Porolisso (em latim: Porolissum) foi uma cidade romana na Dácia. Fundada em 106 como um campo militar, em 124 tornou-se a capital da Dácia Porolissense. Situada próxima a cidade de Moigrad, em Salaj, é um dos mais bem preservados sítios arqueológicos da Romênia.
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24/04/2014
Poitiers em latim: Pictavium
Poitiers é uma cidade localizada no centro-oeste da França às margens do Rio Clain. O nome da cidade é derivado do romano Pictávio (em latim: Pictavium), o que acredita-se ser derivado da tribo celta que habitava a região, os pictones. Até hoje, o gentílico de quem nasce na cidade é Pictaviens em francês. Antes do período romano, era conhecida também como Lemono.
Porém, a batalha mais conhecida de Poitiers foi em 732, quando Charles Martel (possuía esse estranho apelido por causa de sua ferocidade no combate: ele literalmente martelava a cabeça de seus oponentes) expulsou os sarracenos (mouros), banindo-os definitivamente do território francês. A batalha foi importante não só para a proteção da França contra a invasão dos sarracenos, mas foi igualmente importante para a descendência real francesa: os merovíngios, descendentes do rei franco Clóvis, caíram e, em seu lugar, assumiram os carolíngios (de Carlos Magno). O primeiro grande carolíngio conhecido seria Pepino, neto de Charles Martele avô de Carlos Magno.
Vale lembrar também que Carlos Magno (Charlemagne em francês), coroado em 800, comandou também incursões contra os sarracenos no sul da França. Numa dessas incursões, perdeu um de seus familiares, preso numa emboscada nos Pirineus. Esse fato inspirou a tão famosa "Chanson de Roland" (canção de Roland)
Foi também em Poitiers que, durante a Guerra dos Cem Anos, ocorreu o julgamento de Joana d'Arc (em francês Jeanne D'Arc) que decretou sua pena. Ela acabou por ser queimada viva.
Carlos VII de França fundou a Universidade de Poitiers em 1432.
Poitiers foi a capital de Poitou, antiga província francesa governada pelos Condes de Poitiers.
Hoje em dia, a Universidade de Poitiers abriga um campus de ciências sociais do Instituto de Ciências Políticas de Paris voltado para a América Latina ("Institut de Sciences Politiques de Poitiers"). Lá, ensina-se português, francês, espanhol e inglês, além dos alunos aprenderem noções específicas sobre Direito Internacional e Europeu, Economia, Relações Internacionais e noções culturais de cada país. A universidade aposta na diversidade cultural de seus alunos para manter sua excelência. Pelo fato dessa miscigenação cultural, a cidade que antes não tinha muita coisa, voltou sua atividade para o estilo de vida dos jovens, adquirindo uma vida boêmia que antes não havia.
A língua portuguesa é ensinada tanto na Universidade de Poitiers (que possui o segundo mais antigo departamento da França) quanto no campus do Instituto de ciências políticas (Sciences PO)
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Porém, a batalha mais conhecida de Poitiers foi em 732, quando Charles Martel (possuía esse estranho apelido por causa de sua ferocidade no combate: ele literalmente martelava a cabeça de seus oponentes) expulsou os sarracenos (mouros), banindo-os definitivamente do território francês. A batalha foi importante não só para a proteção da França contra a invasão dos sarracenos, mas foi igualmente importante para a descendência real francesa: os merovíngios, descendentes do rei franco Clóvis, caíram e, em seu lugar, assumiram os carolíngios (de Carlos Magno). O primeiro grande carolíngio conhecido seria Pepino, neto de Charles Martele avô de Carlos Magno.
Vale lembrar também que Carlos Magno (Charlemagne em francês), coroado em 800, comandou também incursões contra os sarracenos no sul da França. Numa dessas incursões, perdeu um de seus familiares, preso numa emboscada nos Pirineus. Esse fato inspirou a tão famosa "Chanson de Roland" (canção de Roland)
Foi também em Poitiers que, durante a Guerra dos Cem Anos, ocorreu o julgamento de Joana d'Arc (em francês Jeanne D'Arc) que decretou sua pena. Ela acabou por ser queimada viva.
Carlos VII de França fundou a Universidade de Poitiers em 1432.
Poitiers foi a capital de Poitou, antiga província francesa governada pelos Condes de Poitiers.
Hoje em dia, a Universidade de Poitiers abriga um campus de ciências sociais do Instituto de Ciências Políticas de Paris voltado para a América Latina ("Institut de Sciences Politiques de Poitiers"). Lá, ensina-se português, francês, espanhol e inglês, além dos alunos aprenderem noções específicas sobre Direito Internacional e Europeu, Economia, Relações Internacionais e noções culturais de cada país. A universidade aposta na diversidade cultural de seus alunos para manter sua excelência. Pelo fato dessa miscigenação cultural, a cidade que antes não tinha muita coisa, voltou sua atividade para o estilo de vida dos jovens, adquirindo uma vida boêmia que antes não havia.
A língua portuguesa é ensinada tanto na Universidade de Poitiers (que possui o segundo mais antigo departamento da França) quanto no campus do Instituto de ciências políticas (Sciences PO)
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Petinesca cidade Roma
Petinesca é o nome de um sítio romano, situado na comuna de Studen no cantão de Flag of Canton of Bern.svg Berna já é mencionado na Tabula Peutingeriana e no Itinerário de Antonino como uma estação ao longo da estrada entre Avêntico e Saloduro.
Os primeiros sinais de ocupação romana datam de meados do século I, mas a primeira Via romana na região de Vorderberg é do primeiro decénio depois de cristo Os restos de um muro descoberto num montículo no interior de um ópido delimitavam uma zona sagrada frequentada do século I ao IV, que englobavam seis templos Galo-romanos. Também foram descobertos uma série de edifícios de madeira destinados ao alojamento e construídos no século I ao longo da via romana e nota-se a presença dos em pedra que os substituíram no século II.
As escavações parecem demonstrar que Petinesca já devia ter sido abandonada nos meados do século IV.
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16/04/2014
Origens de Roma: lendas de uma civilização
Origens de Roma também foram baseadas em mitos. O maior império conhecido da Antiguidade Clássica teria sido fundado por dois gêmeos, Rômulo e Remo, que haviam sido amamentados na infância por uma loba que os encontrara perdidos às margens do rio Tibre.
Duas obras servem como fonte para se conhecer os mitos de origem da cidade de Roma. Uma é o poema épico Eneida, escrito por Virgílio, outra é o livro Ab Urbe condita (“Desde a fundação da cidade”), do historiador Tito Lívio.
Esse último baseia seu livro nas histórias que eram contadas sobre a fundação. Rômulo e Remo seriam filhos de Reia Sílvia, uma virgem sacerdotisa vestal, que afirmou ter sido violentada e engravidada pelo deus Marte. Sílvia havia sido forçada a se tornar sacerdotisa por seu tio, Amúlio, que havia tirado o pai de Reia Silvia, Numitor, do trono de Alba Longa, cidade construída na Península Itálica.
Ao saber da gravidez da sacerdotisa, Numitor ordenou sua prisão e que seus filhos fossem jogados no rio Tibre. A preocupação de Numitor era que os gêmeos reivindicassem o trono que ele havia usurpado.
Os gêmeos teriam sido salvos pela loba que chegou ao rio para saciar sua sede e, em compaixão às duas crianças abandonadas, teria dado suas tetas para que eles pudessem se alimentar. Foram encontrados posteriormente por um pastor e, nesse ambiente, foram criados. Já adultos, Rômulo e Remo descobriram serem originários de uma linhagem real e decidiram lutar contra Numitor para restituir ao avô Amúlio o trono do qual havia sido retirado. E eles conseguiram.
Posteriormente, Rômulo e Remo construíram uma aldeia no local onde haviam sido encontrados. Era o início da cidade de Roma. Entretanto, em decorrência da disputa pelo poder na nova cidade, Rômulo assassinou Remo, tornando-se o primeiro rei de Roma. As histórias romanas indicam que a cidade foi fundada em 753 a.C. Escavações arqueológicas indicam haver indícios de que, no século VIII a.C, uma aldeia de agricultores e pastores existia na região. Roma ficava em uma planície fértil, cortada pelo rio Tibre e protegida por sete colinas.
Havia ainda entre os romanos a lenda de que Numitor, Amúlio, Reia Sílvia, Rômulo e Remo seriam descendentes de um troiano, Eneias, filho da deusa Afrodite e de Anquises, que havia fugido da famosa cidade destruída ao fim da Guerra de Troia. Com essa lenda, os romanos ligavam sua origem com os povos do Egeu, pretendendo criar uma tradição comum entre as civilizações que surgiram nas duas localidades.
Eneias havia chegado à Península Itálica depois da fuga de Troia e muitas atribulações e teria travado contato com Latino, que lhe ofereceu sua filha Lavínia para matrimônio. Depois de guerras pelo território do Lácio e pela esposa, Eneias fundou a cidade Alba Longa e introduziu o culto de seus deuses entre os latinos. Várias outras aldeias foram construídas próximas à cidade. Eneias ainda havia deixado descendentes que protegeriam Alba Longa e que, depois de 12 gerações, dariam origem a Rômulo e Remo.
A península Itálica era habitada desde muito tempo por latinos, úmbrios, ilíricos, gregos e etruscos. Entretanto, foram esses últimos que tornaram a aldeia de Roma uma verdadeira urbs, ou seja, uma verdadeira cidade.
Fonte
Mundo Educação
Duas obras servem como fonte para se conhecer os mitos de origem da cidade de Roma. Uma é o poema épico Eneida, escrito por Virgílio, outra é o livro Ab Urbe condita (“Desde a fundação da cidade”), do historiador Tito Lívio.
Esse último baseia seu livro nas histórias que eram contadas sobre a fundação. Rômulo e Remo seriam filhos de Reia Sílvia, uma virgem sacerdotisa vestal, que afirmou ter sido violentada e engravidada pelo deus Marte. Sílvia havia sido forçada a se tornar sacerdotisa por seu tio, Amúlio, que havia tirado o pai de Reia Silvia, Numitor, do trono de Alba Longa, cidade construída na Península Itálica.
Ao saber da gravidez da sacerdotisa, Numitor ordenou sua prisão e que seus filhos fossem jogados no rio Tibre. A preocupação de Numitor era que os gêmeos reivindicassem o trono que ele havia usurpado.
Os gêmeos teriam sido salvos pela loba que chegou ao rio para saciar sua sede e, em compaixão às duas crianças abandonadas, teria dado suas tetas para que eles pudessem se alimentar. Foram encontrados posteriormente por um pastor e, nesse ambiente, foram criados. Já adultos, Rômulo e Remo descobriram serem originários de uma linhagem real e decidiram lutar contra Numitor para restituir ao avô Amúlio o trono do qual havia sido retirado. E eles conseguiram.
Posteriormente, Rômulo e Remo construíram uma aldeia no local onde haviam sido encontrados. Era o início da cidade de Roma. Entretanto, em decorrência da disputa pelo poder na nova cidade, Rômulo assassinou Remo, tornando-se o primeiro rei de Roma. As histórias romanas indicam que a cidade foi fundada em 753 a.C. Escavações arqueológicas indicam haver indícios de que, no século VIII a.C, uma aldeia de agricultores e pastores existia na região. Roma ficava em uma planície fértil, cortada pelo rio Tibre e protegida por sete colinas.
Havia ainda entre os romanos a lenda de que Numitor, Amúlio, Reia Sílvia, Rômulo e Remo seriam descendentes de um troiano, Eneias, filho da deusa Afrodite e de Anquises, que havia fugido da famosa cidade destruída ao fim da Guerra de Troia. Com essa lenda, os romanos ligavam sua origem com os povos do Egeu, pretendendo criar uma tradição comum entre as civilizações que surgiram nas duas localidades.
Eneias havia chegado à Península Itálica depois da fuga de Troia e muitas atribulações e teria travado contato com Latino, que lhe ofereceu sua filha Lavínia para matrimônio. Depois de guerras pelo território do Lácio e pela esposa, Eneias fundou a cidade Alba Longa e introduziu o culto de seus deuses entre os latinos. Várias outras aldeias foram construídas próximas à cidade. Eneias ainda havia deixado descendentes que protegeriam Alba Longa e que, depois de 12 gerações, dariam origem a Rômulo e Remo.
A península Itálica era habitada desde muito tempo por latinos, úmbrios, ilíricos, gregos e etruscos. Entretanto, foram esses últimos que tornaram a aldeia de Roma uma verdadeira urbs, ou seja, uma verdadeira cidade.
Fonte
Mundo Educação
ROMA E AS SOCIEDADES DA ANTIGUIDADE
O Núcleo de Estudos da Antiguidade como instituição que prioriza a
relação ensino, pesquisa e extensão, desenvolve cursos e eventos
regularmente, que possibilitam a formação profissional dos alunos e
bolsistas de uma forma mais ampla, através da participação ativa junto à
elaboração, organização e execução das atividades planejadas, assim
como na produção de conhecimento sobre as sociedades antigas. Como
equipe, o Núcleo de Estudos da Antiguidade, valoriza o trabalho coletivo e
a cooperação entre alunos e professores, entre as disciplinas correlatas e
entre as IES de tal modo que suas ações são sempre pensadas,
organizadas e realizadas em conjunto.
O NEA/UERJ busca estimular seus integrantes a planejar, organizar
e a executar atividades que resultem num crescimento acadêmico, no
diálogo, no respeito, eficácia e responsabilidade em prol do coletivo.
Assim, conseguimos desde a sua fundação em 1998 até hoje garantir para
o NEA/UERJ uma atuação acadêmica dinâmica e acentuadamente
positiva de ensino, pesquisa, extensão e divulgação da História Antiga
Clássica no Estado do Rio de Janeiro e no Brasil através de cursos e
eventos de extensão.
O Encontro de Estudos Romanos configura-se como um dos evento
realizado pelo NEA que mostrou ser o tema que possui uma crescente
massa critica como nos aponta a freqüência tanto de interessados como
ouvinte quanto comunicadores e suas pesquisas.
O evento nos aponta que Roma na sua fase de republica e de
império continua a fascinar e a fazer parte do imaginário social da
modernidade. Segundo, Andrea Giardina na obra O Homem Romano, o
sucesso dos estudos romanos se deve aos seus legionários,
generais,colonos que souberam conquistar, pacificar e unificar um amplo
espaço territorial. Acrescentamos as suas crenças religiosas, seus
costumes e suas praticas sociais fez de Roma um modelo admirado,
temido e respeitado atributos que a ratifica como Senhora do
Mediterrâneo.
Apresentamos aqui o resultado do estado atual das pesquisas em
forma de publicação, agradecemos a participação dos ouvintes e
parabenizamos a qualidade dos trabalhos aqui sintetizados. Leia Mais
Fonte:
Roma e as sociedades da Antiguidade: política, cultura e economia
/ Maria Regina Candido (org.) - Rio de Janeiro : NEA/UERJ, 2008.
relação ensino, pesquisa e extensão, desenvolve cursos e eventos
regularmente, que possibilitam a formação profissional dos alunos e
bolsistas de uma forma mais ampla, através da participação ativa junto à
elaboração, organização e execução das atividades planejadas, assim
como na produção de conhecimento sobre as sociedades antigas. Como
equipe, o Núcleo de Estudos da Antiguidade, valoriza o trabalho coletivo e
a cooperação entre alunos e professores, entre as disciplinas correlatas e
entre as IES de tal modo que suas ações são sempre pensadas,
organizadas e realizadas em conjunto.
O NEA/UERJ busca estimular seus integrantes a planejar, organizar
e a executar atividades que resultem num crescimento acadêmico, no
diálogo, no respeito, eficácia e responsabilidade em prol do coletivo.
Assim, conseguimos desde a sua fundação em 1998 até hoje garantir para
o NEA/UERJ uma atuação acadêmica dinâmica e acentuadamente
positiva de ensino, pesquisa, extensão e divulgação da História Antiga
Clássica no Estado do Rio de Janeiro e no Brasil através de cursos e
eventos de extensão.
O Encontro de Estudos Romanos configura-se como um dos evento
realizado pelo NEA que mostrou ser o tema que possui uma crescente
massa critica como nos aponta a freqüência tanto de interessados como
ouvinte quanto comunicadores e suas pesquisas.
O evento nos aponta que Roma na sua fase de republica e de
império continua a fascinar e a fazer parte do imaginário social da
modernidade. Segundo, Andrea Giardina na obra O Homem Romano, o
sucesso dos estudos romanos se deve aos seus legionários,
generais,colonos que souberam conquistar, pacificar e unificar um amplo
espaço territorial. Acrescentamos as suas crenças religiosas, seus
costumes e suas praticas sociais fez de Roma um modelo admirado,
temido e respeitado atributos que a ratifica como Senhora do
Mediterrâneo.
Apresentamos aqui o resultado do estado atual das pesquisas em
forma de publicação, agradecemos a participação dos ouvintes e
parabenizamos a qualidade dos trabalhos aqui sintetizados. Leia Mais
Fonte:
Roma e as sociedades da Antiguidade: política, cultura e economia
/ Maria Regina Candido (org.) - Rio de Janeiro : NEA/UERJ, 2008.
O IMPULSO DE ROMANIZAR
Que Roma teve um dos maiores impérios do qual se tem notícia é um fato bem documentado. Todavia, pode-se perguntar o que levou os romanos a expandirem sua área de influência para territórios tão heterogêneos quanto a África, Ásia e o norte e leste da Europa. E mais, como puderam, habilmente, manter um império tão vasto que durou séculos em aparente hegemonia. Este estudo procura discutir a natureza do imperialismo romano e como um de seus principais conceitos ajudou a legitimar e sancionar suas ações. Serão analisados, ainda, os discursos que subsidiam a crença comum de que aquilo que foi oferecido pelos romanos era por demais sedutor para ser resistido pelos povos conquistados.
Revista de E. F. e H. da Antigüidade, Cps/Bsb, nº 22/23, jul. 2006/jun. 2007
A experiência imperialista romana: teorias e práticas
Este artigo analisa os processos interativos decorrentes do contato entre culturas, surgidos a partir da constituição do Império Romano e conhecidos de forma ampla sob a denominação de romanização. Objetivamos compreender a dinâmica do "projeto imperial" através do controle político das províncias a partir dos estudos de caso da Africa Proconsularis e da Britania. Para tanto, escolhemos examinar a cooptação imperial da elite local com a formação de uma hierarquia de identidades, no primeiro caso, e a reorganização dos sistemas de assentamentos com a construção do território, no segundo. Leia todo artigo
Palavras-chave: Império Romano- Experiência Imperialista-Romanização.
Fonte:
Tempo vol.9 no.18 Niterói Jan./June 2005
15/04/2014
Educação Romano: O Ensino em Roma
A Tradição Latina
http://www.educ.fc.ul.pt/docentes/opombo/hfe/momentos/escola/ensinoroma/
O florescimento da Civilização Romana não está isento do contágio pelo Helenísmo. De acordo com as palavras de Horácio: “A Grécia conquistada conquistou por sua vez seu selvagem vencedor e trouxe a civilização ao rude Lácio”. Porém, o fosso abissal que separava o "rude Lácio" do elevado nível cultural atingido pelos Gregos foi rapidamente ultrapassado, como consequência da enorme facilidade dos latinos para adaptarem e assimilarem os costumes das outras civilizações, em particular da Civilização Helénica e Helenística.
Constata-se no entanto ter existido alguma resistência à invasão pelo Helenismo. Os pequenos camponeses do Lácio, por exemplo, protegem-se contra as inovações estrangeiras pelo respeito de uma tradição ancestral – o mos maiorum. De acordo com esta tradição, o fim da educação é prático e social. Espera-se que a educação proporcione à criança o saber necessário para o exercício da sua profissão de soldado ou de proprietário rural, que inculque a ética que subordina o indivíduo a um ideal superior – Roma e a Res Publica. O objectivo é formar o cidadão – o civis romanus.
No século II a.c., o pater familias concede à mãe, a matrona romana, os direitos sobre a educação de seus filhos durante a primeira infância, gozando aquela de uma autoridade desconhecida na Civilização Grega. Mas, por volta dos 7 anos de idade, a educação da criança passa a estar a cargo de seu pai ou, na ausência deste, de um tio. Caberá ao pai a responsabilidade de proporcionar ao filho a educação moral e cívica. Esta passa pela aprendizagem mnemónica de prescrições jurídicas concisas e de conceitos, constantes nas Leis das XII Tábuas, símbolo da tradição Romana.
Esta forma de educação tem por base a preocupação natural de associar os valores culturais e o ideal colectivo. Exalta a piedade, no sentido romano do termo pietas que traduz respeito pelos antepassados. Nas tradicionais famílias patrícias, os antepassados representam orgulhosamente os modelos do comportamento, repetidos geração após geração.
O Ensino em Roma
No entanto, o ensino em Roma apresenta algumas diferenças significativas face ao modelo educativo dos gregos e algumas novidades importantes na institucionalização de um sistema de ensino.
O ensino da música, do canto e da dança, peças chave da educação grega, tornaram-se objecto de contestação por parte de alguns sectores mais tradicionais, que apelidaram estas formas de arte como impúdicas e malsãs, toleráveis apenas para fins recreativos.
A mesma reacção de oposição surge contra o atletismo, tão essencial à Paideia. Jamais fazendo parte dos costumes latinos, as competições atléticas só penetram em Roma por volta do século II a.c., sob a forma de espectáculos, e sendo a sua prática reservada a profissionais. Os romanos chocam-se com a nudez do atleta e condenam a pederastia, de que o ginásio é o meio natural. Optam assim pelas termas em detrimento do ginásio, que consideram exclusivamente um “jardim de recreio” ou um “parque de cultura”.
O Programa educativo romano privilegia assim uma aprendizagem sobretudo literária, em detrimento da Ciência, da Educação Musical e do Atletismo.
Porém, é aos romanos que se deve o primeiro sistema de ensino de que há conhecimento: um organismo centralizado que coordena uma série de instituições escolares espalhadas por todas as províncias do Império. O carácter oficial das escolas e a sua estrita dependência relativamente ao estado constituem, não apenas uma diferença acentuada relativamente ao modelo de ensino na Grécia, como também uma novidade importante.
É claro que um tal sistema tende a privilegiar uma minoria que, graças aos estudos superiores, ascende àquilo que os romanos consideram ser a vida adulta simultaneamente activa e digna ou seja, uma elite, com uma elevada formação literária e retórica.
O que não impede que, entre a imensidão de escravos que os romanos abastados do Império possuíam como resultando das suas conquistas, houvesse a preocupação de lhes fornecer, em particular aos mais jovens, os ensinamentos necessários à prática dos seus serviços. Para tal eram reunidos, nas casas de seus amos, em escolas – as paedagogium - ae entregues a um ou mais pedagogos que lhes inculcavam as boas maneiras e, em alguns casos, os iniciavam nas “coisas do espírito”, designadamente na leitura, na escrita e na aritmética. É sabido que as casas dos grandes senhores de Roma dispunham de um ou mais escravos letrados que desempenhavam funções como secretários ou como leitores.
De qualquer forma, na Roma imperial, os Mestres Gregos são protegidos por Augusto, à semelhança do que César havia já feito. Também a criação de bibliotecas, como a do Templo de Apolo, no Palatino, e a do Pórtico de Octávio, é ilustrativa de uma política imperial de cultura.
Esta política, inspirada nas tradições gregas, vai no entanto inflectir algumas práticas anteriores, delineando no estado romano um conjunto de políticas escolares inovadoras. Uma primeira iniciativa é da autoria de Vespasiano, que intervém directamente a favor dos professores, ao reconhecer-lhes uma utilidade social. Com ele se iniciam uma extensa série de retribuições e de imunidades fiscais, atribuídas a gramáticos e retóricos. Segue-se a criação de cátedras de Retórica nas grandes cidades, bem como o favorecimento e promoção da instituição de escolas municipais de gramática e de retórica nas províncias.
O nascimento das Escolas Latinas
As primeiras escolas latinas são inteiramente, na sua origem, de inspiração grega. Limitam-se a imitá-las, tanto no que concerne ao programa, como aos métodos de ensino.
Porém, os romanos vão pouco a pouco organizá-las em três graus distintos e sucessivos: a instrução primária, o ensino secundário e o ensino superior, aos quais correspondem três tipos de escolas, confiadas a três tipos de Mestres especializados. As escolas primárias datam provavelmente dos séculos VII e VI a.c., as secundárias surgem no século III a.c. e das superiores somente há conhecimento da sua existência a partir do século I a.c.. A data em que surgiram as primeiras escolas primárias permanece controversa. Pensa-se que o ensino elementar das letras terá surgido em Roma muito antes do século IV a.c., provavelmente remontando ao período etrusco da Roma dos Reis. Data do ano 600 a.c. a tabuleta de marfim de Marsigliana d’Albegna que possui gravada na faixa superior do seu quadro um alfabeto arcaico muito completo, destinado a servir de modelo de escrita incipiente que se exercitava escrevendo na cera da tabuleta.
Quando o adolescente, por volta dos dezasseis anos de idade, finalmente se liberta da toga praetexta da infância para vestir a toga viril, tem início a aprendizagem da vida pública, o tirocinium fori. O jovem acompanhará o pai ou, se necessário, um outro homem influente, amigo da família e melhor posicionado para o iniciar na sociedade. Durante cerca de um ano, e anteriormente ao cumprimento do serviço militar, o jovem adquire conhecimentos de Direito, de prática pública e da “arte do dizer”, concepção romana da eloquência.
[Topo]
Roma adopta a Educação Grega
Sabemos que Roma foi incapaz de permanecer imune ao contágio pelo Helenismo. Na constituição do Império Romano, da baía ocidental do Mediterrâneo até ao mar oriental, ficarão integradas diversas cidades Gregas. Mas, muito antes do Império, já os etruscos, haviam sido influenciados pelos Gregos a quem foram buscar o alfabeto, bem como técnicas com vista à aprendizagem da leitura e da escrita.
A influência Helénica não mais cessará de crescer, em particular com a invasão e posterior anexação da Grécia e da Macedónia no século II a.c..
A partir de então, alguns preceptores gregos (se não de nascimento, pelo menos de formação) apoiam a educação familiar dos jovens romanos. Na verdade, afugentados pelas agitações do Oriente ou atraídos pela rica clientela romana, muitos gramáticos, retóricos e filósofos atenienses dirigem-se a Roma. Serão estes os Mestres responsáveis pelo ensino de jovens e de adultos.
Cedo os Políticos de Roma haviam compreendido que o conhecimento da Retórica ateniense seria um factor decisivo com vista a melhorar a eloquência dos seus discursos junto das multidões. Com a Retórica e a formação literária que lhe servia de base, Roma descortinou a pouco e pouco todos os aspectos encobertos da cultura Grega. Mas o helenismo não é apenas apanágio de alguns. Ele impregna toda a Roma, surgindo também na vida religiosa e nas artes, como seja nos teatros que adoptam os modelos, temas e padrões helenísticos.
Não obstante se reconhecer que os tentáculos da Civilização Helenística se estenderam a todos os domínios, em nenhum é esta influência tão notória como na cultura do espírito, e, por conseguinte, na Educação. A original contribuição da sensibilidade, do carácter, e das tradições de Roma, aparecerá somente sob a forma de retoques de detalhe e pequenas inflexões, favorecendo ou reprimindo alguns aspectos do modelo educativo da Paideia grega.
Nesse entido, a aristocracia romana recorre, numa primeira fase, a escravos alforriados que a conquista lhes havia proporcionado e, posteriormente, a Mestres de Grego especializados.
Paralelamente a esta preceptoria particular no seio das grandes famílias surge o ensino público do grego, ministrado em verdadeiras escolas, umas vezes por escravos gregos que assumem o papel de Mestres, outras, por Mestres Gregos qualificados. Não satisfeitos com este tipo de educação, muitos jovens romanos deslocar-se-ão à Grécia para aí completarem os seus estudos.
Um indício marcante sublinha o êxito da influência grega na Educação e em particular no desenvolvimento da escola. Roma vai buscar ao Helenismo o termo Paedagougos para designar o escravo incumbido de acompanhar a criança à escola.
Instrução Primária
Se é certo que a iniciação da criança nos estudos fica a cargo de um preceptor particular (em especial nas famílias aristocráticas), por volta dos sete anos a criança é confiada a um Mestre Primário – o litterator, “aquele que ensina as letras”, também designado por primus magister, magister ludi, magister ludi literarii, ou, como viria a ser designado no século IV a.c., o institutor. O primus magister é, em Roma, mal remunerado e pouco conceituado na hierarquia social.
Tal como na Grécia, também as crianças romanas se faziam acompanhar à escola por um escravo, designado segundo a terminologia grega por Paedagogus. Este poderia, em determinadas circunstâncias, ascender ao papel de explicador ou até mesmo de mentor, arcando assim com a educação moral da criança. O Paedagogus conduzia o seu pequeno senhor à escola, designada por ludus litterarius, e aí permanecia até ao final da lição. O ensino é colectivo, as meninas também frequentavam a escola primária, embora para elas o preceptorado privado pareça ter sido a nota dominante.
Cabe ao Mestre providenciar as instalações. Este resguarda os seus alunos debaixo de um pequeno alpendre protegido por um toldo – pérgula - nas proximidades de um pórtico ou na varanda de alguma mansão aberta e acessível a todos. Há conhecimento de ter existido em Roma uma escola abrigada na esquina do Fórum de César. As aulas são portanto essencialmente ministradas ao ar livre, em local isolado dos barulhos e das curiosidades da rua por meio de um tabique – o velum.
As crianças agrupam-se em torno do Mestre que pontifica da sua cadeira – a cathedra - colocada sobre um estrado. O mestre é muitas vezes assistido por um ajudante, o hypodidascales. Sentadas em escabelos sem encosto, as crianças escrevem sobre os joelhos.
A jornada escolar da criança romana tinha início muito cedo e durava até ao pôr-do-sol. As aulas apenas eram suspensas durante as festas religiosas, nas férias de Verão (dos finais de Julho a meados de Outubro) e também durante as nundinae que semanalmente se repetiam no mercado.
Além da leitura, o programa compreende a escrita em duas línguas (latim e grego) e um pouco de cálculo no qual se inclui a aprendizagem do ábaco e do complexo sistema romano de pesos e medidas. Para a aprendizagem do cálculo recorria-se vulgarmente à utilização de pequenas pedras - calculi - bem como à mímica simbólica dos dedos.
A técnica aprofundada do cálculo escapa no entanto à competência do primus magister, sendo ensinada mais tarde por um especialista, o calculator. Este distingue-se do primus magister na medida em que o seu papel está mais próximo do de um especialista, como os calígrafos ou os estenógrafos.
Na aprendizagem da escrita começava-se por se aprender o alfabeto e o nome das letras, de A a X, antes mesmo de lhes conhecer a forma. O nome das letras era seguidamente ensinado ao contrário, de X a A e posteriormente aos pares, primeiro agrupados segundo uma dada ordem e logo após agrupados de forma aleatória. Seguia-se a aprendizagem das sílabas, em todas as combinações possíveis e, por fim, dos nomes isolados. Estes três tipos de aprendizagem constituem as categorias sucessivas do abecedarii, syllabarii e nomirarri. Antes de passar à redacção de textos era ensaiada a escrita de pequenas frases bem como máximas morais de um ou dois versos.
O ensino da escrita é simultâneo ao da leitura. A criança escreve em sua tabuleta as letras, palavras ou textos cuja leitura deverá posteriormente efectuar. Empregam-se a princípio dois métodos alternados: um que remonta às origens da escola grega e que consiste em guiar a mão da criança para lhe ensinar o ductus, e outro mais moderno, talvez originário da escola latina, em que se utilizam letras gravadas em concavidades na tabuleta que a criança retraça usando o estilete de ferro e seguindo o sulco através da cera. Esta é alisada com o polegar logo que tenha terminado a tarefa, para que assim possa reproduzir as letras na tabuleta.
Os livros são feitos com folhas coladas lateralmente e enroladas à volta de uma varinha. Para ler, a varinha é mantida na mão direita e com a outra mão desenrola-se a folha única.
Associada à leitura e à escrita encontra-se a declamação. A criança é incentivada a memorizar pequenos textos à semelhança do que ocorria na Grécia.
Recorre-se frequentemente à emulação e mais ainda à coerção, às reprimendas e aos castigos. O primus magister apoia a sua autoridade na férula, instrumento a que recorre para infringir os castigos nas crianças. “Estender a mão à palmatória”, manum ferulae subducere, é na verdade para os Romanos sinónimo de estudar.
Os alunos são agrupados em classes, de acordo com o seu rendimento escolar. O autor (desconhecido) dos Hermeneumata Pseudodositheana salienta a necessidade de “...levar em conta, para um e para todos, as forças, o adiantamento, as circunstâncias, a idade, os temperamentos vários e o desigual zelo dos diversos alunos.” Esboça-se uma modalidade de “ensino mútuo”, em que os melhores alunos colaboram com o primus magister ensinando aos colegas as letras e as sílabas. O titulos (designação latina para quadro preto) é também uma invenção romana. Consiste num rectângulo de cartão preto em torno do qual os alunos se agrupam de pé, ordeiramente..
Estes métodos começam a ser questionados por volta do século I da nossa era, tendo-se registado desde então uma evolução no sentido de um abrandamento da disciplina em favor de uma indulgência crescente para com as crianças.A rotina pedagógica foi a aligeirada com a introdução de novas práticas de ensino que ficam a dever-se a Marco Fábio Quintiliano, reconhecido Professor de Eloquência que viveu no século I da nossa era.
Quintiliano foi o primeiro professor pago pelo estado, no Império de Vespasiano, e teve como alunos Plínio o Môço e o próprio Imperador Adriano. Quintiliano alerta para a necessidade de se identificarem os talentos das crianças e chama a atenção para a necessidade de reconhecer as diferenças individuais e de adoptar diferentes formas de procedimento perante elas. Recomendava que se ensinassem simultaneamente os nomes das letras e as suas formas, devendo a eventual imperícia do aluno ser corrigida obrigando-o a reproduzir as letras com o seu estilete na placa dos modelos, previamente gravada pelo professor. É contrário aos castigos físicos, e portanto ao uso da férula. Recomenda a emulação como incentivo para o estudo e sugere que o tempo escolar seja periodicamente interrompido por recreios, já que o descanso é, na sua opinião, favorável à aprendizagem.
Ensino Secundário
O ensino secundário é bastante menos difundido que a instrução primária. A maioria das crianças de fraca condição social abandonam a escola no final da Instrução Primária, passando então a frequentar a casa de um Mestre de ensino técnico, por exemplo de Geometria, que os preparará para o exercício de profissões como a carpintaria.
As restantes crianças iniciam por volta dos doze anos de idade um segundo ciclo de estudos, continuando rapazes e raparigas a estudar lado a lado. No caso geral de estudos com a duração de três anos, verifica-se a intervenção do grammaticus, correspondente latino do grammatikus grego, que ensina Gramática e Retórica.
Cecílio Epirota empreende, em finais do século I a.c., o estudo de poetas latinos seus contemporâneos, assim se estabelecendo uma formação nas duas línguas que implicará portanto a participação de dois grammaticus: o grammaticus graecus e o grammaticus latinus. Existiam portanto duas Instituições paralelas: uma para o estudo da língua e da literatura grega, a outra para o estudo da língua e literatura romana. A primeira é uma réplica exacta das escolas gregas, a segunda representava o esforço para salvaguardar as tradições romanas.
À semelhança do que se observava na Grécia, o grammaticus é bastante mais conceituado socialmente que o primus magister. Também ele instala geralmente os alunos numa pérgula ou numa residência existindo em Roma, no século IV da nossa era, cerca de vinte estabelecimentos deste tipo. Requer cerca de seis horas diárias para o ensino da correcção da linguagem, assim como para a explicação dos poetas. Adopta os princípios da metodologia grega, insistindo na ortografia e na pronúncia, multiplicando os exercícios de morfologia e preparando com a escrita de redacções a iniciação à Retórica. O essencial consiste porém no estudo dos clássicos, e sobretudo dos poetas Virgílio, Terêncio e Horácio.
Os alunos aprendem também algumas noções básicas de Geografia, necessárias para a compreensão da Ilíada e da Eneida. Estudam também Astronomia, “...desde que se levanta ou põe uma estrela até à cadência de um verso.”
Ensino Superior
O ensino superior, também designado por ensino retórico, tinha início por volta dos quinze anos de idade, altura em que o jovem recebe a toga viril, sinónimo da sua entrada na vida adulta. Estes estudos superiores duravam até cerca dos vinte anos, podendo no entanto prolongar-se por mais tempo. Tinham como finalidade formar Oradores, já que a carreira política representava o ideal supremo.
Roma transformou-se num centro excepcional de estudos para os Mestres de Retórica Gregos. É o caso de Dionísio de Halicarnaso, que viveu em Roma mais de vinte anos (de 30 a 8 a.c.), ali compondo uma monumental História Romana.
No século II surgem os representantes da segunda sofística, os quais cultivam um discurso preciosamente elaborado, bem como a improvisação, perante uma vasta audiência de romanos.
As retóricas latina e grega assemelham-se ainda mais quando o triunfo dos Césares desvia a eloquência latina da vida política e a confina à arte do conferencista ou do advogado. Os retóricos do Ocidente “latinizam” os assuntos que propõem a seus discípulos, ao mesmo tempo que os obrigam a estudar os clássicos romanos, sobretudo Cícero.
Séneca foi juntamente com Quintiliano, um dos grandes representantes da nova etapa educativa. Esta deixa de ser assunto particular e adquire um carácter mais técnico que filosófico, passando a aplicar-se de preferência a problemas práticos. Nas suasoriae, o aluno é obrigado a pronunciar-se sobre casos morais; nas controversiae, o futuro orador terá de pleitear um caso em função de textos legais.
Para lá do aperfeiçoamento da eloquência e da retórica, o ensino da Filosofia e da Medicina é essencialmente feito por Mestres Gregos itenerantes, que espalham o seu saber de cidade em cidade.
Com muita frequência, os estudantes latinos vão completar os seus estudos superiores noutras cidades, nomeadamente em Alexandria e sobretudo em Atenas. Sob o império de Vespasiano é estabelecido em Roma um Ateneum semelhante ao Mouseîon de Alexandria, para estudos aprofundados de Retórica. Criam-se cátedras de Retórica que concederam privilégios aos Mestres, dando assim aos romanos a possibilidade de prosseguirem os estudos na própria pátria.
No âmbito do Direito, Roma desempenha um papel inovador oferecendo aos jovens estudantes uma aprendizagem prática pasra além de um ensino sistemático. A complexidade crescente da produção jurídica romana está na origem da fundação de duas escolas superiores de direito em Roma no século II – a de Labeu e a de Cássio.
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As Escolas Cristãs
Paralelamente às escolas pagãs, a partir dos séculos II e III da nossa era, surgem escolas cristãs, criadas inicialmente com o intuito de formar os futuros homens da Igreja dos conhecimentos necessários à compreensão da mundividência Biblica.
É o caso da escola cristã fundada em Alexandria, escola de ensino superior para a inteligência da fé e das escrituras, onde, entre outras, se estudavam a filosofia, a geometria, a aritmética com a finalidade de melhorar o conhecimento das Escrituras Sagradas.
Com legitimação político-religiosa do cristianiosmo sob o Império de Constantino, os cristãos começam a deprecir a retórica e a cultura pagã e a acusar as escolas que dizem transmitir uma literatura contrária ao espírito cristão, orientadas para valores diferentes dos do evangelho.
Quando cai o Império Romano, só a estrutura religiosa se mantém de pé e, apenas no seu seio, o frágil brilho da ideia de escola vai apesar de tudo encontra alguma continuidade. Desaparecidas as escolas públicas pagãs, caberá agora aos monges, hábeis defensores de todo um património cultural, a tarefa de ensinar e conservar acesa na noite barbárica a chama da cultura clássica.
Marco Fábio Quintiliano (40-118)
Nasceu em Calahorra, Espanha, no século I, mas muito cedo se dirigiu para Roma, onde foi discípulo de Palêmon, gramático de Roma que gozou de grande reputação no século I e de Domício Áfer, um orador latino.
Era conhecido como advogado e professor de eloquência, tendo-se tornado o primeiro professor pago pelo estado, no Império de Vespasiano. Ensinou Eloquência durante duas décadas e teve alunos famosos como Plínio o Môço e o próprio Imperador Adriano. Após deixar o ensino, Quintiliano redige o De Institutione Oratoria, verdadeiro tratado de educação intelectual e moral.
De Institutione Oratoria é composto por doze volumes, numerados de I a XII, e propõe-se a formar o orador, através da exposição pormenorizada dos objectivos da educação, dos programas e das metodologias a adoptar. O volume I é consagrado à educação da criança na família e na casa do gramático, onde permanece até cerca dos dezasseis anos de idade, altura em que é guiada até aos cuidados do professor de retórica. O volume II versa justamente sobre os ensinamentos deste último. Os volumes III a VII são dedicados aos géneros demonstrativo, deliberativo, judiciário, narração e argumentação, entre outros. Os volumes VIII a X versam sobre a eloquência, sendo expostos diferentes arranjos de palavras bem como diversos ritmos oratórios. O volume XI trata da importância da memória e da acção e finalmente o volume XII refere quais as condições necessárias a um futuro orador.
Os pressupostos teóricos em que a obra se fundamenta seguem a tradição retórica grega de Isócrates, tal como foi transmitida por Cícero. O objectivo era a formação do homem bom, hábil no uso da palavra. O aluno apto para tal formação deveria possuir a excelência moral inata, sem defeitos de carácter, o qual poderia ser moldado através da disciplina de uma educação completa e profunda.
"Penso que não se deve negligenciar o que é bom se for inato, mas aumentar e acrescer o que lhe falta." (Vol.II cap.8)
Quintiliano opõe-se à preceptoria particular e considera que a criança deverá começar a frequentar a escola o mais cedo possível.
De acordo com Quintiliano, o Mestre deverá ser um homem de carácter e de ciência, na medida em que as suas atitudes e conduta influenciarão de forma determinante o desenvolvimento do aluno.
Quintiliano alerta para a necessidade de se identificarem os talentos nas crianças e coloca a problemática das diferenças individuais (no que se refere às capacidades e ao carácter) e das formas de procedimento a adoptar perante elas.
"Trazido o menino para o perito na arte de ensinar, este logo perceberá a sua inteligência e o seu carácter." (Vol.I cap.3)
O Mestre deverá como tal mostrar-se atento à natureza individual de cada aluno, respeitando-a e dela fazendo depender o tipo e grau de complexidade das tarefas que lhe são apresentadas.
"A variedade de espíritos não é menor que a dos corpos." (Vol.II cap.8)
"Logo que tiver feito essas considerações, o Mestre deverá perceber de que modo deverá ser tratado o espírito do aluno." (Vol.I cap.3)
Sugere que os alunos sejam distribuídos por classis (classes) logo a partir da escola primária, animadas por concursos, dado o pendor das crianças para o jogo.
"O gosto pelo jogo entre as crianças, não me chocaria, é este um sinal de vivacidade e nem poderia esperar que uma criança triste e sempre abatida mostre espírito activo para o estudo. Há pois para aguçar a inteligência das crianças, alguns jogos que não são inúteis, desde que se rivalizem a propor, alternadamente, pequenos problemas de toda a espécie." (Vol.I cap.3)
Refere ainda a importância do aproveitamento da memória do aluno como peça chave do processo educativo.
"Nas crianças, a memória é o principal índice de inteligência, que se revela por duas qualidades: aprender facilmente e guardar com fidelidade." (Vol.I cap.3)
A educação deverá assim contribuir para o desenvolvimento das disposições naturais de cada aluno, sendo a natureza, para Quintiliano, sinónimo de “homem não educado”.
"....dirigir a instrução de maneira a ajudar, através dela, o desenvolvimento das disposições naturais e a favorecer, principalmente, a tendência inata dos espíritos." (Vol.II cap.8)
No que concerne à disciplina, Quintiliano mostra-se contrário ao uso abusivo da férula, por considerar que a coerção física é não só degradante como também ineficaz.
"...gostaria pouco que as crianças fossem castigadas......Primeiramente porque é baixo e servil e certamente uma injúria........Além do mais porque se alguém tem um sentimento tão liberal que não se corrija com uma repressão, também resistirá ás pancadas como o mais vil dos escravos." (Vol.I cap.3)
Recomenda a emulação e sobretudo o bom exemplo como incentivos para o estudo e sugere que o tempo que lhe é reservado seja periodicamente interrompido por recreios, já que o descanso é, na sua opinião, favorável à aprendizagem.
"A todos, entretanto, deve-se dar primeiro um descanso, porque não há ninguém que possa suportar um trabalho contínuo. É por isso que aqueles cujas forças são renovadas e estão bem dispostos têm mais vigor e um espírito mais ardente para aprender..." (Vol.I cap.3)
Outra inovação proposta por Quintiliano é a instrução simultânea de diversos conteúdos. Assim a escola de gramática deveria familiarizar o aluno com toda a literatura, e a escola de retórica, de modo idêntico, deveria conferir-lhe conhecimentos de música, de aritmética, de geometria e de filosofia.
Quintiliano enumera as qualidades de um bom orador da seguinte forma: conhecimento das coisas (adquirido por meio do domínio da literatura), bom vocabulário e habilidade para efectuar uma escolha criteriosa das palavras, conhecimento das emoções humanas e o poder de as despertar, elegância nos modos, conhecimento da história e das leis, boa dicção, e boa memória. Não obstante, Quintiliano sustenta que um bom orador, terá que ser necessariamente um bom homem.
"...não é suficiente falar apenas com concisão, subtileza ou veemência... na verdade a eloquência é com a cítara: não será perfeita a não ser que todas as cordas estejam bem afinadas, desde a mais alta até à mais alta." (Vol.II cap.8)
Marco Túlio Cícero (106-43)
Cícero foi o melhor representante do ensino humanista, uma espécie de educação de carácter universal, humanística, supernacional. O seu ideal educativo teria um sentido cosmopolita, universal.
De família de ordem equestre, nasceu em Arpino e viveu no período republicano. Estudou em Atenas e Rodes e teve uma carreira política brilhante em que foi questor, edil e cônsul. Neste último cargo, destacou-se por se opor a Catilina que queria derrubar o governo e saquear Roma, e por aconselhar o senado a votar pela morte do conjurado foi apelidado de “Pai da Pátria”. A sua honestidade era reconhecida nesta época em que as províncias eram pilhadas e saqueadas. Foi decapitado em Fórmias.
Como escritor, Cícero é a suprema expressão do génio latino influenciado pelo génio grego. Os seus tratados filosóficos, ao mesmo tempo que monumentos históricos, são modelos de eloquência. Como escritor produziu muito e entre as suas numerosas obras contam-se, entre outras, Pro Quinctio, Pro Sexto Roscio Amerino, Pro Tullio, Verrinas, In Catilinam, In M. Antonium orationum Philippicarum, De Inventione, De Oratore, Partitiones oratoriae, Brutus, Orator, De republica, De Legibus, Paradoxa Stoicorum, Academia, De finibus bonorum et malorum, Tusculanae Disputationes, De natura deorum, De senectude, De amicitia, De officiis.
Nesta última obra, escrita em 44 e endereçada a seu filho Marcus, Cícero traça um programa de estudos e um ideal de vida que gostaria de o ver realizar. O tratado está dividido em três partes. A primeira trata do homem, a segunda do útil e a terceira examina as relações e conflitos entre o honesto e o útil. Cícero exorta o filho a estudar Grego, Latim, Filosofia e Oratória e assinala a sua supremacia no campo da Oratória mostrando que cultivou, como nenhum grego, ao mesmo tempo, a Oratória e a Filosofia. Num capítulo seguinte, propõe os deveres como tema a ser analisado, e enfatiza a sua honestidade, princípio que procurou sempre alcançar nas suas acções. Posteriormente, investiga se todos os deveres são perfeitos, se a honestidade é um facto e se a utilidade não se opõe à honestidade. Finalmente, mostra o homem como ser racional dotado de instinto gregário e sedento de verdade.
Lúcio Annaaeus Séneca (4-65)
Séneca era natural de Córdoba, Espanha e viveu a maior parte da sua vida em Roma. É representante da cultura dos primeiros anos do império. Foi exilado na Córsega por Cláudio e chamado a Roma em 49 por Agripina, tornando-se então preceptor de Nero, que mais tarde, não podendo resistir às censuras do filósofo, ordenou a sua morte.
Forma com Epíteto e Marco Aurélio um trinómio de filósofos estóicos que viam na serenidade íntima o fim último do homem.
De Séneca restaram muitos escritos: Dialogorum libri, De providentia, De vita beata, De tranquillitate animi, De breviate vitae, Ad Helvian matrem de consolatione; De beneficiis; Ad Lucilium; Algumas tragédias imitadas de modelos gregos: Hécuba, Medeia, Fedra, Édipo, Agamémnon e outras.
Ad Lucilius (Cartas a Lucilius), obra composta por 124 cartas em 20 livros, é um conjunto de dissertações estóicas sobre a consolação, a cólera, a clemência, a brevidade da vida, a tranquilidade da alma, a felicidade. As cartas contêm preciosas observações morais e ensinamentos delicados que não envelhecerão jamais. Séneca formulou máximas que atravessam os séculos:
“Mostra-te surdo às palavras daqueles que te amam muito”.
“O trabalho é o alimento das almas generosas”.
“Uma árvore isolada não provoca admiração num lugar em que a floresta é muito alta”.
“O mal não está nas coisas, está nas almas”.
“Faz descer a filosofia no fundo do teu coração; alicerça a experiência de teu progresso não sobre a coisa dita ou escrita, mas sobre a firmeza da alma e a redução dos desejos”.
Estas cartas foram lidas e meditadas por muitos espíritos nobres da Idade Média e Renascença tais como Abelardo, Erasmo, Montaigne ou Roger Bacon, e entre os segundos, .
Bibliografia
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Giles, T.R. (1987) - A tradição de Roma: a formação do cidadão, in História da Educação, São Paulo: Editora Pedagógica e Universitária, pp. 31-43.
Marrou (1966) - Roma adopta a Educação Grega, in História da Educação na Antiguidade, São Paulo: Herder, pp. 375-394.
Marrou (1966) - As escolas Romanas, in História da Educação na Antiguidade, São Paulo: Herder, pp. 411-422,
Monroe, P. (1977) - Os Romanos. A educação como treino para a vida prática, in História da Educação – Actualidades Pedagógicas, São Paulo: Companhia Editora Nacional, pp. 77-93.
Rosa, M.G. (1971) - A História da Educação através dos textos, São Paulo: Editora Cultrix.
Vial, J. e Mialaret, G. (1981) - As origens da “Pedagogia” Grécia e Roma – A Interpretação Latina, in História Mundial da Educação, Porto : Rés Editora, vol.1, pp. 173-192.
Olga Pombo: opombo@fc.ul.pt
http://www.educ.fc.ul.pt/docentes/opombo/hfe/momentos/escola/ensinoroma/
O florescimento da Civilização Romana não está isento do contágio pelo Helenísmo. De acordo com as palavras de Horácio: “A Grécia conquistada conquistou por sua vez seu selvagem vencedor e trouxe a civilização ao rude Lácio”. Porém, o fosso abissal que separava o "rude Lácio" do elevado nível cultural atingido pelos Gregos foi rapidamente ultrapassado, como consequência da enorme facilidade dos latinos para adaptarem e assimilarem os costumes das outras civilizações, em particular da Civilização Helénica e Helenística.
Constata-se no entanto ter existido alguma resistência à invasão pelo Helenismo. Os pequenos camponeses do Lácio, por exemplo, protegem-se contra as inovações estrangeiras pelo respeito de uma tradição ancestral – o mos maiorum. De acordo com esta tradição, o fim da educação é prático e social. Espera-se que a educação proporcione à criança o saber necessário para o exercício da sua profissão de soldado ou de proprietário rural, que inculque a ética que subordina o indivíduo a um ideal superior – Roma e a Res Publica. O objectivo é formar o cidadão – o civis romanus.
No século II a.c., o pater familias concede à mãe, a matrona romana, os direitos sobre a educação de seus filhos durante a primeira infância, gozando aquela de uma autoridade desconhecida na Civilização Grega. Mas, por volta dos 7 anos de idade, a educação da criança passa a estar a cargo de seu pai ou, na ausência deste, de um tio. Caberá ao pai a responsabilidade de proporcionar ao filho a educação moral e cívica. Esta passa pela aprendizagem mnemónica de prescrições jurídicas concisas e de conceitos, constantes nas Leis das XII Tábuas, símbolo da tradição Romana.
Esta forma de educação tem por base a preocupação natural de associar os valores culturais e o ideal colectivo. Exalta a piedade, no sentido romano do termo pietas que traduz respeito pelos antepassados. Nas tradicionais famílias patrícias, os antepassados representam orgulhosamente os modelos do comportamento, repetidos geração após geração.
O Ensino em Roma
No entanto, o ensino em Roma apresenta algumas diferenças significativas face ao modelo educativo dos gregos e algumas novidades importantes na institucionalização de um sistema de ensino.
O ensino da música, do canto e da dança, peças chave da educação grega, tornaram-se objecto de contestação por parte de alguns sectores mais tradicionais, que apelidaram estas formas de arte como impúdicas e malsãs, toleráveis apenas para fins recreativos.
A mesma reacção de oposição surge contra o atletismo, tão essencial à Paideia. Jamais fazendo parte dos costumes latinos, as competições atléticas só penetram em Roma por volta do século II a.c., sob a forma de espectáculos, e sendo a sua prática reservada a profissionais. Os romanos chocam-se com a nudez do atleta e condenam a pederastia, de que o ginásio é o meio natural. Optam assim pelas termas em detrimento do ginásio, que consideram exclusivamente um “jardim de recreio” ou um “parque de cultura”.
O Programa educativo romano privilegia assim uma aprendizagem sobretudo literária, em detrimento da Ciência, da Educação Musical e do Atletismo.
Porém, é aos romanos que se deve o primeiro sistema de ensino de que há conhecimento: um organismo centralizado que coordena uma série de instituições escolares espalhadas por todas as províncias do Império. O carácter oficial das escolas e a sua estrita dependência relativamente ao estado constituem, não apenas uma diferença acentuada relativamente ao modelo de ensino na Grécia, como também uma novidade importante.
É claro que um tal sistema tende a privilegiar uma minoria que, graças aos estudos superiores, ascende àquilo que os romanos consideram ser a vida adulta simultaneamente activa e digna ou seja, uma elite, com uma elevada formação literária e retórica.
O que não impede que, entre a imensidão de escravos que os romanos abastados do Império possuíam como resultando das suas conquistas, houvesse a preocupação de lhes fornecer, em particular aos mais jovens, os ensinamentos necessários à prática dos seus serviços. Para tal eram reunidos, nas casas de seus amos, em escolas – as paedagogium - ae entregues a um ou mais pedagogos que lhes inculcavam as boas maneiras e, em alguns casos, os iniciavam nas “coisas do espírito”, designadamente na leitura, na escrita e na aritmética. É sabido que as casas dos grandes senhores de Roma dispunham de um ou mais escravos letrados que desempenhavam funções como secretários ou como leitores.
De qualquer forma, na Roma imperial, os Mestres Gregos são protegidos por Augusto, à semelhança do que César havia já feito. Também a criação de bibliotecas, como a do Templo de Apolo, no Palatino, e a do Pórtico de Octávio, é ilustrativa de uma política imperial de cultura.
Esta política, inspirada nas tradições gregas, vai no entanto inflectir algumas práticas anteriores, delineando no estado romano um conjunto de políticas escolares inovadoras. Uma primeira iniciativa é da autoria de Vespasiano, que intervém directamente a favor dos professores, ao reconhecer-lhes uma utilidade social. Com ele se iniciam uma extensa série de retribuições e de imunidades fiscais, atribuídas a gramáticos e retóricos. Segue-se a criação de cátedras de Retórica nas grandes cidades, bem como o favorecimento e promoção da instituição de escolas municipais de gramática e de retórica nas províncias.
O nascimento das Escolas Latinas
As primeiras escolas latinas são inteiramente, na sua origem, de inspiração grega. Limitam-se a imitá-las, tanto no que concerne ao programa, como aos métodos de ensino.
Porém, os romanos vão pouco a pouco organizá-las em três graus distintos e sucessivos: a instrução primária, o ensino secundário e o ensino superior, aos quais correspondem três tipos de escolas, confiadas a três tipos de Mestres especializados. As escolas primárias datam provavelmente dos séculos VII e VI a.c., as secundárias surgem no século III a.c. e das superiores somente há conhecimento da sua existência a partir do século I a.c.. A data em que surgiram as primeiras escolas primárias permanece controversa. Pensa-se que o ensino elementar das letras terá surgido em Roma muito antes do século IV a.c., provavelmente remontando ao período etrusco da Roma dos Reis. Data do ano 600 a.c. a tabuleta de marfim de Marsigliana d’Albegna que possui gravada na faixa superior do seu quadro um alfabeto arcaico muito completo, destinado a servir de modelo de escrita incipiente que se exercitava escrevendo na cera da tabuleta.
Quando o adolescente, por volta dos dezasseis anos de idade, finalmente se liberta da toga praetexta da infância para vestir a toga viril, tem início a aprendizagem da vida pública, o tirocinium fori. O jovem acompanhará o pai ou, se necessário, um outro homem influente, amigo da família e melhor posicionado para o iniciar na sociedade. Durante cerca de um ano, e anteriormente ao cumprimento do serviço militar, o jovem adquire conhecimentos de Direito, de prática pública e da “arte do dizer”, concepção romana da eloquência.
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Roma adopta a Educação Grega
Sabemos que Roma foi incapaz de permanecer imune ao contágio pelo Helenismo. Na constituição do Império Romano, da baía ocidental do Mediterrâneo até ao mar oriental, ficarão integradas diversas cidades Gregas. Mas, muito antes do Império, já os etruscos, haviam sido influenciados pelos Gregos a quem foram buscar o alfabeto, bem como técnicas com vista à aprendizagem da leitura e da escrita.
A influência Helénica não mais cessará de crescer, em particular com a invasão e posterior anexação da Grécia e da Macedónia no século II a.c..
A partir de então, alguns preceptores gregos (se não de nascimento, pelo menos de formação) apoiam a educação familiar dos jovens romanos. Na verdade, afugentados pelas agitações do Oriente ou atraídos pela rica clientela romana, muitos gramáticos, retóricos e filósofos atenienses dirigem-se a Roma. Serão estes os Mestres responsáveis pelo ensino de jovens e de adultos.
Cedo os Políticos de Roma haviam compreendido que o conhecimento da Retórica ateniense seria um factor decisivo com vista a melhorar a eloquência dos seus discursos junto das multidões. Com a Retórica e a formação literária que lhe servia de base, Roma descortinou a pouco e pouco todos os aspectos encobertos da cultura Grega. Mas o helenismo não é apenas apanágio de alguns. Ele impregna toda a Roma, surgindo também na vida religiosa e nas artes, como seja nos teatros que adoptam os modelos, temas e padrões helenísticos.
Não obstante se reconhecer que os tentáculos da Civilização Helenística se estenderam a todos os domínios, em nenhum é esta influência tão notória como na cultura do espírito, e, por conseguinte, na Educação. A original contribuição da sensibilidade, do carácter, e das tradições de Roma, aparecerá somente sob a forma de retoques de detalhe e pequenas inflexões, favorecendo ou reprimindo alguns aspectos do modelo educativo da Paideia grega.
Nesse entido, a aristocracia romana recorre, numa primeira fase, a escravos alforriados que a conquista lhes havia proporcionado e, posteriormente, a Mestres de Grego especializados.
Paralelamente a esta preceptoria particular no seio das grandes famílias surge o ensino público do grego, ministrado em verdadeiras escolas, umas vezes por escravos gregos que assumem o papel de Mestres, outras, por Mestres Gregos qualificados. Não satisfeitos com este tipo de educação, muitos jovens romanos deslocar-se-ão à Grécia para aí completarem os seus estudos.
Um indício marcante sublinha o êxito da influência grega na Educação e em particular no desenvolvimento da escola. Roma vai buscar ao Helenismo o termo Paedagougos para designar o escravo incumbido de acompanhar a criança à escola.
Instrução Primária
Se é certo que a iniciação da criança nos estudos fica a cargo de um preceptor particular (em especial nas famílias aristocráticas), por volta dos sete anos a criança é confiada a um Mestre Primário – o litterator, “aquele que ensina as letras”, também designado por primus magister, magister ludi, magister ludi literarii, ou, como viria a ser designado no século IV a.c., o institutor. O primus magister é, em Roma, mal remunerado e pouco conceituado na hierarquia social.
Tal como na Grécia, também as crianças romanas se faziam acompanhar à escola por um escravo, designado segundo a terminologia grega por Paedagogus. Este poderia, em determinadas circunstâncias, ascender ao papel de explicador ou até mesmo de mentor, arcando assim com a educação moral da criança. O Paedagogus conduzia o seu pequeno senhor à escola, designada por ludus litterarius, e aí permanecia até ao final da lição. O ensino é colectivo, as meninas também frequentavam a escola primária, embora para elas o preceptorado privado pareça ter sido a nota dominante.
Cabe ao Mestre providenciar as instalações. Este resguarda os seus alunos debaixo de um pequeno alpendre protegido por um toldo – pérgula - nas proximidades de um pórtico ou na varanda de alguma mansão aberta e acessível a todos. Há conhecimento de ter existido em Roma uma escola abrigada na esquina do Fórum de César. As aulas são portanto essencialmente ministradas ao ar livre, em local isolado dos barulhos e das curiosidades da rua por meio de um tabique – o velum.
As crianças agrupam-se em torno do Mestre que pontifica da sua cadeira – a cathedra - colocada sobre um estrado. O mestre é muitas vezes assistido por um ajudante, o hypodidascales. Sentadas em escabelos sem encosto, as crianças escrevem sobre os joelhos.
A jornada escolar da criança romana tinha início muito cedo e durava até ao pôr-do-sol. As aulas apenas eram suspensas durante as festas religiosas, nas férias de Verão (dos finais de Julho a meados de Outubro) e também durante as nundinae que semanalmente se repetiam no mercado.
Além da leitura, o programa compreende a escrita em duas línguas (latim e grego) e um pouco de cálculo no qual se inclui a aprendizagem do ábaco e do complexo sistema romano de pesos e medidas. Para a aprendizagem do cálculo recorria-se vulgarmente à utilização de pequenas pedras - calculi - bem como à mímica simbólica dos dedos.
A técnica aprofundada do cálculo escapa no entanto à competência do primus magister, sendo ensinada mais tarde por um especialista, o calculator. Este distingue-se do primus magister na medida em que o seu papel está mais próximo do de um especialista, como os calígrafos ou os estenógrafos.
Na aprendizagem da escrita começava-se por se aprender o alfabeto e o nome das letras, de A a X, antes mesmo de lhes conhecer a forma. O nome das letras era seguidamente ensinado ao contrário, de X a A e posteriormente aos pares, primeiro agrupados segundo uma dada ordem e logo após agrupados de forma aleatória. Seguia-se a aprendizagem das sílabas, em todas as combinações possíveis e, por fim, dos nomes isolados. Estes três tipos de aprendizagem constituem as categorias sucessivas do abecedarii, syllabarii e nomirarri. Antes de passar à redacção de textos era ensaiada a escrita de pequenas frases bem como máximas morais de um ou dois versos.
O ensino da escrita é simultâneo ao da leitura. A criança escreve em sua tabuleta as letras, palavras ou textos cuja leitura deverá posteriormente efectuar. Empregam-se a princípio dois métodos alternados: um que remonta às origens da escola grega e que consiste em guiar a mão da criança para lhe ensinar o ductus, e outro mais moderno, talvez originário da escola latina, em que se utilizam letras gravadas em concavidades na tabuleta que a criança retraça usando o estilete de ferro e seguindo o sulco através da cera. Esta é alisada com o polegar logo que tenha terminado a tarefa, para que assim possa reproduzir as letras na tabuleta.
Os livros são feitos com folhas coladas lateralmente e enroladas à volta de uma varinha. Para ler, a varinha é mantida na mão direita e com a outra mão desenrola-se a folha única.
Associada à leitura e à escrita encontra-se a declamação. A criança é incentivada a memorizar pequenos textos à semelhança do que ocorria na Grécia.
Recorre-se frequentemente à emulação e mais ainda à coerção, às reprimendas e aos castigos. O primus magister apoia a sua autoridade na férula, instrumento a que recorre para infringir os castigos nas crianças. “Estender a mão à palmatória”, manum ferulae subducere, é na verdade para os Romanos sinónimo de estudar.
Os alunos são agrupados em classes, de acordo com o seu rendimento escolar. O autor (desconhecido) dos Hermeneumata Pseudodositheana salienta a necessidade de “...levar em conta, para um e para todos, as forças, o adiantamento, as circunstâncias, a idade, os temperamentos vários e o desigual zelo dos diversos alunos.” Esboça-se uma modalidade de “ensino mútuo”, em que os melhores alunos colaboram com o primus magister ensinando aos colegas as letras e as sílabas. O titulos (designação latina para quadro preto) é também uma invenção romana. Consiste num rectângulo de cartão preto em torno do qual os alunos se agrupam de pé, ordeiramente..
Estes métodos começam a ser questionados por volta do século I da nossa era, tendo-se registado desde então uma evolução no sentido de um abrandamento da disciplina em favor de uma indulgência crescente para com as crianças.A rotina pedagógica foi a aligeirada com a introdução de novas práticas de ensino que ficam a dever-se a Marco Fábio Quintiliano, reconhecido Professor de Eloquência que viveu no século I da nossa era.
Quintiliano foi o primeiro professor pago pelo estado, no Império de Vespasiano, e teve como alunos Plínio o Môço e o próprio Imperador Adriano. Quintiliano alerta para a necessidade de se identificarem os talentos das crianças e chama a atenção para a necessidade de reconhecer as diferenças individuais e de adoptar diferentes formas de procedimento perante elas. Recomendava que se ensinassem simultaneamente os nomes das letras e as suas formas, devendo a eventual imperícia do aluno ser corrigida obrigando-o a reproduzir as letras com o seu estilete na placa dos modelos, previamente gravada pelo professor. É contrário aos castigos físicos, e portanto ao uso da férula. Recomenda a emulação como incentivo para o estudo e sugere que o tempo escolar seja periodicamente interrompido por recreios, já que o descanso é, na sua opinião, favorável à aprendizagem.
Ensino Secundário
O ensino secundário é bastante menos difundido que a instrução primária. A maioria das crianças de fraca condição social abandonam a escola no final da Instrução Primária, passando então a frequentar a casa de um Mestre de ensino técnico, por exemplo de Geometria, que os preparará para o exercício de profissões como a carpintaria.
As restantes crianças iniciam por volta dos doze anos de idade um segundo ciclo de estudos, continuando rapazes e raparigas a estudar lado a lado. No caso geral de estudos com a duração de três anos, verifica-se a intervenção do grammaticus, correspondente latino do grammatikus grego, que ensina Gramática e Retórica.
Cecílio Epirota empreende, em finais do século I a.c., o estudo de poetas latinos seus contemporâneos, assim se estabelecendo uma formação nas duas línguas que implicará portanto a participação de dois grammaticus: o grammaticus graecus e o grammaticus latinus. Existiam portanto duas Instituições paralelas: uma para o estudo da língua e da literatura grega, a outra para o estudo da língua e literatura romana. A primeira é uma réplica exacta das escolas gregas, a segunda representava o esforço para salvaguardar as tradições romanas.
À semelhança do que se observava na Grécia, o grammaticus é bastante mais conceituado socialmente que o primus magister. Também ele instala geralmente os alunos numa pérgula ou numa residência existindo em Roma, no século IV da nossa era, cerca de vinte estabelecimentos deste tipo. Requer cerca de seis horas diárias para o ensino da correcção da linguagem, assim como para a explicação dos poetas. Adopta os princípios da metodologia grega, insistindo na ortografia e na pronúncia, multiplicando os exercícios de morfologia e preparando com a escrita de redacções a iniciação à Retórica. O essencial consiste porém no estudo dos clássicos, e sobretudo dos poetas Virgílio, Terêncio e Horácio.
Os alunos aprendem também algumas noções básicas de Geografia, necessárias para a compreensão da Ilíada e da Eneida. Estudam também Astronomia, “...desde que se levanta ou põe uma estrela até à cadência de um verso.”
Ensino Superior
O ensino superior, também designado por ensino retórico, tinha início por volta dos quinze anos de idade, altura em que o jovem recebe a toga viril, sinónimo da sua entrada na vida adulta. Estes estudos superiores duravam até cerca dos vinte anos, podendo no entanto prolongar-se por mais tempo. Tinham como finalidade formar Oradores, já que a carreira política representava o ideal supremo.
Roma transformou-se num centro excepcional de estudos para os Mestres de Retórica Gregos. É o caso de Dionísio de Halicarnaso, que viveu em Roma mais de vinte anos (de 30 a 8 a.c.), ali compondo uma monumental História Romana.
No século II surgem os representantes da segunda sofística, os quais cultivam um discurso preciosamente elaborado, bem como a improvisação, perante uma vasta audiência de romanos.
As retóricas latina e grega assemelham-se ainda mais quando o triunfo dos Césares desvia a eloquência latina da vida política e a confina à arte do conferencista ou do advogado. Os retóricos do Ocidente “latinizam” os assuntos que propõem a seus discípulos, ao mesmo tempo que os obrigam a estudar os clássicos romanos, sobretudo Cícero.
Séneca foi juntamente com Quintiliano, um dos grandes representantes da nova etapa educativa. Esta deixa de ser assunto particular e adquire um carácter mais técnico que filosófico, passando a aplicar-se de preferência a problemas práticos. Nas suasoriae, o aluno é obrigado a pronunciar-se sobre casos morais; nas controversiae, o futuro orador terá de pleitear um caso em função de textos legais.
Para lá do aperfeiçoamento da eloquência e da retórica, o ensino da Filosofia e da Medicina é essencialmente feito por Mestres Gregos itenerantes, que espalham o seu saber de cidade em cidade.
Com muita frequência, os estudantes latinos vão completar os seus estudos superiores noutras cidades, nomeadamente em Alexandria e sobretudo em Atenas. Sob o império de Vespasiano é estabelecido em Roma um Ateneum semelhante ao Mouseîon de Alexandria, para estudos aprofundados de Retórica. Criam-se cátedras de Retórica que concederam privilégios aos Mestres, dando assim aos romanos a possibilidade de prosseguirem os estudos na própria pátria.
No âmbito do Direito, Roma desempenha um papel inovador oferecendo aos jovens estudantes uma aprendizagem prática pasra além de um ensino sistemático. A complexidade crescente da produção jurídica romana está na origem da fundação de duas escolas superiores de direito em Roma no século II – a de Labeu e a de Cássio.
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As Escolas Cristãs
Paralelamente às escolas pagãs, a partir dos séculos II e III da nossa era, surgem escolas cristãs, criadas inicialmente com o intuito de formar os futuros homens da Igreja dos conhecimentos necessários à compreensão da mundividência Biblica.
É o caso da escola cristã fundada em Alexandria, escola de ensino superior para a inteligência da fé e das escrituras, onde, entre outras, se estudavam a filosofia, a geometria, a aritmética com a finalidade de melhorar o conhecimento das Escrituras Sagradas.
Com legitimação político-religiosa do cristianiosmo sob o Império de Constantino, os cristãos começam a deprecir a retórica e a cultura pagã e a acusar as escolas que dizem transmitir uma literatura contrária ao espírito cristão, orientadas para valores diferentes dos do evangelho.
Quando cai o Império Romano, só a estrutura religiosa se mantém de pé e, apenas no seu seio, o frágil brilho da ideia de escola vai apesar de tudo encontra alguma continuidade. Desaparecidas as escolas públicas pagãs, caberá agora aos monges, hábeis defensores de todo um património cultural, a tarefa de ensinar e conservar acesa na noite barbárica a chama da cultura clássica.
Marco Fábio Quintiliano (40-118)
Nasceu em Calahorra, Espanha, no século I, mas muito cedo se dirigiu para Roma, onde foi discípulo de Palêmon, gramático de Roma que gozou de grande reputação no século I e de Domício Áfer, um orador latino.
Era conhecido como advogado e professor de eloquência, tendo-se tornado o primeiro professor pago pelo estado, no Império de Vespasiano. Ensinou Eloquência durante duas décadas e teve alunos famosos como Plínio o Môço e o próprio Imperador Adriano. Após deixar o ensino, Quintiliano redige o De Institutione Oratoria, verdadeiro tratado de educação intelectual e moral.
De Institutione Oratoria é composto por doze volumes, numerados de I a XII, e propõe-se a formar o orador, através da exposição pormenorizada dos objectivos da educação, dos programas e das metodologias a adoptar. O volume I é consagrado à educação da criança na família e na casa do gramático, onde permanece até cerca dos dezasseis anos de idade, altura em que é guiada até aos cuidados do professor de retórica. O volume II versa justamente sobre os ensinamentos deste último. Os volumes III a VII são dedicados aos géneros demonstrativo, deliberativo, judiciário, narração e argumentação, entre outros. Os volumes VIII a X versam sobre a eloquência, sendo expostos diferentes arranjos de palavras bem como diversos ritmos oratórios. O volume XI trata da importância da memória e da acção e finalmente o volume XII refere quais as condições necessárias a um futuro orador.
Os pressupostos teóricos em que a obra se fundamenta seguem a tradição retórica grega de Isócrates, tal como foi transmitida por Cícero. O objectivo era a formação do homem bom, hábil no uso da palavra. O aluno apto para tal formação deveria possuir a excelência moral inata, sem defeitos de carácter, o qual poderia ser moldado através da disciplina de uma educação completa e profunda.
"Penso que não se deve negligenciar o que é bom se for inato, mas aumentar e acrescer o que lhe falta." (Vol.II cap.8)
Quintiliano opõe-se à preceptoria particular e considera que a criança deverá começar a frequentar a escola o mais cedo possível.
De acordo com Quintiliano, o Mestre deverá ser um homem de carácter e de ciência, na medida em que as suas atitudes e conduta influenciarão de forma determinante o desenvolvimento do aluno.
Quintiliano alerta para a necessidade de se identificarem os talentos nas crianças e coloca a problemática das diferenças individuais (no que se refere às capacidades e ao carácter) e das formas de procedimento a adoptar perante elas.
"Trazido o menino para o perito na arte de ensinar, este logo perceberá a sua inteligência e o seu carácter." (Vol.I cap.3)
O Mestre deverá como tal mostrar-se atento à natureza individual de cada aluno, respeitando-a e dela fazendo depender o tipo e grau de complexidade das tarefas que lhe são apresentadas.
"A variedade de espíritos não é menor que a dos corpos." (Vol.II cap.8)
"Logo que tiver feito essas considerações, o Mestre deverá perceber de que modo deverá ser tratado o espírito do aluno." (Vol.I cap.3)
Sugere que os alunos sejam distribuídos por classis (classes) logo a partir da escola primária, animadas por concursos, dado o pendor das crianças para o jogo.
"O gosto pelo jogo entre as crianças, não me chocaria, é este um sinal de vivacidade e nem poderia esperar que uma criança triste e sempre abatida mostre espírito activo para o estudo. Há pois para aguçar a inteligência das crianças, alguns jogos que não são inúteis, desde que se rivalizem a propor, alternadamente, pequenos problemas de toda a espécie." (Vol.I cap.3)
Refere ainda a importância do aproveitamento da memória do aluno como peça chave do processo educativo.
"Nas crianças, a memória é o principal índice de inteligência, que se revela por duas qualidades: aprender facilmente e guardar com fidelidade." (Vol.I cap.3)
A educação deverá assim contribuir para o desenvolvimento das disposições naturais de cada aluno, sendo a natureza, para Quintiliano, sinónimo de “homem não educado”.
"....dirigir a instrução de maneira a ajudar, através dela, o desenvolvimento das disposições naturais e a favorecer, principalmente, a tendência inata dos espíritos." (Vol.II cap.8)
No que concerne à disciplina, Quintiliano mostra-se contrário ao uso abusivo da férula, por considerar que a coerção física é não só degradante como também ineficaz.
"...gostaria pouco que as crianças fossem castigadas......Primeiramente porque é baixo e servil e certamente uma injúria........Além do mais porque se alguém tem um sentimento tão liberal que não se corrija com uma repressão, também resistirá ás pancadas como o mais vil dos escravos." (Vol.I cap.3)
Recomenda a emulação e sobretudo o bom exemplo como incentivos para o estudo e sugere que o tempo que lhe é reservado seja periodicamente interrompido por recreios, já que o descanso é, na sua opinião, favorável à aprendizagem.
"A todos, entretanto, deve-se dar primeiro um descanso, porque não há ninguém que possa suportar um trabalho contínuo. É por isso que aqueles cujas forças são renovadas e estão bem dispostos têm mais vigor e um espírito mais ardente para aprender..." (Vol.I cap.3)
Outra inovação proposta por Quintiliano é a instrução simultânea de diversos conteúdos. Assim a escola de gramática deveria familiarizar o aluno com toda a literatura, e a escola de retórica, de modo idêntico, deveria conferir-lhe conhecimentos de música, de aritmética, de geometria e de filosofia.
Quintiliano enumera as qualidades de um bom orador da seguinte forma: conhecimento das coisas (adquirido por meio do domínio da literatura), bom vocabulário e habilidade para efectuar uma escolha criteriosa das palavras, conhecimento das emoções humanas e o poder de as despertar, elegância nos modos, conhecimento da história e das leis, boa dicção, e boa memória. Não obstante, Quintiliano sustenta que um bom orador, terá que ser necessariamente um bom homem.
"...não é suficiente falar apenas com concisão, subtileza ou veemência... na verdade a eloquência é com a cítara: não será perfeita a não ser que todas as cordas estejam bem afinadas, desde a mais alta até à mais alta." (Vol.II cap.8)
Marco Túlio Cícero (106-43)
Cícero foi o melhor representante do ensino humanista, uma espécie de educação de carácter universal, humanística, supernacional. O seu ideal educativo teria um sentido cosmopolita, universal.
De família de ordem equestre, nasceu em Arpino e viveu no período republicano. Estudou em Atenas e Rodes e teve uma carreira política brilhante em que foi questor, edil e cônsul. Neste último cargo, destacou-se por se opor a Catilina que queria derrubar o governo e saquear Roma, e por aconselhar o senado a votar pela morte do conjurado foi apelidado de “Pai da Pátria”. A sua honestidade era reconhecida nesta época em que as províncias eram pilhadas e saqueadas. Foi decapitado em Fórmias.
Como escritor, Cícero é a suprema expressão do génio latino influenciado pelo génio grego. Os seus tratados filosóficos, ao mesmo tempo que monumentos históricos, são modelos de eloquência. Como escritor produziu muito e entre as suas numerosas obras contam-se, entre outras, Pro Quinctio, Pro Sexto Roscio Amerino, Pro Tullio, Verrinas, In Catilinam, In M. Antonium orationum Philippicarum, De Inventione, De Oratore, Partitiones oratoriae, Brutus, Orator, De republica, De Legibus, Paradoxa Stoicorum, Academia, De finibus bonorum et malorum, Tusculanae Disputationes, De natura deorum, De senectude, De amicitia, De officiis.
Nesta última obra, escrita em 44 e endereçada a seu filho Marcus, Cícero traça um programa de estudos e um ideal de vida que gostaria de o ver realizar. O tratado está dividido em três partes. A primeira trata do homem, a segunda do útil e a terceira examina as relações e conflitos entre o honesto e o útil. Cícero exorta o filho a estudar Grego, Latim, Filosofia e Oratória e assinala a sua supremacia no campo da Oratória mostrando que cultivou, como nenhum grego, ao mesmo tempo, a Oratória e a Filosofia. Num capítulo seguinte, propõe os deveres como tema a ser analisado, e enfatiza a sua honestidade, princípio que procurou sempre alcançar nas suas acções. Posteriormente, investiga se todos os deveres são perfeitos, se a honestidade é um facto e se a utilidade não se opõe à honestidade. Finalmente, mostra o homem como ser racional dotado de instinto gregário e sedento de verdade.
Lúcio Annaaeus Séneca (4-65)
Séneca era natural de Córdoba, Espanha e viveu a maior parte da sua vida em Roma. É representante da cultura dos primeiros anos do império. Foi exilado na Córsega por Cláudio e chamado a Roma em 49 por Agripina, tornando-se então preceptor de Nero, que mais tarde, não podendo resistir às censuras do filósofo, ordenou a sua morte.
Forma com Epíteto e Marco Aurélio um trinómio de filósofos estóicos que viam na serenidade íntima o fim último do homem.
De Séneca restaram muitos escritos: Dialogorum libri, De providentia, De vita beata, De tranquillitate animi, De breviate vitae, Ad Helvian matrem de consolatione; De beneficiis; Ad Lucilium; Algumas tragédias imitadas de modelos gregos: Hécuba, Medeia, Fedra, Édipo, Agamémnon e outras.
Ad Lucilius (Cartas a Lucilius), obra composta por 124 cartas em 20 livros, é um conjunto de dissertações estóicas sobre a consolação, a cólera, a clemência, a brevidade da vida, a tranquilidade da alma, a felicidade. As cartas contêm preciosas observações morais e ensinamentos delicados que não envelhecerão jamais. Séneca formulou máximas que atravessam os séculos:
“Mostra-te surdo às palavras daqueles que te amam muito”.
“O trabalho é o alimento das almas generosas”.
“Uma árvore isolada não provoca admiração num lugar em que a floresta é muito alta”.
“O mal não está nas coisas, está nas almas”.
“Faz descer a filosofia no fundo do teu coração; alicerça a experiência de teu progresso não sobre a coisa dita ou escrita, mas sobre a firmeza da alma e a redução dos desejos”.
Estas cartas foram lidas e meditadas por muitos espíritos nobres da Idade Média e Renascença tais como Abelardo, Erasmo, Montaigne ou Roger Bacon, e entre os segundos, .
Bibliografia
Gal, R. (1979) - A Educação nas Civilizações Antigas, Antepassadas do Mundo Ocidental, A Educação Romana, in História da Educação, Lisboa: Editora Veja, pág. 40-44.
Giles, T.R. (1987) - A tradição de Roma: a formação do cidadão, in História da Educação, São Paulo: Editora Pedagógica e Universitária, pp. 31-43.
Marrou (1966) - Roma adopta a Educação Grega, in História da Educação na Antiguidade, São Paulo: Herder, pp. 375-394.
Marrou (1966) - As escolas Romanas, in História da Educação na Antiguidade, São Paulo: Herder, pp. 411-422,
Monroe, P. (1977) - Os Romanos. A educação como treino para a vida prática, in História da Educação – Actualidades Pedagógicas, São Paulo: Companhia Editora Nacional, pp. 77-93.
Rosa, M.G. (1971) - A História da Educação através dos textos, São Paulo: Editora Cultrix.
Vial, J. e Mialaret, G. (1981) - As origens da “Pedagogia” Grécia e Roma – A Interpretação Latina, in História Mundial da Educação, Porto : Rés Editora, vol.1, pp. 173-192.
Olga Pombo: opombo@fc.ul.pt
27/03/2014
Comentários sobre Pôncio Pilatos
Os evangelhos são talvez as únicas fontes menos hostis que citam Pilatos (com exceção de Lucas 13:1). Segundo eles, Pilatos era ferrenho inimigo de Herodes Antipas, mas ficaram amigos após este ter recebido Cristo das mãos de Pilatos em face da origem de Cristo, que era da Galileia.7
Fílon de Alexandria culpa Pilatos pelas "mortes incontáveis e continuas". Fala também de certos escudos dourados com o nome do imperador os quais fez colocar no palácio de Herodes em Jerusalem.
Flavio Josefo fala-nos sobre o episódio no qual Pilatos teria entrado em Jerusalém portando a efigie do imperador , causando grande tumulto entre os judeus.8 . No mesmo livro, Josefo menciona ainda outro feito, segundo o qual Pilatos teria se apropriado dos tesouros do Templo para financiar um aqueduto.
Em 35 d.C. Pilatos trucidou um grande número de samaritanos, os quais, consequentemente, protestaram ao seu superior, Vitélio, legado provincial da Síria, que destituiu Pilatos e o enviou a Roma para se desculpar com o imperador.
Eusébio de Cesareia, em sua História Eclesiástica, afirma que Pilatos caiu em desgraça junto do imperador romano Calígula e cometeu suicídio por volta do ano 37 d.C.9 .
Por outro lado, não se sabe ao certo como ocorreu sua morte mesmo porque, conforme o apócrifo do Novo Testamento "Atos de Pilatos" (também conhecido como "Evangelho de Nicodemos", escrito provavelmente no séc. IV) a responsabilidade sobre a condenação de Jesus recai sobre os judeus e o papel de Pilatos é minimizado. Por causa de tal escrito, nas igrejas Ortodoxa e Ortodoxa Etíope ocorreu uma reabilitação de Pilatos, conduzida ao ponto de sua canonização pela Igreja Etíope e a canonização de sua esposa (Santa Prócula) por ambas. Neste mesmo texto aparece o nome Longino como sendo o oficial romano que perfurou o flanco de Jesus na Cruz com a Lança do Destino.
Fílon de Alexandria culpa Pilatos pelas "mortes incontáveis e continuas". Fala também de certos escudos dourados com o nome do imperador os quais fez colocar no palácio de Herodes em Jerusalem.
Flavio Josefo fala-nos sobre o episódio no qual Pilatos teria entrado em Jerusalém portando a efigie do imperador , causando grande tumulto entre os judeus.8 . No mesmo livro, Josefo menciona ainda outro feito, segundo o qual Pilatos teria se apropriado dos tesouros do Templo para financiar um aqueduto.
Em 35 d.C. Pilatos trucidou um grande número de samaritanos, os quais, consequentemente, protestaram ao seu superior, Vitélio, legado provincial da Síria, que destituiu Pilatos e o enviou a Roma para se desculpar com o imperador.
Eusébio de Cesareia, em sua História Eclesiástica, afirma que Pilatos caiu em desgraça junto do imperador romano Calígula e cometeu suicídio por volta do ano 37 d.C.9 .
Por outro lado, não se sabe ao certo como ocorreu sua morte mesmo porque, conforme o apócrifo do Novo Testamento "Atos de Pilatos" (também conhecido como "Evangelho de Nicodemos", escrito provavelmente no séc. IV) a responsabilidade sobre a condenação de Jesus recai sobre os judeus e o papel de Pilatos é minimizado. Por causa de tal escrito, nas igrejas Ortodoxa e Ortodoxa Etíope ocorreu uma reabilitação de Pilatos, conduzida ao ponto de sua canonização pela Igreja Etíope e a canonização de sua esposa (Santa Prócula) por ambas. Neste mesmo texto aparece o nome Longino como sendo o oficial romano que perfurou o flanco de Jesus na Cruz com a Lança do Destino.
A carta de Pontius Pilate (Pôncio Pilatos) para Tiberius Caesar (Tiberio Cesar)
Um jovem homem apareceu na Galiléia que prega com humilde unção, uma nova lei no nome do Deus que o teria enviado. No princípio estava temendo que seu desígnio fosse incitar as pessoas contra os romanos, mas meus temores foram logo dispersados. Jesus de Nazaré falava mais como um amigo dos romanos do que dos judeus.
Um dia observava no meio de um grupo um homem jovem que estava encostado numa árvore, para onde calmamente se dirigia a multidão. Me falaram que era Jesus. Este eu pude facilmente ter identificado tão grande era a diferença entre ele e os que estavam lhe escutando. Os seus cabelos e barba de cor dourada davam a sua aparência um aspecto celestial. Ele aparentava aproximadamente 30 anos de idade. Nunca havia visto um semblante mais doce ou mais sereno. Que contraste entre ele e seus portadores com as barbas pretas e cútis morenas! Pouco disposto a lhe interromper com a minha presença, continuei meu passeio mas fiz sinal ao meu secretário para se juntar ao grupo e escutar.
Depois, meu secretário informou nunca ter visto nos trabalhos de todos os filósofos qualquer coisa comparada aos ensinos de Jesus. Ele me contou que Jesus não era nem sedicioso nem rebelde, assim nós lhe estendemos a nossa proteção. Ele era livre para agir, falar, ajuntar e enviar as pessoas. Esta liberdade ilimitada irritou os judeus, não o pobre mas o rico e poderoso. Depois, escrevi a Jesus lhe pedindo uma entrevista no Praetorium. Ele veio. Quando o Nazareno apareceu eu estava em meu passeio matutino e ao deparar com ele meus pés pareciam estar presos com uma mão de ferro no pavimento de mármore e tremi em cada membro como um réu culpado, entretanto ele estava tranqüilo.
Durante algum tempo permaneci admirando este homem extraordinário. Não havia nada nele que fosse rejeitável, nem no seu caráter, contudo eu sentia temor na sua presença. Eu lhe falei que havia uma simplicidade magnética sobre si e que a sua personalidade o elevava bem acima dos filósofos e professores dos seus dias. Agora, ó nobre soberano, estes são os fatos relativos a Jesus de Nazaré e eu levei tempo para lhe escrever em detalhes estes assuntos. Eu digo que tal homem que podia converter água em vinho, transformar morte em vida, doença em saúde; tranqüilizar os mares tempestuosos, não é culpado de qualquer ofensa criminal e como outros têm dito, nós temos que concordar – verdadeiramente este é o filho de Deus.
Seu criado mais obediente, Pôncio Pilatos
http://simisrael.com.br/site/index.php/artigos/66-a-carta-de-pontius-pilate-poncio-pilatos-para-tiberius-caesar-tiberio-cesar
Um dia observava no meio de um grupo um homem jovem que estava encostado numa árvore, para onde calmamente se dirigia a multidão. Me falaram que era Jesus. Este eu pude facilmente ter identificado tão grande era a diferença entre ele e os que estavam lhe escutando. Os seus cabelos e barba de cor dourada davam a sua aparência um aspecto celestial. Ele aparentava aproximadamente 30 anos de idade. Nunca havia visto um semblante mais doce ou mais sereno. Que contraste entre ele e seus portadores com as barbas pretas e cútis morenas! Pouco disposto a lhe interromper com a minha presença, continuei meu passeio mas fiz sinal ao meu secretário para se juntar ao grupo e escutar.
Depois, meu secretário informou nunca ter visto nos trabalhos de todos os filósofos qualquer coisa comparada aos ensinos de Jesus. Ele me contou que Jesus não era nem sedicioso nem rebelde, assim nós lhe estendemos a nossa proteção. Ele era livre para agir, falar, ajuntar e enviar as pessoas. Esta liberdade ilimitada irritou os judeus, não o pobre mas o rico e poderoso. Depois, escrevi a Jesus lhe pedindo uma entrevista no Praetorium. Ele veio. Quando o Nazareno apareceu eu estava em meu passeio matutino e ao deparar com ele meus pés pareciam estar presos com uma mão de ferro no pavimento de mármore e tremi em cada membro como um réu culpado, entretanto ele estava tranqüilo.
Durante algum tempo permaneci admirando este homem extraordinário. Não havia nada nele que fosse rejeitável, nem no seu caráter, contudo eu sentia temor na sua presença. Eu lhe falei que havia uma simplicidade magnética sobre si e que a sua personalidade o elevava bem acima dos filósofos e professores dos seus dias. Agora, ó nobre soberano, estes são os fatos relativos a Jesus de Nazaré e eu levei tempo para lhe escrever em detalhes estes assuntos. Eu digo que tal homem que podia converter água em vinho, transformar morte em vida, doença em saúde; tranqüilizar os mares tempestuosos, não é culpado de qualquer ofensa criminal e como outros têm dito, nós temos que concordar – verdadeiramente este é o filho de Deus.
Seu criado mais obediente, Pôncio Pilatos
http://simisrael.com.br/site/index.php/artigos/66-a-carta-de-pontius-pilate-poncio-pilatos-para-tiberius-caesar-tiberio-cesar
Pôncio Pilatos ( ~ 5 a. C. - 37)
Militar talvez nascido em Roma, que como prefeito da província romana da Judéia (26-36), de acordo com a Bíblia cristã, no Capítulo 18 do Evangelho de João, foi o juiz que condenou Jesus Cristo (~4 a. C-30) a morrer na cruz, apesar de não ter nele encontrado nenhuma culpa nele. Suas origens são desconhecidas até que foi nomeado (26) pelo Imperador Tibério (42 a. C.-37) para ser o praefectus da Judéia em uma jurisdição chegava até a Samaria e a Iduméia, ficando praticamente com poder absoluto, embora subordinado ao governador da Cesaréia. Como prefeito tinha que manter a ordem na província e administrá-la tanto judicial como economicamente. Seu relacionamento com os judeus nunca foi tranquilo e como prefeito viveu anos turbulentos na Palestina por sua conduta abusiva, além de sua crueldade, com freqüentes execuções de prisioneiros sem julgamentos. Os evangelhos também conduzem ao entendimento que o prefeito não se dava bem com Herodes Antipas (21 a. C.-44), Rei da Galiléia e Pérsia (4 a. C.-37), e que o fato dele ter lavado as mãos e entregue Cristo para Herodes serviu para reaproximá-los em face da origem galiléia de Cristo, que ao se dizer Rei levava temor ao ao titular do trono galileu. Logo quando assumiu o governo, introduziu em Jerusalém as insígnias em honra a Tibério, o que deu origem a uma primeira revolta popular. Entenda-se que Jerusalém era uma cidade sagrada para os seguidores de Davi, e ele estava tentando introduzir na cidade os símbolos de que o Imperador Romano não só era a máxima autoridade no mundo terreno como, também, era uma divindade. O povo reagiu contra os símbolos do Imperador dentro da Cidade Santa e enviou os seus deputados a Cesaréia, na Síria, residência oficial do Procurador Romano, e veio a ordem para retirar todas as imagens. Contrariado em sua dignidade, ele se viu obrigando a levá-las para Cesaréia, o que provavelmente serviu para aumentar o seu rancor contra o povo judeu. Em outra oportunidade usou o dinheiro sagrado do Templo, a corbã, para construir um aqüeduto de cerca de 74 quilómetros, para trazer água a Jerusalém e essa decisão levou a mais uma revolta popular e que ele sufocou com muitos mortos e feridos, mandando soldados atacarem a popução desarmada. Contrariamente ao que ele calculou, o epsódio serviu para aumentar o descontentamento da população judia e também para chamar a atenção de Cesaréia contra seu governo e até colocar em risco seu prestígio junto à Roma. Outra derrota do prefeito foi quando mandou instalar escudos dourados em honra do Imperador Tibério dentro do palácio do Rei Herodes, em Jerusalém, contraiando a vontade do soberano e para humilhar os judeus. Novamente o povo revoltou-se e após uma petição ao próprio Imperador, foi ordenada a transferência dos escudos para Cesaréia. No processo de Cristo, seria natural que se seguisse todos os trâmites legais e somente a ele competia marcar a data do julgamento. No entanto, esta foi uma boa oportunidade para ele recuperar a simpatia do povo e das autoridades religiosas da Judéia. Então, transgredindo a Lei Romana, resolveu atender os interesses do fanatismo das autoridades religiosas e satisfazer a multidão à sua frente, evitando um novo e desgastante descontentamento popular, que poderia comprometer de vez seu futuro político, ditou: Levai-o vós e julgai-o segundo a vossa lei. Sua última ação relevantemente antipática foi uma repressão violenta contra os samaritanos no monte Garizim (35).
Este episódio fez com que os samaritanos enviassem representantes ao Procurador da Síria, Vitelio, que o afastou do seu cargo. Ainda mais, foi enviado a Roma para dar explicações, mas chegou após a morte do Imperador Tibério. Segundo o bispo, historiador e teólogo neoplatonista grego Eusébio de Cesaréia (263-340), em sua História Eclesiástica, o ex-prefeito foi desprezado pelo novo imperador, Caio Calígula (12-41), e cometeu suicídio em seguida, no ano seguinte a destituição do cargo. Em Jerusalém (1927) o arqueólogo da École Biblique et Archéologique Française, L. H. Vincent, descobriu um pátio calçado com pedras pertencente à Torre Antônia, com aproximadamente 2.500 metros quadrados, onde famoso Praefectus teria pronunciado a condenação de Jesus. Segundo a Bíblia, ele teria trazido Jesus para a Gábata, uma palavra aramaixa que significa pavimento e que se comprovou que se tratava de um pátio calçado com pedras ao estilo romano.
Foi antecedido no cargo por Grato e sucedido por Marcelo. O título do cargo que exerceu foi o de praefectus e está confirmado por uma inscrição que apareceu na Cesáréia e em moedas que foram cunhadas por sua ordem (29-31). O titulo procurador que alguns antigos autores utilizam para referir-se ao seu cargo é um erro anacrônico. Os evangelhos referem-se a ele de forma genérica com o título de governador. Personagem por demais conhecida em todo o cristianismo, tanto entre protestantes, católicos romanos ou ortodoxos, seu nome está para sempre ligado à morte de Jesus Cristo e foi incluído no antigo Credo Romano, conhecido como Credo dos Apóstolos: ..., padeceu sob o poder de Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado.
http://www.dec.ufcg.edu.br/biografias/PoncPilt.html
Este episódio fez com que os samaritanos enviassem representantes ao Procurador da Síria, Vitelio, que o afastou do seu cargo. Ainda mais, foi enviado a Roma para dar explicações, mas chegou após a morte do Imperador Tibério. Segundo o bispo, historiador e teólogo neoplatonista grego Eusébio de Cesaréia (263-340), em sua História Eclesiástica, o ex-prefeito foi desprezado pelo novo imperador, Caio Calígula (12-41), e cometeu suicídio em seguida, no ano seguinte a destituição do cargo. Em Jerusalém (1927) o arqueólogo da École Biblique et Archéologique Française, L. H. Vincent, descobriu um pátio calçado com pedras pertencente à Torre Antônia, com aproximadamente 2.500 metros quadrados, onde famoso Praefectus teria pronunciado a condenação de Jesus. Segundo a Bíblia, ele teria trazido Jesus para a Gábata, uma palavra aramaixa que significa pavimento e que se comprovou que se tratava de um pátio calçado com pedras ao estilo romano.
Foi antecedido no cargo por Grato e sucedido por Marcelo. O título do cargo que exerceu foi o de praefectus e está confirmado por uma inscrição que apareceu na Cesáréia e em moedas que foram cunhadas por sua ordem (29-31). O titulo procurador que alguns antigos autores utilizam para referir-se ao seu cargo é um erro anacrônico. Os evangelhos referem-se a ele de forma genérica com o título de governador. Personagem por demais conhecida em todo o cristianismo, tanto entre protestantes, católicos romanos ou ortodoxos, seu nome está para sempre ligado à morte de Jesus Cristo e foi incluído no antigo Credo Romano, conhecido como Credo dos Apóstolos: ..., padeceu sob o poder de Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado.
http://www.dec.ufcg.edu.br/biografias/PoncPilt.html
08/03/2014
CALENDÁRIO ROMANO PRIMITIVO
Na tradição Romana, a origem da construção dos calendários civis se confunde com as origens da cidade de Roma (753 a.C.), sendo atribuída a Rômulo, fundador lendário de Roma, a introdução do primeiro calendário romano.
No Calendário Romano Primitivo, o ano tinha 304 dias distribuídos por 10 meses. Os quatro primeiros tinham nomes próprios dedicados aos deuses da mitologia romana, sendo os restantes designados por números ordinais (ver Tabela 1). Tratava-se de um calendário sem nenhuma base astronômica, pois os períodos que nele eram definidos não possuíam quaisquer relações com movimentos do Sol ou da Lua.
No Calendário Romano Primitivo, o ano tinha 304 dias distribuídos por 10 meses. Os quatro primeiros tinham nomes próprios dedicados aos deuses da mitologia romana, sendo os restantes designados por números ordinais (ver Tabela 1). Tratava-se de um calendário sem nenhuma base astronômica, pois os períodos que nele eram definidos não possuíam quaisquer relações com movimentos do Sol ou da Lua.
O CALENDÁRIO DE NUMA POMPÍLIO
Numa Pompílio, o segundo Rei de Roma (715-673 a.C.), instituiu um calendário com base astronômica solar, composto de 355 dias distribuídos por 12 meses. Por considerar meses com dias pares "azarados", diminuiu um dia a cada um dos seis meses de 30 dias. A estes 6 dias juntou mais 50, formando dois novos meses, Januarius e Februarius. Este último, ter 28 dias (número par), foi dedicado a Februa, deus da purificação dos mortos, a quem os romanos ofereciam sacrifícios para pagar pelas faltas cometidas durante todo o ano. Por este motivo, passou a ser o último mês (ver Tabela 2).
O CALENDÁRIO DE AUGUSTO CÉSAR
No ano 730 de Roma, o Senado romano decretou que Sextilis, passasse a chamar-se Augustus, pois durante este mês o imperador César Augusto pôs fim à guerra civil que desolava o povo romano. E para que o mês dedicado a César Augusto não tivesse menos dias que o dedicado a Júlio César, Augustus passou a ter 31 dias. Este dia "saiu" do mês de Februarius, que ficou com 28 dias nos anos comuns e 29 nos bissextos. Também para que não houvesse tantos meses seguidos com 31 dias, reduziram-se para 30 dias os meses de September e November, passando a ter 31 dias os de October e December. Assim se chegou a uma distribuição, sem lógica, dos dias pelos meses, que ainda hoje perdura, e que se transcreve com os nomes atuais em língua portuguesa.
Por Felipe Fantuzzi
Por Felipe Fantuzzi
Referências:
[1] Borges, A. S. Tempo e Poder: A Ordenação do Tempo no Calendário Romano Republicano. Trabalho de Conclusão de Curso de História, UFRJ, 2007.
[2] Marques, M. N. Origem e Evolução do Nosso Calendário. Observatório Astronômico de Lisboa, 2006.
[3] Stalliviere, I. C. Calendários Romanos. Museu de Topografia Prof. Laureano Ibrahim Chaffe, UFRGS, 2009.
Calendário juliano
Em 46 a.C., Júlio César, percebendo que as festas romanas em comemoração à estação mais florida do ano, marcadas para março (que era o primeiro mês do ano), caíam em pleno Inverno, determinou que o astrônomo alexandrino Sosígenes corrigisse o calendário.[carece de fontes] As modificações realizadas a partir desses estudos modificaram radicalmente o calendário romano: dois meses, Unodecembris e Duocembris foram adicionados ao final do ano de 46 a.C., deslocando assim Januarius e Februarius para o início do ano de 45 a.C.. Os dias dos meses foram fixados numa sequência de 31, 30, 31, 30... de Januarius a Decembris, à exceção de Februarius, que ficou com 29 dias e que, a cada três anos, teria 30 dias.
Com estas mudanças, o calendário anual passou a ter doze meses que somavam 365 dias. O mês de Martius, que era o primeiro mês do ano, continuou sendo a marcação do equinócio. Foi abandonado o formato luni-solar do calendário romano se fixando para um calendário predominantemente solar, se substituiu o mês intercalar Mercedonius de 22 e 23 dias por apenas um dia chamado de dia extra que deveria ser incluso após o 25º dia de Februarius, "ante die sextum kalenda martias", que, em função da forma de contagem dos romanos acabou criando o conceito de ano bissexto, de 366 dias que deveria ocorrer de três em três anos.
Os anos bissextos definidos no calendário juliano aproximavam o ano trópico por 365,25 dias, incorporando pequenos erros no alinhamento das estações ao longo dos anos. O imperador Augusto acabou corrigindo essas diferenças em 8 d.C., determinando que os anos bissextos ocorressem de quatro em quatro anos.
Com estas mudanças, o calendário anual passou a ter doze meses que somavam 365 dias. O mês de Martius, que era o primeiro mês do ano, continuou sendo a marcação do equinócio. Foi abandonado o formato luni-solar do calendário romano se fixando para um calendário predominantemente solar, se substituiu o mês intercalar Mercedonius de 22 e 23 dias por apenas um dia chamado de dia extra que deveria ser incluso após o 25º dia de Februarius, "ante die sextum kalenda martias", que, em função da forma de contagem dos romanos acabou criando o conceito de ano bissexto, de 366 dias que deveria ocorrer de três em três anos.
Os anos bissextos definidos no calendário juliano aproximavam o ano trópico por 365,25 dias, incorporando pequenos erros no alinhamento das estações ao longo dos anos. O imperador Augusto acabou corrigindo essas diferenças em 8 d.C., determinando que os anos bissextos ocorressem de quatro em quatro anos.
Wikipédia
03/09/2013
Roma
03/09/2013 - 03h01
Arquitetura grandiosa em Roma é mais antiga do que se pensava
JOHN NOBLE WILFORD
DO "NEW YORK TIMES"
Eles descobriram ruínas de um vasto complexo de muros de pedra e terraços conectados por uma grande escadaria e cercados por muitos quartos.
Segundo os pesquisadores, provavelmente esses são os restos de um edifício público no apogeu da cidade-Estado de Gabii ou possivelmente uma residência particular de requinte excepcional.
A descoberta foi feita por uma equipe de arqueólogos e estudantes liderada por Nicola Terrenato, professor de estudos clássicos na Universidade de Michigan e natural de Roma. No final da temporada de escavações deste verão, disse o professor, cerca de dois terços do complexo tinham sido expostos e estudados para "nos contar mais sobre como os romanos construíam nessa etapa de formação" --entre 300 e 250 a.C..
O doutor Terrenato comentou que as descobertas parecem contradizer a imagem da cultura romana primitiva, perpetuada por notáveis, como Cato, o Velho, e Cícero, "como sendo modesta e discreta". Dizia-se que isso não mudou até que os soldados voltaram da conquista da Grécia, no século 2° a.C., com as cabeças viradas pelo refinamento e pelos luxos gregos.
"Agora vemos que os romanos já pensavam grande", disse ele.
Na época, Roma havia ultrapassado a cidade vizinha de Gabii em tamanho, mas alguns historiadores acreditam que ela pode ter influenciado os romanos.
O Projeto Gabii havia mapeado os mais de 68 hectares da antiga cidade, incluindo residências, cemitérios, muralhas e um templo, que foi construído na encosta de um vulcão extinto cuja cratera havia se tornado um lago. Então os arqueólogos encontraram o elaborado complexo de edifícios. O doutor Terrenato disse que ficou surpreso com o tamanho dos blocos de pedra no muro de contenção da encosta, dentro do complexo. Cada um pesava centenas de quilos.
"Eles estavam empilhados uns sobre os outros, sem qualquer cimento que os unisse", disse o pesquisador. "Essa é a única técnica a que tinham acesso. Deve ter sido o desejo desse tipo de construção grandiosa que levou os romanos a inventar o cimento, cerca de 125 anos mais tarde." Os pesquisadores admiraram os detalhes arquitetônicos da descoberta: fileiras de colunas de pedra, pátios e terraços cobertos de azulejos em mosaico e uma escadaria cortada na rocha. "Tudo isso aguçou nosso apetite", disse o doutor Terrenato.
Fonte:
Folha de S. Paulo
DO "NEW YORK TIMES"
É verdade que Roma não foi feita em um dia, mas os estudiosos há muito tempo se perguntam a partir de quando os romanos começaram a adotar uma arquitetura monumental como reflexo de suas ambições.
A maioria dos historiadores concorda que, no início, Roma não tinha nada que se comparasse aos templos sublimes da Grécia e não era uma cidade esplêndida como Alexandria, no Egito.
Recentes escavações a cerca de 20 quilômetros a leste de Roma estão mostrando aos arqueólogos que o gosto romano pela arquitetura monumental era muito mais antigo do que se pensava, cerca de 300 anos antes do Coliseu, que foi erguido no século 1° desta era.
Segundo os pesquisadores, provavelmente esses são os restos de um edifício público no apogeu da cidade-Estado de Gabii ou possivelmente uma residência particular de requinte excepcional.
A descoberta foi feita por uma equipe de arqueólogos e estudantes liderada por Nicola Terrenato, professor de estudos clássicos na Universidade de Michigan e natural de Roma. No final da temporada de escavações deste verão, disse o professor, cerca de dois terços do complexo tinham sido expostos e estudados para "nos contar mais sobre como os romanos construíam nessa etapa de formação" --entre 300 e 250 a.C..
O doutor Terrenato comentou que as descobertas parecem contradizer a imagem da cultura romana primitiva, perpetuada por notáveis, como Cato, o Velho, e Cícero, "como sendo modesta e discreta". Dizia-se que isso não mudou até que os soldados voltaram da conquista da Grécia, no século 2° a.C., com as cabeças viradas pelo refinamento e pelos luxos gregos.
"Agora vemos que os romanos já pensavam grande", disse ele.
Na época, Roma havia ultrapassado a cidade vizinha de Gabii em tamanho, mas alguns historiadores acreditam que ela pode ter influenciado os romanos.
O Projeto Gabii havia mapeado os mais de 68 hectares da antiga cidade, incluindo residências, cemitérios, muralhas e um templo, que foi construído na encosta de um vulcão extinto cuja cratera havia se tornado um lago. Então os arqueólogos encontraram o elaborado complexo de edifícios. O doutor Terrenato disse que ficou surpreso com o tamanho dos blocos de pedra no muro de contenção da encosta, dentro do complexo. Cada um pesava centenas de quilos.
"Eles estavam empilhados uns sobre os outros, sem qualquer cimento que os unisse", disse o pesquisador. "Essa é a única técnica a que tinham acesso. Deve ter sido o desejo desse tipo de construção grandiosa que levou os romanos a inventar o cimento, cerca de 125 anos mais tarde." Os pesquisadores admiraram os detalhes arquitetônicos da descoberta: fileiras de colunas de pedra, pátios e terraços cobertos de azulejos em mosaico e uma escadaria cortada na rocha. "Tudo isso aguçou nosso apetite", disse o doutor Terrenato.
Fonte:
Folha de S. Paulo
18/07/2013
Marcvs Clodivs Pupienvs Maxinvs, Marco Clódio Pupieno (~ 280 - 238)
Indicado pelo Senado, um dos governantes do período denominado de Anarquia Militar (235-285), depois da Dinastia dos Severos (193-235), que assumiu o poder juntamente com Balbino, na confusão que se seguiu à queda (238) dos Gordiano I e seu filho e co-regenteGordiano II na África. De origem humilde, teve uma carreira ilustre, tornando-se general do exército romano e servindo como procônsul na Ásia e prefeito urbano. Pressionado pelo declarado inimigo público que atravessara o Reno e marchava em direção a Roma, o general Maximinus Thrax ouMaximino Trácio (173-238), o Senado o elegeu emergencialmente co-imperador para combater o usurpador. Foi a primeira vez que o grande pontificado passou a ser partilhado oficialmente em igualdade de poderes. Este reinado conjunto durou apenas noventa e nove dias, durante os quais Gordiano IIIfoi indicado para césar e Maximino I foi derrotado e morto juntamente com seu filho, em Ravena, pelas tropas de Roma juntas com os germânicos. Durante esta luto, porém ele sofreu por grandes golpes emocionais perdendo dois filhos, Clódio Pupieno e Pupieno Africano e uma filha, Pupiena Sextia Paulina Cethegilla. Em meio a incontrolada anarquia, o efêmero mandato terminou quando ambos os co-imperadores foram mortos pela guarda pretoriana descontente, o que aconteceu com vários outros imperadores, antes e posteriormente, e foi seguido por Filipe, o Árabe (244 - 249), cujo trono também foi reclamado por Pacâncio (248), Iotapiano (248) e Silbanaco.
OBS: Apesar dos inúmeros casos de ascensão ao trono por meia da violência, não se conhece casos em que um imperador romano ascendeu ao trono assassinando o próprio pai. Apenas nos casos dos imperadores como Domiciano ou Caracala, há suspeitas mas não confirmadas historicamente. Este procedimento tinha a ver com a tradição de que o parricismo era um crime hediondo perante a população e imperdoável perante os deuses.
Decimvs Caelivs Calvinvs Balbinvs
De origem patrícia, um dos governantes do período denominado da Anarquia Militar, ou dos imperadores soldados, que durou meio século (235-285), iniciado no governo de Maximino Trácio (235-238), de efêmero mandato, indicado pelo Senado, juntamente com o generalMarcos Clódio Pupieno Máximo, na confusão que se seguiu à queda do pró-cônsul Gordianus I e seu filho e co-regente Gordianus II, que haviam se proclamados imperadores na África (238). Embora reconhecidos pelo Senado, foram mortos pelos soldados do usurpador Maximino I, enquanto este marchava para invadir a Itália. Era a primeira vez que o grande pontificado vinha a ser partilhado em igualdade de poderes. Com a derrota e a morte deMaximino I, o poder dos dois imperadores senatoriais parecia assegurado, mas a guarda pretoriana, insatisfeita, invadiu o palácio e assassinou os dois noventa e nove dias depois de sua ascensão ao poder, e foram substituídos por Gordiano III (238-244) indicado para césar e que governou em um período onde o trono foi reclamado por Sabiniano (240).
Marcvs Antonivs Gordianvs Sempronianvs Romanvs Africanvs,Gordianus I (159 - 238)
Filho de Antonius Mezius Marcellus e Ulpia Gordiana, teve uma carreira pública notável: foi cônsul (222) e tornou-se procônsul da África, no tempo de Alexandre Severo. Com a rebelião dos proprietários de terras africanas (238) contra a cobrança de impostos pesados e injustos pelo imperador Maximino I, foi obrigado a assumir o império, quando ele já contava com mais de oitenta anos. O Senado romano o apoiou e votou a condenação da memória de Maximino. O governador da Numídia, Capeliano, entretanto, permaneceu leal a Maximino, e suas tropas experientes derrotaram com facilidade a milícia fracamente armada comandada por Gordiano II, que foi morto durante a batalha. Ao saber da derrota e a morte do seu filho, suicidou-se.
http://www.dec.ufcg.edu.br/biografias/IRGordan.html
Caivs Ivlivs Vervs Maximinvs, Maximino I
Nascido na Trácia, descendente de uma humilde família, provavelmente de bárbaros. Devido a sua estatura gigantesca, sua tremenda força física e sua brutalidade, entrou no exército romano e percorreu uma brilhante carreira militar. Depois de alistar-se na cavalaria, tornou-se guarda pessoal do imperador; mais tarde, serviu como tribuno durante o governo de Heliogábalo, e tornou-se o principal comandante militar no período de Alexandre Severo. Foi proclamado imperador por suas tropas amotinadas (235), e nomeou césar seu filho Máximo. Casou-se com Cecilia Paulina, e foi acusado de matá-la. Manteve com sucesso sua campanha de dezoito meses contra os germânicos. Com a insurreição dos proprietários de terras africanas (238) contra a cobrança de impostos pesados e injustos pelo imperador e o apoio de Roma aos Gordiano's, resolveu marchar contra Roma, mas ele e seu filho foram assassinados em Aquiléia por sua própria guarda pretoriana.
http://www.dec.ufcg.edu.br/biografias/IRMaxTra.html
11/07/2013
Império Romano
Segundo uma lenda, Roma foi fundada por dois gêmeos: Rômulo e Remo (753 a.C). Na realidade a cidade originou-se de uma aldeia de pastores, às margens do Rio Tíbre, na hoje Itália. Dirigida pelos etruscos por todo o século VI a.C., um povo do Norte de origem pouco conhecida, tornaram esta aldeia uma verdadeira cidade. Aos poucos, Roma foi convertendo-se em una poderosa cidade-estado, libertou-se dos etruscos e tornou-se uma Monarquia, com raízes etruscas e elementos fundamentais da poderosa civilização grega. A partir de meados do milênio tornou-se uma República, um sistema de governo que levava em consideração os interesses dos cidadãos, onde estes elegiam os seus representantes que iriam governar a nação por um determinado período de tempo.
Como uma República (509 a.C. - 30 a.C.), tornou-se uma potência militar, colonial e política, com inovações sociais e de cidadania fundamentais para a História de todo o Ocidente. Nos últimos anos do século II a.C., o Exército Romano havia se transformado em um exército profissional, no qual a lealdade dos soldados de uma legião era devida ao general que a comandava e não à sua pátria o que favoreceu o surgimento de uma série de líderes político-militares como Sulla, Pompeu e Júlio César. Assim os romanos conseguiram unir toda Itália e empreender sua expansão pelo Mediterrâneo.
Uma série de acontecimentos levou a formação do Primeiro Triunvirato, um acordo secreto entre César, Pompeu e Crasso, porém o acordo culminou em uma Guerra Civil no fim da qual triunfou César, que assumiu o poder e tornou-se o primeiro governante individual de Roma, desde o tempo da Monarquia. Porém seu assassinato, encerrou esta primeira experiência com um governo central do estado romano comandado por uma única pessoa. Surgiu o Segundo Triunvirato, entre Octávio, Marco António e Lépido, que também terminou em uma Guerra Civil, vencida por Otávio, que passou a ser a única pessoa com poder para governar Roma (31 a. C.). A partir de então deu-se início a uma nova etapa de sua história: o Império Romano (27 a.C. - 476 d.C.). Comandante-chefe do exército e que decidia a guerra ou a paz, adotou o título de César no que foi seguido por seus sucessores, Augusto foi efetivamente o primeiro imperador romano e fundou uma dinastia, a Júlio-Claudiana, que só com a morte de Nero (68 d.C.) viria a terminar. Seu reinado é considerado por todos os historiadores como um período de prosperidade e expansão.
Império Romano tornou-se um termo convencional para definir o Estado romano nos séculos que se seguiram à reorganização política efetuada pelo primeiro imperador, No Império o governante, denominado imperador, era legitimado muitas vezes através de um golpe militar, ou de até uma suposta descendência divina. Diferente da República, o cargo do governante do império era vitalício. No período do Império, o poder romano chegou a sua máxima expansão, quando controlou todas terras perimetrais do Mediterrâneo, ocupando uma área com cerca de 60 milhões de habitantes, com capital a imperial em Roma, que chegou a ser habitada por cerca de 1.000.000 de habitantes.
A DIVISÃO DO IMPÉRIO (284)
Anos depois o Império Romano foi dividido (284), por Diocleciano, para fins administrativos, em duas metades, Império do Ocidente, com capital em Roma, e Império do Oriente com capital em Bizâncio. Os historiadores apontam alternativamente como primeiro Imperador bizantino Constantino I, o primeiro imperador convertido ao cristianismo, e que mudou o nome da capital do Império para Constantinopla. Considera-se a batalha de Adrianópolis (378), uma das formas tradicionais de marcar o início do período medieval, O último imperador ocidental, Rômulo Augusto, foi deposto durante o seu reinado. Há quem date o início do Império mias tardiamente, no reinado de Heráclio, que fez do grego a língua oficial. Já os numismatas apontam esta data para as reformas monetárias de Anastácio I (498), que usou o sistema de numeração grego. De qualquer modo, os próprios bizantinos continuaram a considerar o seu império como romano durante mais de um milênio.
FIM DO IMPÉRIO DO OCIDENTE (476)
O poder imperial começou a desmoronar quando se iniciaram as invasões bárbaras, designação dada pelos romanos para quaisquer povos não-romanos ou não dominado pelos romanos, entre eles os francos e os godos. Enfraquecido internamente, os romanos ocidentais não conseguiram estancar estas ocupações, o que levou à ruína o maior e mais bem estruturado Império de todos os tempos.
O IMPÉRIO BIZANTINO (395-1453)
A ruína do Império Romano do Ocidente não implicou na desestabilização do Império Oriental, que desde os primeiros sinais de decadência ocidental, historicamente passou a se chamar de Império Bizantino ou Reinado Bizantino, que tinha autonomia sobre quase toda a costa mediterrânea. Sob Justiniano, considerado o último grande imperador romano, dominava áreas no atual Marrocos, Cartago, sul da França e da Itália, bem como suas ilhas, Península Balcânica, Anatólia, Egito, Oriente Próximo e a Península da Criméia, no Mar Negro. Apesar do Império Bizantino ter existido fundamentalmente na Idade Média, ele também pode ser considerado uma extensão da Idade Antiga. Sua decadência territorial foi proporcional ao vigor da história da Idade Média, e sua queda (1453), quando da queda de Constantinopla frente aos turcos otomanos, marcou o fim da era medieval na Europa.
Na realidade o termo bizantino, derivado de Bizâncio, vem do antigo nome da capital bizantina, Constantinopla, começou a ser utilizado somente depois do século XVII, quando os historiadores o criaram para criar um marco separador entre o império da Idade Média e o da Antiguidade. A Cronologia deste império pode ser resumida nas seguintes datas:
293 Instauração da da tetrarquia;
330 Inauguração de Constantinopla como capital;
395 Morre Teodósio, e segue a dinastia Teodosiana;
457 Fim da dinastia Teodosiana e início da Leonina;
475 Início da dinastia Julio-Claudiana-Sarzi;
476 Queda do Império Romano do Ocidente;
1453 Fim do Império - Queda de Constantinopla.
CONSTANTINOPLA
As raízes do Império Bizantino estão na decisão do imperador romano Constantino em construir (324) uma nova cidade no lado europeu do Bósforo, uma nova capital para o Império Romano, estrategicamente mais próxima às rotas comerciais que ligavam o Mar Mediterrâneo ao Mar Negro, e a Europa à Ásia. Além disso, havia a necessidade de vigiar mais de perto as fronteiras orientais como as da Pérsia ao Leste e as do Danúbio ao norte. A cidade foi erguida no local da antiga Bizâncio, colônia fundada por gregos de Mégara (657 a.C.). Consagrada à Virgem Maria, a cidade foi inaugurada com o nome de Constantinopla (330).
Assim surgiu uma nova capital imperial, estrategicamente muito bem localizada, entre os mares de Mármara, Negro e Egeu, uma cidade moderna que unia a organização urbana de Roma à arquitetura e arte gregas, com claras influências orientais e que em pouco tempo, tornar-se-ia uma das mais movimentadas e cosmopolitas de sua época, com uma cultura essencialmente grega, mas denominada romana. Os imperadores seguintes buscaram combater o helenismo, predominando as instituições latinas. O latim também foi mantido como língua oficial.
Localizada numa projeção de terra sobre o estreito de Bósforo em direção à Anatólia, funcionava como uma ponte para as rotas comerciais que ligavam a Europa à Ásia por terra. Também era o principal porto nas rotas que iam e vinham entre o Mar Negro e o Mar Mediterrâneo. A sua queda para os turcos otomanos (1453) foi um evento histórico que segundo os historiadores marcou o fim da Idade Média na Europa, e também decretou o fim do último vestígio do Império Bizantino e da cultura clássica.
http://www.dec.ufcg.edu.br/biografias/RolImpRo_textos.html
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