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17/05/2014

Donatismo

O Donatismo (cujo nome advém de Donato de Casa Nigra, bispo da Numídia e posteriormente de Cartago) foi uma seita religiosa cristã, considerada herética e cismática pelo catolicismo. Surgiu nas províncias do Norte de África na Antiguidade Tardia. Iniciou-se no início do século IV e foi extinta no final do século VII.1 Os autores que mais influenciaram os donatistas, em termos de doutrina religiosa, foram São Cipriano, Montano e Tertuliano.

Assim como o Novacionismo, fundado pelo Antipapa Novaciano no século III, os donatistas eram rigorosos, e sustentavam que a Igreja não devia perdoar e admitir pecadores, e que os sacramentos, como o batismo, administrados pelos traditores (cristãos que negaram sua fé durante a perseguição de Diocleciano em 303-305 e posteriormente foram perdoados e readmitidos na Igreja) eram inválidos .Este pensamento era bastante similar ao de Cipriano de Cartago, martirizado meio século antes em perseguições anteriores.

Em oposição, a crença da Igreja na época era de que os traditores poderiam voltar ao corpo da Igreja e ministrar os sacramentos, desde que o fizessem seguindo o ritual correto, sem a necessidade de re-batismo ou da re-ordenação.
Após o Sínodo de Arles, no qual a apelação de Donato falhou, ele foi exilado para Gália em 347 dC até sua morte, em 355 dC. Nesta época, o donatismo era a igreja dominante no Norte da África. Porém, já nesta época a seita sofria com divisões internas e estava sob constante ataque de Roma, que tinha como objetivo reincorporar os clérigos da região e reunificar a Igreja .

Os Circoncélios eram bandos de rebeldes nômades anti-romanos, bandidos de fala púnica recrutados nos mais baixos estratos da sociedade. Eles apoiavam o donatismo e eram, por vezes, liderados por clérigos donatistas. Porém, fora de controle, eles passaram a atacar proprietários de terra e colonos romanos, redistribuindo bens muitas vezes obtidos com o trabalho honesto de camponeses locais. Assim, o donatismo passou a ser identificado com eles, levando os administradores oficiais a tomarem ações punitivas contra a igreja donatista . Apesar da condenação imperial, o Donatismo permaneceu como religião dominante na África romana até ao começo do século V, quando enfraqueceu devido a atos de coerção.

O bispo de Hipona, Santo Agostinho, fez campanhas contra esta crença e foi principalmente graças aos seus esforços que a seita foi extinta. A controvérsia tem início em dois escândalos monásticos. Por volta de 422, Santo Agostinho se envolveu numa espécie de escândalo com um bispo chamado Antonino e posteriormente com Januário. A discussão parece ter sido causada porque Agostinho achava que a chamada "caridade monástica" pudesse semear a discórdia, dividir e fazer com que se aproveitasse da Igreja. Ele chegou a fazer campanhas contra o Donatismo. Com a ocupação vândala do norte de África, o donatismo voltou a ter, aí, alguma preponderância, o que continuou a acontecer depois da reconquista bizantina destes territórios por Justiniano. Desconhece-se quanto tempo persistiu depois da conquista muçulmana.

Wikipédia

Pelagianismo

Pelágio foi um monge de origem bretã (Ilhas Britânicas, c. 350-54 - Palestina c.425), de que pouco se sabe, mas deixou um legado doutrinário à Igreja quedesde logo incendiou ânimos e causou controvérsias, nunca mais tendodesaparecido do seio da mesma. Pelágio foi para Roma, cerca de 400, tendo iniciado a escrita da sua primeira obra teológica (um comentário às 13 epístolasde S. Paulo, a par de uma exortação a uma jovem patrícia romana chamadaDemétria), sendo ele nesta matéria um autodidata. O seu poder de persuasãologo se manifestou, atraindo um grupo de intelectuais que em torno de sipassaram a gravitar, entre os quais Celéstio, monge e jurista, autor de umtrabalho sobre o pecado original (Contra traducem Peccati). A obra de Celéstioanuncia  a propagação da doutrina pelagiana e a existência de um movimentoteológico. 
Com efeito, Pelágio considerava o homem capaz de levar uma vida sem pecadograças à força moral a ele dada por Deus, apesar do estado de corrupção eimpureza conferido pelo pecado original de Adão e Eva. Como dizia S. Agostinho,um dos teólogos com quem o monge bretão teve acesa diatribe, toda ahumanidade estava agrilhoada ao pecado original e impossibilitada de não pecar.Pelágio dizia que a queda, a falha, de Adão apenas afetara... Adão! Logo seDeus quer que as pessoas vivam vidas moralmente perfeitas, não deixarátambém, referia Pelágio, de as dotar de capacidade, autossuficiência a nívelmoral para que possam atingir tal perfeição. A graça divina, tão cara aosteólogos agostinianos, era assim prescindível para a salvação do indivíduo, talcomo o batismo, apenas necessário como meio de remissão dos pecados dosadultos. Neste sentido, Pelágio criticava também o exercício do sacramento dobatismo a crianças em tenra idade, fora da "idade da razão", incapazes ainda depecar. O batismo perdia assim o seu significado, enquanto forma de purificar ohomem de um pecado que, defendia Pelágio, apenas caíra sobre Adão e Eva.
Os seguidores de Pelágio e da sua doutrina facilmente chocaram com aortodoxia da Igreja Romana e com a sensibilidade teológica da época,largamente estribada em S. Agostinho. A polémica entre S. Agostinho e osPelagianos foi um dos mais apaixonantes debates da Patrística do século V,levando muitos pensadores a caírem facilmente em posições heterodoxas ouextremas no que toca à teoria da graça divina e do livre arbítrio. Celéstio eJuliano de Eclano foram os que mais radicalizaram a doutrina e a herança dePelágio, reforçando ainda mais a tendência herética do movimento aos olhos daIgreja. Na essência, os sucessores de Pelágio mitigaram ao máximo os efeitosnocivos do pecado original para a humanidade, pois consideravam que avontade humana é perfeitamente livre, dependendo apenas de si para evitar opecado, acentuando assim a separação entre o livre arbítrio e a graça.Acreditavam assim que a infinita justiça e bondade de Deus não impunham nadaque fosse para além das capacidades humanas, não ajudando a uns mais que aoutros. Fazer boas obras segundo o exemplo de Jesus era a chave da Salvaçãopara o Pelagianismo. 
Este movimento teológico conheceu a condenação em 417, em plenacontrovérsia pelagianista (415-418). De facto, perante Pelágio, deu-se anegação das teses pelagianistas por parte do papa Inocêncio I (seguido maistarde por Zózimo), ex cathedra, impondo o fim do movimento, o que não chegoua acontecer. A partir daí, o pano do silêncio da História caiu sobre Pelágio, masnão sobre o Pelagianismo, que agitaria a teologia cristã até princípios do séculoVI. Até 431, o Pelagianismo lutou para fazer vingar as suas teses,principalmente contra S. Agostinho de Hipona, mas o concílio de Éfeso, reunidonaquele ano, cerceou-lhe a difusão e afastou-o da Grécia, onde estava aganhar força, além de lhe ter reduzido a sua força teológica. Com o papaGelásio I (492-496), perdeu o fulgor que conseguira ter, principalmente no Nortede África e na Palestina, não tendo deixado os escritos pelagianos de serexumados das bibliotecas antigas e servido doutrinalmente, como se viu, paraheresias a ulteriori.

Fonte

Infopédia

Vida monástica no cristianismo

A vida monástica no cristianismo surgiu como uma forma de busca por uma vida de maior consagração a Deus, com o objetivo de se afastar do mu...