, mais ainda, um dever, enquanto encaminhado para o $m ao qual está naturalmente ordenado. A experiência pessoal pecaminosa de Agostinho vivida em sua própria sexualidade pesou muito na atitude que adotou diante da condição humana. 

Os pensadores posteriores utilizaram tal teologia agostiniana como um critério seletivo, centrando-se principalmente em seus aspectos pessimistas. Assim, por esse caminho, se chegou a identi"car o prazer sexual como uma consequência da queda do homem e um pecado.

Na Idade Média, os séculos XI, XII e XIII foram decisivos para a sacramentalidade matrimonial, quando se esclarece a “essência” do casamento, prevalecendo a perspectiva de contrato diante da consumação sexual.

Para Alberto Magno, não há pecado na cópula matrimonial: a relação carnal entre esposos tem uma "nalidade sacramental além da intenção de procriar. Tomás se afastou da tendência agostiniana de suspeitar de todo prazer: é um fato natural enquanto governado pela razão. Diz ele que “Deus nada faz em vão”; se existem órgãos sexuais, é para que sejam utilizados. 

Dois aspectos re+etem a notável originalidade teórica e a grande sensibilidade prática de Tomás: a vida conjugal como máxima amizade e a instituição matrimonial como bem civil, a dimensão social ou cultural do matrimônio. As seitas heréticas dos séculos XII e XIII atacaram decididamente o conceito do matrimônio e se opuseram a um comportamento sexual normal e equilibrado. Os mais destacados adversários foram os cátaros, cujas teses eram: – todo prazer da carne é culposo; o matrimônio não é mais que a organização desse prazer (é um meretricium, um lupanar); – a geração humana é obra do diabo; ela faz descer a um corpo miserável uma alma que vivia feliz junto a Deus. – O concílio de Trento em sua doutrina sobre o matrimônio constitui a consolidação de um processo de “teologização” e “eclesialização” da instituição matrimonial. Trento introduziu a grande.


O crescimento da igreja e os grupos familiares

 Por  José Olavo da Costa, Mestre em Teologia pelo Instituto Bíblico Betel Brasileiro-PB, Especialista em Psicopedagogia pela FACINTER, Graduado em Pedagogia pela UFRN e em Teologia pela Escola Superior de Teologia-EST, e Aluno do Curso de Filosofia da Faculdade Dom Heitor Sales – FAHS

É pertinente observarmos que a igreja primitiva surge e se estabelece por um longo período nos lares. Havia grade comunhão, pois “[...] partiam o pão de casa em casa e tomavam suas refeições com alegria e singeleza de coração” (At 2.46). Compreendemos que o propósito da comunhão e da singeleza de coração da igreja primitiva, ocorria na relação dos pequenos grupos familiares, ou seja, “de casa em casa”. As igrejas nos lares possibilitam um espaço ideal, para vivermos em favor do outro com responsabilidade recíproca. Isso não dispensará a confissão mútua de pecados. Como afirma Simson:
 Quando as pessoas confessam uma diante das outras seus pecados e se perdoam mutuamente (Cl 2.13), elas param de ter uma vida dúplice uns perante os outros, rompendo o poder do pecado oculto. Confessam suas próprias carências de perdão e graça, podem tirar as belas máscaras e finalmente ser autênticas, ganhando assim a aceitação e o amor de outros pecadores, que na verdade estão na mesma situação (Simson, 2001, p.104).

Somente os pequenos grupos, que se reúnem regularmente para desenvolver a mutualidade, geram o espaço onde os relacionamentos profundos podem acontecer. A igreja não conseguirá outro meio de ser igreja a menos que fracione seu rebanho em pequenas células (que chamamos de pequenos grupos) reprodutoras de relacionamentos (KIVITZ, 2008, p.63).

Para Grudem (2005, p. 88): “um pequeno grupo deve tratar de como as ovelhas podem aprender e graciosamente cuidar uma das outras conforme a palavra de Deus”. Vendo a necessidade que a igreja possui de compreender sobre a importância do cuidado mútuo de um para com o outro, seguindo o exemplo do amor de Cristo. Faz-se necessário discorre-se sobre a importância do ministério de casais como instrumento de crescimento da igreja local e do fortalecimento da comunhão no convívio familiar.

O crescimento da igreja e o ministério de casais

Entre o casal, ocorre à evangelização recíproca, feita por palavras e por gestos que testemunham o milagre intimo operado por Deus em cada um: “os cônjuges cristãos constituem um para o outro, para os filhos e demais familiares, cooperadores da graça e cooperadores da fé”. (SPREAFICO, 1992, p.82). 


24/07/2015

UNÇÃO DOS ENFERMOS

A UNÇÃO DOS ENFERMOS NA BÍBLIA



A unção dos Enfermos é claramente mostrada na bíblia. É prefigurada no Evangelho de Marcos quando ele mostra que os apóstolos expulsavam demônios e curavam enfermos ungindo os com óleo:

“Partindo, eles pregavam que todos se arrependessem. E expulsavam muitos demônios e curavam muitos enfermos, ungindo-os com óleo” (Mc 6,12-13).

Já na epístola de Tiago o sacramento é mostrado, recomendado e ensinado como deve ser feito:

“Alguém dentre vós está doente? Mande chamar os presbíteros da Igreja para que orem sobre ele, ungindo-o com óleo em nome do Senhor. A oração da fé salvará o doente e o Senhor o aliviará; e, se tiver cometido pecados, estes lhe serão perdoados” (Tg 5,14-15).







A UNÇÃO DOS ENFERMOS NA IGREJA PRIMITIVA



Como prática comum da Igreja primitiva a Unção dos enfermos é relatada nos escritos de diversos padres primitivos, dos quais alguns leremos agora.





Hipólito de Roma



O lugar e a data do seu nascimento são desconhecidos, embora saiba-se que foi discípulo de Santo Ireneu de Lião. Seu grande conhecimento da filosofia e dos mistérios gregos, e sua própria psicologia, indicam que procedia do Oriente. Até o ano 212 era presbítero em Roma, onde Orígenes - durante sua viagem à capital do Império - o ouviu pronunciar um sermão.



“O Deus que santifica este óleo, como Tu garantes a todos os que são ungidos e recebem dele a consagração com que Tu fizeste ungir reis e sacerdotes e profetas, assim fazei para pode dar força a tudo o que provam dele e saúde para todos os que usá-lo”. (Hipólito de Roma, Tradição Apostólica, 5, 2).





Tertuliano

Estritamente falando, Tertuliano não é considerado um pai da Igreja, mas um apologista e escritor eclesiástico, já que no final de sua vida cai em heresia abraçando o montanismo. Porém foi lido antes de seu abandono da Igreja Católica. Tanto em seu período ortodoxo quanto em seu período herético temos em Tertuliano um testemunho que nos informa sobre a prática primitiva da Crisma na Igreja.

“Por que eles são corajosos o suficiente para ensinar, para disputar, para decretar exorcismos, para realizar curas - podem até mesmo batizar.” (Tertuliano, Prescrição, 49)



Orígenes de Alexandria



Ilustre teólogo e escritor eclesiástico. Nascido em Alexandria por volta do ano 231, foi reconhecido como o maior mestre da doutrina cristã em sua época, exercendo uma extraordinária influência como intérprete da Bíblia.

“Além destes, há também um sétimo, embora difícil e trabalhoso... Desta forma, isso é também cumprido, o que o apóstolo Tiago diz: ‘Se, pois, há alguém doente, Chame os presbíteros da Igreja , e deixá-los impor as mãos sobre ele, ungindo-o com óleo em nome do Senhor;. E a oração da fé salvará o doente, e se ele está em pecados, serão perdoados’” (Homilia sobre o Levítico 2, 4)



Afraátes o Persa



Afraates é originário da região de Nínive-Mosul, hoje Iraque, viveu na primeira metade do século IV. Tem-se poucas informações sobre sua vida. Ele manteve relações estreitas com os ambientes ascético-monásticos da Igreja Síria, sobre a qual transmitiu algumas notícias em sua obra e à qual dedicou parte de sua reflexão.

“Do sacramento da vida, pelo qual os cristãos [o batismo], [sacerdotes na ordenação], reis e profetas são aperfeiçoados; ilumina a escuridão [na confirmação], unge os enfermos, e pelo seu sacramento secreto restaura os penitentes.” (Afraates o sábio persa, tratados 23, 3)



São João Crisóstomo

Doutor da Igreja, nascido em Antioquia, em 347 d.C, morreu em Commana em Pontus em 14 de Setembro de 407. É considerado o mais proeminente Doutor da Igreja Grega e tido como o maior pregador que já subiu em um púlpito cristão.

“Pois não só no momento da regeneração, mas depois também, eles têm autoridade para perdoar pecados. ‘É alguém entre vós doente?’ é dito, ‘Chame os presbíteros da Igreja, e estes façam oração sobre ele, ungindo-o com óleo em nome do Senhor E a oração da fé salvará o doente, e o Senhor o levantará.: e, se houver cometido pecados, serão perdoados.’” (Sobre o sacerdócio, 3, 6)



Atanásio de Alexandria



Atanásio de Alexandria (296 -373 d.C) foi bispo de Alexandria e o mais proeminente teólogo do século IV.

“[Os doentes] consideram uma mais terrível calamidade do que a própria doença ... [em vez de permitir] as mãos dos arianos ser colocadas sobre as suas cabeça.” (Atanásio, Epístola Encíclica)



Serapião de Thmuis



Serapião nasceu no Egito, no norte da África e era um sacerdote profundo conhecedor das questões eclesiásticas. Tornou-se um dos maiores combatentes dos hereges no século IV que, aliás, foi o mais fértil deles. Fértil de hereges, mas também de combatentes. Serapião, era amigo e companheiro do bispo Atanásio, que lhe enviou cinco cartas, as quais fazem parte dos arquivos da Igreja, incentivando-o a continuar na luta contra a doutrina dos arianos.

“[este óleo]... para a boa graça e a remissão dos pecados, para um medicamento de vida e salvação, para a saúde e solidez da alma, corpo, espírito, para o fortalecimento perfeito.” (Serapião de Thmuis, anáfora, 29, 1)



Efraim

“Eles oram sobre ti; alguém sopra sobre ti, outro selas tu” (Efraim, Homilia 46)



Santo Ambrósio



Bispo de Milão entre os anos de 374 à 397, nasceu provavelmente em 340 d.C, em Trier, Arles, ou Lião, morreu em 4 de Abril de 397. Foi um dos mais ilustres Padres e Doutores da Igreja.

“Por que, então, você impõe as mãos, e acredita que ela tem o efeito de bênção, se por acaso alguma pessoa doente se recupera? Por que você supõe que qualquer um pode ser purificado por você da poluição do diabo? Por que você batiza se pecados não podem ser remidos pelo homem? Se o batismo é, certamente, a remissão de todos os pecados, que diferença faz se os padres afirmam que esse poder é dado a eles em penitência ou na fonte? Em cada mistério é um.” (Ambrose, Penitência, 1,8:36)





Cirilo de Alexandria

“Se alguma parte do seu corpo está sofrendo... recorde também o que diz na Escritura divinamente inspirada: ‘Está alguém enfermo? Chame os sacerdotes da Igreja, e estes façam oração sobre ele, ungindo-o com óleo em nome do Senhor. A oração da fé salvará o enfermo e o Senhor o restabelecerá. Se ele cometeu pecados, ser-lhe-ão perdoados.’”.(Tiago 5:14-15)” (Cirilo de Alexandria , louvor e adoração, 6)

Papa Inocêncio

Inocêncio I foi bispo de Roma de 401 a 12 de março de 417. Um líder capaz e enérgico. Efetivamente promoveu o primado da Igreja Romana e cooperou com o Estado imperial para reprimir a heresia.

“Na epístola do abençoado Apóstolo Tiago...’Se alguém dentre vós está doente, Chame os sacerdotes ... ". Não há dúvida de que isso deveria unção deveria ser interpretada ou entendida do fiél doente, que pode ser ungido com o óleo sagrado da crisma... é uma espécie de sacramento.” (Papa Inocêncio, para Decêncio, 25,8,11)



César de Arles

“Que quem está doente receba o Corpo e o Sangue de Cristo; que ele humildemente e com fé pedir aos presbíteros o aabençoado óleo, para ungir seu corpo, de modo que o que foi escrito possa ser frutuoso nele:“Está alguém enfermo? Chame os sacerdotes da Igreja, e estes façam oração sobre ele, ungindo-o com óleo em nome do Senhor. A oração da fé salvará o enfermo e o Senhor o restabelecerá. Se ele cometeu pecados, ser-lhe-ão perdoados.’(Tiago 5, 14-15)” (Sermões, 13 (265), 3).



Cassdório de Cevilha

“[Um] sacerdote deve ser chamado, e pela oração da fé dele e a unção do óleo santo que ele fará, vai salvar quem está aflito [por uma grave lesão ou doença].” (Cassiodoro, Complexiones (570 dC))



CONCLUSÃO



Vemos aqui mais um sacramento que é fortemente baseado nas Escrituras e abertamente praticado na Igreja Primitiva, como pudemos ver em diversos testemunhos dos pais da Igreja.

Quem deseja ler, o que os pais da Igreja dizem sobre os outros sacramentos podem ler aqui sobre a Crisma, aqui sobre a confissão, aqui sobre a Eucaristia e aqui sobre o batismo infantil.

Penitência, sacramento

Comprovaremos que a disciplina penitencial, inclusive a confissão dos pecados diante do sacerdote e da Igreja, existe deste a Era Apostólica.

Examinemos a Didaqué (redigida entre 60 e 160 d.C.), considerada um dos mais antigos escritos cristãos não-canônicos e que pode anteceder boa parte dos escritos do Novo Testamento, já que estudos recentes apontaram que a data possível de sua composição é anterior ao ano 160 d.C. Trata-se de um excelente testemunho do pensamento da Igreja primitiva. Referido documento é insistente em exigir a confissão dos pecados antes do recebimento da Eucaristia:

"Na reunião dos fiéis, confessarás os teus pecados e não te aproximarás da oração com má consciência"[14].

Na Didaqué temos, então, um antiquíssimo testemunho histórico que se opõe à posição protestante de confessar os pecados diretamente a Deus.

O TESTEMUNHO DE ORÍGENES (185-254 D.C.)

Orígenes foi Padre da Igreja, teólogo e comentarista bíblico. Viveu em Alexandria até o ano de 231 d.C., passando os últimos vinte anos de sua vida em Cesaréia Marítima, na Palestina, e viajando pelo Império Romano. Foi o maior mestre da doutrina cristã de sua época e exerceu uma extraordinária influência como intérprete da Bíblia.

Orígenes afirma que após o batismo há meios para se obter o perdão dos pecados cometidos, entre eles, enumera a penitência:

"Além destas três, há ainda uma sétima [razão], embora dura e trabalhosa: a remissão dos pecados através da penitência, quando o pecador lava seu travesseiro com lágrimas, quando suas lágrimas são seu sustento dia e noite, quando não pára de declarar seu pecado ao sacerdote do Senhor, nem deixa de buscar o remédio, à maneira de quem diz: 'Diante do Senhor acusarei a mim mesmo quanto as minhas iniqüidade e Tu perdoarás a deslealdade do meu coração'"[15].

Com efeito, Orígenes admite uma remissão dos pecados através da penitência e confissão diante de um sacerdote. Afirma também que é o sacerdote quem decide se os pecados devem [ou não] ser confessados em público:

"Observa com cuidado a quem confessas os teus pecados; põe à prova o médico para saber se é enfermo com os enfermos e se chora com os que choram. Se ele crer necessário que teu mal seja conhecido e curado em presença da assembléia reunida, segue o conselho do médico especialista"[16].

Também reconhece que todos os pecados podem ser perdoados:

"Os cristão choram como [chorariam pelos] mortos aos que se entregaram à intemperança ou cometeram qualquer outro pecado, pois se perderam e morreram para Deus. Porém, se dão provas suficientes de uma sincera mudança de coração, são admitidos novamente no rebanho após transcorrer algum tempo - depois de transcorrer um intervalo maior que quando são admitidos pela primeira vez -, como se tivessem ressuscitado de entre os mortos"[17].

DECLARAÇÕES DE TERTULIANO [220 D.C]

Estritamente falando, Tertuliano não é considerado um Padre da Igreja, mas um apologeta e escritor eclesiástico, já que no final de sua vida caiu em heresia, abraçando o Montanismo. Contudo, foi muito lido antes de ter abandonado a Igreja Católica. Tanto em seu período ortodoxo quanto em seu período herético, encontramos em Tertuliano um testemunho ímpar sobre a prática primitiva da penitência na Igreja.

Tertuliano, quando escreve "De Paenitentia" (cerca do ano 203 d.C., ainda católico), fala de uma segunda penitência que Deus "colocou no vestíbulo para abrir a porta aos que batem, porém apenas uma única vez, já que esta é, na verdade, a segunda vez"[18].

Nos textos de Tertuliano se vê um entendimento cristalino de como o fiel que caiu no pecado após o batismo tem necessidade do Sacramento da Penitência e expressa o temor de que este seja mal compreendido pelos débeis, como um meio para continuar pecando e obter novamente o perdão:

"Ó, Jesus Cristo, Senhor meu! Concede aos teus servidores a graça de conhecer e aprender da minha boca a disciplina da penitência, porém no tanto quanto lhes convém e nunca para pecar. Em outra palavras, que após [o batismo] não precisem conhecer a penitência, nem pedí-la. Me repugna mencionar aqui a segunda, ou melhor dizendo neste caso, a última penitência. Temo que, ao falar do remédio da penitência, que se guarda como reserva, pareça sugerir que existe todavia um tempo em que se possa pecar"[19].

Tertuliano fala de "pedir" a penitência, descartando a possibilidade de ser limitada a uma confissão direta com Deus. Isto é explicado detalhadamente por Tertuliano quando afirma que para alcançar o perdão o penitente deve se submeter à ?ξομολ?γησις, isto é, à confissão pública, e adicionalmente cumprir os atos de mortificação (capítulos 9 a 12).

O testemunho de Tertuliano prova ainda que a penitência terminava tal como hoje em dia, com uma absolvição oficial, após o pecado ter sido confessado:

"Evitam este dever como uma revelação pública de suas pessoas ou que o diferem de um dia para outro (...) Por acaso é melhor ser condenado em segredo do que perdoado em público?"

No capítulo 12, fala da eterna condenação que sofrem aqueles que não quiseram fazer uso desta segunda "planca salutis".

Em seu período montanista, Tertuliano nega à Igreja o poder de perdoar os pecados graves (adultério e fornicação), afirmando que tal [espécie de] perdão só foi recebido por Pedro, mas que ele não o transmitiu à Igreja. As razões desta negativa não são, porém, as razões dos protestantes de hoje em dia, mas sim o caráter rigoroso da doutrina montanista, que afirmava que esses pecados [graves] eram imperdoáveis.

Assim retrata o escrito que ele mesmo escreveu, "De Pudicita" (="Sobre a Modéstia"), quando foi impelido a enfrentar um bispo que faz referência ao "Pontifex Maximus" e "Episcopus Episcoporum" (muito provavelmente o Papa Calixto), em virtude de um edito em que escreveu: "Perdôo os pecados de adultério e fornicação àqueles que cumpriram penitência", confirmando assim o poder da Igreja de perdoar os pecados, ainda quando se trate de adultério e fornicação. Este edito é outra evidência da posição oficial da Igreja, que tem consciência do poder recebido de Cristo para outorgar o perdão dos pecados.

Tertuliano deixa assim o seu testemunho hostil sobre a prática da Igreja pré-nicena:

"E desejo conhecer teu pensamento, saber qual fonte te autoriza a usurpar este direito para a Igreja. Sim, porque o Senhor disse a Pedro: 'Sobre esta pedra edificarei a minha Igreja; eu te dei as chaves do reino dos céus', ou melhor, 'tudo o que desligares sobre a terra, será desligado; tudo o que ligares, será ligado'. Tu logo presumes que o poder de ligar e desligar veio até ti, ou seja, a toda Igreja que está em comunhão com Pedro. Que audácia a tua, que pervertes e mudas inteiramente a intenção manifesta do Senhor, que conferiu este poder pessoalmente a Pedro!"[20].

REGISTRO DE SÃO CIPRIANO (258 D.C.)

São Cipriano nasceu por volta do ano 200, provavelmente em Cartago, de família rica e culta. Dedicou-se, durante a juventude, à retórica. O desgosto que sentia diante da imoralidade dos ambientes pagãos, contrastado com a pureza de costumes dos cristãos, o induziu a abraçar o Cristianismo por volta do ano 246 d.C. Pouco depois, em 248 d.C., foi eleito bispo de Cartago.

São Cipriano é um claro expositor da consciência da Igreja de ter recebido de Cristo o poder de perdoar os pecados. Combate assim a heresia de Novaciano, que negava que houvesse perdão para aqueles que durante a perseguição tinham renegado a fé (os "lapsi"). Assim, em "De Opere et Eleemosynis", afirma que aqueles que pecaram após ter recebido o batismo podem novamente obter o perdão, qualquer que seja o pecado.

Também deixa um claro testemunho do dever de confessar o pecado enquanto houver tempo e enquanto esta confissão puder ser recebida pela Igreja:

"Vos exorto, irmãos caríssimos, que cada um de vós confesse o seu pecado, enquanto o pecador viver ainda neste mundo, ou seja, enquanto sua confissão puder ser aceita, enquanto a satisfação e o perdão outorgado pelos sacerdores puderem ser agradáveis a Deus"[21].

ENSINO DE SANTO HIPÓLITO MÁRTIR (~235 D.C.)

O lugar e a data de seu nascimento nos são desconhecidos, ainda que se saiba que foi discípulo de Santo Ireneu de Lião. Seu grande conhecimento da filosofia e mistérios gregos, sua própria psicologia, indica que procedia do Oriente. Até o ano 212 d.C. era presbítero em Roma, onde Orígenes, durante sua viagem à capital do Império, o ouviu pronunciando um sermão.

Em relação ao problema da readmissão na Igreja daqueles que haviam apostatado durante a perseguição, instalou um grave conflito ao se opor ao Papa Calixto, já que Hipólito era rigorista neste assunto, embora não negasse o poder da Igreja para perdoar os pecados. Tão forte foi a discussão que Hipólito se separou da Igreja e foi eleito bispo de Roma por um pequeno número de partidários, convertendo-se assim no primeiro antipapa da História. O cisma se prolongou após a morte de Calixto, atravessou os pontificados de seus sucessores Urbano e Ponciano e só foi terminar no ano 235 d.C., durante a perseguição de Maximiano, quando este desterrou para as minas da Sardenha tanto o Papa legítimo (Ponciano) quanto o ilegítimo (Hipólito). Ali os dois renunciaram ao pontificado, para facilitar a pacificação da comunidade romana, que deste modo pôde eleger um novo Papa, pondo fim ao cisma. Tanto Ponciano quanto Hipólito morreram no ano 235 d.C.

Hipólito oferece um excelente testemunho de como a Igreja estava consciente da sua própria autoridade para perdoar os pecados, pois mesmo sendo intransigente, não negou a faculdade da Igreja em absolver [os pecados]. Evidência disto encontramos em sua "Tradição Apostólica" (Αποστολικ? παρ?δοσις), onde nos apresenta um testemunho indiscutível no momento em que reproduz a oração para a consagração de um bispo:

"Pai, que conheces os corações: concede a este teu servo que elegeste para o episcopado (...) que, em razão do Espírito do sacerdócio soberano, tenha o poder de perdoar os pecados (facultatem remittendi peccata), segundo o teu mandamento; que distribua as partes conforme o teu preceito e que desamarre todo nó da iniqüidade (solvendi omne vinculum iniquitatis), segundo a autoridade que deste aos Apóstolos".

Este testemunho é particularmente importante porque a "Tradição Apostólica" é fonte de um grande número de constituições eclesiásticas orientais, confirmando que tal consciência estava estendida pela Igreja.

AS CONSTITUIÇÕES APOSTÓLICAS (SÉC. IV D.C.)

Da mesma forma que na "Tradição Apostólica" de Santo Hipólito, as "Constituições Apostólicas" redigidas na Síria durante o século IV incluem uma oração similar para a ordenação dos bispos:

"Outorga-lhe, Senhor Todo-Poderoso, através de Cristo, a participação em Teu Santo Espírito, para que possua o poder de perdoar os pecados, conforme o Teu preceito e Tua ordem, para desamarrar todo nó, qualquer que seja, de acordo com o poder que outorgaste aos Apóstolos"[22].

SÃO BASÍLIO MAGNO (330-379 D.C.)

Bispo da Cesaréia e preeminente clérigo do século IV, é também Santo da Igreja Ortodoxa e enumerado entre os Padres da Igreja.

Qüasten comenta que, embora K.Holl opine que foi São Basílio o responsável pela introdução da confissão auricular no sentido católico, como confissão regular e obrigatória para todos os pecados, inclusive os mais secretos[23], "seu erro, todavia, está em identificar a confissão sacramental com a 'confissão monástica', que era apenas um meio de disciplina e de direção espiritual, não implicando em reconciliação nem absolvição sacramental. Em sua Regra[24], São Basílio ordena que o monge tem que descobrir seu coração e confessar todas as suas ofensas, inclusive seus pensamentos mais íntimos, ao seu Superior ou a outros homens probos 'que gozem da confiança dos irmãos'. Neste caso, o posto do Superior pode ser ocupado por alguém que tenha sido eleito como seu representante. Não existe a menor indicação de que o Superior ou seu substituto tenham que ser sacerdotes; pode-se dizer, portanto, que Basílio inaugurou o que se conhece sob o nome de 'confissão monástica', mas não a confissão auricular, que constitui uma parte essencial do Sacramento da Penitência".

Comenta ainda Qüasten: "Entretanto, de suas cartas canônicas se deduz que continuava em vigor a disciplina que havia existido nas igrejas da Capadócia desde os tempos de Gregório Taumaturgo. A expiação consistia na separação do penitente da assembléia cristã (cap. VII). Na epístola canônica, menciona quatro graus: o estado "dos que choram", cujo lugar ficava fora da igreja (προ?σκλαυσις); o estado "dos que escutam", que estavam presentes para a leitura da Sagrada Escritura e para o sermão (?κρ?ασης); o estado "dos que se prostram", que assistiam a oração ajoelhados (υπ?σταση); e, por último, o estado "dos que estão de pé" durante todo o ofício, porém não podem participar da comunhão (σ?στασις)".

SANTO AMBRÓSIO DE MILÃO (340-396 D.C.).

É um dos quatro grandes doutores da Igreja latina. Nasceu por volta do ano 340 d.C., em Tréveris, porém foi criado em Roma. Foi eleito bispo de Milão no ano 374 d.C. No ano 387 d.C., batizou Santo Agostinho de Hipona. Tornou-se popular pela firmeza manifestada diante do imperador Teodósio, em 390 d.C., proibindo-o de entrar em suas igrejas, após promover o morticínio de Tessalônica, enquanto não fizesse penitência pública. Faleceu em Milão em 396 d.C.

Entre os anos 384 e 394 d.C., compôs o "De Paenitentia", um tratado não-homilético em dois volumes, no qual Ambrósio refuta as afirmações dos novacianos acerca do poder da Igreja em perdoar os pecados, proporcionando informações de particular interesse para se conhecer a prática penitencial da Igreja de Milão no século IV:

"[Os novacianos] professam demonstrar reverência ao Senhor reservando somente a Ele o poder de perdoar os pecados. Maior erro não podem cometer ao buscar rescindir Suas ordens, desfazendo o ofício que Ele conferiu. A Igreja [católica] O obedece em ambos os aspectos, ao ligar e ao desligar o pecado, porque o Senhor quis que ambos os poderes fossem iguais"[25].

Ensina que este poder é uma função do sacerdócio e que este pode sim perdoar todos os pecados:

"Pareceria impossível que os pecados devessem ser perdoados através da penitência; Cristo outorgou este [poder] aos Apóstolos e dos Apóstolos foi transmitido para o ofício dos sacerdotes"[26].

"O poder de perdoar se estende a todos os pecados: Deus não faz distinção, pois Ele prometeu misericórdia para todos e aos Seus sacerdotes outorgou a autoridade para perdoar sem qualquer exceção"[27].

O RETORNO DO PRÓDIGO: SANTO AGOSTINHO DE HIPONA (354-430 D.C)

Considerado um dos maiores Padres da Igreja em virtude de sua notável e perdurável influência no pensamento da Igreja. Nascido no ano 354 d.C., chegou a ser não apenas bispo de Hipona, mas um dos maiores teólogos que o mundo já conheceu e um dos primeiros doutores da Igreja. Interveio nas controvérsias que os cristãos mantiveram contra os maniqueus, donatistas, pelagianos, arianos e pagãos. Morreu em 430 d.C., deixando uma grande quantidade de obras, parte de um legado que perdura até hoje.

Contra aqueles que negam que a Igreja recebeu o poder de perdoar os pecados, escreve:

"Não escutemos aqueles que negam que a Igreja de Deus possui o poder para perdoar todos os pecados"[28].

CONCLUSÃO

Para finalizar, citaremos brevemente outros testemunhos claros. São Paciano, bispo de Barcelona (+390 d.C.) escreveu acerca do perdão dos pecados:

"Isto que tu dizes, somente Deus pode fazê-lo. Bastante correto; porém, quando o faz através de Seus sacerdotes, o faz por Seu próprio poder"[29].

E Santo Atanásio (295-373 d.C.) escreveu:

"Assim como o homem batizado pelo sacerdote é iluminado pela graça do Espírito Santo, assim também aquele que em penitência confessa os seus pecados recebe o perdão, através do sacerdote, em virtude da graça de Cristo"[30].

Estas evidências demonstram que a Igreja sempre teve plena consciência de ter recebido de Cristo a faculdade de perdoar os pecados e considerou este dom como parte do Depósito da Fé. Surpreendentemente, tanto os padres do Oriente quanto os do Ocidente interpretaram as palavras de Cristo tal como fazem os católicos mais de vinte séculos depois. É evidente, portanto, que o Concílio de Trento apenas fez eco daquilo que já era ensinado pela Igreja contra os hereges dos primeiros séculos, os quais, em sua grande maioria, nem sequer defendiam a posição protestante atual, já que não rejeitavam que a Igreja tivesse recebido tal faculdade.

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Notas:
[1] Enciclopedia Católica.
[2] Enciclopedia Católica.
[3] João 20,21-23.
[4] Mateus 16,19.
[5] Mateus 18,18.
[6] Manual Prático para a Obra do Evangelismo Pessoal. Igreja de Deus (Israelita).
[7] A Confissão Auricular, Daniel Sapia, www.conocereislaverdad.org.
[8] Mateus 9,6.
[9] Mateus 9,8.
[10] Mateus 3,6.
[11] Atos 19,18.
[12] Tiago 5,16.
[13] Manual Prático para a Obra do Evangelismo Pessoal. Igreja de Deus (Israelita).
[14] Didaqué 4,14. Padres Apostólicos, Daniel Ruiz Bueno, BAC 65, pág. 82..
[15] "... dura et laboriosa per poenitentiam remissio peccatorum, cum lavat peccator in lacrymis stratum suum et fiunt ei lacrymae suae panes die ac nocte, et cum non erubescit sacerdoti domini indicare peccatum suum et quaerere medicinam". Citado em inglés por "The Faith of the Early Fathers", Vol. 1, pág. 207. William A. Jurgens. Publ. Liturgical Press, 1970. Collegeville, Minnesota. Homilias sobre os Salmos 2,4.
[16] Homilias Sobre los Salmos 37,2.5.
[17] Contra Celsum 3,50, EH 253.
[18] De Paenitentia 7.
[19] De Paenitentia 7.
[20] De Pudicitia 21.
[21] De Lapsi 28; Epistolae 16,2.
[22] Constitutione Apostolica 8,5, p.i,1.1073.
[23] Enthusiasmus p.257; 2ª ed., 267.
[24] Regulae fusius tractae 25, 26 e 46.
[25] De poenitentia 1,2,6.
[26] Op.cit., 2,2,12.
[27] Op.cit., 1,3,10.
[28] De agonia Christi 3.
[29] Epistola I ad Simpron 6, en P.L. XIII,1057.
[30] Fragmentum contra Novatum pág. XXVI,1315.

http://www.veritatis.com.br/doutrina/sacramentos/8155-confissao-penitencia-e-reconciliacao

21/07/2015

IGREJA PRIMITIVA E O MATRIMÔNIO

O Pastor de Hermas

O pastor de Hermas é uma obra apocalíptica da primeira metade do século II depois de Cristo. Nesta obra temos a seguinte citação:

“O que o marido deve fazer, se a mulher continuar em disposição [de adultério]? Que ele se separe dela, e que o marido continue solteiro. Mas se ele se separar de sua esposa, e se casar com outra, ele também comete adultério.” (O pastor 4, 1, 6)



Inácio de Antioquia

“Foge às más artes, prega antes contra elas. Fala às minhas irmãs, que amem o Senhor e se contentem com os maridos na carne e no espírito. Da mesma forma, recomenda aos meus irmãos em nome de Jesus Cristo que amem suas esposas como o Senhor ama a Igreja. Se alguém é capaz de perseverar na castidade em honra da carne do Senhor, persevere sem orgulho. Caso se orgulhar, está perdido; se ainda for tido como mais do que o Bispo, está corrompido. Convém aos homens e às senhoras que casam contraírem a união como consentimento do bispo, a fim de que o casamento se realize segundo o Senhor e não conforme a paixão. Tudo se faça para honra de Deus.” (Carta a Policarpo, V)



Justino Mártir

“No que diz respeito à castidade, [Jesus] tem isto a dizer: ‘Se alguém olhar com cobiça para uma mulher, ele diante de Deus já cometeu adultério em seu coração’ E, ‘Quem casa com uma mulher que se divorciou de outro marido, comete adultério.’ De acordo com o nosso Mestre, assim como eles são pecadores que contraem um segundo casamento, apesar de estar de acordo com a lei humana, assim também são eles pecadores que olham com o desejo sensual para uma mulher. Ele repudia não só quem realmente comete adultério, mas mesmo quem deseja fazê-lo, não só para as nossas ações são que manifestas a Deus, mas até mesmo os nossos pensamentos.” (Primeira Apologia 15).



Clemente de Alexandria

São Clemente (não confundir com o Papa Clemente Romano) foi um teólogo grego antigo e chefe da escola catequética de Alexandria. Nasceu em Atenas, (a data é desconhecida) e morreu por volta do ano 215 d.C. Ele foi também professor de Orígenes.

“Agora que a Escritura aconselha o casamento, e não permite liberação da união, é expressamente contido na lei, ‘Tu não deve se separar da tua mulher, a não ser por causa de fornicação’, e que considera a fornicação, o casamento daqueles separados enquanto que a outra ainda está viva. Não se enfeitar e adornar além do que está a tornar-se, torna a mulher livre de suspeita caluniosa. Enquanto ela dedica-se assiduamente à oração e súplicas, evitando saídas freqüentes da casa, e fechando-se, tanto quanto possível do ponto de vista de todos os não relacionados a ela, e considerando limpeza mais da conseqüência do que da impertinente futilidade. ‘Aquele que toma uma mulher que foi repudiada’, diz-se, ‘comete adultério, e se repudiar sua mulher, ele faz dela uma adúltera’, isto é, obriga-a a cometer adultério. E não é só ele quem a coloca culpada disto, mas o que a leva, dando à mulher a oportunidade de pecar, pois se ele não levasse, ela iria voltar para o marido.” (Stromata / Cristo, o Educador, Livro 2, Capítulo 23)



Tertuliano

Estritamente falando, Tertuliano não é considerado um pai da Igreja, mas um apologista e escritor eclesiástico, já que no final de sua vida cai em heresia abraçando o montanismo. Porém foi lido antes de seu abandono da Igreja Católica. Tanto em seu período ortodoxo quanto em seu período herético temos em Tertuliano um testemunho que nos informa sobre a prática primitiva da Crisma na Igreja.

“De onde devemos encontrar (palavras) totalmente suficientes para dizer a felicidade de que o casamento que a Igreja consolida, e a oblação confirma, e os sinais e selos bentos; (que) anjos levam de volta a notícia (para o céu), (que) o Pai espera para ratificar? Pois mesmo em filhos da terra não casam correta e legalmente sem o consentimento dos seus pais.  Que tipo de jugo é o de dois cristãos, (participantes) de uma esperança, um desejo, uma disciplina, um e o mesmo serviço? Ambos (são) irmãos, ambos companheiros servidores, sem diferença do espírito ou da carne; não, (são) verdadeiramente, ‘dois em uma só carne’. Onde a carne é uma, um é o espírito. Juntos oram, juntamente prostrar-se, juntamente realizam seus jejuns; mutuamente ensinam, exortam-se mutuamente, mutuamente sustentam-se igualmente, (são) ambos (encontrado) na Igreja de Deus, igualmente, no banquete de Deus, igualmente em dificuldades, nas perseguições, na boaventura. Nem se escondem do outro; nem evita o outro; nem é problemático para o outro.” (A minha esposa, 2,8:4)



Orígenes

Ilustre teólogo e escritor eclesiástico. Nascido em Alexandria por volta do ano 231, foi reconhecido como o maior mestre da doutrina cristã em sua época, exercendo uma extraordinária influência como intérprete da Bíblia.

“Assim como a mulher é adúltera, ainda que ela pareça estar casada com um homem, enquanto o ex-marido ainda vive, assim também o homem que pareça casar com ela que se divorciou, não se case com ela, mas, de acordo com a declaração de nosso Salvador, ele comete adultério com ela.” (Comentários sobre Mateus 14, 24)



Concílio de Elvira

“Da mesma forma, as mulheres que deixaram seus maridos, sem causa prévia e uniram-se com outros, não podem sequer na morte receber a comunhão” (Cânon 8).

“Da mesma forma, uma mulher batizada que deixou um marido adúltero batizado e casar com outro, seu casamento dessa forma é proibida. Se ela assim se casou, ela não pode mais receber a comunhão até a morte do seu ex-marido pelo menos, mas por acaso, no caso de necessidade de doença, que lhe seja dado.” (Cânon 9).



São João Crisóstomo

Doutor da Igreja, nascido em Antioquia, em 347 d.C, morreu em Commana em Pontus em 14 de Setembro de 407. É considerado o mais proeminente Doutor da Igreja Grega e tido como o maior pregador que já subiu em um púlpito cristão.

“‘O que Deus uniu, o homem não separe’ (Mateus 19:06). Veja a sabedoria de um professor. Quero dizer, o que foi perguntado: É lícito? Ele não disse de uma só vez, Não é lícito, para que não ser perturbado e colocar em desordem, mas antes da decisão pelo Seu argumento rendeu esse manifesto, mostrando que ele próprio é também o mandamento de Seu Pai, e que não está em oposição a Moisés que Ele mandou essas coisas, mas em pleno acordo com ele ... mas, agora, tanto pelo modo de criação, e pelo modo legislar, ele mostrou que um homem deve viver com uma mulher continuamente, e nunca romper com ela.” (Homilias sobre São Mateus, 62, 1)



Basílio Magno

Nasceu por volta do ano 329 em Cesaréia da Capadócia. Chegou a ser um dos Padres da Igreja grega que mais brilharam no século IV. Morreu em torno do ano 379.

“Um homem que se casa com a mulher do outro homem que foi levada para longe dele será cobrado com o adultério, no caso da primeira mulher; mas, no caso de segunda, ele será inocente.” (Segunda Carta Canonica a Amphilochius 199, 37)



Ambrosiaster

“‘Pois esta razão deixará o homem pai e mãe e se unirá à sua mulher e serão dois numa só carne.’ Para recomendar esta unidade ele fornece um exemplo de unidade. Justamente como um homem e uma mulher são um em natureza assim Cristo e a Igreja são reconhecidos como um pela fé. ‘Este é um grande mistério - Quero dizer, em referência a Cristo e a Igreja.’ Ele quer dizer que o grande sinal deste mistério está na unidade de homem e mulher... Assim como um homem abandona seus pais e se unirá à sua mulher, também têm abandona todos os erros e se unirà a Igreja e se sujeitará a sua Cabeça, que é Cristo.” (Em Efésios 5, 31)



Santo Ambrósio

Bispo de Milão entre os anos de 374 à 397, nasceu provavelmente em 340 d.C, em Trier, Arles, ou Lião, morreu em 4 de Abril de 397. Foi um dos mais ilustres Padres e Doutores da Igreja.

“Não há quase nada mais mortal do que estar casado com alguém que é um estranho para a fé, onde as paixões da luxúria e da dissensão e os males do sacrilégio são inflamados. Uma vez que a cerimônia de casamento deve ser santificada pelo véu sacerdotal e abençoada, como isso pode ser chamado de uma cerimônia de casamento em que não houve acordo na fé?” (A Virgílio, Carta 19, 7)

“Ninguém está autorizado a conhecer uma outra mulher que não seja sua esposa. O direito marital é dado por esta razão: a menos que você caia na armadilha e peque com uma mulher estranha. ‘Se você está ligado a uma mulher não peça o divórcio’, pois você não está permitido, enquanto sua esposa vive, para se casar com outra.” (Abraão 01:07:59)

“Nós não dizemos que o casamento não foi santificado por Cristo, uma vez que a Palavra de Deus diz: ‘Os dois serão uma só carne e um espírito. Mas antes de nascermos somos levados ao nosso objetivo final, e o mistério da operação de Deus é mais excelente do que o remédio para as fraquezas humanas. Justamente é a boa esposa louvada, mas uma virgem piedosa é mais justamente preferida.” (Para Sircius, Carta 42, 3)



Paciano

“E estas são as núpcias do Senhor, para que como essa grande sacramento eles possam se tornar dois em uma só carne, Cristo e a Igreja. Destas núpcias ao povo cristão nasce, quando o Espírito do Senhor desce sobre esse povo.” (Sermão sobre o Batismo, 6)



São Jerônimo

“O apóstolo tem assim cortado cada apelo e declarou claramente que, se uma mulher se casa novamente, enquanto o marido está vivo, ela é adúltera... Um marido pode ser um adúltero ou um sodomita, ele pode estar manchado com todo crime e pode ter sido deixado por sua esposa por causa de seus pecados, mas ele ainda é o marido dela e, enquanto viver, ela não pode se casar com outra.” (Cartas, 55)



Papa Inocêncio

Inocêncio I foi bispo de Roma de 401 a 12 de março de 417. Um líder capaz e enérgico. Efetivamente promoveu o primado da Igreja Romana e cooperou com o Estado imperial para reprimir a heresia.

“A prática é observada por todos a respeito de como uma mulher adúltera que se casa pela segunda vez, enquanto o marido ainda vive, e a permissão para fazer penitência não é concedida a ela até que um deles esteja morto” (Carta 2, 13:15)



Santo Agostinho

Bispo de Hipona e doutor da Igreja, é reconhecido como um dos quatro doutores mais distintos da Igreja latina. Nasceu em 354 e chegou a ser bispo de Hipona durante 34 anos. Combateu duramente todas as heresias de sua época e morreu no ano 430.

“A mulher não começa a ser a esposa de nenhum outro marido, a menos que ela deixe de ser a esposa de um ex. Ela deixará de ser a esposa de um ex-marido, no entanto, se o marido morrer, não se ele cometeu adultério. Um cônjuge, portanto, é legalmente separado por causa de fornicação;., mas o vínculo da castidade permanece é por isso que um homem é culpado de adultério se ele casar com uma mulher que tenha sido indeferida, mesmo por essa mesma razão de adultério.”(Casamentos adúlteros , 2, 4:4).

“Certamente não é a fecundidade apenas, o fruto do que consiste em prole, nem castidade, cujo vínculo é a fidelidade, mas também um certo vínculo sacramental no casamento, que é recomendado para os crentes em casamento. Assim sendo, é advertido pelo apóstolo: ‘Maridos, amai vossas mulheres, como também Cristo amou a Igreja’. Desse vínculo a substância, sem dúvida, é esta, que o homem e a mulher que se unem em matrimônio devem permanecer inseparáveis enquanto eles viverem ..”(Sobre o casamento e concupiscência, 1,10 [11])



Cirílo de Alexandria

São Cirilo de Alexandria  foi o Patriarca de Alexandria quando a cidade estava no topo de sua influência e poder dentro do Império Romano. Um dos Padres gregos, Cirilo escreveu extensivamente e foi o protagonista liderante nas controvérsias cristológicas do final do século IV e do século V.

“Quando o casamento foi celebrado [Em Cana], é claro que ele era inteiramente decoroso: de fato, a Mãe do Salvador estava lá; e convidado, juntamente com Seus discípulos, o Salvador também estava lá, trabalhando milagres mais do que ser entretido em festejar e, especialmente, para santificar o princípio da geração humana, o que certamente é uma questão relacionada a carne.” (Comentário sobre João, 2, 1)



Papa Leão Magno



O Papa Leão I ou Leão o Grande, reinou de 440 até 461 d.C, data da sua morte.  O Local e data de nascimento são desconhecidas. O pontificado dele junto ao de São Gregório I, é o mais significativo e importante na antiguidade cristã. Na altura em que a Igreja estava experimentando os maiores obstáculos para seu crescimento em consequência da desintegração acelerada do Império Ocidental, enquanto o Oriente estava profundamente agitado por causa controvérsias dogmáticas, este grande Papa, com sagacidade e uma mão poderosa, orientou o destino da Igreja Romana e Universal no caminho da ortodoxia.

“A esposa é diferente de uma concubina, mesmo como uma escrava de uma livre. Por qual razão também o apóstolo, a fim de mostrar a diferença dessas pessoas, cita  Gênesis, onde é dito a Abraão: ‘larga a escrava e seu filho, porque o filho da escrava não será herdeiro com meu filho Isaac ‘(Gênesis 21, 10). E, portanto, uma vez que o laço do casamento era desde o princípio assim constituído, pois além da junção dos sexos para simbolizar a união mística de Cristo e Sua Igreja, é indubitável que essa mulher não tem parte no matrimônio, em cujo caso é mostrado que o mistério do casamento não ocorreu.” (Carta, 167, 4)





São Gregório Magno



Papa e doutor da Igreja, é o quarto e último dos originais Doutores da Igreja latina. Defendeu a supremacia do Papa e trabalhou pela reforma do clero e da vida monástica. Nasceu em Roma por volta do ano 540 e faleceu em 604.

“Pois, se eles dizem que deve ser dissolvido o casamento por causa de religião, seja sabido que, embora a lei humana admita isso, mas a lei divina proíbe. Pois a Verdade em pessoa diz: ‘O que Deus ajuntou não o separe o homem’ (Mateus 19, 6). Além disso, ele diz: ‘Não é lícito ao homem repudiar sua mulher, exceto por causa de fornicação’ (Mateus 19, 9). Quem pode, então, contradizer este legislador celestial?” (Livro 11, 45)





São João Damasceno

“A virgindade é a regra de vida dos anjos, a propriedade de toda a natureza incorpórea. Isso que dizer, sem falar mal de Casamento: Deus me livre! (pois sabemos que o Senhor abençoou o casamento de Sua presença, e nós sabemos o que disse, o matrimônio e o leito sem mácula), mas sabendo que a virgindade é melhor do que o casamento, no entanto, bom.” (Exposição da Fé Ortodoxa, livro 4, capítulo 24)



Existem muitas outras passagens dos pais da Igreja sobre o Matrimônio que omitimos aqui por brevidade da matéria.



CONCLUSÃO



Como podemos ver o casamento indissolúvel e é um sacramento. Muito embora sejam claras as provas tanto na Tradição da Igreja, quando na bíblia,

“Ele respondeu: Nunca lestes que o Criador, desde o princípio, os fez homem e mulher e disse:  ' De modo que eles já não são dois, mas uma só carne'. Portanto, o que Deus uniu, o homem não separe” (Mateus 19, 6).

Muitos ainda teimam (principalmente alguns protestantes) que se houver “traição” a pessoa pode se separar e casar novamente. O versículo que usam como base é o seguinte:

"Ora, eu vos declaro que todo aquele que rejeita sua mulher, exceto no caso de fornicação, e desposa uma outra, comete adultério. E aquele que desposa uma mulher rejeitada, comete também adultério."

“Λέγωδὲὑμῖνὅτιὃςἂνἀπολύσῃτὴνγυναῖκααὐτοῦ, μὴἐπὶπορνείᾳ, καὶγαμήσῃἄλλην, μοιχᾶται· καὶὁἀπολελυμένηνγαμήσαςμοιχᾶται.” (Mateus 19, 9)

A palavra grega usada é πορνείᾳ (pornéia). Esta palavra é usada para todas as uniões falsas e ilícitas, ou seja Jesus está falando que se alguém se casar falsamente pode se divorciar, ou seja se você casar com uma irmã, casar forçado, casar com uma pessoa já cas1ada, ou casar por interesse, nesses casos e outros Jesus fala que pode se divorciar por que na realidade nunca houve o casamento.

A tradução correta é:

“Ora, eu vos declaro que todo aquele que rejeita sua mulher, exceto no caso de matrimônio falso, e desposa uma outra, comete adultério. E aquele que desposa uma mulher rejeitada, comete também adultério.”

Não é possível entender como é que eles interpretam “União ilícita”, como que é caso de traição, na realidade união ilícita, diz respeito a um matrimônio falso. Se Jesus quisesse falar em “traição”, ele teria usado outra palavra μοιχᾶται.  Vamos mostrar um dicionário bíblico protestante que traduz a palavra da seguinte maneira:

4202 πορ νεια porneia

de 4203; TDNT - 6:579,918; n f

1) relação sexual ilícita

1a) adultério, fornicação, homossexualidade, lesbianismo, relação sexual com animais etc.

1b) relação sexual com parentes próximos; Lv 18

1c) relação sexual com um homem ou mulher divorciada; Mc 10.11-12

2) metáf. adoração de ídolos

2a) da impureza que se origina na idolatria, na qual se incorria ao comer sacrifícios

oferecidos aos ídolos.

A união ilícita, ou seja, um ato no qual não há o casamento, como um casamento de adultero, um casamento entre parentes próximos.



BIBLIOGRAFIA

http://theology1.tripod.com/readings/fathersofthechurch.htm

A ORDEM NA IGREJA PRIMITIVA

Inácio de Antioquia (110 d.C)



“Nas pessoas acima mencionadas, pude observar, na fé e no amor, toda a vossa comunidade; assim, exorto-vos a estudarem todas as coisas com divina harmonia, tendo vosso bispo presidindo no lugar de Deus e vossos presbíteros no lugar da assembléia dos apóstolos, junto com seus diáconos - que são muito queridos para mim - aos quais foi confiado o serviço de Jesus Cristo, que estava com o Pai antes do início dos tempos e que por fim se manifestou. Fazei tudo, então, imitando a mesma conduta divina, mantendo o respeito uns pelos outros, não olhando para o seu próximo segundo a carne, mas amando-o continuamente em Jesus Cristo. Que nada exista entre vós causando divisão, mas sejais unidos ao vosso bispo e àqueles que vos presidem, como um sinal evidente da vossa imortalidade.” (Carta aos Magnésios,  CAPÍTULO VI)

“Na hora em que vos submeteis ao bispo como a Jesus Cristo, me dais a impressão de não viverdes segundo os homens, mas segundo Jesus Cristo, que morreu por nós para fugirdes à morte pela confiança na morte d’Ele. É mesmo necessário, como alias e de vosso feitio, nada empreender sem o bispo, mas submeter-vos também ao presbitério como a apóstolos de Jesus Cristo nossa Esperança, no qual nos encontraremos se assim nos portarmos. Faz-se igualmente mister que os que são diáconos dos mistérios de Jesus Cristo agradem a todos em tudo. Pois não é de comidas e bebi das que são diáconos, mas são servos da Igreja de Deus. Terão que precaver-se pois contra as acusações, como contra o fogo.” (Aos Tralianos, CAPÍTULO II)

“Cuidai-vos, pois, de tais pessoas. Fá-lo-eis, se não vos orgulhardes e não vos separardes de Jesus Cris to Deus, nem do bispo nem das prescrições dos Após tolos. Quem se encontra no interior do santuário é puro; quem se encontra fora do santuário não é puro, isto é, quem pratica alguma coisa sem o bispo, o presbitério e o diácono, este não é puro em sua consciência.” (Aos tralianos Capitulo VII)



Tertuliano



Estritamente falando, Tertuliano não é considerado um pai da Igreja, mas um apologista e escritor eclesiástico, já que no final de sua vida cai em heresia abraçando o montanismo. Porém foi lido antes de seu abandono da Igreja Católica. Tanto em seu período ortodoxo quanto em seu período herético temos em Tertuliano um testemunho que nos informa sobre a prática primitiva da Crisma na Igreja.



“Está escrito: ‘Um reino também, e sacerdotes para o Seu Deus e Pai, Ele nos tem feito.’ É a autoridade da Igreja, e a honra que adquiriu a santidade através da sessão conjunta da Ordem, que estabeleceu a diferença entre a Ordem e os leigos. Assim, onde não há sessão conjunta da Ordem eclesiástica, você tem a oferecem, e batizam, e é padre, só para si mesmo. Mas onde três estão, a igreja está, embora eles sejam leigos. Pois cada indivíduo vive por sua própria fé, nem há exceção de pessoas com Deus, pois não é os que ouvem a lei que são justificados pelo Senhor, mas praticantes, de acordo com o que o apóstolo, além disto, diz. Portanto, se você tem o direito de um sacerdote em sua própria pessoa, em casos de necessidade, cabe a você ter também a disciplina de um sacerdote, sempre que for necessário para que a luta de um padre.”(Exortação sobre à Castidade. 7)



Clemente de Alexandria



São Clemente (não confundir com o Papa Clemente Romano) foi um teólogo grego antigo e chefe da escola catequética de Alexandria. Nasceu em Atenas, (a data é desconhecida) e morreu por volta do ano 215 d.C. Ele foi também professor de Orígenes.



“Uma vez que, segundo a minha opinião, os graus aqui na igreja, de bispos, presbíteros, diáconos, são imitações da glória angelical, e de que a economia, que, dizem as Escrituras, aguarda aqueles que, seguindo os passos dos Apóstolos, viveram na perfeição da justiça, de acordo com o Evangelho. Pois estes retomados nas nuvens, o apóstolo escreve, vai primeiro ser ministro, então, ser classificado no presbitério, por promoção em glória (pois glória difere de glória) até eles crescem em 'um homem perfeito.” (Alexandria, Stromata, 13)



“E que você pode ser ainda mais confiante, que arrependendo-se, assim, verdadeiramente resta a você uma esperança certa de salvação, ouvi um conto? Que não é um conto, mas uma narrativa, transmitida e comprometida com a custódia da memória, sobre o Apóstolo João. Porque, quando, com a morte do tirano, ele voltou a Éfeso da ilha de Patmos, ele foi embora, sendo convidado, aos territórios contíguos das nações aqui para nomear bispos, para pôr em ordem Igrejas inteiras, para ordenar tais como foram marcados pelo Espírito.” (Quem é o homem rico que será salvo?)



Santo Atanásio



Atanásio de Alexandria (296 -373 d.C) foi bispo de Alexandria e o mais proeminente teólogo do século IV.

“Theognius, Maris ... entraram em nossa Diocese, alegando que eles tinham recebido ordens para investigar determinados assuntos eclesiásticos, entre os quais falaram da quebra de um cálice do Senhor, de que a informação lhes foi dada pela Ischyras, que trouxeram com eles, e que diz que ele é um presbítero, embora ele não seja, - pois ele foi ordenado presbítero pelos Colluthus que fingiam Episcopado, e depois foi ordenada por um concílio geral, por Hosius e os Bispos que estavam com ele, a tomaram o lugar de um Presbítero, como ele era antes, e, portanto, todos os que foram ordenados por Colluthus retoaram o mesmo grau que detinham antes, e assim Ischyras se provou por um leigo.” (Defesa contra os arianos)



Basílio Magno



Nasceu por volta do ano 329 em Cesaréia da Capadócia. Chegou a ser um dos Padres da Igreja grega que mais brilharam no século IV. Morreu em torno do ano 379.



“Aqueles que haviam se separado da Igreja já não tinham sobre eles a graça do Espírito Santo, por isso deixou de ser transmitido quando a continuidade foi interrompida. Os primeiros separatistas haviam recebido a ordenação dos Padres¸ e possuíam o dom espiritual através da imposição das suas mãos. Mas os que foram quebrados se tornaram leigos, e, porque eles não são mais capazes de conferir aos outros que a graça do Espírito Santo a partir do qual eles mesmos estão afastados, eles não tinham autoridade ou para batizar ou para ordenar.” (Carta 188, 1)





Gregório O Grande

“Três anos atrás, os subdiáconos de todas as igrejas na Sicília, de acordo com o costume da Igreja Romana, eram proibidos de todas as relações conjugais com suas esposas. Mas parece-me duro e impróprio aquele que não está acostumado a tal continência, e não prometeu anteriormente castidade, deva ser obrigado a separar-se de sua esposa, e, assim, (que Deus nos livre) para o que é pior. Por isso, parece-me bem que a partir do dia de hoje todos os bispos devam ser orientados a não pretende fazer qualquer um subdiácono que não prometa viver castamente.” (Livro I, Carta 44)



São Jerônimo

“A virgindade de Cristo e da Virgem Maria têm dedicado em si os primeiros frutos da virgindade para ambos os sexos. Os apóstolos, quer tenham sido ou virgens, embora casados, viveram uma vida de celibato. Aquelas pessoas que são escolhidas para ser bispos, sacerdotes e diáconos ou são virgens ou viúvas, ou, pelo menos, quando depois de terem recebido o sacerdócio, fazem votos de castidade perpétua.” (Cartas  48, 21)





São Leão Magno



O Papa Leão I ou Leão o Grande, reinou de 440 até 461 d.C, data da sua morte.  O Local e data de nascimento são desconhecidas. O pontificado dele junto ao de São Gregório I, é o mais significativo e importante na antiguidade cristã. Na altura em que a Igreja estava experimentando os maiores obstáculos para seu crescimento em consequência da desintegração acelerada do Império Ocidental, enquanto o Oriente estava profundamente agitado por causa controvérsias dogmáticas, este grande Papa, com sagacidade e uma mão poderosa, orientou o destino da Igreja Romana e Universal no caminho da ortodoxia.

“E, finalmente, agora que o mistério deste sacerdócio Divino desceu à ação humana, não é descendido pela linha de nascimento, nem é o que a carne e o sangue criaram, é escolhido, mas sem levar em conta o privilégio de paternidade e sucessão por herança, esses homens são recebidos pela Igreja como seus governantes a quem o Espírito Santo prepara: para que na adoção do povo de Deus, todo o corpo do qual é sacerdotal e real, não tenha uma prerrogativa de origem terrestre que obtém a unção, mas a condescendência da graça divina que cria o bispo.” (Sermões 3:1)



Santo Agostinho



Bispo de Hipona e doutor da Igreja, é reconhecido como um dos quatro doutores mais distintos da Igreja latina. Nasceu em 354 e chegou a ser bispo de Hipona durante 34 anos. Combateu duramente todas as heresias de sua época e morreu no ano 430.



“Portanto, a bom do matrimônio em todas as nações e todos os homens está na ocasião de gerar e fé de castidade:  mas, tanto quanto diz respeito ao povo de Deus, também na santidade do sacramento, em razão de que é ilegal para aquela que deixa seu marido, mesmo quando ela foi repudiada, se casar com outro, enquanto o seu marido vive, sem nem mesmo por uma questão de ter filhos: e, considerando que esta é a única causa, por isso é preciso tomar lugar, não se segue, é o vínculo matrimonial liberado, salvo pela morte do marido ou esposa. Da mesma maneira, como se não têm lugar uma ordenação de clérigos a fim de formar uma congregação de pessoas, embora a congregação de pessoas que não seguem, ainda resta nas pessoas ordenadas o sacramento da ordenação, e se, por qualquer falha, qualquer um for removido de seu cargo, ele não vai ficar sem o Sacramento do Senhor uma vez por todas sobre ele, embora contendo até condenação.” (A boa do Casamento, Capítulo 24)





CONCLUSÃO



Como vimos acima, na maioria dos grandes pais da Igreja o sacerdócio ministerial, difere do sacerdócio universal dos leigos. Isso mostra que a inovação de Lutero que todo mundo é igual e qualquer um pode fazer a mesma coisa que o padre ou bispo, não passa de um inovação trazida por sua mente herética, sem qualquer respaldo na traição cristã.





BIBLIOGRAFIA

http://www.theveritasproject.org/holy-orders---early-church-fathers.html

http://www.cin.org/users/jgallegos/hlyord.htm

A CRISMA NA IGREJA PRIMITIVA

Estritamente falando, Tertuliano não é considerado um pai da Igreja, mas um apologista e escritor eclesiástico, já que no final de sua vida cai em heresia abraçando o montanismo. Porém foi lido antes de seu abandono da Igreja Católica. Tanto em seu período ortodoxo quanto em seu período herético temos em Tertuliano um testemunho que nos informa sobre a prática primitiva da Crisma na Igreja.

“Depois disso, quando emitimos a partir da fonte, nós somos completamente ungidos com uma unção abençoada, (uma prática derivada) da antiga disciplina, onde ao entrar no sacerdócio, então estavam acostumados a serem ungidos com óleo de um chifre, desde que Aarão foi ungido por Moisés [Êxodo 30, 22-30]. Donde Aarão é chamado de ‘Cristo’, do ‘crisma’, que é ‘a unção;’. que, quando feito espiritualmente, forneceu um nome apropriado para o Senhor, porque Ele era ‘ungido’ pelo Espírito de Deus, o Pai, como está escrito em Atos: ‘pois, na verdade eles estavam reunidos nesta cidade contra o teu Santo Filho a quem Tu ungiu” [Atos 4, 27]. Assim, também, no nosso caso, a unção vai carnalmente (isto é, no corpo), mas os ganhos espiritualmente, da mesma forma que o próprio ato de batismo também é carnal, no qual somos mergulhados na água, mas o efeito é  espiritual, em que somos libertos do pecado.” (Tertuliano, Sobre o Batismo,7-8).



Santo Hipólito de Roma



O lugar e a data do seu nascimento são desconhecidos, embora saiba-se que foi discípulo de Santo Ireneu de Lião. Seu grande conhecimento da filosofia e dos mistérios gregos, e sua própria psicologia, indicam que procedia do Oriente. Até o ano 212 era presbítero em Roma, onde Orígenes - durante sua viagem à capital do Império - o ouviu pronunciar um sermão.



“O bispo, impondo a mão sobre eles, deve fazer uma invocação, dizendo: ‘Ó Senhor Deus, que os fez dignos do perdão dos pecados através da lavagem do Espírito Santo até o renascimento, enviai a eles a tua graça, para que possam servi-lo de acordo à sua vontade, pois há glória a ti, para o Pai, e do Filho com o Espírito Santo, na Santa Igreja, agora e pelos séculos dos séculos. Amen.’ Então, vertendo o óleo consagrado em sua mão e impondo-a  sobre a cabeça do batizado, ele dirá, 'Eu te unjo com óleo santo no Senhor, o Pai Todo-Poderoso, e Jesus Cristo e o Espírito Santo. Marcai-os na testa, ele deve beijá-los e dizer: ‘O Senhor esteja convosco.’ Aquele que foi marcado dirá: ‘E com teu espírito’. Assim, ele deve fazer para cada um.” (Tradição Apostólica 21-22).

"'E ela disse a suas empregadas, Traga-me óleo’. Pois a fé e o amor preparam o óleo e ungüentos para aqueles que são lavados. Mas o que eram esses ungüentos, senão os mandamentos da santa Palavra? E que foi o óleo, senão o poder do Espírito Santo, com o qual os crentes são ungidos como com pomada após a camada de lavagem? Todas essas coisas foram figurativamente representadas na bendita Susanna, por nossa causa, para que nós, que agora acreditamos em Deus não podussemos considerar as coisas que são feitas agora na Igreja como estranhas, mas acreditando que todas elas foram estabelecidas nas figuras dos patriarcas de outrora, como o apóstolo também diz: ‘Ora, estas coisas lhes sobrevieram como exemplos e foram escritas para nossa instrução, sobre quem o fim dos mundo está chegando.’”(Hipólito de Roma, Commentário sobre Daniel, 6, 18)



São Cipriano de Cartago



São Cipriano nasceu em torno do ano 200, provavelmente em Cartago, de família rica e culta. Dedicou-se, em sua juventude, à retórica. O desgosto que sentia diante da imoralidade dos ambientes pagãos contrastados com a pureza de costumes dos cristãos o induziu a abraçar o Cristianismo por volta do ano 246. Pouco depois, em 248, foi eleito bispo de Cartago. Durante a perseguição de Décio, em 250, julgou melhor afastar-se para outro lugar, para continuar a se ocupar com seu rebanho de fiéis. Dele conservamos uma dezena de opúsculos sobre diversos temas de então e, particularmente, uma coleção de 81 cartas.

Em 253 d.C expõe a passagem de Atos 8, a qual já citamos acima, e conecta o episódio ao entendimento da Igreja do que é a confirmação:

“Alguns dizem que no que diz respeito àqueles que foram batizados em Samaria que, quando os apóstolos Pedro e João foram lá, apenas as mãos foram impostas sobre eles para que eles pudessem receber o Espírito Santo, e que eles não foram re-batizados. Mas vemos, queridos irmãos, que esta situação em nada diz respeito ao presente caso. Aqueles em Samaria que haviam crido tinha acreditado na verdadeira fé, e foi pelo diácono Filipe, a quem esses mesmos apóstolos tinham enviado para lá, que eles tinham sido batizados dentro da Igreja. . . . Desde então, eles já tinham recebido o batismo legítimo e eclesiástico, não era necessário batizá-los novamente. Ao contrário, somente o que estava faltando foi feito por Pedro e João. A oração foi  feita sobre eles e as mãos foram impostas sobre eles, o Espírito Santo foi chamado e foi derramado sobre eles. Esta é até agora a prática entre nós, de modo que aqueles que são batizados na Igreja, em seguida, são levados para os prelados da Igreja, através da nossa oração e da imposição das mãos, eles recebem o Espírito Santo e são aperfeiçoados com o selo do Senhor” (Epistola 73 [72], 9).



Orígenes de Alexandria

Ilustre teólogo e escritor eclesiástico. Nascido em Alexandria por volta do ano 231, foi reconhecido como o maior mestre da doutrina cristã em sua época, exercendo uma extraordinária influência como intérprete da Bíblia:

“E não se surpreenda que este santuário é reservado somente para os sacerdotes. Pois todos aqueles que foram ungidos com o óleo da crisma tornaram-se sacertdotes, como também Pedro diz a toda a Igreja: "Vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa”. (1 Pedro 2, 9). Portanto, vocês são um ‘povo sacerdotal’, e por conta disso você abordam as coisas sagradas.”(Homilia sobre o Levítico 9)



Santo Agostinho



Bispo de Hipona e doutor da Igreja, é reconhecido como um dos quatro doutores mais distintos da Igreja latina. Nasceu em 354 e chegou a ser bispo de Hipona durante 34 anos. Combateu duramente todas as heresias de sua época e morreu no ano 430.



“E você tem a unção do Santo, que pode ser manifesta a vós mesmos  (1 João 2:20). A unção espiritual é o próprio Espírito Santo, do qual o sacramento é a unção visível.” (Dez Homilias sobre a Epístola de São João para os partos, 3, 5)

“Batismo e a água tiveram. Você foi transpassado, por assim dizer, de modo que você pôde vir na forma de pão. Mas ainda não é pão, sem fogo. O que, portanto, o fogo representa? É a crisma. Pois o óleo de nosso fogo é o sacramento do Espírito Santo.” (Agostinho, Sermão 227, 1 (c. 420 dC))

“Por que, então, é o próprio chefe, de onde que a unção de unidade descende, isto é, a fragrância espiritual de amor fraternal, Por que, eu digo, é o próprio Chefe que se expõe a sua resistência, ao mesmo tempo que atesta e declara que “o arrependimento e a remissão dos pecados deve ser pregado em Seu nome entre todas as nações, começando por Jerusalém”? E por esta unção se deseja que o sacramento da crisma seja entendido, o que é realmente santo como entre as classes de sinais visíveis, como o próprio batismo...” (Agostinho, Cartas de Petilian o donatista, 2,104:239)





São Basílio Magno



Nasceu por volta do ano 329 em Cesaréia da Capadócia. Chegou a ser um dos Padres da Igreja grega que mais brilharam no século IV. Morreu em torno do ano 379.



“Das crenças e práticas se geralmente aceitas ou publicamente estimadas que são preservadas na Igreja, algumas que possuimos derivadas do ensino de escrito, outras que recebemos que nos foram entregues ‘em um mistério’ pela tradição dos Apóstolos; e ambas em relação a verdadeira religião tem a mesma força. E estes ninguém vai contradizer; ninguém, em todos os casos, que é até mesmo moderadamente versados nas instituições da Igreja. Pois estávamos tentando rejeitar tais costumes como não tendo autoridade escrita, sobre o fundamento de que a importância que eles possuem é pequena, nós devemos acidentalmente ferir o Evangelho nestas questões, especialmente, ou melhor, deve fazer a nossa definição pública de uma mera frase e nada mais... Qual dos santos nos deixou por escrito as palavras da invocação ao apresentar o pão da Eucaristia e o cálice de bênção? Pois nós não estamos, como é bem sabido, contentes com o que o apóstolo ou o Evangelho gravou, mas ambos em prefácio e a conclusão adicionamos outras palavras, como sendo de grande importância para a validade do ministério, e estas que derivam de ensino não escrito . Além disso, nós abençoamos a água do batismo e o óleo do crisma, e, além disso catecúmeno que está sendo batizado. Com que autoridade escrita que fazemos isso? Não é a nossa autoridade tradição silenciosa e mística? Não, por qual palavra escrita a unção do óleo é ensinada? E de onde vem o costume de batizar três vezes? E quanto aos outros costumes do batismo de qual Escritura podemos derivar a renúncia de Satanás e seus anjos? Isso não vem de um ensinamento inédito e secreto que nossos pais guardram em um silêncio fora do alcance da intromissão  de curiosos e da investigação inquisitiva?... Da mesma maneira, os apóstolos e pais que estabeleceram as leis Igreja do início, assim, guardaram a terrível dignidade dos mistérios em segredo e silêncio, para o que é divulgado no exterior de forma aleatória entre o povo comum, não é mistério.” (Sobre Espírito Santo, Capítulo 27)

São Basílio argumenta que algumas práticas nos vêm de tradições, e não de escritos específicos. Ele ilustra com detalhes do ritual de batismo.

“Nós também abençoamos a água do batismo, o óleo da unção, e até mesmo os próprios batizados. Por virtude de quais escritos? Não é em virtude da tradição protegida, secreta e escondida? De verdade! Mesmo o óleo da unção, o que a palavra escrita tem ensinado sobre isso? A tripla imersão, de onde ela vem? E tudo o que rodeia o batismo: a renúncia a Satanás e seus anjos de qual Escritura é que isso veio? [...] Não é daquele ensino mantido privado e secreto, que os nossos pais guardaram em silêncio, protegidos da ansiedade e curiosidade, sabendo muito bem que guardando tranquilos, salvam caráter sagrado dos mistérios? Pois, como seria razoável divulgar escrevendo a instrução, o que não é permitido para os não iniciados contemplarem?” (Basílio, o Grande, sobre o Espírito Santo, 15, 35 (c. 375 dC))





São Cirílo de Jesusalém



Nasceu em Jerusalém ou em suas proximidades, por volta do ano 313 ou 315; em 348 já era bispo. Morreu aproximadamente no ano 386.

“Mas cuidado ao supor que isso seja uma unção simples. Porque, assim como o Pão da Eucaristia, após a invocação do Espírito Santo não é mais simplesmente pão, mas o Corpo de Cristo, assim também esta unção santa não é mais uma simples unção, nem (por assim dizer) ações ordinárias, depois de invocação, mas é dom da graça de Cristo, e, com o advento do Espírito Santo, faz-se apto a transmitir a Sua natureza divina. Que a unção é aplicada simbolicamente na sua testa e seus outros sentidos, e enquanto o seu corpo é ungido com o ungüento visível, sua alma é santificada pelo Santo e vivificante Espírito.” (Leituras catequéticas 21, 3)

“‘Você ungiu minha cabeça com óleo’(Salmo 22:05). Com óleo ungiu a cabeça em cima de sua testa, pelo selo que você tem de Deus; que pode ser feito pela gravação do sinal, a Santidade a Deus.” (Leituras Catequéticas 22, 7)


São Gregório Magno



Papa e doutor da Igreja, é o quarto e último dos originais Doutores da Igreja latina. Defendeu a supremacia do Papa e trabalhou pela reforma do clero e da vida monástica. Nasceu em Roma por volta do ano 540 e faleceu em 604.

“Também chegou aos nossos ouvidos que alguns têm sido ofendidos pelos nossos presbíteros que têm proibido tocar com o crisma aqueles que estão para ser batizado. E nós, na verdade agimos de acordo com o antigo uso da nossa Igreja, mas, se houver são, na verdade aqui angustiado, nós permitimos que, quando há a falta de bispos, presbíteros podem tocar com o crisma, mesmo em suas testas, aqueles que serão batizado.” (Carta ao Bispo Januário, Livro 4, n º 26)





São Teófilo de Antioquia

Sexto bispo de Antioquia, segundo Eusébio de Cesaréia e São Jerônimo. Conservaram-se apenas 3 livros escritos aproximadamente pelo ano de 180 d.A. (A Autólico). Em seu primeiro livro, fala de como seremos julgados em conformidade com as nossas obras e de como os que perseveram nas boas obras obtêm a vida eterna:



“E sobre o seu riso sobre mim e me chamando de ‘cristão’, você não sabe o que está dizendo. Primeiro, porque o que é ungido é doce e útil, e longe de ser desprezível. Pois qual navio pode ser útil e em condições de navegar, a menos que ser primeiro calafetados [ungido]? Ou qual castelo ou casa é bonita e útil quando ainda não foi ungida? E o homem, quando ele entra nesta vida ou no ginásio, não é ungido com óleo? E qual trabalho tem um tanto enfeite quanto beleza a menos que seja ungido e polido? Então, o ar e tudo o que há debaixo do céu está de certa forma ungido pela luz e o espírito; e você está disposto a ser ungido com o óleo de Deus? Portanto, somos chamados cristãos spor este motivo, porque somos ungidos com o óleo de Deus.” (Teófilo de Antioquia, a Autólico, I, 12)



Papa Leão Magno (Papado 440 – 461 d.C)



O Papa Leão I ou Leão o Grande, reinou de 440 até 461 d.C, data da sua morte.  O Local e data de nascimento são desconhecidas. O pontificado dele junto ao de São Gregório I, é o mais significativo e importante na antiguidade cristã. Na altura em que a Igreja estava experimentando os maiores obstáculos para seu crescimento em consequência da desintegração acelerada do Império Ocidental, enquanto o Oriente estava profundamente agitado por causa controvérsias dogmáticas, este grande Papa, com sagacidade e uma mão poderosa, orientou o destino da Igreja Romana e Universal no caminho da ortodoxia.

“No batismo o sinal da cruz faz reis de todos os que renasceram em Cristo, e a unção do Espírito Santo, consagra-os sacerdotes. Assim, além das obrigações específicas de nosso ministério, qualquer cristão que tem os dons da compreensão racional e espiritual sabe que ele é um membro de uma raça real e as ações no ofício sacerdotal. Para o que poderia ser mais real do que uma alma que, submetendo-se a Deus torna-se governante de seu próprio corpo? Ou o que mais sacerdotal quando consagra uma consciência pura para com Deus e oferta no altar de seu coração o sacrifício imaculado de sua devoção?” (São Leão Magno, Sermão 4).



Papa Cornélio (Papado 251-253 d.C)



Papa São Cornélio foi papa de 6 ou 13 de março de 251 até a data do seu martírio 253 d.C. São Cornélio foi papa em um dos momentos mais problemáticos da Igreja, entre duas grandes perseguições e um cisma, e mostrou grande capacidade tanto de ser um líder teológico e espiritual, bem como um grande líder político e diplomático. São Cornélio dedicou sua vida ao cristianismo, e é considerado como modelo e inspiração para os futuros papas.

“Mas Satanás, que entrou e habitou nele por um longo tempo, tornou-se ocasião de sua crença. Sendo entregue pelos exorcistas, ele caiu em uma doença grave, e como ele parecia prestes a morrer, ele recebeu o batismo por aspersão, na cama onde ele estava deitado; se de fato, podemos dizer que tal pessoa o recebeu. E quando ele foi curado de sua doença ele não recebeu as outras coisas que são necessárias ter de acordo com o cânon da Igreja, até mesmo ser selado pelo bispo. E como ele não recebeu isso, como ele poderia receber o Espírito Santo?” (Papa Cornélio para Fábio; fragmento na História Eclesiástica de Eusébio 6, 43:14)





Afrátes o Sírio



Afraates é originário da região de Nínive-Mosul, hoje Iraque, viveu na primeira metade do século IV. Tem-se poucas informações sobre sua vida. Ele manteve relações estreitas com os ambientes ascético-monásticos da Igreja Síria, sobre a qual transmitiu algumas notícias em sua obra e à qual dedicou parte de sua reflexão.



“Mas um portão foi aberto para a busca de paz, em que o nevoeiro levantou por causa da multidão, e a luz raiou na mente, e da azeitona brilhante, os frutos são colocados para trás, na qual há um sinal de sacramento da vida, pelo qual os cristãos são tornados perfeitos, assim como sacerdotes e reis e profetas. Ele ilumina a escuridão, unge os enfermos, e leva de volta penitentes em seu sacramento secreto.” (Afráates, tratados, 23, 03)



Serapião de Thmnuis



Serapião nasceu no Egito, no norte da África e era um sacerdote profundo conhecedor das questões eclesiásticas. Tornou-se um dos maiores combatentes dos hereges no século IV que, aliás, foi o mais fértil deles. Fértil de hereges, mas também de combatentes. Serapião, era amigo e companheiro do bispo Atanásio, que lhe enviou cinco cartas, as quais fazem parte dos arquivos da Igreja, incentivando-o a continuar na luta contra a doutrina dos arianos.



“Você pode efetuar nesta crisma uma operação divina e celestial, para que os batizados e ungidos traçando com ele o sinal da cruz salvadora do Unigênito, através da cruz Satanás e todo o poder adverso é desviado e conquistado, como se renascido e renovado através do banho da regeneração, pudessem ser feitos participantes do dom do Espírito Santo, e confirmados por este selo, podem permanecer firmes, inabaláveis, ilesos e invioláveis.” (Serapião de Thmuis, Oração sobre Crisma, 25, 1)

Efraim

“‘E o chão deve ser preenchido com trigo, e os lagares devem transbordar igualmente com o vinho eo azeite’... Isso tem sido frutuoso misticamente por Cristo, que deu ao povo a quem Ele havia redimido, isto é, a Sua Igreja, trigo e vinho e azeite de uma forma mística... o óleo é o ungüento doce com o que aqueles que são batizados são assinados, estando vestidos em armamentos do Espírito Santo.” (Efraim, Sobre Joel 2, 24)



Concílio de Laodicéia



O concílio regional de Laodicéia ocorreu é Laodicéia na Frígia Pacatiana, também chamado de Laodicéia ad Lycum, deve ser cuidadosamente distinguido do Laodicéia da Síria. O local é certo, mas quanto à data exata do concílio há muita discussão. Pedro de Marca coloca-o no ano de 365, mas Pagi em sua Crítica em Anais Baronius parece ter derrubado os argumentos sobre a qual repousava Marca, e concorda com Gothofred colocando-o por volta de 363.

“Aqueles que são batizados devem depois do Batismo ser ungidos com o crisma celestial, para serem participantes do Reino de Cristo.” (Concílio de Laodicéia, Cânon 48)



Santo Ambrósio



Bispo de Milão entre os anos de 374 à 397, nasceu provavelmente em 340 d.C, em Trier, Arles, ou Lião, morreu em 4 de Abril de 397. Foi um dos mais ilustres Padres e Doutores da Igreja.

“E então, lembre-se que você recebeu o selo do Espírito, o espírito de sabedoria e de entendimento, espírito de conselho e de fortaleza, o espírito de conhecimento e de piedade, e o Espírito Santo de temor, e preserve no que você recebeu. Deus Pai te selou, Cristo o Senhor fortaleceu e deu o penhor do Espírito em seu coração, como você aprendeu na lição do Apóstolo.” (Ambrose, sobre os mistérios, 7, 42)



Paciano de Barcelona



Paciano foi um bispo de Barcelona durante o século IV d.C. Seu episcopado durou de 365 d.C até a sua morte, o sucedendo Praetextatus (Pretextat), que compareceu no concílio da igreja em Sárdica em 347 d.C e foi o primeiro bispo de Barcelona registrado.

“Ele igualmente permitiria isso aos Apóstolos somente? Foi esse o caso, ele igualmente permitiria somente  batizar, batizá-los somente, eles somente para conferir o Espírito Santo... Se, então, o poder tanto de batismo e da Confirmação maior, de longe, os carismas, é repassado para os bispos...”. (Paciano, Epístola aos Sympronianos)



Constituições apostólicas

Os Cânones Apostólicos (canones apostolici) são uma série de adições feitas pelo editor final de um livro antigo sírio de ordem da igreja chamado “As Constituições Apostólicas”. Todo o documento propõe ser dos apóstolos, mas esta pretensão não é levada a sério por qualquer estudioso hoje. No entanto, o trabalho é útil como evidência para as opiniões de uma parte das igrejas da Síria no final do século IV.

“Agora, a respeito do batismo, bispo ou presbítero, temos já determinada direção, e, agora, nós dizemos que tu deve assim batizar como o Senhor nos ordenou, dizendo: ‘Ide, ensinai todas as nações, batizando-os em nome do pai, e do Filho, e do Espírito Santo (ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado)’ do Pai que enviou, de Cristo, que veio, do Consolador que testemunhou. Mas tu deve de antemão ungir a pessoa com o óleo santo, e depois batizá-la com a água, e na conclusão deve selar ele com a unção, que a unção com óleo possa ser a participação do Espírito Santo, e a água o símbolo da morte de Cristo, e a unção o selo dos pactos. Mas, se não há nem óleo, nem unção, a água é suficiente tanto para a unção, e para o selo e para a confissão de que ele está morto, ou mesmo está morrendo juntamente com Cristo.” (Constituições Apostólicas 7, 2:22)



Papa Inocêncio



Inocêncio I foi bispo de Roma de 401 a 12 de março de 417. Um líder capaz e enérgico. Efetivamente promoveu o primado da Igreja Romana e cooperou com o Estado imperial para reprimir a heresia.

“Que este poder de um bispo, no entanto, deve-se aos bispos somente, para ou marquem ou deem o Espírito Paráclito... Pois aos presbíteros é permitido ungir os batizados com o crisma sempre que batizar... mas (com o crisma), que foi consagrada por um bispo, no entanto (é) não (permitido) marcar a testa com o mesmo óleo, que é devido aos bispos só quando eles conferem o Espírito Santo, o Paráclito.” (Papa Inocêncio, a Decêncio, 3)



São Cirílo de Alexandria



São Cirilo de Alexandria  foi o Patriarca de Alexandria quando a cidade estava no topo de sua influência e poder dentro do Império Romano. Um dos Padres gregos, Cirilo escreveu extensivamente e foi o protagonista liderante nas controvérsias cristológicas do final do século IV e do século V.

“A água viva do santo Baptismo é dada a nós como que na chuva e, o Pão da Vida, como se o trigo e o sangue como se vinho. Além disso também há o  uso de óleo, usado aperfeiçoar aqueles que foram justificadas em Cristo através de santo batismo.” (Cirilo de Alexandria, comentário sobre os Profetas Menores 32)





CONCLUSÃO

E assim vemos que a Igreja praticou o Sacramento da Confirmação, desde os dias dos Apóstolos. Chegamos à compreensão completa do que o que temos hoje já era totalmente perfeito e relatado na Igreja Primitiva.







BIBLIOGRAFIA

1 - http://www.theveritasproject.org/confirmation---early-church-fathers.html

2 - http://lonelypilgrim.com/2012/10/21/confirmation-in-scripture-and-church-fathers/

3 - http://www.cin.org/users/jgallegos/confirm.htm

4 - http://www.crossroadsinitiative.com/library_article/41/sacrament_of_confirmation__its_importance_and_meaning_to_the_early_church_fathers.html

5 - Confirmation. Detail from Seven Sacraments Altarpiece (1450), by Rogier van der Weyden.

instrução para celebrar a santa ceia conforme: Didaquê (80-140 d.C.); Ignácio (105 d.C.);Justino Mártir (160 d.C.);Irineu (180 d.C.) e Tertuliano (197 d.C.)

No concernente à eucaristia, dêem graças desta maneira. Ao tomar a copa, digam: “Te damos graças, oh Pai nosso, pela santa vinha de David, teu servo, que nos deu a conhecer por Jesus, teu servidor. A ti seja a glória pelos séculos dos séculos.”E depois de partir o pão, digam: “¡Pai nosso! Damos-te graças pela vida e pelo conhecimento que nos revelaste por teu servo, Jesus. ¡A ti seja a glória pelos séculos dos séculos! Da mesma maneira que este pão que partimos, estava espalhado pelas altas colinas, e foi juntado, suplicamos-te, que de todas as extremidades da terra, reúnas a tua igreja em teu reino, porque te pertence a glória e o poder (que exerces) por Jesus Cristo, nos séculos dos séculos.” Que ninguém coma nem beba desta eucaristia, sem ter sido antes batizado no nome do Senhor; já que o mesmo diz sobre o particular: “Não dêem o santo aos cachorros.” Quando estejam saciados, dêem graças desta maneira. Didaquê (80-140 d.C.)

Quando se reunirem no domingo do Senhor, partam o pão, e para que o sacrifício seja puro, dêem graças depois de ter confessado seus pecados. O que de entre vocês estiver inimizado com seu amigo, que se afaste da assembléia até que se tenha reconciliado com ele, a fim de não profanar seu sacrifício. Tenho aqui as próprias palavras do Senhor: “Em todo tempo e lugar me trarão uma vítima pura, porque sou o grande Rei, diz o Senhor, e entre os povos pagãos, meu nome é admirável.” Didaquê (80-140 d.C.)

Considerem como eucaristia válida a que tem lugar sob o bispo ou sob um a quem ele a tenha encomendado. Ignácio (105 d.C.)

Terminadas as orações (no culto), damo-nos o ósculo da paz. Depois, oferece-se pão e um copo de água e vinho a quem dirige, que os tomada, e dá louvor e glória ao Pai do universo, em nome de seu Filho e pelo Espírito Santo. Depois pronuncia uma longa ação de graças por ter-nos concedido os dons que dele nos vêm. E quando terminou as orações e a ação de graças, todo o povo presente aclama dizendo: Amém, que em hebreu quer dizer assim seja. Quando o primeiro deu graças e todo o povo aclamou, os que chamamos Diaconos dão a cada assistente parte do pão e do vinho com água sobre os que se pronunciou a ação de graças, e também o levam aos ausentes. Justino Mártir (160 d.C.)

A este alimento o chamamos eucaristia. A ninguém lhe é lícito participar se não crê que nossos ensinos são verdadeiros, foi lavado no banho da remessa dos pecados e a regeneração, e vive conforme ao que Cristo nos ensinou. Porque não os tomamos como pão ou bebida comuns. Justino Mártir (160 d.C.)

O dia que se chama do sol [o domingo], celebra-se uma reunião de todos… e se lêem as recordações dos Apostolos ou os escritos dos profetas… Depois nos levantamos todos a uma, e elevamos nossas orações. Ao terminá-las, oferece-se o pão e o vinho com água como já dissemos… e o que preside, segundo suas forças, também eleva suas orações e ações de graças, e todo o povo exclama: Amém. Então vem a distribuição e participação dos alimentos consagrados pela ação de graças e seu envio aos ausentes por meio dos Diaconos. Justino Mártir (160 d.C.)

Ao oferecer ao Rei nossa oferenda lhe rendemos honra e lhe mostramos afeto. Isto é o que o Senhor, querendo que o fizéssemos com toda simplicidade e inocência, ensinou a oferecer dizendo: “Se ao apresentar tua oferenda ante o altar te lembras de que teu irmão tem algo contra ti, deixa tua oferenda ante o altar, primeiro vê a reconciliar te com teu irmão, e volta depois a apresentar tua oferenda.” Irineu (180 d.C.)

Mas, como a igreja o oferece com simplicidade, ante Deus este sacrifício (a eucaristia) se lhe tem por charuto… Convém, pois, que ofereçamos a Deus o sacrifício e que em tudo sejamos gratos a Deus, com pensamentos puros, com fé sem hipocrisia, com esperança firme, ferventes no amor, oferecendo as primeiros frutos s de suas criaturas. E só a igreja oferece esta oferenda pura a Deus, quando a apresenta em ação de graças pelos dons que provem da criação. Irineu (180 d.C.)

O sacramento da eucaristia, instituído pelo Senhor no momento da comida e para todos, tomamo-lo nós também nas reuniões antes do amanhecer e não o recebemos de mãos de outros fora dos que presidem… Sofremos com escrúpulo que se caia ao solo um pouco de nosso cálice ou de nosso pão. Tertuliano (197 d.C.)

Transubstanciação no ótica dos padres da igreja

Agora que vimos a diferença entre todos os pontos de vista encontrados, podemos através da nossa pesquisa sobre os escritos dos Padres Apostólicos (aqueles que conheceram os apóstolos e receberam seu ensino diretamente deles) ou a partir dos escritos dos Santos Padres e Doutores da Igreja, que viveram antes de Aquino, indagar se esta doutrina foi realmente acreditava pela Igreja Cristã ou é uma nova doutrina que surgiu a partir de São Tomas. (De acordo com o artigo da igreja de deus (israelita) os pais do ignoraram-na completamente durante os primeiros seis séculos, vejamos se eles dizem a verdade).

Para nossa pesquisa utilizaremos as traduções apresentadas no livro “Textos Eucarísticos Primitivos, Volumes I e II por Jesus Solano, BAC”, “Padres Apostólicos, por Daniel Ruiz Bem, BAC” e “Padres apologistas gregos, Daniel Ruiz Bem, BAC” e aprofundar os comentários dos autores sobre as suas obras, tentando resumir em poucas linhas, o que os esses grandes volumes desenvolvem.

SANTO INÁCIO DE ANTIOQUIA (110 D.C)

Discípulo de Pedro e Paulo, segundo bispo de Antioquia e mártir durante o reinado de Trajano por volta de 107 d.C. Quando ele foi condenado à morte foi ordenado ir da Síria para Roma para ser martirizado. No caminho de Roma escreveu sete epístolas às igrejas de Éfeso, Magnésia, Trália, Filadélfia, Esmirna, Roma e uma carta a São Policarpo.

Em relação à Eucaristia Santo Inácio é sempre apresentada muito clara e nítida. Chama a Eucaristia de “remédio da imortalidade” e afirma categoricamente: “A Eucaristia é a carne e nosso Salvador Jesus Cristo”. Condena firmemente as Docetistas que afirmavam que Jesus não tinha um corpo real, mas apenas aparente, e por este erro, diz Santo Inácio, não queriam fazer parte da Eucaristia e morriam espiritualmente por se afastarem do dom de Deus.

“... para obedecermos ao bispo e ao presbitério numa concórdia indivisível, partindo um mesmo pão, que é o remédio da imortalidade, antídoto contra a morte, mas vida em Jesus Cristo para sempre.” (Epístola aos Efésios IX, 20)

“Sede solícitos em tomar parte numa só Eucaristia, porquanto uma é a carne de Nosso Senhor Jesus Cristo, um o cálice para a união com Seu sangue; um o altar, assim como também um é o Bispo, junto com seu presbitério e diáconos, aliás meus colegas de serviço. E isso, para fazerdes segundo Deus o que fizerdes.” (Epístola aos Filadelfios III)

“Não me agradam comida passageira, nem prazeres desta vida. Quero pão de Deus que é carne de Jesus Cristo, da descendência de Davi, e como bebida quero o sangue d’Ele, que é Amor in­corruptível.” (Epístola aos Romanos VI )

“Abstêm-se eles da Eucaristia e da oração, por­que não reconhecem que a Eucaristia é a carne de nosso Salvador Jesus Cristo, carne que padeceu por nos­sos pecados e que o Pai, em Sua bondade, ressuscitou. Os que recusam o dom de Deus, morrem disputando. Ser-lhes-ia bem mais útil praticarem a caridade, para também ressuscitarem.” (Epístola aos Esmirniotas VII)

“Por legítima seja tida tão-somente a Eucaristia, feita sob a presidência do bispo ou por delegado seu. Onde quer que se apresente o bispo, ali também esteja a comunidade, assim como a presença de Cristo Jesus também nos assegura a presença da Igreja Católica. Sem o bispo, não é permitido nem batizar nem celebrar o ágape. Tudo, porém, o que ele aprovar será também agradável a Deus, para que tudo quanto se fizer seja seguro e legítimo.” (Epístola aos Esmirniotas)

Apesar das evidências, alguns protestantes têm colocado a reparação de que Santo Inácio, também chama de “carne” de Jesus Cristo as coisas que não eram no sentido próprio. Por exemplo, na carta à Filadélfia diz: “buscando refúgio no Evangelho, como na carne de Jesus” (c.5). No entanto, não é possível interpretar essa frase para induzir Santo Inácio pensava que o Evangelho é a carne de Jesus, mas sim eles iriam aderir ao evangelho como aderem à carne de Cristo. Duas coisas distintas.

Na carta ao filedelfios escreve, “A [Igreja] que eu saúdo no sangue de Jesus Cristo, que é a minha alegria eterna e inabalável”. Mas aqui tampouco é possível dizer que tem um sentido simbólico, mas sim simplesmente uma metáfora. Então, quando você diz “O sangue de Cristo é a minha alegria”, ninguém interpreta que queremos dizer que “O sangue de Cristo significa alegria”.

Na carta aos Tralianos escreve: “Adotai, pois a mansidão e renovai-vos na fé, que é a carne do Senhor, e na caridade, que é o sangue de Jesus Cristo.” (c.8). Mas Jesús Solano nos diz que às vezes um autor usar uma palavra em um sentido simbólico, não quer dizer que sempre tem que usar simbólicamente. Nada menos do que 37 vezes Santo Inácio usa a palavra “carne” ou “sangue” e somente aqui usa no sentido simbólico. Neste caso, o contexto é claro. Sabe-se também que as fontes literárias Docetistas negaram a realidade da carne do Senhor, por isso é ilógico pensar que Santo Inácio, depois de condenar a doutrina deles, entendia igual a eles que compreendiam a carne no sentido simbólico, porque, neste sentido, os Docetistas nunca negaram, então não tinha por que combatê-los se ele tinha o mesmo pensamento deles.



A DIDAQUÉ OU DOUTRINA DOS APÓSTOLOS (60-160 D.C)

É um dos mais antigos escritos cristãos não canônicos do grupo dos padres apostólicos, considerado anterior a muitos escritos do Novo Testamento. Foi Escrito entre o ano 65 e 80 da era cristã. É um excelente testemunho do pensamento da Igreja Primitiva.

A Didaquê é muito taxativa ao afirmar que nem todos podem participar da Eucaristia, já que não se pode “dá o que é santo aos cães”. Antes de participar exige confessar os pecados para que o sacrifício seja puro. É um testemunho claro também de que a Igreja primitiva já conhecia na Eucaristia o sacrifício sem mancha e perfeito apresentado ao pai em Malaquias 1,11: “Porque, do nascente ao poente, meu nome é grande entre as nações e em todo lugar se oferecem ao meu nome o incenso, sacrifícios e oblações puras. Sim, grande é o meu nome entre as nações - diz o Senhor dos exércitos.”.

“Que ninguém coma nem beba da Eucaristia sem antes ter sido batizado em nome do Senhor, pois sobre isso o Senhor disse: ‘Não deem as coisas santas aos cães’.” (Didaqué IX, 5)

“Reúna-se no dia do Senhor para partir o pão e agradecer após ter confessado seus pecados, para que o sacrifício seja puro.

Aquele que está brigado com seu companheiro não pode juntar-se antes de se reconciliar, para que o sacrifício oferecido não seja profanado [Cf Mt 5,23-25].

Esse é o sacrifício do qual o Senhor disse: "Em todo lugar e em todo tempo, seja oferecido um sacrifício puro porque sou um grande rei - diz o Senhor - e o meu nome é admirável entre as nações".(Malaquías 1,11)” (Didaqué XIV 1-3)



SÃO JUSTINO (165 D.C)

Mártir da fé cristã por volta do ano 165 foi decapitado, é considerado o maior apologista do século II. Justino continua a ser o testemunho unânime da Igreja ao confessar que a Eucaristia não é um alimento como muitos, mas é a “carne e sangue de Jesus que se fez carne”. Embora Justino tivesse que lutar contra as acusações que foram feitas aos cristãos primitivos de comer carne humana, ao se defender dessas acusações ele poderia argumentar que a Eucaristia era um “símbolo”, mas não faz isso, ao invés, professa realismo com absoluta clareza que a carne e o sangue de Jesus Cristo para os cristãos são alimentos.

Um das obras célebres de São Justino é o “Diálogo com Trifão”, que era um judeu do tempo. Nesta, São Justino deixa o testemunho da interpretação que a Igreja Primitiva tinha, como o sacrifício que falava o profeta em Malaquias 1, 11, é uma interpretação completamente contrária à visão protestante que nega o caráter sacrificial da Eucaristia e diz que a Ceia do Senhor é uma simples lembrança.

Uma observação importante para a questão que nos mostra Jesús Solano em seu livro “Textos eucarísticos primitivos”, onde diz claramente que Justino exclui a permanência do pão junto com a carne do Senhor rechaçando assim consubstanciação. O paralelismo de ideias e de sentenças lhe levam a dizer que assim como Jesus Cristo se fez carne e sangue, assim o alimento eucarístico é a carne e o sangue de Jesus, no entanto, não diz isso, senão mudando a construção, escreve que alimento eucarístico é a carne e o sangue de Jesus (transubstanciação). Este termo exclui a permanência do pão e em sentido óbvio indica a mudança, a conversão do pão na carne do Senhor. Confirma o emprego que Justino cria para a palavra “dar graças”: Até ele havia tido o sentido intransitivo; ele usa passivamente “alimento eucaristizado”, que se traduz literalmente: “comida feito de Ação de Graças”. Este passivo tão resistente criado por São Justino, unida a mudança de construção que acabamos de mostrar, enfatiza a nota de uma mudança operada no alimentação normal em virtude da qual o pão é agora carne de Cristo.

"66. Este alimento se chama entre nós, Εὐχαριστία[Eucaristia], da qual a nenhum outro é lícito participar, senão ao que crer que nossa doutrina é verdadeira, e que foi purificado com o batismo para o perdão dos pecados e para a regeneração, e que vive como Cristo ensinou. Por que estas coisas não as tomamos como pão comum nem bebida comum, mas ao contrário assim como o Verbo de Deus, havendo de encarnado em Jesus Cristo nosso Salvador, se tornou carne e sangue para a nossa Salvação, assim também nos é ensinado que o alimento eucaristizado, mediante a palavra (verbo) de nosso oração precedente d’Ele – O alimento de que nossa carne e nosso sangue, se nutrem com arranjo para nossa transformação – é a carne e o sangue daquele que Jesus que se encarnou. Pois os apóstolos, nos comentários por eles compostos, chamamos evangelhos, nos transmitiram o que assim lhes havia sido transmitido: Que Jesus, tendo tomado o pão e dando graças, dizendo: Façam isso em memória de mim; este é meu corpo, e somente fez eles participantes. A mesma coisa também nos mistérios de Mitra tem sido ensinada pelos malvados demônios, tomando por imitação. Por que sabeis, ou podem saber, que quando alguém é iniciado neles, se oferecem um pão e um cálice de água e se dizem certos versos.

67. Nós, portanto, após isso recordamos agora e para sempre destas coisas entre nós; e o que temos, socorremos a todos os abandonados, e sempre estamos unidos uns aos outros. E por todas as coisas das quais nos alimentamos e bendizemos ao criador de tudo, por meio de seu filho Jesus Cristo e do Espírito Santo. E no dia chamado do sol se reúnem em um mesmo lugar todos os que habitam nas cidades e nos campos, e leem os comentários dos apóstolos ou as escrituras dos profetas, enquanto o tempo permite. Depois, quando o leitor acaba, o que preside exorta e ínsita a imitação dessas coisas excelsas. Depois nos levantamos todos e recitamos orações; e, como antes dissemos, quando terminamos de orar, se apresenta o pão, vinho e água, e o que preside eleva, segundo o poder que nele há, orações e igualmente ações de graças, e o povo aclama dizendo, amém. E se se dá e fazem participantes cada um das coisas eucaristizadas, e aos ausentes se envia por meio dos diáconos. Os ricos que querem, cada um segundo a sua vontade, dão o que lhes convém, e o que reunem poem a disposição do que preside e ele socorre os órfãos e as viúvas e os que por motivo de doença ou qualquer outra causa estão abandonados, e aos presos, aos peregrinos, e em uma palavra, ele cuida daqueles que estão em necessidade. E nós encontramos todos os dias do sol, uma vez que é o primeiro dia em que Deus, mudando trevas e a matéria, fez o mundo, e Jesus Cristo, nosso Salvador, no mesmo dia ressuscitou dos mortos. Bem, um dia antes do sábado o crucificaram, e um dia depois do sábado, que é o dia o sol apareceu aos apóstolos e discípulos e ensinou-lhes estas coisas que propus para sua consideração. (São Justino, Primeira Apologia 66 - 67)



“2. Onde Deus fala, como eu disse, pelo Malaquias um dos 12, sobre os sacrifícios, que então eram oferecidos por vós: Minha vontade não está em vós, diz o Senhor, e não vou aceitar as ofertas de suas mãos. Por que desde o nascente do sol até o poente meu nome é glorificado entre as nações, e em todo lugar se oferece incenso ao meu nome e uma oferta pura, para o meu nome é grande entre as nações, diz o Senhor, mas vocês o profanam.

3. Desde então prevê sobre os sacrifício que em todo lugar Lhe são oferecidos por nós gentios, isto é, o pão da Eucaristia e também o cálice da Eucaristia, acrescentando que nós glorificamos seu nome, e vocês, por sua vez, o profanam.” (Justino, Diálogo Trifão 41, 2-3)





“116, 1. Mas, a fim de explicar a revelação de Jesus Cristo, o Santo, voltou a tomar a palavra [de Zacarias] e digo que também aquela revelação foi feita por nós que acreditamos em Cristo, neste Pontífice, que foi crucificado...

3. Pois como aquele Jesus, que é chamado sacerdote pelo profeta, apareceu carregando vestes manchadas..., assim nós, os que pelo nome de Jesus como um só homem temos crido no Deus Criador de todas as coisas, nos despojando, pelo nome de seu filho primogênito, das vestes manchadas..., assim nós, os que pelo nome de Jesus como um só homem temos crido no Deus criador de todas as coisas, nos despojando, pelo nome de seu filho primogênito, das vestes velhas, isto é, dos pecados, inflamados pela palavra de sei lamento, somos a verdadeira raça sacerdotal de Deus; segundo atesta o mesmo Deus ao dizer que em todo o lugar entre os gentios há quem lhe oferece e Ele sacrifícios agradáveis e puros [cf. Mal 1, 11]

117,1. Para todos os sacrifícios por este nome, os quais Jesus ordenou serem feitos, ou seja, na Eucaristia do pão e do cálice, sacrifícios feitos pelos cristãos em todos os lugares da terra como Deus testifica de antemão que lhe são agradáveis. Em vez disso rejeita o que vocês fazem, e aqueles que utilizam seus sacerdotes, dizendo: E eu não vou aceitar os sacrifícios em suas mãos, porque desde o nascer do sol até o poente,  meu nome é glorificado, diz, entre as nações, e vós profanais [Mal 1,10 ss]” (São Justino, Diálogo com Trifão. C.116s)





SANTO IRINEU DE LIÃO (130 D.C - 202 D.C)

Santo Irineu (bispo e Mártir). Foi discípulo de São Policarpo que por sua vez foi discípulo do apóstolo São João. Conhecido por seu tratado “Contra as Heresias” onde combate as heresias de seu tempo, em especial a dos gnósticos.

Na teologia por Santo Irineu acontece o mesmo com Justino, a certeza de que o pão e o vinho consagrados são o corpo e o sangue de Cristo é clara, e afirma explicitamente que “o cálice está seu próprio sangue” ( o de Cristo) e “o pão não é mais pão comum, mas Eucaristia constituída por dois elementos de terreno e celestes” (Jesus Solano comenta que Santo Irineu não se refere aqui para como a Eucaristia é constituída, mas como se trata de ser constituída: o elemento terreno é “pão” e o elemento celestial é “a invocação (epiclese) de Deus”)

Santo Irineu também deixa o testemunho de que alguns grupos de hereges também compartilhavam a fé da Igreja que o pão eo vinho tornam-se realmente o corpo e o sangue de Cristo, mas para eles pode-se afirmar que o pão consagrado por eles (os hereges) não é realmente, porque eles desconhecem que Cristo é a Palavra, o filho do criador do mundo. Ele exorta-os ou mudar sua mente ou parar de oferecer o sacrifício.

“Mas dando também aos discípulos o conselho de oferecer as primeiras de suas criaturas a Deus, não como se ele as necessitasse, mas para que eles mesmos não fossem infrutuosos ou ingratos, tomou o pão que é algo da criação, e deu graças dizendo: ‘este é o meu corpo’. E da mesma maneira afirmou que o cálice, que é de nossa criação terrena, era seu sangue; e ensinou a nova oblação do novo testamento, a qual a Igreja recebendo dos apóstolos, oferece em todo o mundo a Deus, que nos dar alimento primário de seus dons no Novo Testamento; sobre qual Malaquias, um dos 12 profetas [menores], profetizou assim: ‘Não tenho nenhuma complacência convosco - diz o Senhor dos exércitos - e nenhuma oferta de vossas mãos me é agradável.  Porque, do nascente ao poente, meu nome é grande entre as nações e em todo lugar se oferecem ao meu nome o incenso, sacrifícios e oblações puras. Sim, grande é o meu nome entre as nações - diz o Senhor dos exércitos.’ Significando claramente por isto que o povo anterior cessará de oferecer a Deus; por que em todo Lugar se oferecerá sacrifícios a Ele, e este será puro; e seu nome é glorificado entre os povos

4. Como pois, lhe constará que esse pão, nele que são dadas as graças, é o corpo de seu Senhor e o cálice do seu Sangue, se não dizem que Ele é o Filho do Criador do mundo, isto é, o verbo, pelo qual a madeira frutifica, e as fontes emanam, e a terra dá o primeiro broto, depois espiga e finalmente trigo cheio na espiga?”(Santo Irineu - Contra as heresias Livro IV c.17 n.5)

“E como dizem também que a carne se corrompe e não participa da vida, que é alimentada pelo corpo e sangue do Senhor? Portanto, ou mudam de opinião ou deixem de oferecer as coisas ditas. Para nós ao contrário, a crença concorda com a eucaristia, e eucaristia por sua vez confirma a crença. Pois oferecemos a Ele suas próprias cosias, proclamando harmoniosamente a comunhão e união da carne e do Espírito. Por que assim como o pão que é da terra, recebendo a invocação de Deus já não é pão propriamente e sim eucaristia, constituída pelos elementos terrenos e celestiais, assim também nossos corpos recebendo a Eucaristia, não são corruptíveis, mas possuem a esperança da ressurreição eterna.” (Santo Irineu - Contra as heresias. Livro IV c.18 n4s)

“E examinará [o discípulo verdadeiramente espiritual] verdadeiramente a doutrina de Macião, como ele entende que existem dois deuses, separados entre si por uma infinita distância... E como se o Senhor fosse filho de outro pai [distinto do criador], vindo justamente quando, tomando o pão desta nossa criação, confessava seu corpo, e da mistura afirmou ser seu sangue?” (Santo Irineu - Contra as Heresias Livro IV c.33 n.2).

“2. E são vãos por completo os que depreciam toda a ordem divina e negam a salvação da carne e desdenham de sua regeneração, dizendo que não é capaz de revestir-se da incorruptibilidade. Mas si esta [a carne] não se salva, então nem o Senhor nos redimiu com seu sangue, se o cálice da eucaristia é a participação do seu sangue; nem o pão que partimos é a participação do seu corpo. Por que o sangue não procede senão das veias e a carne e do resto da substância humana, da qual verdadeiramente se fez o verbo de Deus, nos redimindo com seu sangue. Como disse também seu apóstolo: no qual temos por seu sangue, redenção, a remissão dos pecados.

Por que somos membros seus e alimentados por meio da criação, e nos brinda a criação, fazendo sair seu sol e chover, como ele quer, assegurou que aquele cálice da criação é seu próprio sangue, com o qual aumenta nosso sangue, e reafirmou que aquele pão da criação é seu corpo com o qual incrementa nossos corpos.

3. Quando, pois, o cálice misturado e o que chegou a ser pão recebem o verbo de Deus e se fazem Eucaristia, corpo de Cristo, com as quais a substância de nossa carne aumenta e se vai constituindo, como dizem que a carne não é capaz do dom de Deus que é a vida eterna, a carne alimentada com o corpo e sangue do Senhor, que se faz membro dele?

Como disse o bem aventurado Apóstolo em sua carta aos Efésios: Por que somos membros de seu corpo, de sua carne e de seus ossos; e isto não disse de um homem pneumático [espiritual] e invisível, por que o espírito não tem ossos nem carne, mas de um organismo verdadeiramente humano que é composto de carne, nervos e ossos, e o qual se alimenta de seu cálice, que é seu sangue, e aumenta com o pão, que é seu corpo. E a maneira que brotou da vinha colocada na terra, produziu frutos a seu tempo, e o estoque de grãos de trigos no chão e se desfez, levantou da terra multiplicando pelo Espírito de Deus que todo o contém; e depois da Sabedoria de Deus se tornou útil para os homens, e recebendo a palavra de Deus chegaram a ser Eucaristia, que é o corpo de Sangue de Cristo, assim também nossos corpos, alimentados com ele e colocados na terra e despostos nela ressuscitarão a seu tempo, concedendo-lhes a ressurreição do Verbo de Deus para a Glória de Deus Pai.” (Santo Irineu Contra as heresias Livro V c.2 n.2s)





TERTULIANO (160 D.C - 220 D.C)

Tertuliano não é considerado um padre da Igreja, mas um apologista, que no final de sua vida caiu em heresia abraçando o montanismo, foi muito lido antes de abandonar a Igreja Católica.

Considero também importante olhar para os escritos de Tertuliano já que entre alguns protestantes são manipulados e truncados alguns fragmentos fora de contexto de seus escritos para que possam sugerir que Tertuliano acreditava que o pão e o vinho consagrados não eram o corpo de Cristo, mas apenas “símbolos”. Um exemplo da manipulação de textos se encontra no site anti-católico argentino que é administrado por Daniel Sapia, em um trabalho desenvolvido por Guillermo Hernandez Agüero. Colocarei a citação usada pelo Guillermo, e a citação no contexto colocando em vermelho o que o autor não “conseguiu” colocar.

No extrato do artigo em questão, lemos:

“Podemos aprofundar mais sobre os padres, mas nosso tema neste caso é a Santa Ceia. Muito Embora existam alguns Pais que nos podem dizer algo sobre nosso tema: ‘tendo tomado o pão e distribuiu para os discípulos o fez seu corpo, ao dizer: Isto é o meu corpo, a saber, ‘figura do meu corpo’’ (Tertuliano, contra Marcião 4, 40). Tertuliano nos dá a entender que não há nenhum Transubstanciação com o pão; ao contrário nos ensina que é simbólico.”

Observe agora o texto em seu contexto:

“...Com grande desejo tenho querido comer a páscoa convosco antes de padecer, ó destruidor da lei que ainda aspirava observar a páscoa, tão seguro de que deleitaria pela carne do cordeiro judeu. Ou será que era Ele, aquele que tendo que ser levado ao sacrifício como uma ovelha e que, como uma ovelha perante o tosquiador, não deveria de abrir sua boca, desejava realizar a figura de seu sangue salvífico? Poderia também ter sido entregue por qualquer estranho para que não dissesse eu que também neste Salmo estava sendo cumprido: 'Aquele que come pão comigo levantará seu pé contra mim'... Porém, isto teria sido próprio de outro Cristo, não daquele que cumpria as profecias...

Tendo declarado, pois, que Ele, com grande desejo, teria desejado comer a sua própria páscoa, pois seria indigno que Deus desejasse algo alheio, tendo tomado o pão e distribuído aos discípulos, fê-lo seu corpo, dizendo: 'Este é o meu corpo', isto é, 'figura de meu corpo'. Porém não teria sido figura, mas sim corpo verdadeiro. Ademais, uma coisa vã como é um fantasma não poderia conter a figura. Ou se por isto ao pão fez seu corpo, porque carecia de corpo verdadeiro, logo deveria entregar por nós o pão. Fazia - para o vazio de Marcião - que fosse crucificado o pão e nada mais para o melão que Marcião teve ao invés do coração?Não entendeu que é antiga esta figura do corpo de Cristo, que diz por Jeremias: 'Urgiam tramas contra mim, dizendo: Venham! Lancemos uma lasca em seu pão', isto é, a cruz em seu corpo. Assim portanto, aquele que ilumina as antigas figuras, ao chamar de pão ao seu corpo, declarou suficientemente o que queria significar então o pão. E, assim, na comemoração do cálice, constituindo o testamento selado com o seu sangue, confirmou a substância de seu corpo. Porque o sangue não pode ser de corpo algum que não seja de carne. Porque se alguma propriedade não-carnal do corpo se nos opõe, certamente se não for carnal não terá sangue. Assim a prova da realidade do corpo se confirmará pelo testemunho da carne e a prova da realidade da carne pelo testemunho do sangue. E para que reconheças a antiga figura do sangue no vinho, diz Isaías... Muito mais manifestamente o Gênesis, na bênção de Judá, de cuja tribo deveria provir a origem da carne de Cristo, já então esboçava a Cristo em Judá: 'Lavará - disse - em vinho as suas vestes e em sangue de uvas o seu manto', significando a estola e o manto a carne, e o vinho o sangue. Assim agora consagrou seu sangue no vinho aquele que então fez o vinho figura de seu sangue...” (Tertuliano, Contra Marcião L.4 C.40)

Para entender as palavras de Tertuliano, devemos conhecer o contexto. Marcião negava que Cristo tivesse corpo verdadeiro. A força do argumento de Tertuliano contra Macião consistia em que o pão não poderia ser corpo verdadeiro de Cristo, se Cristo não tivesse corpo verdadeiro. Como poderia a Igreja crer na de forma unanime que o pão consagrado era o corpo de Cristo, se Cristo não tinha corpo? E ainda quando disse: “Ao pão fez seu corpo” denota uma mudança de substância. A realidade da Eucaristia e a fé da Igreja demonstravam a realidade física do corpo de Cristo.

Tertuliano utiliza a expressão “figura de seu corpo” para se referir ao corpo real. Tertuliano fala do pão eucarístico como “figura” do corpo de Cristo, por que o verdadeiro corpo de Cristo havia sido no AT anunciado por todos os profetas sob a figura do pão, como o verdadeiro sangue havia sido prefigurado no vinho.

Tertuliano termina mais adiante afirmando a realidade do corpo de Cristo na eucaristia, e fala dela como um “sacramento”. Logo veremos outros escritos onde Tertuliano na eucaristia se pode verificar de forma diáfana. Chama a atenção especialmente quando afirma que sofrem de ansiedade se caem ao chão algo do cálice ou do pão, coisa que não teria sentido se pensar se fossem apenas símbolos.

“Portanto, pelo sacramento do pão e do cálice, já temos provado no evangelho a verdade do corpo e do sangue do Senhor contra do fantasma defendido por Marcião...”  (Contra Marcião L.5 c.8)

“O sacramento da Eucaristia confiada pelo Senhor na hora da ceia, e todos, ele também teve reuniões antes do amanhecer, e não nas mãos dos outros, mas de quem presidirá;... sofremos ansiedade, se algo cai no chão do nosso cálice ou então de nosso pão.” (Sobre a coroa C.3)

“O zelo da fé falará chorando neste ponto: é possível para um cristão vem dos ídolos para a Igreja, da oficina do adversário para a casa de Deus, para levantar as mãos mães dos ídolos a Deus Pai; que ore com aquelas mãos para quais foram orar contra Deus, e trazer o corpo do Senhor aquelas mãos que levam corpos aos demônios? ...” (Sobre a idolatria (C.7 (A. REIFFERSCHEID - G. WISSOWA; CSEL 20,1 (1890)36; OEHLER, 1,74 s; ML 1,669 A-B))

“....recebe também então o primeiro anel, com o qual, depois de questionar, sela o compromisso da fé, e assim então é alimentado com as delícias do corpo do Senhor, ou seja, a Eucaristia.” (Sobre a honestidade. C.9 (G. RAUSCHEN: FP (1915) 53s; OEHLER, 1,810 s, ML 2,997 D - 998 C))

Participando de um fórum protestante tive a oportunidade de conversar com o administrador do site anticatólico em questão (Daniel Sapia), e lhe comentei sobre a descontextualização que se havia feito em seu site dos escritos de Tertuliano. Mostrei-lhe este conjunto de textos de Tertuliano que se faz impossível pensar que este apologista pensava que o pão e o vinho consagrados eram simplesmente símbolos, contudo na exceção de um breve comentário em seu site onde se afirma uma posição contrária, e ignora de mencionar estes textos, não foi feita nenhuma correção. Isto já era de se esperar de alguém com tão pouca ética, já que este indivíduo se fez conhecido por publicar artigos sensacionalistas acusando o Papa João Paulo II de ser a mão da obra do Anticristo, de modo que mais essa mentira seria somente mais uma fichinha para ele.



CLEMENTE DE ALEXANDRIA (MEADOS DO SÉCULO II – ANTES DE 215)

Nasceu por volta de 150, provavelmente em Atenas, de pais pagãos; depois de se tornar um cristão, viajou pelo sul da Itália, Síria e Palestina, em busca de mestres cristãos, até que ele chegou a Alexandria; os ensinamentos de Panteno (chefe escola catequética de Alexandria, no Egito) fizeram que se estabelecesse ali. Por volta do ano 202, a perseguição de Septímio Severo o obrigou a deixar o Egito, e se refugiou na Capadócia, onde morreu pouco antes de 215.

Seu conhecimento dos escritos de literatura pagã e cristã é notável, segundo Quasten, seus trabalhos incluem cerca de 360 citações dos clássicos, 1500 do Antigo Testamento e 2000 do Novo, por isso é considerado cronologicamente como o primeiro estudioso cristão, conhecedor profundo não só das Escrituras, mas das obras cristãs anteriores a ele, e até mesmo das obras de literatura profana. Clemente considerava o cristianismo a realização mais bela e a coroação de todos os elementos dispersos da verdade na filosofia.

Clemente de Alexandria é testemunha da prática litúrgica “eucaristizar” e segundo uma regra fixa da Igreja, o pão, e a mistura de vinho e água, mas combate os hereges encratitas que “eucaristizavam” somente com água. Chama a Eucaristia de “oblação”, diz foi figurada no alimento santificado do vinho e pão consagrados que deu a Melquisedeque. Ele afirma que não é um alimento do pão que é o próprio Jesus, e aquele que come deste pão não vai morrer. Ele afirma que Jesus também se dá na bebida da imortalidade.

O texto mais escuro de Clemente sobre a Eucaristia é, em sua obra o “Pedagogo”. Ele afirma aqui que a Eucaristia é por si mesma vivificante e dá a imortalidade, o Espírito que produz essa aceleração, e esse Espírito é para Clemente o Espírito, que é o poder da Palavra, isto é, a natureza divina do Verbo. No entanto, além de sangue carnal do Senhor com o qual nos redimiu, do sangue espiritual (pneumático) “com o qual temos sido ungidos”, e que nos faz participantes da incorruptibilidade. A partir do contexto, vemos que esse “sangue espiritual” é o Espírito que dá vida, e não insinua a ideia de que Clemente fala que a Eucaristia não é o verdadeiro sangue do Senhor. Em segundo lugar, Clemente fala da Eucaristia como bebida mista (vinho e água) e do Verbo. A expressão não diz nada sobre a presença real do Senhor na Eucaristia, mas aponta as causas envolvidas na preparação da Eucaristia.

“É, pois, necessário que ambos se provem a si mesmos: um  para ver se é digno de dizer e deixar comentários, o outro para ver se é tão justo que pode escutar e ler; assim como também os que, segundo o costume, repartem a Eucaristia, vão permitindo a cada um do povo tomar a parte correspondente.” (Clemente de Alexandria – Stromata Livro I C. I)

“E aos privados de inteligência, recomendo dizendo, assim fala a sabedoria claramente referindo-se aos que andam entre as heresias, o pão tomado às escondidas é mais delicioso e as águas furtivas mais doces; designando com claridade o pão e a água, não em outras heresias, mas naquelas que, contra a regra da Igreja,  usam pão e água na oblação; pois há também quem eucatistize somente água.” (Clemente de Alexandria – Stromata Livro I, 19)

“Depois Salém fica em paz, paz da qual está descrita como rei nosso Salvador, de quem Moisés disse: Malquisedeque, rei de Salém, o sacerdote do Deus Altíssimo [Gen 14, 18]; este deu ao pão e o vinho como alimento santificado na figura da Eucaristia.” (Clemente de Alexandria – Stromata Livro IV, 25)

“Eu [o salvador] sou teu apoio, que me dou-me a mim mesmo [como] pão, do qual quem degusta jamais experimenta a morte, e que me dou a mim mesmo [como] bebida de imortalidade.” (Clemente de Alexandria – Qual Rico se salvará, n.23)





SANTO HIPÓLITO (235 D.C)

É desconhecido a data e local de nascimento, embora se saiba que ele era um discípulo de Santo Irineu de Lião. Seu vasto conhecimento da filosofia e dos mistérios gregos, sua própria psicologia, indica que veio do Oriente. Por volta do ano 212 e era um padre em Roma, onde Origines -  durante a sua viagem para a capital do Império -  lhe ouviu dar um sermão.

Por ocasião da questão da reintegração na igreja daqueles que haviam apostatado durante alguma perseguição se instalou um grave conflito que o fez se opôs ao papa Calisto, pois Hipólito mostrava defensor neste assunto, mas não negou que a Igreja tem o poder de perdoar pecados. Tão forte era o contraste que se separou da Igreja e foi eleito bispo de Roma por um pequeno círculo de seus apoiadores, foi assim o primeiro antipapa da história. O cisma continuou após a morte de Calisto, durante o pontificado de sucessores Urbano e Ponciano. Terminou em 235, com a perseguição de Maximiano, que baniu o papa legítimo (Ponciano) e a Hipólito para minas da Sardenha, onde se reconciliaram. Os dois renunciaram ao papado, para facilitar a pacificação da comunidade romana, que, portanto, poderia eleger um novo papa e para encerrar o cisma. Ponciano e Hipólito ambos morreram em 235. O Papa Fabiano levou seus corpos solenemente a Roma e são honrados como mártires.

Santo Hipólito é enfático em afirmar que se evite diligentemente que o infiel coma a Eucaristia, já que “é o corpo de Cristo, do qual todos os fiéis são alimentados e não deve ser desprezado.”

“Depois que Judá esteve com ela [Genesis 38, 16), lhe deu uma vestimenta, a saber: três coisas, o anel de selar, o cordão e o báculo que levava o manto: estas eram as vestimentas de que ele esteve com ela. Da mesma maneira Cristo deu a sua Igreja três coisas, a saber, seu corpo, seu sangue e o batismo. E se Tamar foi salva por três coisas, a saber, pelo anel, pelo cordão, e pelo báculo, assim a santa Igreja por três coisas, pela profissão de fé, pelo corpo e pelo sangue foi igualmente salva da idolatria, e elegeu a si mesmo para seus filhos a Salvação da humanidade por meio de Cristo: e nós recebemos seu corpo e seu sangue, pois Ele é a vestimenta da vida eterna para todo aquele que com humildada se aproxima d’Ele.” (Santo Hipólito – Seguimento exegéticos. Gem 38, 19)

“... Depois disse: depois das sessenta e duas semanas havendo passado os tempos... Ele fará o Testamento para muitos durante uma semana; e no meio de uma semana será quitado o sacrifício e a libação sacrificial; e sobre o santuário, uma abominação desoladora [cf. Dan 9, 26]. Assim, pois, uma vez cumpridas as sessenta e duas semanas e uma vez vindo Cristo e pregado o evangelho em todas as partes, quando os tempos estiverem cumpridos, será deixada uma semana, a última; na qual aparecerá Elias e Enoc. E no meio dela virá a abominação desoladora [Dan 9, 27], o anticristo, que anunciará ao mundo a devastação. Depois que ele vier, será quitado o sacrifício e a libação sacrificial, os quais são agora oferecidos a Deus pelos povos em todas as partes [cf. Mal 1, 11].” (Santo Hipólito – Comentário a Daniel, IV, 35)

“Ambas as coisas proporcionam ao mundo o corpo do Senhor, Sangue sagrado e água Santa”(Santo Hipólito – Sobre os Ladrões (ACHELIS: GChS 211; MG 83,285 A: TEODORETO, Eranistes, diálogo 3))

“Cada fiel procure tomar a eucaristia, antes que haja provado qualquer outra coisa. Pois se é fiel em toma-la, embora lhe dê veneno mortal, não terá poder sobre ele [o veneno]. Todos evitem como diligência que o infiel coma da Eucaristia ou que os ratos ou algum outro animal, nenhuma outra coisa em absoluto caia na Eucaristia e que algo pereça. É o corpo de Cristo, do qual todos os fieis se alimentam, e não deve ser desprezado.” (Santo Hipólito – Tradição Apostólica)



ORÍGENES (185 D.C – 254 D.C)

Orígenes não foi Padre da Igreja, mas teólogo e comentarista bíblico. Viveu em Alexandria até 231, passou os últimos 20 anos de sua vida em Cesaréia do Mar, Palestina e viajando pelo Império Romano. Foi o maior mestre da doutrina cristã em sua época e exerceu uma extraordinária influência como intérprete da Bíblia. Orígenes foi profundamente afetado pelo martírio de seu pai, Leonides, durante a perseguição do imperador Severo em 201. Ele completou sua educação em Alexandria, onde ele estava em contato com os gnósticos valentinianos. Alguns anos mais tarde, esteve sob a influência de platônicos de Alexandria como Amônio Sacas.

Orígenes ensinou que Deus, Todo-Poderoso, providente e salvador, só é conhecido através de Jesus Cristo, conforme anunciado pelas escrituras judaicas e testemunhado no Novo Testamento. Jesus preexistia como o Verbo (Logos) eterno e é a origem da criação universal.

Os ensinamentos de Orígenes também contêm muitas especulações sobre assuntos em que a Igreja de seu tempo não definiu. Algumas de suas ideias eram errôneas, à luz do desenvolvimento posterior da doutrina católica. Mas não é por isso que se deve negar a validade do restante dos seus ensinamentos.

No que diz respeito aos escritos de Orígenes a Eucaristia segue a mesma linha que o resto dos pais. Como Tertuliano expressa preocupação de que o pão e o vinho consagrados caiam ao chão. Ele afirma que “assim como o maná era a comida em enigma, agora claramente a carne do Verbo de Deus é verdadeiro alimento, como ele mesmo diz, a minha carne é verdadeira comida e o meu sangue é verdadeira bebida.” Em todos esses casos, Orígenes se refere a “verdadeiro alimento” não como pão, mas como “a carne do Verbo de Deus”. Ele também afirma que receber o corpo indignamente traz a ruína para si e refere-se a Eucaristia como “mesa do Corpo de Cristo e do próprio cálice de seu sangue”.

"Conheceis a vós que assistis aos divinos mistérios, como quando recebeis o corpo do Senhor o guardais com toda cautela e veneração, para que não caia nem um pouco dele, nem desapareça algo do dom consagrado. Porque - corretamente - crês que sereis réus se perderdes algo dele por negligência. E se empregais - corretamente - tanta cautela para conservar o seu corpo, como julgais ser coisa menos ímpia se descuidar de sua palavra que ao seu corpo?" (Sobre o Êxodo. Homilía 13,3;)

"Antes, o batismo estava oculto na nuvem e no mar; agora, a regeneração está claramente na água e no Espírito Santo. Então o maná era alimento em enigma; agora claramente a carne do Verbo de Deus é verdadeiro alimento, como Ele mesmo diz: 'Minha carne verdadeiramente é comida e meu sangue é verdadeiramente bebida'" (Sobre Números. Homilía 7,2).

"...Se sobes, pois, para celebrar com Ele a Páscoa, te dará o cálice do Novo Testamento e te dará também o pão da bênção; te concederá seu corpo e sangue" (Sobre Jeremias. Homilia 19,13).

"E entrarão nelas [as coisas escolhidas do mundo] sem consideração {Ez 7,22 LXX; cfr. v.20 LXX} ...Assim, deve-se dizer que entra sem consideração nas coisas santas da Igreja aquele que, após o ato conjugal, indiferente à impureza que contraiu, consente em orar sobre o pão da Eucaristia; esta pessoa profana as coisas santas e pratica uma ação descomposta" (Sobre Ezequiel 7,22;).

"Não temes comungar o corpo de Cristo ao te aproximares da Eucaristia como se fosses limpo e puro? Como podereis fugir ao juízo de Deus? Não recordas daquilo que está escrito: 'Por isso há entre vós muitos debilitados e doentes e muitos que morrem'? Por que muitos debilitados? Porque não julgam a si mesmos, não se auto examinam, não entendem o que é participar da Igreja, nem o que é aproximar-se de tantos e tão exímios sacramentos. Padecem daquilo que costumam a padecer os febris quando se atrevem a comer dos manjares dos sãos; ou seja, trazem para si a própria ruína" (Sobre o Salmo 37. Homilía 2,6;).

"E Celso, por essa razão, como homem que desconhece a Deus, oferece suas obras de graças aos demônios. Nós, ao contrário, dando graças ao Criador de tudo, comemos dos pães oferecidos com a ação de graças e a oração sobre os dons recebidos, constituídos pela oração em um corpo santo e santificador dos que se servem dele com são propósito" (Contra Celso. L.8. c33;).

"[Mat. 26,23]... E se podes entender a mesa espiritual e o alimento espiritual e a ceia do Senhor, de tudo isto tinha se dignado Cristo fazer participar [a Judas]; mas verás que pela grandeza de sua maldade - eis que entregou o Salvador, mestre e também alimento da divina mesa e do cálice (e isto no dia da Páscoa) - sem dar atenção aos bens corporais do amor do mestre, nem dos [bens] espirituais de sua doutrina, repartida sempre sem inveja. Como este [Judas] são na Igreja todos aqueles que levantam azedumes contra os seus irmãos, com os quais frequentemente estiveram juntos na mesma mesa do corpo de Cristo e no mesmo cálice de seu sangue" (Orígenes. Serie de comentários. 82).

No entanto, Jesús Solano comenta, que Orígenes tem um texto muito discutido que reproduziremos abaixo, embora não seja em si um texto eucarístico, ele usa em sentido alegórico a terminologia eucarística. Para quem conhece a paixão de Origines de inter-relacionar entre si textos da Sagrada Escritura e de procurar alegorias em naquela atmosfera de “gnose”, em Alexandria, não oferece problema sério sobre a ortodoxia de Orígenes se expressar com tais alegorias. Seria injusto para com o escritor e anticientífico deduzir o pensamento eucarístico de Orígenes de uma ou outra passagem e não todas elas. Apesar de Orígenes ter tido vários oponentes não há notícia de que ninguém que o impugnasse por sua doutrina eucarística menos pura.

"Este pão que o Deus Verbo confessa ser o seu corpo é a palavra que alimenta as almas, palavra procedente do Deus Verbo e pão do pão celestial que tem sido posto sobre a mesa, sobre a qual foi escrito: 'Preparaste diante de mim uma mesa a vista dos meus perseguidores'. E esta bebida que o Deus Verbo confessa ser o seu sangue é a palavra que apaga a sede e embriaga prodigiosamente os corações daqueles que o bebem, bebida que está no cálice, sobre o qual foi escrito: 'E quão excelente é o teu cálice que embriaga'. E esta bebida é fruto da verdadeira Videira, que diz: 'Eu sou a verdadeira videira' e este é o sangue daquela uva que, lançada no lagar da Paixão, produziu esta bebida. Como também o pão é a palavra de Cristo, feito daquele trigo que, caindo na terra, deu muito fruto. Porque não àquele pão visível que tinha nas mãos dizia o Deus Verbo [ser o] seu corpo, senão à palavra em cujo mistério deveria ser partido aquele pão; nem àquela bebida visível dizia [ser o] seu sangue, senão à palavra em cujo mistério deveria ser derramado. Porque o corpo ou sangue do Deus Verbo que outra coisa pode ser senão a palavra que alimenta e a palavra que alegra o coração?" (Orígenes. Série de comentários. 85).



SÃO CIPRIANO DE CARTAGO (258 D.C)

São Cipriano nasceu em torno do ano 200, provavelmente em Cartago, de família rica e culta. Dedicou-se em sua juventude à retórica. O desgosto que sentia diante da imoralidade dos ambientes pagãos contrastado com a pureza de costumes dos cristãos, o induziu a abraçar o Cristianismo por volta do ano 246. Pouco depois, em 248, foi eleito bispo de Cartago.

Dele se conservam uma grade variedade de escritos (uma dezena de opúsculos e 81 cartas). Sobre sua vida se conserva Vita Cypriani (Um conjunto de manuscritos atribuídos a seus diácono Poncio) e sobre seu martírio se conservam as Acta proconsularia Cypriani, baseada em documentos oficiais. Na antiguidade Cristã e em sua idade média foi um dos autores mais populares. Sua doutrina coincide substancialmente com a de Tertuliano, do qual era leitor assíduo e o considerava como “mestre”.

Um dos problemas que chamou sua atenção foi a atitude que teria que tomar com os que haviam apostatado durante a perseguição, oferecendo sacrifícios a ídolos. Muitos deles quiseram logo voltar a Igreja e serem participantes da Eucaristia.

Os textos eucarísticos de São Cipriano são muitos para comentar todos.

“... Mãos esclarecidas, que não estavam feitas senão obras divinas, resistiram aos sacrifícios sacrílegos; as bocas santificadas com os manjares celestiais depois do corpo e o sangue do Senhor rejeitaram o contágio do profano e os restos de seus ídolos.” (São Cipriano Sobre os que caíram em Idolatria, II)

“Voltando dos altares do diabo se cercaram  ao santo do Senhor com mãos sódidas e infectadas pelo fedor; arrotando porém quase toda via os mortíferos alimentos dos ídolos, assaltaram o corpo do Senhor com as mandíbulas que exalavam ainda seu crime e fedendo os funestos contágios, descumprindo assim a Escritura Divina, que clama e diz: [Lev 7,20; 1 Cor 10,21; 11,27]… ” (São Cipriano Sobre os que caíram em Idolatria, XV)

“... Armemos também a destra com a espada espiritual, para que rejeitem com força os funestos sacrifícios, para que se lembrem da Eucaristia, a [destra] que recebe o corpo do Senhor, se a feche, ela que em breve há de receber do Senhor o prêmio das coroas celestiais.” (Carta 58 n.9 (HARTEL, 665, BAYARD, ML 4,357 A).)

“...Ameaça agora uma luta mais dura e mais feroz, a qual se deve preparar os soldados de Cristo com uma fé incorrupta e uma virtude robusta, considerando que por isso bebem todos os dias o cálice do sangue de Cristo para poder derramar seus próprios sangues por Cristo”. (Carta 58 n.1 (HARTEL, 656s, BAYARD, ML 4,350 A: epist 56).)

“Pois é a Eucaristia onde são ungidos os batizados, o óleo santificado no altar, mas não pude santificar a criatura do óleo quem não tem nem altar nem Igreja. Nem tampouco a unção espiritual, pois não pode haver entre os hereges, posto que entre eles é absolutamente impossível consagrar o óleo e fazer a Eucaristia.” (Carta 70 n.2 (HARTEL 768, BAYARD, ML 3,1040 A – 1041 A: epist. Synod. Conc. Carthag).)

"3. Antes de se extinguir o medo da perseguição, antes de nosso regresso, antes quase no mesmo trânsito dos mártires, têm comunhão com os mortos, oferecem e entregam a Eucaristia."(Carta 16. n.2ss (HARTEL, 518ss; Bayard; ML 4,251 A – 253 B epist. 9))

"Oferecemos por eles Sacrifícios, como os lembrais, sempre que na comemoração atual os dias da paixão dos mártires.” (Carta 39 n.3 (HARTEL, 583, BAYARD, ML 4,323 A: epist. 34)).

“... Em primeiro lugar, você não está apto ao martírio a quem a Igreja não armou para a luta, e dá o espírito ao que não levanta e inflama a Eucaristia recebida.” (Carta 57 n.4 (HARTEL, 651ss, BAYARD, ML 3,856 A – 858 A: epist synod. Conc. Carthag).)





FIRMILIANO, BISPO DE CESÁREA (268 D.C)

“... Caso contrário, quão grande crime é daqueles que são admitidos ou aqueles que admitiram tocar o corpo e sangue do Senhor, não havendo lavado as suas manchas através do batismo da Igreja, e havendo deposto seus pecados, havendo usurpado temerariamente comunhão, ao passo que está escrito: Quem quer comer o pão ou beber o cálice do Senhor indignamente, será culpado do corpo e do sangue do Senhor.” (Firmiliano Extratos Carta 75, 10, 21)



NOVACIANO (MEADOS DO SÉCULO III)

Era homem erudito e inteligente, formado na filosofia estoica, professor de retórica, e com uma grande reputação em Roma. Seus adversários, que são quase a única fonte de informação. O primeiro teólogo romano que escreve em latim com grande elegância, e através de seus escritos reflete um caráter parecido com o de Tertuliano.

Recebemos quatro de suas obras. Sabemos o nome de sete outros escritos, e que escreveu muitos mais. Felizmente preserva o mais importante de tudo que escreveu, Sobre a Trindade; Na qualquer ele na qual ele recorre a doutrina tradicional, expressa por autores anteriores, mas com maior precisão e ordem, e também mais extensa e completa, ele deve ter escrito antes de sua ruptura com a Igreja. As outras três obras convervadas tratam de temas morais, expostos com certa extensão, e são sobre os alimentos dos judeus, e sobre os espetáculos e sobre as vantagens da castidade.

O extrato da carta reproduzida abaixo, questiona o absurdo de cristão irem a espetáculos pagãos. Lhe parece altamente reprovável a atitude de um cristão que se atreve a entrar nos locais indignos com a Eucaristia.

“Atrevendo-se a levar consigo ao bordel o santo, se havia possuído, o que apressando-se a ir ao espetáculo, despedindo do sacrifício do Senhor e levando consigo, como é de costume, a eucaristia, levou este infiel, por entre os corpos obscenos das meretrizes, o santos corpo de Cristo, merecendo amis castigo por este caminho que por comparecer ao espetáculo.” (Novaciano. Sobre os espetáculos. C.5)





CONCLUSÃO

Com isso eu vou acabar com esse breve resumo do que a Igreja ensinou durante os três primeiros séculos, abranger os primeiros seis séculos seria muito mais extenso, mas a evidência é ainda mais abundante. Eu sugiro se aprofundar nas obras mencionadas na bibliografia para obter mais informações.

Agora, se a São Tomás de Aquino viveu 1225-1274 d.C é atribuída a invenção da transubstanciação é quase uma piada, oq ue Aquino fez foi, usando essa terminologia, explicar a conversão do pão eucarístico e do vinho, que apoia a presença real de Cristo. Muito mais absurdo é afirmar como faz a Igreja de Deus de Israel que os pais ignoraram essa doutrina durante os primeiros seis séculos, uma vez que existem referências históricas tão abundantes. Isso só pode ser feito para tirar proveito da ignorância de seus membros.

Voltando a São Tomás, o que ele tenta responder é uma questão central na teologia eucarística: Como aderir de modo claro a realidade visível significante (o pão e o vinho) e a realidade invisível significada (o corpo e o sangue de Cristo)? De acordo com São Tomás, os dois são preservados no ensino da transubstanciação: Por um lado, os acidentes de pão e vinho são símbolos que significam verdadeira paixão e ressurreição de Cristo: o que você vê é o fato significativo. Além disso, o que é invisível aos sentidos, a conversão do pão e do vinho no corpo e sangue de Cristo, serve para levar os fiéis à realidade significada, a presença real da pessoa do Salvador.

São Tomás entende por substância uma coisa ou uma pessoa examinada em seu ser intrínseco, dotada de uma unidade e consistência própria, feita a abstração de suas várias qualidades e propriedades. Um homem, composto de muitas substâncias diferentes (sangue, ossos, tecidos...) é sempre uma única substância. Por isso São Tomás quis dizer que na Eucaristia há uma mudança de substância no sentido de que o ser intrínseco do pão e do vinho, uma realidade metafísica, não pode ser experimentada pelos sentidos é invisível, torna-se o ser intrínseca do corpo e do sangue de Cristo. O corpo de Cristo não pode ser tocado ou comido em sua própria espécie, mas apenas nas espécies sacramentais que escondem dos nossos olhos e de nossa experiência sensorial.

Em resumo, embora a igreja primitiva não usou a palavra “Transubstaciação”, acreditou a mesma coisa que ela diz: “que o pão e o vinho consagrados são o corpo e sangue do Senhor.”

 http://www.apologistascatolicos.com.br/index.php/patristica/estudos-patristicos/586-a-transubstanciacao-eucaristia-e-a-igreja-primitiva

BIBLIOGRAFIA

Textos Eucarísticos Primitivos, Tomo I por Jesús Solano, B.A.C.

Padres apostólicos, por Daniel Ruiz Bueno, B.A.C.

Padres apologistas gregos, Daniel Ruiz Bueno, B.A.C.

A Eucaristia em Santo Tomás de Aquino, por elescoliasta.org

A biografias dos santos padres e apologistas primitivos foram tomadas de mercaba.org

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