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21/06/2013

Epifânio (†403)


Epifânio de Salamina (em latim: Epiphanius) foi um bispo da cidade de Salamina e metropolita da ilha de Chipre no final do século IV d.C. Ele ganhou uma reputação como um forte defensor da ortodoxia cristã. É também conhecido por ter escrito um enorme compêndio de heresias que ameaçaram o cristianismo primitivo até o seu tempo, cheio de citações que, muitas vezes, são os únicos fragmentos sobreviventes das obras suprimidas. Além disso, ele foi responsável por instigar, juntamente com Tychon (bispo de Amatus), uma perseguição aos não cristãos que viviam em Chipre, que resultou na destruição de muitos dos seus templos . É comemorado a 12 de maio, suposta data que faleceu, no ano de 403 d.C., num naufrágio.


Ele nasceu em uma família cristã no pequeno vilarejo de Besanduque, próximo de Eleuterópolis, na Palestina e viveu como um monge na então província romana do Egito, onde foi educado e entrou em contato com grupos gnósticos valentianos. Ele retornou então à Palestina por volta de 333 d.C., ainda um jovem, e fundou um mosteiro nas redondezas de Ad , que foi muitas vezes mencionado na polémica de Jerônimo com Rufino e João, bispo de Jerusalém. Ele foi ordenado padre e viveu no mosteiro de Ad por trinta anos, acumulando enorme conhecimento e habilidade neste período. Entre elas, a de falar diversas línguas, incluindo hebreu, siríaco, egípcio antigo, grego antigo e latim. Por conta disso, Jerônimo o chamou de Pentaglossis ("De cinco línguas").

Sua reputação de erudito logo provocou a sua nomeação e consagração como bispo de Salamina em 367 d.C.. Ele serviu como bispo por outros quarenta anos, viajando por toda parte para combater crenças não-ortodoxas. Ele esteve presente no Concílio de Antioquia (376 d.C. onde o Trinitarismo foi debatido contra a heresia do apolinarismo, então suportado pelas igrejas orientais. Ele apoiou a posição de Paulino de Antioquia, que também tinha o apoio de Roma, contra a de Melécio de Antioquia, este apoiado pelas igrejas orientais. Em 382 d.C., Epifânio esteve também no Concílio de Roma, novamente para apoiar a causa de Paulino .

Durante uma vista à Palestina em 394 d.C., ele atacou os seguidores de Orígenes e incitou João, bispo de Jerusalém a condenar as obras dele. Elas foram depois condenadas no Segundo Concílio de Constantinopla (553 a.C.. Quando Epifânio já estava com quase 80 anos, em 402 d.C., a pedido de Teófilo de Alexandria, ele foi a Constantinopla para apoiar Teófilo em sua campanha contra João Crisóstomo na polémica dos "grandes irmãos" (veja Sínodo do Carvalho). Quando ele percebeu que estava sendo usado por Teófilo como uma ferramenta contra João, Epifânio tentou retornar para Salamina, mas morreu num naufrágio no caminho em 403 d.C.1 .


Á a sua obra mais conhecida é o Panarion, que significa "baú de remédios" (também conhecido por em latim: Adversus Haereses, "Contra Heresias"), apresentado como um livro de antídotos para aqueles que foram mordidos pela serpente da heresia. Escrito entre 374 e 377 d.C., é um manual para lidar com os argumentos dos heréticos. Ela lista oitenta heresias, algumas das quais não foram descritas em nenhum outro documento que chegou até nossos dias. Ainda que muitas vezes o zelo de Epifânio venha antes dos fatos - ele admitiu, por exemplo, ter escrito contra os origenistas baseado apenas em rumores3 - Panarion é uma valiosa fonte de informação sobre o cristianismo no século IV d.C. Ela é também uma fonte importante sobre os evangelhos judaicos primitivos, como o Evangelho dos Hebreus (ou o Evangelho dos Ebionitas), que circulavam entre os ebionitas, os nazarenos e também entre os seguidores de Cerinto e Merinto .
Além da polêmicas que o fizeram famoso, Epifânio escreveu também uma obra sobre antiguidades bíblicas, conhecida pelo nome de uma de suas seções, "Sobre pesos e medidas" (em grego: περί μέτρων καί στάθμων). Ela foi composta em Constantinopla para um padre persa em 392 d.C.5 . A primeira seção discute o cânon do Antigo Testamento e suas versões, a segunda discorre sobre pesos e medidas e a terceira, sobre a geografia da Palestina. O texto parece não ter sido finalizado, parecendo mais um conjunto de notas e rascunhos, segundo o editor moderno da obra, Allen A. Shaw.
A coleção de homilias tradicionalmente atribuída à "Santo Epifânio, bispo" são do final do século V ou VI d.C. e não tem conexão com Epifânio, segundo os estudiosos .


06/06/2013

Cirilo de Alexandria - (370 - 442)


Nasceu na Alexandria, Egito em 376 e era o sobrinho do Patriarca da Alexandria Theophilus e foi bem educado e ordenado por ele. Em 403 acompanhou seu tio a Constantinopla (moderna Istambul, Turquia) onde eles atenderam o Sínodo de Oak, no qual São João Chrysostomo foi deposto. Quando Theophilus morreu em 412, Cyrilo o sucedeu. Cyrilo começou seu reinado fechando igrejas de seitas hereges, por exemplo os Novatinistas. Ele expulsou os judeus da Alexandria e teve vários desentendimentos com Orestes, o Governador da cidade. Em 430 ele condenou o herege Nestórius na Alexandria e convenceu ao Papa São Celestino (422-432) a convocar um Concílio em Roma. Em 431, a pedido do Papa, ele presidiu o Consilho de Éfesus. Lá ele condenou Nestórius, mas foi deposto pelo Arcebispo João da Antióquia e seus seguidores. Cyrilo e Nestórius foram presos mas o Imperador Theodosius II (408-450) soltou Cyrilo devido a intervenção papal. Nestórius foi mais tarde condenado por todas as facções.

São Cirilo da Alexandria é muito respeitado pelos seus escritos sobre a "Incarnação e a Trindade". Treinado na tradição alexandrina ele é lembrado como um dos mais brilhantes escolares da cidade. Ele escreveu comentários sobre os Evangelhos de São Lucas e de São João e outras escrituras, bem como cartas sermões, uma tese contra os Galileas e uma contestação ao " Tratado contra os Cristãos" do Imperador Juliano, o Apóstata (361-363) que é considerado um dos grandes trabalhos apostólicos da época, sobre a fé cristã.
Faleceu em 444 de causas naturais.
Ele foi declarado Doutor da Igreja pelo Papa Leão XIII (1878-1903) .

E o patrono de Alexandria e o Pai da Igreja Grega.

Papa Leão I




Leão I, também conhecido como Leão Magno foi o 45° bispo de Roma Papa da Igreja Católica, de 29 de setembro de 440 até a sua morte, em 10 de novembro de 461. É um doutor da Igreja e um dos Padres latinos. Leão I é conhecido por ter, supostamente, convencido Átila, o Huno em Roma, em 452, a voltar atrás em seu propósito de invasão da Europa Ocidental.

É venerado como santo pela Igreja Católica e pela Igreja Ortodoxa, sendo celebrado pela Igreja Católica e Anglicana no dia 10 de Novembro, e pelas Igrejas Ortodoxas em 18 de Fevereiro. É, juntamente com o Papa Gregório I, e com o Papa Nicolau I, um dos Sumos Pontífices que passaram à história com o cognome Magno (ou o Grande).


De acordo com o Liber Pontificalis, era natural da Toscânia. Em 431, como um diácono, ocupando uma posição suficientemente importante para trocar cartas com Cirilo de Alexandria e o Papa Celestino I. Quando o Papa Sixto III morreu (11 de agosto de 440), Leão foi unanimemente eleito pelo povo para sucedê-lo.

O seu pontificado, de rara longevidade nos tempos iniciais da Igreja, foi pródigo em importantes acontecimentos.

Em 451, os hunos assolaram o norte da Península Itálica, saqueando e matando. O imperador do Ocidente não logrou defender o seu território. Diante da invasão e do vazio do poder imperial, Leão assumiu a governança de Roma, passando a usar o título de Papa e de sumo pontífice, que anteriormente eram atribuídos ao imperador. Ao mesmo tempo adotou o estilo imperial de poder monárquico, absoluto e centralizado e todos os seus símbolos, inclusive as vestimentas. E foi assim que, segundo o teólogo Leonardo Boff, "os textos atinentes a Pedro que em Jesus tinham um sentido de serviço e de primazia do amor foram interpretados como estrito poder jurídico." Segundo a tradição, Leão encontrou-se com Átila, rei dos hunos, em 452, na cidade de Mântua, e conseguiu que finalmente fosse firmado um acordo de paz.
No entanto, Roma foi pilhada depois pelos vândalos. Quando, em 455, os vândalos, comandados por Genserico, se encontraram às portas de Roma, sem que nenhum exército imperial trouxesse ajuda, os olhares se voltaram para Leão Magno. Ele se dirigiu ao acampamento dos inimigos e, embora não lograsse impedir de todo o saque da cidade, conseguiu, preservar a vida da população e impedir a tortura de muitos cidadãos romanos.

Em 446, Leão declarou que "o cuidado da Igreja universal deve convergir para a cadeira de Pedro, e nada (…) deve ser separado de sua cabeça". Esta doutrina foi reafirmada no Concílio de Calcedónia, em 451, por Leão I, através de seus emissários.

Leão I impôs a uniformidade da prática pastoral, corrigiu abusos e resolveu disputas. Igualmente ficou marcado pela defesa do conceito teológico fundamental de que Jesus Cristo teve duas naturezas distintas, a humana e a divina. Devido à sua coragem e às suas posições inflexíveis, o povo romano o apelidou de "Leão de Judá", em referência à passagem no capítulo 5º do Livro do Apocalipse de São João: "Então um dos anciãos me falou: Não chores! O Leão da tribo de Judá, o descendente de Davi, achou meio de abrir o livro e os sete selos.

Paulino de Nola (†431)


Nasceu em Bordéus (França) no ano de 355. Seguiu desde jovem a carreira política e exerceu diversos cargos públicos; contraíu matrimónio e teve um filho. Com desejos de vida austera, recebeu o Baptismo e, renunciando a todos os bens, abraçou a vida monástica, indo estabelecer-se em Nola (Itália). Mais tarde, foi ordenado bispo desta cidade. Empenhou-se generosamente em ajudar os peregrinos e aliviar todas as necessidades do seu tempo. Compôs uma colecção de poemas, notáveis pela elegância do seu estilo.

Vicente de Lerins (†450)


As notícias que temos sobre o religioso Vicente são poucas. Ele viveu no mosteiro de Lérins, onde foi ordenado sacerdote no século V. Os dados sobre sua vida antes desse período também não são muitos. Tudo indica que ele era um soldado do exército romano e que sua origem seria o norte da França, hoje território da Bélgica.

Alguns registros encontrados em Lérins, escritos por ele mesmo, induzem a crer que seu irmão seria o bispo de Troyes. E ele decidira abandonar a vida desregrada e combativa do exército para "espantar a banalidade e a soberba de sua vida e para dedicar-se somente a Deus na humildade cristã". Vicente, então, optou pela vida monástica e nela despontou como teólogo e escritor famoso, grande reformador do mosteiro de Lérins.

Ingressou nesse mosteiro, fundado por santo Honorato, na ilha francesa localizada defronte a Cannes, já em idade avançada. Ali se ordenou sacerdote e foi eleito abade, pela retidão de caráter e austeridade de vida religiosa. 

Transformou o local num florescente centro de cultura e de espiritualidade, verdadeiro celeiro de bispos e santos para a Igreja. Em 434, escreveu sua obra mais famosa, o "Comnitorium", também conhecido como "manual de advertência aos hereges". Mais tarde, são Roberto Belarmino definiu essa obra como "um livro de ouro", porque estabelece alguns critérios básicos para viver integralmente a mensagem evangélica.

Profundo conhecedor das Sagradas Escrituras e dotado de uma grande cultura humanística, os seus escritos são notáveis pelo vigor e estilo apurado, e pela clareza e precisão de pensamento. As obras possuem grande relevância contra a doutrina herética, e outros textos cristológicos e trinitários. Sua obra, em especial a "Advertência aos hereges" teve uma grande difusão e repercussão, atingindo os nossos dias.

Enaltecido pelos católicos e protestantes, porque traz toda a doutrina dos Padres analisadas nas fontes da fé cristã e todos os critérios da doutrina ortodoxa, Vicente era um grande polemista, respeitado até mesmo por são Jerônimo, futuro doutor da Igreja, seu contemporâneo. Os dois travaram grandes debates através de uma rica corresponderia, trazendo luz sobre muitas divergências doutrinais.

Vicente de Lérins teve seu reconhecimento exaltado pelo próprio antagonista, que fez questão de incluí-lo num capítulo da sua famosa obra "Homens ilustres". Morreu no mosteiro no ano 450. A Igreja católica dedica o dia 24 de maio a são Vicente de Lérins, celebrado na mesma data também no Oriente.

Pedro Crisólogo, bispo, †450


Nasceu em Ímola no ano 380 e mereceu o apelido de Crisólogo, isto é, “Palavra de Ouro”, por ser autor de estupendos sermões, ricos de doutrina, que lhe deram também o título de doutor da Igreja, decretado no ano 1729 pelo Papa Bento XIII. Dele se conservam cerca de 200 sermões. Numa homilia define o avarento como “escravo do dinheiro, mas o dinheiro – acrescenta – é o escravo do misericordioso. ” É fácil entender o significado desta prédica. Sua pregação colocava insistentemente em evidência o amor paternal de Deus: “Deus prefere ser amado a ser temido”. Humildes e poderosos escutava-os ele com igual condescendência e caridade. A imperatriz Gala Placídia teve-o como conselheiro e amigo.
Eleito Bispo de Ravena no ano 424, Pedro Crisólogo mostrou-se bom pastor, prudente e sem ambiguidades doutrinais. Sua autoridade era reconhecida em largo raio da Igreja. São Pedro Crisólogo disse certa vez: “Os que passaram, viveram para nós; nós, para os vindouros; ninguém para si” (op.cit.p.407).
São Pedro Crisólogo morreu no dia 31 de Julho do ano 451, em Ímola.

23/05/2013

Bento de Núrsia (480 - 547)

Monge e teólogo italiano nascido em Núrsia, na Itália central, perto de Spoleto, Itália, fundador da Ordem Beneditina (531) e considerado o patriarca do monasticismo, cujos ensinamentos foram básicos para a fundação das ordens monásticas ocidentais no início da Idade Média. Descendente de uma família aristocrática, foi enviado a Roma para fazer estudos clássicos, mas onde formou o pensamento de que só se escapa do demônio com a reclusão e exercícios religiosos e se tornou eremita. Seguiu para Enfide, uma pequena comunidade de estudantes a cerca de 50 km de Roma, passando a morar em uma gruta, perto de Subíaco, nos montes Abruzzi, hoje chamada Dsacro Speco. Com o tempo sua aura de santidade começou a atrair outros seguidores e discípulos que queriam estudar com ele. Convidado pelos monges de Vicóvaro aceitou ser seu Abade, porém impôs regras severas. Um monge chamado Florentius tentou minar o trabalho e o acusou de subversão. Depois de sofrer um atentado contra a sua vida, fugiu da região de Subíaco para construir um mosteiro em Monte Cassino (529-531), onde redigiu suas célebres normas hoje conhecidas como As Regras de São Benedito, que seria o guia de todas as comunidades monásticas posteriores. No mosteiro ele reuniu vários discípulos, congregando-os em 12 prédios com 12 membros cada um, com ele próprio como superior geral, fundando, assim, a ordem dos beneditinos, e que se transformou em um centro para aprendizado e espiritualidade. Morreu em 21 de março (547), quando orava no altar. Seu corpo, bem como o da Santa Escolástica, parecem que foram desenterrados durante o assalto a Monte Cassino na Segunda Guerra Mundial. Mas tem uma tradição que diz que foram trasladados para Fleury na França (703). O Papa São Gregório Magno (590-604) escreveu a sua vida e foi proclamado padroeiro da Europa (1964) pelo papa Paulo VI (1963-1978) e é comemorado no dia 11 de Julho. Seu mosteiro de Monte Cassino tornou-se símbolo histórico de resistência, pois foi destruído e reconstruído várias vezes por terremotos e guerras, sendo sua última reconstrução ocorrida após um bombardeio durante a segunda guerra mundial.

Venâncio Fortunato compositor de hinos latino


 Venâncio Fortunato ou Venantius Honorius Clementianus Fortunatus (c. 530-c. 600/609) foi um poeta e compositor de hinos latino, e bispo da Igreja Católica Romana.

Venâncio Fortunato nasceu no norte da Itália em algum lugar entre Valdobbiadene, Ceneda, e Treviso. Ele cresceu durante a reconquista Bizantina da Itália e foi educado em Ravenna. Seus trabalhos posteriores mostram familiaridade não apenas com poetas clássicos como Virgílio, Horácio, Ovídio, Públio Estácio, e Martial, mas também com poetas cristãos, incluindo Arator, Claudiano, e Sedulius.

Fortunato eventualmente migrou pela Alemanha até a Gália em meados de 560, provavelmente com intenções específicas de se tornar poeta na corte Merovíngia. Após circunstâncias políticas que impediram sua carreira na corte, Fortunato recebeu patrocínio de várias figuras religiosas, incluindo São Gregório de Tours. Tornou-se bispo de Poitiers pouco depois do ano 600.

Ele é mais conhecido por dois poemas que tornaram-se parte da liturgia da Igreja Católica Romana, o Pange Lingua Gloriosi Proelium Certaminis ("Canta, ó língua, da gloriosa luta"), um hino que posteriormente inspirou Pange Lingua Gloriosi Corporis Mysterium de São Thomas Aquinas's. Ele também escreveu Vexilla Regis prodeunt ("As bandeiras do Rei estão erguidas"), que é uma canção cantada nas vésperas da Semana Santa. Ao todo, pelo que se tem registro, Venantius Fortunatus escreveu onze livros de poesia em Latim em diversos grupos de gênero incluindo epitáfios, panegíricos, consolações e poemas religiosos. Suas obras são importantes no desenvolvimento da literatura latina, em grande parte por escrever numa época em que a prosódia latina afastava-se do verso quantitativo do latim clássico em direção a métrica do latim medieval.

16/05/2013

Ildefonso de Toledo (617 - 667)


ldefonso de Toledo foi arcebispo de Toledo (657-667), considerado santo pela Igreja católica.
Julga-se que descendesse da família real visigótica. Fez uso dos seus bens para edificar um mosteiro feminino, e mais tarde fez-se, ele mesmo, monge, antes de se tornar arcebispo de Toledo, posição que serviu durante dez anos, sob o reinado de Recesvinto.

O seu nome deriva do gótico Hildefuns, donde derivou mais tarde também o nome Afonso.
Escreveu contra os hereges, defendendo a doutrina da Imaculada Conceição, que doze séculos mais tarde se converteria em dogma oficial do Catolicismo. Na cidade do Porto, Portugal, é-lhe dedicada a Igreja de Santo Ildefonso.

Máximo Confessor (580-662)


 Máximo, o Confessor, nasceu em Constantinopla próximo do ano 580. Depois de haver recebido uma esmerada educação civil e religiosa, ocupou um alto cargo estatal que abandonou no ano 630 para tornar-se monge.

No início, combateu o monofisismo; mais tarde, dedicou todas as suas energias contra a heresia monotelita. Participou em numerosos sínodos africanos e tomou parte ativa no concílio de Latrão no ano 649 que condenou o monotelismo  junto com os patriarcas que o haviam favorecido. Em seu regresso à Constantinopla, foi arrastado por ordem do imperador Constante II, torturado e desterrado. Morreu no exílio em 13 de agosto do ano 662.

 Máximo escreveu numerosos escritos teológicos, exegéticos e éticos. É ainda atribuído a ele uma Vida de Maria, recentemente descoberta em tradução georgiana do século XI. Sua data (teria sido escrita antes do ano 626) faz dela a mais antiga biografia (Vida) da Virgem que chegou até nós.. Junto aos pontos fundamentais do dogma mariano, o autor destaca a profundidíssima união de Maria Santíssima com seu Filho e Deus, em todos os momentos de sua vida, mesmo depois de sua Ascensão ao Céu.

Os parágrafos que aqui se recolhem - uma mostra da solicitude da Virgem com os apóstolos e os discípulos, naqueles primeiros anos da Igreja - constituem um testemunho impressionante da profunda devoção que os cristãos sempre cultivaram à Mãe de Deus e nossa Mãe

Gregório Magno (540 - 604), Papa de Roma

Papa católico (590-604) nascido em Roma, considerado um dos pais da Igreja moderna ao reafirmar o papel da igreja como aglutinadora da sociedade cristã e cujas ações mais marcantes no seu pontificado para a história do catolicismo foi iniciar o ensino do dogma do purgatório, que tinha objetivo financeiro (593) e depois adotar o ofício da missa, assim como o latim como sua língua oficial (600). Filho do romano Gordiano, que mais tarde ingressou no estado eclesiástico, e da nobre Sílvia, que por sua vez terminou seus dias num retiro em obras pias, também descendia do papa São Félix III. Estudou direito e ocupou altos postos civis como o de pretor de Roma, algo como prefeito da cidade.

Atraído pela vida religiosa abandonou o posto (575), distribuiu toda sua riqueza com os pobres, tornou-se monge em Roma e transformou o palácio da família, no Monte Célio, no mosteiro de Santo André e fundou seis novos mosteiros em suas terras na Sicília, todos segundo a regra de são Bento. Foi enviado como embaixador do papa (579) por Pelágio II, a corrupta Bizâncio/Constantinopla, onde impressionou com suas virtudes e conhecimento científicos, ali permanecendo por seis anos. De volta a Roma e com a morte de Pelágio, estava bem preparado para ser pontífice e foi eleito papa (590), com o nome de Gregório I. Foi felicitado com alegria pelo imperador Maurício e pelo povo, tendo algumas pessoas afirmado que viram, nos céus, um anjo embainhando a espada contra a peste, que realmente declinou até desaparecer. Mente vasta e profunda e de extraordinária energia, mostrou-se competente conversor do Cristianismo. Seu papado caracterizou-se pelo esforço de reorganização e restauração da igreja. Notabilizou-se por extraordinária administração, reformando todos os serviços públicos, os rituais e sistematização dos salmos sagrados e, assim, desenvolveu as bases da igreja moderna com um elenco de reformas que atingiu bispos, padres, mosteiros, cânticos, funções religiosas como Sacramentário, Estações ou Rezas populares e Missal, etc. Admirado até pelos inimigos de sua fé, foi um lutador em defesa de seu povo e da fé: combateu contra Agilulfo longobardo e contra João Jejuadorcismático.

No seu pontificado os Visigodos da Espanha voltaram ao catolicismo e os Longobardos abandonaram o cristianismo. Combateu a simonia, venda de benefícios eclesiásticos, as heresias, extinguiu o paganismo na Córsega e na Sardenha. Também lutou contra a incontinência e o jogo e preocupou-se com as condições de vida do povo, empenhando-se na ajuda a populações afetadas pela fome, por pestes e inundações do Tibre. Introduziu a fórmula Servus servorum Dei ou Servo dos servos de Deus, como título dos papas. Divulgou milagres, reformulou a liturgia e promoveu a codificação do cantochão, que a partir de então passou a ser conhecido de Canto Gregoriano. Incentivou a ação missionária, inclusive enviando santo Agostinho de Cantuária à Inglaterra com quarenta monges, para evangelizar as ilhas britânicas, e difundiu a ordem beneditina por toda a Europa ocidental. Conseguiu negociar a paz com os bárbaros lombardos, que ameaçavam Roma, e unificar o território da igreja, constituindo o patrimônio de São Pedro, base do futuro Estado Pontifício. Exímio escritor divulgou cerca de 900 cartas, os Diálogos, as Morais de Jó etc, sendo que sua mais importante obra escrita foi Liber regulae pastoris, livro que serviu de base para a formação do clero na Idade Média e é ainda hoje um clássico da vida espiritual.

Fonte:

Disponível em:
http://www.dec.ufcg.edu.br/biografias/PPGregM1.html

09/05/2013

Germano de Constantinopla


Patriarca de Constantinopla (715-30), nasceu em Constantinopla ao final do reinado do imperador Heracleo (610-41); morreu em 733 ou 740.

Filho de Justiniano, um patriciano, Germano dedicou seus serviços à Igreja e começou como clérigo na catedral de Metrópolis. Logo depois da morte de seu pai que havia ocupado vários altos cargos de oficial, pelas mãos do sobrinho de Herácleo, Germano se consagrou bispo de Chipre, o ano exato, porém, de sua elevação é desconhecido.

Segundo Theófanos e Niceforos, esteve presente na capacitação para o Sínodo de Constantinopla no ano de 712 com a insistência do novo imperador Philippicus, que era favorável ao Monotelismo. O objetivo do Concílio foi restabelecer o Monotelismo e condenar as Atas do Sexto Concílio Geral de 681. Germano é mencionado, inclusive, por haver torcido a vontade imperial, junto à maioria dos bispos gregos (Mansi, Conc. Coll., XII, 192-96).

Não obstante, imediatamente após o destronamento do imperador Philippicus (713), seu sucessor, Anastasio II, restaurou a ortodoxia, e o Monotelismo foi definitivamente eliminado do império Bizantino. Se Germano realmente se rendeu por um curto espaço de tempo aos falsos ensinamentos dos Monotelistas, ele reconheceria desta vez a definição ortodoxa das duas vontades de Cristo.

João, Patriarca de Constantinopla, apontado por Philippicus para suceder ao deposto Cyrus, enviaria ao Papa Constantino uma carta de submissão na qual aceitava a verdadeira doutrina da Igreja promulgada no Concílio de 681, com a qual foi reconhecido pelo Papa como Patriarca de Constantinopla. Após a morte de João, Germano foi elevado à sede patriarcal de Constantinopla (715) na qual se manteve até o ano de 730.

Imediatamente (715 o 716) convocou em Constantinopla um Sínodo de bispos gregos, que reconheceu e proclamou de novo a doutrina das duas vontades e as duas operações em Cristo, e colocou sob anátema Sergius, Cyrus e os outros líderes do Monotelismo. Germano entrou em comunicação com os armênios Monofisitas com os quais via sua restauração à união com a Igreja, porém, sem êxito.

Logo após a sua elevação à dignidade patriarcal, a tormenta iconoclasta explodiria diante da Igreja bizantina, Leão III, o Isauriano, se opôs à veneração das imagens, tão logo subiu ao trono imperial (716).

O bispo Constantino de Nacoleia en Phrygia, que como os outros bispos do imperador, condenaram a veneração de imagens (ícones) de Cristo e dos santos, foram a Constantinopla e entraram em discussão com Germano sobre o assunto. O Patriarca representou a Tradição da Igreja e intentou convencer Constantino das qualidades de reverenciar imagens. Aparentemente ele se converteu ante os ensinamentos do Patriarca, porém não enviou a carta encomendada a ele por Germano para o metropolitano de Synnada, pela qual foi excomungado. Ao mesmo tempo, o douto patriarca escreveu ao bispo Tomas de Claudiopolis, outro iconoclasta, e desenvolveu em detalhes as principais conotações, sublinhando a reverência às imagens como oposição às recentes inovações.

O imperador Leão III, não obstante, não cedeu em sua posição, e por todos os lados animou os iconoclastas. Numa erupção vulcânica entre as ilhas de Thera eTherasia ele viu o Juízo Divino pela idolatria às imagens, e um edito (726) explicou que as imagens cristãs tomaram o lugar de ídolos, e que os veneradores de imagens eram idólatras, já que, segundo a Lei de Deus, (Ex, xx, 4), a obra que as mãos produzem não pode ser objeto de adoração. Imediatamente depois, o primeiro distúrbio iconoclasto estourou em Constantinopla. O patriarca Germano se opôs vigorosamente ao imperador com o intento de fazer-lhe ver a verdade das coisas, com o qual Leão III tentou desonrá-lo. Germano dirigiu-se ao Papa Gregório II (729), que, em uma longa epístola elogiou seu trabalho e sua firmeza.

O imperador, em 730, convocou um Concílio antes que Germano fosse citado à subscrição de um decreto imperial que proibia as imagens. Ele refutou e foi obrigado a demitir-se de seu ofício patriarcal, sendo sucedido pelo submisso Anastásio.

Germano se retirou refugiando junto de sua família onde morreu alguns anos depois, já com avançada idade.

O Concílio Ecumênico de Nicéia (787) concedeu uma grande glorificação a Germano que é venerado como santo tanto na Igreja grega como na latina.

Sua festa se celebra no dia 12 de maio.

Vários escritos de São Germano foram preservados: (Migne, P.G., XCVIII, 39-454), viz., “Narratio de sanctis synodis”, um diálogo “De vitae termino”, uma carta as Armênios, e três cartas sobre a reverência às imagens, Assim como nove discursos num extravagante estilo retórico dos mais antigos Bizantinos. De duvidosa autenticidade é a “Historia eclesiástica et mystica”, também atribuída a Germano (Migne, loc. cit.,383-454).

Fonte:

Ecclesia

João Damasceno


 

João Damasceno é considerado o último dos santos Padres orientais da Igreja, antes que o Oriente se separasse definitivamente de Roma, no ano 1054. Uma das grandes figuras do cristianismo, não só da época em que viveu, mas de todos os tempos, especialmente pela obra teológica que nos legou.

Seu nome de batismo era João Mansur. Nasceu no seio de uma família árabe cristã no ano 675, em Damasco, na Síria. Veio daí seu apelido "Damasceno" ou "de Damasco". Nessa época a cidade já estava dominada pelos árabes muçulmanos, que acabavam de conquistar, também, a Palestina. No início da ocupação, ainda se permitia alguma liberdade de culto e organização dos cristãos, dessa forma o convívio entre as duas religiões era até possível. A família dos Mansur ocupava altos postos no governo da cidade, sob a administração do califa muçulmano, espécie de prefeito árabe.

Dessa maneira, na juventude, João, culto e brilhante, se tornou amigo do califa, que depois o nomeou seu conselheiro, com o título de grão-visir de Damasco. Mas como era, ao mesmo tempo, um cristão reto e intransigente com a verdadeira doutrina, logo preferiu se retirar na Palestina. Foi ordenado sacerdote e ingressou na comunidade religiosa de São Sabas, e desde então viveu na penitência, na solidão, no estudo das Sagradas Escrituras, dedicado à atividade literária e à pregação.

Saía do convento apenas para pregar na igreja do Santo Sepulcro, para defender o rigor da doutrina. Suas homilias, depois, eram escritas e distribuídas para as mais diversas dioceses, o que o fez respeitado no meio do clero e do povo. Também a convite de João V, bispo de Jerusalém, participou, ao seu lado, no Concílio ecumênico de Nicéia, defendendo a posição da Igreja contra os hereges iconoclastas. O valor que passou para a Igreja foi através da santidade de vida, da humildade e da caridade, que fazia com que o povo já o venerasse como santo ainda em vida. Além disso, por sua obra escrita, sintetizando os cinco primeiros séculos de tentativas e esforços de sedimentação do cristianismo.

Suas obras mais importantes são "A fonte da ciência", "A fé ortodoxa", "Sacra paralela" e "Orações sobre as imagens sagradas", onde defende o culto das imagens nas igrejas, contra o conceito dos iconoclastas. Por causa desse livro, João Damasceno foi muito perseguido e até preso pelos hereges. Até mesmo o califa foi induzido a acreditar que João Damasceno conspirava, junto com os cristãos, contra ele. Mandou prendê-lo a aplicar-lhe a lei muçulmana: sua mão direita foi decepada, para que não escrevesse mais.

Mas pela fé e devoção que dedicava à Virgem Maria tanto rezou que a Mãe recolocou a mão no lugar e ele ficou curado. E foram inúmeras orações, hinos, poesias e homilias que dedicou, especialmente, a Nossa Senhora. Através de sua obra teológica foi ele quem deu início à teologia mariana. Morreu no ano 749, segundo a tradição, no Mosteiro de São Sabas. Tão importante foi sua contribuição para a Igreja que o papa Leão XIII o proclamou doutor da Igreja e os críticos e teólogos o declararam "são Tomás do Oriente". Sua celebração, no novo calendário litúrgico da Igreja, ocorre no dia 4 de dezembro.

Fonte:

Paulinas
Santo do Dia

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