Mostrando postagens com marcador Batismo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Batismo. Mostrar todas as postagens

06/11/2015

Pontos de Reflexão sobre o Batismo

Por André de jesus.

1.O batismo é uma herança bem cuidada pelos nossos antepassados cristãos ou seja todos somos batizados mesmo que mudamos de religião.

2.Batismo é sacramento, por tanto um sinal visível da graça de Deus, que através de Jesus somos chamados sermos co-herdeiros e missionários da boa nova.

3.O batismo foi instituído pelo próprio Jesus ao ser batizado, e próprio Jesus faz um apelo Batizar quem deseja segui-lo. Em nome do Pai, do Filho e do Espirito Santo.

4.Os primeiros cristãos assumiram a responsabilidade de guardar e valorizar o rito do batismo e Fé cristã para não caírem na banalização.

5.Foi escolher um momento propicio para realizar a inicialização dos convertidos. Iniciação Cristã formada pelo, Batismo, Eucaristia e a Crisma.

6.No tempo da quaresma, a melhor escolha para o rito de iniciação cristã sendo um momento de reflexão e penitencia da comunidade cristã, recorda a Paixão de Jesus.

7.As comunidades são convidadas a reuniões frequentes, durante as quais os bispos (a não ser que se confiem esta tarefa a sacerdotes escolhidos devida à sua competência) comentam a Sagrada Escritura. Os “eleitos” tomam parte, juntamente com os fiéis, nestas assembleias, que, em determinadas Igrejas, são iniciadas ou concluídas por ritos catecúmenas.

8.O símbolo da fé lhes é “entregue” para os eleitos, a pós terem passado por ensinamentos sobre a Fé cristã.

9.A palavra catecumenato procede do verbo grego katechein, que significa ressoar, fazer ecoar junto aos ouvidos. Assim, catecúmeno é aquele que está sendo instruído, catequizado; mais concretamente, “aquele que está sendo iniciado na escuta.

10.Na segunda metade do século II, diante das heresias, se obriga a precisar melhor sua doutrina em fórmulas definitivas e fazer maiores exigências aos candidatos ao Batismo.

11.O período do catecumenato, A preparação próxima tinha início no começo da Quaresma que era o grande retiro dos catecúmenos, acompanhados pelos jejuns e orações dos fiéis.

12. Segundo a Tradição apostólica, é apresentado ao bispo por seu padrinho que dá um depoimento a respeito de suas disposições.

13.Ressuscitado é o centro da vida de fé, o ponto culminante do período de instrução catequética e formação espiritual se dava na celebração pascal do batismo, da confirmação e da sagrada Eucaristia.

14.Iniciação sacramental consta de diversos momentos:  três dias antes do batismo, na quinta-feira anterior à Páscoa. Os eleitos tomam um banho.

15.No sábado se reúnem com o Bispo, que lhes impõe as mãos exorcizando-os, sopra-lhes no rosto e marca-os na fronte, nos ouvidos e nas narinas. Durante a noite inteira faz-se vigília.

16.Vigília pascal celebra-se o rito sacramental propriamente dito: Enquanto os batizandos se preparam para o rito, despojando-se dos seus trajes, o bispo consagra os óleos (o do exorcismo e o da ação de graças, que correspondem aos nossos óleos dos catecúmenos e o santo crisma).

17.Cada candidato pronuncia a renúncia a Satanás e, em seguida, o presbítero o unge com óleo do exorcismo.
18.Segue-se o Batismo, com três imersões, correspondentes à profissão de fé dialogada nas três pessoas da Trindade. Depois do batismo o neófito é ungido com o óleo de ação de graças.

19.Em seguida, os recém-batizados, tendo vestido as suas vestes brancas, se apresentam à comunidade reunida. Neste ponto o bispo cumpre alguns ritos que correspondem ao sacramento da confirmação: imposição das mãos, unção com o óleo de ação de graças, sinal da cruz na fronte, e o beijo de paz ao neófito. Após, os neófitos rezam com todo o povo e participam da Eucaristia.

20.Batismo de infantil,para entendermos essa questão precisaremos abordar dois aspectos:
(1) Nós devemos discutir qual foi o motivo para o batismo infantil criar raízes no terceiro século e tornar-se uma pratica generalizada por volta do quinto século.
(2) Nós devemos mostrar que o batismo infantil não era a prática dos cristãos primitivos no período entre a época dos apóstolos e o século III.
A melhor e mais antiga fonte sobre o batismo de crentes é o Didaquê (ou “O Ensino dos Doze Apóstolos” A.D. 100-110). Este documento entra em mais detalhes sobre o batismo do que qualquer outro tratamento do século II. O Didaquê não estabelece apenas as qualificações morais para quem está prestes a se submeter ao batismo, mas também exige que o candidato ao batismo jejue por um ou dois dias.



Rito do Batismo: Símbolos

Sinal da Cruz: Nosso sinal é a cruz de Cristo. Por isso vamos marcar estas crianças com sinal do Cristo Salvador.

Unção pré-batismal: O Cristo Salvador lhes dê sua força, que ela penetre em suas vidas como este óleo em seus peitos.

Símbolo de Fé: Credo.

Unção pós-batismal (Óleo do Crisma): Agora fazem parte do povo de Deus. Que ele as consagre com o óleo santo para que, inseridas em Cristo, sacerdote, profeta e rei, continuem no seu povo até a vida eterna.

Rito da Luz (Eis a luz de Cristo): Queridas crianças, vocês foram iluminadas por Cristo para se tornarem luz do mundo. Com a ajuda de seus pais e padrinhos caminhem como filhos e filhas da luz.

Veste branca: Queridas crianças, vocês nasceram de novo e se revestiram do Cristo; por isso trazem a veste batismal. Que seus pais e padrinhos os ajudem por sua palavra e exemplo a conservar a dignidade de seus filhos e filhas de Deus até a vida eterna.


Entrega do Sal: No batismo o Sal é o símbolo da conservação. Que a graça de Deus conserve estas crianças, para que tenham vida plena, Vocês são o sal da terra, disse Jesus.

Éfeta (significa abre-te): O Senhor Jesus, que fez os surdos ouvir e os mudos falar, lhe conceda que possa logo ouvir sua Palavra e professar a fé para louvor e glória de Deus Pai.







16/07/2015

Texto da Palestra dada pelo Pe. Luiz Alves de Lima SOBRE Iniciação à Vida Cristã, no I Nordestão de Catequese, em novembro de 2013

I – Iniciação à Vida Cristã A expressão procura traduzir a comunicação de uma fé que não se reduz à intimidade com Jesus Cristo, mas que tenha reflexos e influências vitais na própria existência, levando à participação da comunidade, que no seu conjunto, deve dar Testemunho do Evangelho. “Apesar de todo esforço, o modelo atual de transmissão da fé é precário! A Iniciação Cristã é pobre e fragmentada” (DAp 287). Temos uma multidão de iniciados ontologicamente na fé, mas não existencialmente! (falsa compreensão do princípio: “ex opere operato”). A catequese, como a temos hoje, é fruto de uma longa história. Ela nasceu dentro da estrutura do CATECUMENATO, ou seja, do processo de iniciação cristã, como o longo momento do ensino, da instrução, do aprofundamento doutrinal… Mas tudo isso estava rodeado de muitas outras práticas, que ao longo dos séculos desapareceram… Restou só esse grande momento do ensino, chamado “catequese”…Viviase a época da cristandade! Na verdade, quem iniciava mesmo na fé, era esse ambiente e ar cristão que se respirava por todo lado! Num clima de cristandade tudo já leva à prática cristã. O grande esforço da Pastoral era alimentar e fortificar a fé. 

Hoje: Igreja Missionária. Era (é) uma pastoral mais de conservação ou manutenção, do que propriamente de avanços e conquistas. A catequese, em geral para crianças, se dedicava mais à doutrina... A primeira adesão a Jesus Cristo já era suposta, como fruto da família. Diz o nº 38 das Diretrizes Gerais: “Em outras épocas a apresentação de Jesus se dava através de um mundo que se concebia cristão. Família, sociedade e escola em geral, ao mesmo tempo em que ajudavam a inserir na cultura, apresentavam também a pessoa e a mensagem de Jesus”. E o nº 39 das mesmas Diretrizes Gerais. “Em outras épocas, era possível pressupor que: o primeiro contato com a pessoa e a mensagem de Jesus Cristo acontecia em sociedade, possibilitado pelos diversos mecanismos culturais, fazendo com que a ação evangelizadora se preocupasse mais com a purificação e a retidão doutrinais, com a moral e com os sacramentos”. 

O mundo mudou! O Evangelho já não influencia toda sociedade... Em muitos lugares já se vive uma espécie de pós-cristianismo (CT 57; DGC 110)! Para muitos de nossos contemporâneos o cristianismo já não diz mais nada... não é significativo. . . Ainda as novas DG: Em nossos dias, meios utilizados em outros tempos para o anúncio de Jesus Cristo, já não possuem a mesma eficácia de antes. Olhemos a família, chamada a ser a grande transmissora da fé e dos valores. Tamanhas têm sido as transformações que a instituição familiar já não possui o mesmo fôlego de outras épocas para cumprir essa missão indispensável... Essa situação exige uma radical transformação no modo de concretizar a ação evangelizadora. Aparecida 100d: “Na evangelização, na catequese e, em geral, na pastoral, persistem também linguagens pouco significativas para a cultura atual e em particular, para os jovens. Muitas vezes, as linguagens utilizadas parecem não levar em consideração a mutação dos códigos existencialmente relevantes nas sociedades influenciadas pela pósmodernidade e marcadas por um amplo pluralismo social e cultural”. “As mudanças culturais dificultam a transmissão da Fé por parte da família e da sociedade. Frente a isso, não se vê uma presença importante da Igreja na geração de cultura, de modo especial no mundo universitário e nos meios de comunicação”. Diante desse quadro, “hoje a Igreja retoma e renova sua consciência missionária: ela existe para evangelizar. Esta é sua graça e vocação própria, sua mais profunda identidade (cf. EN 14). No centro dessa questão missionária está o conceito de “evangelizar”! Ou seja “proclamar a Boa Nova de Jesus Cristo”. A Evangelização é propriamente o anúncio de Jesus Cristo, do QUERIGMA! Ou seja: a essência do Evangelho. Todo o sentido e a própria razão de ser da Igreja está em sua ação missionária na sociedade. Ela deve tornar visível e atuante na história a salvação de Jesus Cristo, ela deve ser um autêntico sacramento. Portanto, sua identidade mais profunda é: ser missionária, estar voltada para o mundo, fazer-se compreendida e significativa para seus contemporâneos. 

O NT está cheio de formulações querigmáticas: Jesus é o Senhor, é o único Salvador. Ele morreu pelos nossos pecados e ressuscitou para nossa salvação! Deus amou tanto o mundo que lhe deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. E a vida eterna é esta: que Te conheçam a Ti, ó Pai, como o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, aquele que tu enviaste. Em nosso contexto de um mundo descristianizado, a Catequese assume as características da Evangelização. É uma catequese evangelizadora! Cristo no Centro. A centralidade da proposta de Jesus Cristo. O CRISTOCENTRISMO é um dos princípios fundamentais da evangelização e catequese. O cristocentrismo é trinitário: Jesus revela e conduz ao Pai e ao Espírito Santo O fim de toda a vida cristã é o Pai. Jesus é o “caminho” que conduz ao Pai no Espírito Santo. “Mudanças de época... São tempos propícios para a volta às fontes e busca dos aspectos centrais da fé. Esta é a grande diretriz evangelizadora que, nesse início de séc. XXI acompanha a Igreja: não colocar outro fundamento que não seja Jesus Cristo, o mesmo ontem, hoje e sempre” (DG 2011-2015 nº 240) Aparecida convida “abandonar as ultrapassadas estruturas que já não favoreçam a transmissão da fé” e a uma “conversão pastoral e renovação missionária...” 

(no.375) Conversão Pastoral em Aparecida: Terceira Parte: A VIDA DE JESUS CRISTO PARA NOSSOS POVOS Capítulo 7 - A MISSÃO DOS DISCÍPULOS A SERVIÇO DA VIDA PLENA 7.2 Conversão pastoral e renovação missionária das comunidades No. 280 - Bispos, presbíteros, diáconos permanentes, consagrados e consagradas, leigos e leigas, somos chamados para assumir uma atitude de permanente conversão pastoral, que implica escutar com atenção e discernir “o que o Espírito está dizendo às Igrejas” (Ap 2, 29). No. 384 de Aparecida: A Conversão pastoral de nossas comunidades exige que se passe de uma pastoral de mera conservação para uma pastoral decididamente missionária. Assim, será possível que “o único objetivo do Evangelho continue a penetrar na historia de cada comunidade eclesial” (NMI 12) com novo ardor missionário, fazendo com que a Igreja se manifeste como una mãe que sai ao encontro, uma casa acolhedora, uma escola permanente de comunhão missionária. As Diretr. Gerais citam Aparecida nº 26: “Uma verdadeira conversão pastoral deve estimular-nos e inspirar-nos atitudes e iniciativas de autoavaliação e coragem de mudar e coragem de mudar várias estruturas pastorais em todos os níveis, serviços, organismos e associações. Temos a necessidade urgente de viver na Igreja a paixão que norteia a vida de Jesus Cristo: o Reino de Deus, fonte de graça, justiça, paz e amor. 

Por esse Reino, o Senhor deu sua vida”. Conversão Pastoral: Conversão de uma Igreja de cristandade para uma Igreja missionária; Conversão à realidade do mistério e iniciação a ele; Conversão à recuperação da unidade dos três Sacramentos: Batismo, Confirmação e Eucarístia. Conversão ao catecumenato pré e pós batismal; Aparecida faz distinção entre: INICIAÇÃO CRISTÃ (como catequese básica) e CATEQUESE PERMANENTE (formação continuada) As Diretrizes Gerais falam até em “processo permanente de iniciação” (42), ela deve acontecer não apenas uma vez na vida, mas no sentido que a IVC “não se esgota nos sacramentos do Batismo, Crisma e Eucaristia” (41). O certo é que “o estado permanente de missão só é possível a partir de uma efetiva Iniciação à Vida Cristã” (39) “Assumir a iniciação cristã exige não somente uma renovação da catequese, mas também uma reestruturação de toda a vida pastoral da paróquia”. “Propomos que o processo catequético de formação adotado pela Igreja [primitiva] para a iniciação cristã seja assumido em todo o Continente como a maneira ordinária e indispensável de introdução na vida cristã e como a catequese básica e fundamental. Depois, virá a catequese permanente que continua o processo de amadurecimento da fé”. (DAp 294). A dimensão missionária da iniciação cristã “deve impregnar todas as estruturas eclesiais e todos os planos pastorais da Diocese, paróquias, comunidades religiosas, movimentos e de qualquer instituição da Igreja”. (DAp 365). Processo de iniciação à vida cristã: muito mais exigente e comprometedor do que a tradicional “preparação para os sacramentos” E ainda as Diretrizes Gerais nº 39: “O estado permanente de missão só é possível a partir de uma efetiva iniciação à vida cristã” E no nº 40: “é preciso ajudar as pessoas a conhecer Jesus Cristo, fascinar-se por Ele e optar por segui-Lo”. O Catecumenato descrito no RICA não é só para adultos não batizados, mas também para batizados, não plenamente iniciados ou que querem aprofundar a própria iniciação. Grandes documentos do Concílio: GAUDIUM ET SPES E AD GENTES – Vigência e importância da GS no pós-concílio: diálogo com o mundo, transformação social. A redescoberta da AG hoje: contexto missionário, catecumenal. Hoje mudança de paradigmas. Não só renovar algumas metodologias, novos subsídios e melhorar a formação de catequistas. Não é suficiente uma “maquiagem” no atual modelo. Trata-se de alterar a própria estrutura da tradicional “preparação para os sacramentos” e propor um novo paradigma evangelizador -catequético. Esquema do Texto Baseia-se no insistente pedido de Aparecida: “Impõe-se a tarefa irrenunciável de oferecer uma modalidade [operativa!] de iniciação cristã, que além de marcar o quê, dê também elementos para o quem, o como e o onde se realiza. Dessa forma, assumiremos o desafio de uma nova evangelização, à qual temos sido reiteradamente convocados” (nº 287). A esses 4 elementos (o quê, quem, como e onde) acrescentou-se: por quê? onde? Quem irá fazer isso? Esquema do Texto IVC O texto ficou estruturado em cinco capítulos I – Iniciação à vida cristã: por quê? - Motivações – Therezinha Cruz II – Iniciação à vida cristã: o que é? - Natureza – Pe. L. A. Lima III – Iniciação à vida cristã: como? - Metodologia – Pe. D. Ormonde – Dom Manoel João IV – Iniciação à vida cristã: para quem? - Destinatários – Interlocutores – Ir. Marlene Santos V – Iniciação à vida cristã: com quem? onde? - Agentes e Lugares - Ir. Israel Nery. Cap. I – MOTIVAÇÕES E RAZÕES: POR QUE A INICIAÇÃO CRISTÃ? Parte da indagação sobre o sentido da vida: buscar a fonte do mistério da própria existência, a resposta da fé, insuficiência de respostas apenas doutrinais, adesão vital a Jesus Cristo. O PROCESSO INICIÁTICO é uma necessidade religiosa e antropológica Importância dos ritos, símbolos, celebrações na realidade humana. JESUS assim procedeu: formou aos poucos, houve etapas no envio, na missão, no aprofundamento dos “segredos do Reino”. Os caminhos das primeiras gerações cristãs: o catecumenato. A eficácia do Catecumenato primitivo. Os cristãos formados pelo processo catecumenal e sua influência na sociedade. O DESENVOLVIMENTO DO CATECUMENATO seu início (séc. II), seu ponto alto (séc. III – V) e sua decadência (séc. VI). Cristandade: o catecumenato social (a partir do séc. VII... até hoje?) Apesar dos maravilhosos frutos da Evangelização em muitos lugares e situações: houve e há mais sacramentalização (célebres desobrigas!) que verdadeira iniciação à vida cristã. Fenômeno histórico da secularização e descristianização... medíocre pragmatismo (Ratzinger). Aparecida questiona a maneira como educamos na fé e alimentamos a experiência cristã..: “É um desafio que devemos encarar com decisão, com coragem e criatividade, visto que em muitas partes a iniciação cristã tem sido pobre e fragmentada” (DAp 287). Aparecida: “Uma comunidade que assume a iniciação cristã renova sua vida comunitária e desperta seu caráter missionário. Isso requer novas atitudes pastorais por parte dos bispos, presbíteros, pessoas consagradas e agentes de pastoral” (DAp 291). Perguntas: 1. Aí em sua realidade, quais costumam ser os motivos que as pessoas têm para se aproximar ou se afastar da Igreja? 2. Como seria para você, uma comunidade atraente, de testemunho convincente? 3. Você conhece pessoas batizadas que não se sentem Igreja? Porque será que isso acontece? II – O QUE É INICIAÇÃO Iniciação está sempre relacionada ao mistério. Muitas não se entende o que é Iniciação pois não se entende o que é Mistério... Iniciação não é curso, estudo, treinamento... é muito mais!!! O Catecumenato se inspira em práticas antigas de religiões pagãs (religiões mistéricas). Trata-se de um processo de iniciação, no sentido mais profundo e rico. Etimologia: in - ire = ir para dentro In-iter = en-caminhamento Intro-ducere = conduzir para dentro, introdução. A palavra Iniciação não se encontra na Bíblia, mas muito a palavra Mistério. A Iniciação era uma prática comum, mas não uniforme em todas as comunidades já espalhadas por toda bacia do Mediterrâneo. “A vós é confiado o mistério do Reino de Deus” (Mc 4, 11) Mistério aparece pouco no Antigo Testamento, é muito usado no Corpus Paulinum; significa o desígnio divino de salvação, que para Paulo se concentra na pessoa de Jesus, sua vida, morte e ressurreição. Paulo contrapõe a “sabedoria humana” à “sabedoria misteriosa” de Deus (1Cor 2,7) e diz que sua missão é fazer conhecer a gloriosa riqueza deste mistério em meio aos gentios, ou seja, “o Cristo no meio de vós, esperança da glória” (Cl 1,27) e também iniciar os cristãos “no pleno entendimento e no conhecimento do mistério de Deus, que é Cristo, no qual estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento” (cf. Cl 2,2) IVC 39. A mensagem cristã apresentada como mistério leva naturalmente à realidade da iniciação. Mistério: algo de fascinante, sublime, fantástico, inacessível, surpreendente, deslumbrante... segredo que se manifesta somente aos iniciados. O que é iniciação? É um processo exigente: um itinerário prolongado de preparação e compreensão vital, de acolhimento dos grandes segredos da fé (mistérios), da vida nova revelada em Cristo Jesus e celebrada na liturgia. A catequese, como elemento importante da iniciação à vida cristã, implica: um longo processo vital de introdução dos cristãos ainda não iniciados, seja qual for a sua idade, nos diversos aspectos essenciais da fé cristã. Não confunda estes conceitos: - Enigma e Mistério - Impossível e Mistério - Incognoscível e Mistério - Milagre e Mistério - Mito e Mistério - Problema e Mistério - Segredo e Mistério Não se trata de tudo, mas de um todo elementar e coerente, que forneça base sólida para a caminhada cristã "rumo à maturidade em Cristo". (cf Ef 4,13) A catequese é iniciação aos mistérios da fé. Mistério não é algo intelectual, mas uma realidade, um fato, uma ação, uma experiência vital celebrada e realizada no rito sacramental. MUOTENPLOV = Mystérion = grandes gestos de Deus salvando, desígnios do Pai “escondidos desde toda eternidade e agora revelados em Jesus Cristo”. Mistério = é Deus em nós agindo, salvando. É a revelação do amor do Pai que se torna visível na vida de seu Filho J. Cristo (ações e palavras) e que se prolonga na Igreja. É a presença do ausente! Tertuliano, para fugir da confusão do mistério cristão com os difundidíssimos e abundante O acesso ao mistério não é através de ensino teórico, ou aquisição de certas habilidades. É preciso ser iniciado a essas realidades maravilhosas através de experiências que marcam profundamente a pessoa. Os ritos iniciáticos, tão desenvolvidos na antiguidade... São um caminho eficaz para essa experiência. E mistérios pagãos traduziram por Sacramentum, ou seja, uma marca indelével que o soldado recebia... Outros padres latinos (como S. Ambrósio: De Misteriis) mantiveram o termo original, ou os dois. Mistério é uma realidade salvífica, objeto de Revelação, que se transmite na iniciação religiosa; por isso, se destina só aos “iniciados” (o arcano). Sentido derivado: segredo, coisa oculta, sinal sagrado... Sacramento (CNBB: Bíblia Sagrada, vocabulário final). O acesso ao mistério não é através de ensino teórico, ou aquisição de certas habilidades. É preciso ser iniciado a essas realidades maravilhosas através de experiências que marcam profundamente a pessoa.

 Os ritos iniciáticos, tão desenvolvidos na antiguidade... São um caminho eficaz para essa experiência. Os cristãos lançaram mão da dinâmica das religiões iniciáticas para a transmissão do mistério cristão cujo conteúdo é NOVO ! Para participar do mistério de Cristo Jesus era preciso passar por uma experiência impactante de transformação pessoal e deixar-se envolver pela ação do Espírito. O processo de transmissão da fé tornou-se, sim, iniciático em sua metodologia: descobrir o mistério da pessoa de Jesus e os mistérios do Reino, assumir os compromissos de seu caminho, viver a ascese requerida pela moral cristã... são realidades muito exigentes: Sem um verdadeiro processo de iniciação (catecumenato) não se alcança seu verdadeiro sentido. Quais são estes mistérios? Jesus Cristo Igreja, Sacramentos! mistérios. Jesus Cristo é o Sacramento do Pai. A Igreja é o Sacramento de Jesus Cristo. Os 7 sacramentos são os grandes sinais pelos quais a Igreja manifesta e realiza a ação de Deus que salva hoje! A catequese hoje adquire uma característica iniciática!! A dimensão catecumenal significa que a catequese é: - Experiência de Deus - Aprendizado de leitura bíblica - Celebrativa (símbolos e sinais) - E orante = Escola de oração O que é iniciação? A iniciação consiste num processo a ser percorrido, com metas, exercícios e ritos. Considerada como parte da iniciação cristã, a catequese não é uma supérflua introdução na fé, nem um verniz ou um cursinho de admissão à Igreja. O processo da iniciação: É um processo exigente: um itinerário prolongado de preparação e compreensão vital, de acolhimento dos grandes segredos da fé (mistérios), da vida nova revelada em Cristo Jesus e celebrada na liturgia. Catecumenato: Caminho antigo e eficiente, desenvolvido pelas comunidades cristãs, aprofundado pelos Santos Padres, acolhido e institucionalizado pela autoridade eclesiástica, núcleo do próprio desenvolvimento do ano litúrgico, gerado nesse processo. A mistagogia. Valor e pedagogia do Rito. Os processos iniciáticos, bem vividos, possuem a capacidade de fazer assimilar vitalmente as grandes experiências cristãs. Necessidade de revalorizar hoje esse itinerário iniciáticocatecumenal. Necessidade de formas de catequese que estejam verdadeiramente a serviço da iniciação cristã, na complexidade de suas exigências, como bem afirmam o Diretório Geral para a Catequese e o nosso Diretório Nacional de Catequese. Iniciação não é missão só da catequese: é trabalho de toda a comunidade, principalmente da dimensão litúrgica e dos ministros ordenados! Urgente união entre Liturgia e Catequese! Ênfase do Documento de Aparecida ao falar da necessidade urgente de assumir o processo iniciático na evangelização: “Ou educamos na fé, colocando as pessoas realmente em contato com Jesus Cristo e convidando-as para seu seguimento, ou não cumpriremos nossa missão evangelizadora” (nº 287). Natureza da Iniciação Cristã Teologicamente, a Iniciação Cristã: 1) É obra do amor de Deus. 2) Esta obra divina se realiza na Igreja e pela mediação da Igreja. 3) Requer a decisão livre da pessoa: sentido dos escrutínios. 4) É a participação humana no diálogo da salvação. O modelo do itinerário catecumenal, em sua dimensão litúrgica é o RICA. Rito de Iniciação Cristã de Adultos. Ele possibilita a elaboração de itinerários diversos, de acordo com as necessidades de cada realidade. É um itinerário cristocêntrico e gradual, impregnado do Mistério Pascal. Itinerário catecumenal: * lugar privilegiado de inculturação; * garante uma formação intensa e integral; * está vinculado a ritos, símbolos e sinais; * e está em função da comunidade cristã. CÓDIGO DE DIREITO CANÔNICO: Que os catecúmenos sejam adequadamente iniciados. Estabelece as condições para admitir um adulto ao batismo (Can. 788, 2; 815, 1) RITUAL A INICIAÇÃO CRISTÃ DE ADULTOS (=RICA) : Propõe itinerário progressivo de evangelização, catequese e mistagogia. Atenção: é um livro litúrgico, não catequético!!! Assim temos o seguinte esquema do RICA (Introdução + 6 capítulos + Apêndices ): Introdução ao Rito de Iniciação Cristã de Adultos Cap. I - Ritos do Catecumenato: -Celebração da entrada no Catecumenato -Ritos para o tempo do Catecumenato -Celebração da eleição – no primeiro domingo da Quaresma -Ritos para o tempo de purificação e iluminação (Quaresma) -Ritos de preparação imediata Batismo (no manhã de Sábado Santo) -Celebração dos Sacramentos de iniciação - na Vigília pascal. Cap. II - Ritos ABREVIADOS do Catecumenato. Cap. III - Rito abreviado de iniciação de adultos - em perigo de morte. Cap. IV - Preparação para a Confirmação e a Eucaristia de adultos que, batizados na infância, não receberam a devida catequese. Cap. V - Ritos de iniciação de criança em idade de catequese. Cap. VI - Textos diversos na celebração de iniciação cristã de adultos. Apêndice - Rito de admissão na plena comunhão da Igreja Católica das pessoas já batizadas validamente. O DIRETÓRIO GERAL PARA A CATEQUESE (1997) e O Diretório Nacional de Catequese (2006) optam por uma catequese a serviço da iniciação cristã. A dimensão catecumenal e iniciática é o vértice da catequese. RICA - RITUAL A INICIAÇÃO CRISTÃ DE ADULTOS É organizado em quatro tempos (períodos) e em três celebrações ou etapas, como passagem para o tempo seguinte. No texto: descrição dos quatro tempos com suas três etapas. Faz distinção entre catecúmenos (não batizados) e catequizandos (já batizados). Itinerário Catecumenal conforme o RICA O pré-catecumenato (1º tempo) Rito de admissão ao catecumenato (1ª etapa) O catecumenato (2º. Tempo) Celebração da eleição/inscrição (2ªetapa) Purificação e iluminação (3º. Tempo) Celebração dos Sacr. da Iniciação (3ª etapa) Mistagogia (4ºTempo). O ITINERÁRIO E AS ETAPAS DA INICIAÇÃO CRISTÃ - CATECUMENATO - CONFORME O RICA PRÉ-CATECUMENATO - Etapa do acolhimento na comunidade cristã - Primeira evangelização - Inscrição e colóquio com o catequista. - Ritos Celebração da Entrada CATECUMENATO - Etapa suficientemente longa para: CATEQUESE – REFLEXÃO - APROFUNDAM. – - Vivência cristã (conversão) - Entrosamento com a Igreja. - Ritos Celebração da Eleição PURIFICAÇÃO E ILUMINAÇÃO - QUARESMA - Preparação próxima para Sacramentos - CATEQUESE - Práticas quaresmais (CF, etc.) - Ritos Celebração dos Sacramentos de iniciação cristã na Vigília Pascal MISTAGOGIA Aprofundamento e vivência do mistério cristão-mistério pascal. Terminada a IVC o cristão continua sua formação permanente na C. Nas etapas (grandes celebrações da passagem de um tempo para o outro) são feitas as entregas: - Palavra de Deus - Símbolo da Fé (Credo) - Oração do Senhor... e outras. - Outros rituais: unções, exorcismos, escrutínios. Características complementares O catecumenato é caracterizado pela: - a atenção à formação integral e vivencial, - a dimensão orante, - a prática da caridade e a renúncia de si mesmos, - acompanhamento dos introdutores, - a contribuição dos padrinhos e membros da comunidade, - a participação gradativa nas celebrações da comunidade, - e estímulo ao testemunho de vida, - Íntima cooperação entre catequese e liturgia. Os conteúdos da Catequese dentro do Catecumenato, são os mesmos apresentados pelo DGC e DNC: as sete pedras fundamentais: - As quatro colunas da exposição da fé (dimensão racional, doutrinal) - e As três etapas da história da salvação (dimensão narrativa, vital). As quatro colunas, provindas da tradição dos catecismos, são: a) Crer em Deus, uno e trino, Criador-Salvador-Santificador e seu desígnio salvífico (Credo); b) Celebrar o mistério pascal nos sacramentos que têm o batismo e eucaris-tia como centro (Liturgia -Sacramentos); c) Viver o mandamento do amor a Deus e ao próximo (Bem-aventuranças - mandamentos); d) Rezar para que o Reino se realize (Pai-Nosso). E as três etapas da história da salvação, conteúdo catequético provindo da tradição patrística, são: Antigo Testamento: primeira aliança e prefiguração da nova; Novo Testamento: realização em Jesus Cristo e comunidade apostólica; História da Igreja: desde sua fundação aos dias de hoje. O Catequista hoje, mais do que um pedagogo, deve ser um mistagogo. A palavra mistagogia vem do grego miste + agein. Misté+aguéin = ou seja conduzir ao mistério: Assim como Pedagogia = paidos + agein. Paidós +aguéin = ou seja conduzir a criança. e) Organize-se uma Comissão de Coordenação da Iniciação à Vida Cristã, com os encarregados da tradicional preparação ao Batismo, à Confirmação e à Eucaristia, a ser substituída pelo processo da Iniciação à Vida Cristã. Essa equipe é fundamental para o bom desenvolvimento do processo da Iniciação cf nºs 146-148. Conclusão Palavra final de alegria, otimismo e ação de graças, citando Aparecida: “A alegria do discípulo é antídoto frente a um mundo atemorizado pelo futuro e oprimido pela violência e pelo ódio. [...] Conhecer a Jesus é o melhor presente que qualquer pessoa pode receber; tê-lo encontrado foi o melhor que ocorreu em nossas vidas, e fazê-lo conhecido com nossa palavra e obras é nossa alegria” (DAp 29). Perguntas 1) Quais as propostas deste capítulo que, se forem efetivamente colocadas em prática, ajudarão a transformar a catequese e ajudar a renovar a Igreja? 2) Que sugestões você daria para mudar profundamente o processo de formação dos catequistas e demais agentes de pastoral à luz das orientações desse capítulo? 3) Como deveria ser a mudança das estruturas eclesiais (diocesanas e paroquiais) para que o que se propõe nesse capítulo possa sair do papel e passar para a prática? O SÍNODO E A CATEQUESE O Sínodo dedica duas proposições à catequese. A primeira, tendo em consideração um conceito multissecular de catequese concebida quase que exclusivamente em seu caráter infantil, endereçada à preparação para receber os sacramentos, o Sínodo releva a importância da catequese com adultos, apontando imediatamente para o catecumenato. Assim, pois, afirma a Proposição 28 (intitulada: a Catequese de Adultos): "Não se pode falar de NE se a catequese de adultos for inexistente, fragmentada, fraca ou descuidada”. Quando tais defeitos se fazem presentes, a atividade pastoral se torna um sério desafio.Os tempos, etapas e graus do catecumenato da Igreja mostram como, através da dimensão bíblica, catequética, espiritual e litúrgica, a vida de uma pessoa e sua caminhada de fé podem ser entendidas como uma vocação através da relação com Deus. Nisso, o caráter público da decisão pela fé que o catecúmeno faz, crescendo passo a passo na comunidade e na diocese, tem um impacto positivo em todos os fiéis” (Proposição 28). A 2ª. Proposição a falar da Catequese (no. 29, intitulada "A Catequese, os Catequistas e o Catecismo"), reafirma a importância da catequese na NE, para logo em seguida se deter na pessoa do catequista e do Catecismo da Igreja Católica. Eis o texto: "A catequese renovada é fundamental para a NE. O Sínodo chama a atenção sobre o serviço indispensável que os catequistas prestam às comunidades eclesiais e expressa sua profunda gratidão por sua dedicação. Todos os catequistas, que, por sua vez, são evangelizadores, têm que estar bem preparados. Deve-se fazer todo esforço, dentro das possibilidades da situação local, para proporcionar uma formação de catequistas com um forte caráter eclesial, e que seja igualmente espiritual, doutrinal, bíblica e pedagógica. O testemunho pessoal de fé é, em si mesmo, uma poderosa forma de catequese. O Catecismo da Igreja Católica e seu Compêndio são, antes de tudo, um recurso para o ensino da fé e apoio aos adultos na Igreja em sua missão evangelizadora e de catequese. De acordo com a Carta Apostólica Ministéria Quaedam do Papa Paulo VI, “as Conferências Episcopais, têm a possibilidade de pedir à Santa Sé a instituição do ministério do catequista” (Prop. 29). 

A INICIAÇÃO CRISTÃ NO SÍNODO A Proposição 38 se intitula: A Iniciação Cristã a NE. Num primeiro momento estabelece a importância da Iniciação Cristã dentro da NE, pedindo que ela adquira uma inspiração catecumenal e, consequentemente uma permanente mistagogia. Num momento, timidamente, pede que se dê atenção a uma proposta de Bento XVI em vista de uma mudança na sequência da recepção dos três sacramentos da iniciação. Eis o texto: "O Sínodo declara que a iniciação cristã é um elemento crucial na NE e é o meio pelo qual a Igreja, como mãe, dá à luz seus filhos e se regenera. Portanto, propomos que o tradicional processo de iniciação cristã, que tem se tornado frequentemente em simples preparação próxima aos Sacramentos, seja considerada em todos os lugares com uma inspiração catecumenal, dando maior relevância à permanente mistagogia e, deste modo, tornando-se verdadeira iniciação à vida cristã através dos Sacramentos” (cf. DGC 91). Nesta perspectiva, a situação atual no que diz respeito aos três Sacramentos da iniciação cristã não deixa de ter consequências: apesar da sua unidade teológica, são pastoralmente diversos. Nas comunidades eclesiais essas diferenças não são de caráter doutrinal, mas de critério pastoral. Contudo, o Sínodo pede que se torne um estímulo para as Dioceses e Conferências Episcopais aquilo que o Santo Padre afirmou na Sacramentum Caritatis 18, para que sejam revistas as próprias práticas sobre a iniciação cristã: “Em concreto, é necessário verificar qual seja a prática que melhor pode, efetivamente, ajudar os fiéis a colocarem no centro o Sacramento da Eucaristia, como realidade para qual tende toda a iniciação” (Sacramentum Caritatis 18). (Proposição 38) Ou seja: há uma tímida sugestão que se mude a ordem desses três sacramentos: Batismo, Crisma, Eucaristia.

A RELAÇÃO LITURGIA E CATEQUESE A PARTIR DO RITUAL DA INICIAÇÃO CRISTÃ DE ADULTOS: A iniciação na comunidade primitiva

 RODRIGUES, SÉRGIO AUGUSTO; Dissertação de Mestrado em Teologia Sistemática, na área de concentração em Liturgia. Pontifícia Faculdade de Teologia Nossa Senhora da Assunção, sob a orientação do Pe. Valeriano Santos Costa. 2007 

A iniciação cristã, na Igreja primitiva, era feita através do catecumenato, de forma progressiva, tendo a sua base nos três ritos sacramentais (batismo – confirmação – eucaristia), administrados numa única celebração, na Vigília pascal. 

 Nesta fase da história da Igreja, catequese e liturgia, como iniciação nos costumes cristãos, tinham por objetivo criar no convertido uma atitude pascal, mediante o conhecimento do mistério de Cristo e o apoio da celebração litúrgica da Páscoa, fonte de toda vida cristã. 

1 - A razão de ser do antigo catecumenato 

 A etimologia da palavra catecumenato nos ajuda a entender melhor o seu significado: a palavra catecumenato procede do verbo grego katechein, que significa ressoar, fazer ecoar junto aos ouvidos. Assim, catecúmeno é aquele que está sendo instruído, catequizado; mais concretamente, “aquele que está sendo iniciado na escuta, não de uma palavra qualquer, mas da Palavra de Deus”, de uma palavra que se cumpre na história. A Palavra anunciada pela catequese e proclamada na liturgia. 

As palavras catequese, catecúmeno, catecumenato, provêm do mesmo verbo grego “katechein”. Mas “o uso clássico reservou a palavra catecumenato, para indicar a catequese e iniciação litúrgica dos adultos convertidos que desejavam o batismo”.  Entendese, portanto, por catecumenato em sentido mais clássico, a instituição iniciática de caráter catequético-litúrgico-moral, criada pela Igreja dos primeiros séculos, com a finalidade de preparar e conduzir os convertidos adultos, por meio de um processo constituído por etapas. Este processo conduzia ao encontro pleno com o mistério de Cristo e com a vida da comunidade eclesial, cujo momento culminante se dava pelos ritos de iniciação: batismo, ritos pós-batismais e os outros sacramentos iniciáticos (crisma e eucaristia), normalmente presididos pelo bispo na vigília pascal. O catecumenato é, portanto, uma peça fundamental do conjunto de elementos que compõem o processo de iniciação cristã. Sem ele não se pode considerar que a iniciação tenha chegado à sua plenitude. 

2 - A época apostólica 

 Os elementos do Novo Testamento sobre a iniciação cristã são escassos. Mesmo não encontrando um autêntico e determinado ritual de iniciação, são freqüentes os textos que se referem a uma preparação e a um discernimento anterior à celebração do batismo. 

Prova disso é a descrição viva e impressionante do batismo do ministro da rainha da Etiópia.22 Durante o decurso da leitura escriturística, Filipe anuncia a Boa-Nova de Jesus. Diante do pedido do camareiro pelo batismo vem a resposta: “Sê crês de todo o coração, é possível”. A isso responde o camareiro: “Eu creio que Jesus Cristo é o Filho de Deus”. Então ele manda parar o carro, ambos descem à água e Filipe batiza o eunuco. Esta descrição atesta os primeiros fundamentos para a instituição do catecumenato: instrução, pedido, exame, profissão e preparação imediata, batismo. O que vem depois é um desdobramento natural, “sem qualquer fixação institucional”.23 Uma das preocupações das primeiras comunidades era, portanto, a preparação de seus candidatos ao batismo24 e, no início da Igreja, não havia algo instituído para tal finalidade. Porém, na comunidade cristã, já estava presente o germe da instituição catecumenal, herança da tradição judaica,25 com um conteúdo catecumenal baseado na mensagem de Cristo e nas mesmas exigências de conversão e de fé para o seu seguimento. O catecumenato, porém, como instituição, não foi criada por Cristo. A ordem do Senhor foi: “Pregai o Evangelho” (Mc 16,15). “Ensinai a todas as nações” (Mt 28,19) e batizai-as. “Quem crer e for batizado será salvo” (Mc 16,16). Portanto, desde o início há, no ato sacramental da administração do batismo, uma união tão íntima entre a pregação da Boa Nova, a instrução na fé, o ingresso nas fileiras dos discípulos e o cumprimento de tudo isso,

de modo que a instrução deve preceder ao menos como condição. Cristo uniu o batismo ao anúncio e o conhecimento da Palavra e à iniciação na vida e nos costumes cristãos.26 Os primeiros cristãos agiram como Jesus tinha mandado. Pregaram e batizaram a partir do Pentecostes.27 O livro dos Atos dos Apóstolos revela a ligação entre a catequese e a liturgia: reuniam-se para ouvir a Palavra, partir o pão e tomar parte da vida comunitária e praticar a caridade.28 O evangelista Lucas, no relato dos discípulos de Emaús, amplia o quadro e apresenta um paradigma de integração: a realidade da vida29 a Palavra iluminadora;30 a celebração (fração do pão)31 e a missão.32 As comunidades implantadas e organizadas pelos apóstolos sabiam distinguir entre catequese e liturgia. Pois, o Senhor havia enviado os apóstolos para ensinar e batizar e fazer todos seus discípulos.33 Portanto, alguém se torna discípulo de Jesus na Igreja através da ação litúrgica e da ação evangelizadora da catequese. Isto mostra que, na Igreja apostólica, liturgia e catequese estavam intimamente ligadas entre si na iniciação cristã.  

3 - O antigo catecumenato 

 O catecumenato, no século I, ainda não existe como instituição codificada; o que existe, certamente, é o “processo catecumenal como verdade vivida”.34 O que havia era desde os primeiros tempos da Igreja o firme propósito de discernir a autenticidade dos candidatos ao batismo com a ajuda dos padrinhos e de uma catequese adequada.35 A Igreja vive, no início, uma situação de perseguição em um ambiente pagão e hostil; tem dificuldade de manter a fé, sente a urgência de aprofundar a conversão e de conservar a unidade eclesial. Consciente de que tudo isto exige preparação e discernimento sérios, estabelece um processo catecumenal por etapas em vista de uma conversão sincera e da transformação total de vida.

A grande expansão do cristianismo e o grande número de candidatos levam a pensar numa formação mais profunda e mais exigente daqueles que chegam à fé, numa época em que, de um lado, as perseguições e, de outro, as seitas heterodoxas já tinham levado cristãos à apostasia.


Na segunda metade do século II, a comunidade cristã começa a fazer maiores exigências aos candidatos ao Batismo. Temos, portanto, um ambiente propício para o desenvolvimento do catecumenato, como instituição seriamente organizada. “Os séculos seguintes irão desenvolver, até a perfeição, a instituição do catecumenato, que encontramos no fim do século II”.38 A elaboração de um ritual orgânico e completo começa, portanto, a delinear-se nesta fase e passa a ser um fato no século III, pois a Igreja, diante das heresias,39 se obriga a precisar melhor sua doutrina em fórmulas definitivas e fazer maiores exigências aos candidatos ao Batismo. Na Didaqué, fala-se do batismo, depois de ter sido apresentada a doutrina dos “dois caminhos”,40 há um nexo entre o ensinamento ou catequese e Batismo, que é precedido pelo jejum.41 Segue-se, após o tema do Batismo o do Pai Nosso e da Eucaristia,42 o que poderia ser já um indício do itinerário da iniciação cristã. O mesmo itinerário encontra-se na Apologia I de Justino, em que a relação entre catequese e banho batismal é mais clara. Na descrição de Justino, já se pode entrever um esboço do catecumenato.43 Consideração maior, porém, é a Tradição apostólica, 44 da primeira metade do século III, pois oferece um ritual completo da iniciação cristã. Pela importância desta obra para a compreensão da iniciação cristã nesse período e sua referência na reforma do RICA vamos aqui a ela nos ater mais detalhadamente, sem deixar de fazer referência a outras, identificando a estrutura do catecumenato, composta por cinco etapas:

A apresentação do candidato e a sua admissão após um exame severo

Nem a Tradição apostólica nem Tertuliano45 falam de um rito de admissão ao catecumenato. Aqueles que se apresentam são levados aos “doutores” e se procede a um exame de seu estado de vida, de sua profissão, porque deverão renunciar a tudo o que for contrário à condição de discípulos de Cristo.46 Inicialmente, procede-se a um minucioso exame do candidato, sempre recomendado por um responsável.47 Trata-se de verificar os motivos da conversão, isto é, a sinceridade do candidato, juntamente com os dados relativos ao seu estado familiar (solteiro ou casado), social (livre ou escravo) e profissional (ofício ou trabalho).48 Certos estados e profissões não são aceitos, caso não haja uma mudança. A entrada no catecumenato supõe a evangelização e a conversão primeira, a apresentação pelos padrinhos e o exame de admissão, com o qual, verificada a sinceridade de atitudes, motivos e atividades, o candidato é incluído no grupo dos catecúmenos.

O período do catecumenato

Os candidatos admitidos denominavam-se “catecúmenos” (Katechumenoi) ou “ouvintes” (audientes). Observa-se que, desde o começo, a formação não era puramente intelectual: depois da admissão começa um longo período de formação cristã no qual havia ensino e exigências: arrependimento, fé na Igreja e vida transformada.49 Este período inclui a catequese, a oração e a imposição da mão pelo catequista, que pode ser um clérigo ou um leigo.50 O próprio termo “ouvintes” mostra a importância da catequese durante esta preparação para a iniciação.51 Logo no início, fazia-se uma catequese introdutória, da qual temos um exemplo magnífico na obra de Santo Agostinho, De catechizandis rudibus,52 em que “pela exposição da história salvífica até ao Juízo final deve ser conduzido ao amor, pela fé e pela esperança”.53 É uma exposição feita de tal forma que “aquele que te ouve, ouvindo, creia e, crendo, espere e, esperando, ame”.54 Aos catecúmenos se dava uma instrução especial, separada da comunidade, cujo tempo de instrução e de exercícios, segundo a Tradição apostólica, estendia-se oficialmente por três anos.55 O que conta, porém, não é o tempo, mas a sua conduta para a avaliação feita pela comunidade.56 Caso mostre muito zelo, no entanto, não se levará em conta o tempo, mas o julgamento será feito a partir de sua conduta. Os audientes participam das assembléias dominicais separados dos fiéis, e somente permanecem para a primeira parte da missa, pois ainda não se associam à oração dos batizados.57 Estes não cessam de recomendá-los ao Senhor em sua prece. Tal situação perdurará mesmo quando já tiverem entrado na etapa seguinte de sua preparação até o dia da sua iniciação. Na assembléia dominical, portanto, os catecúmenos estavam presentes só na primeira parte da missa, em cujo final eram despedidos.58 O tempo do catecumenato ou catequese desenvolve a dimensão doutrinal (formação-ilustração), a moral (mudança de costumes-conversão) e a ritual (introdução à oração e os símbolos), e vem a ser como o grande caminho pelo deserto até chegar à terra prometida pelo batismo cristão. A literatura patrística desta época enfatiza a qualidade moral dos candidatos. Os “responsáveis” faziam um acompanhamento do ensinamento dos catequistas e, ao final do catecumenato, testemunhavam diante da Igreja sobre a dignidade dos candidatos. Os catequistas avaliavam o papel dos padrinhos, que guiavam os catecúmenos pelo caminho da conduta cristã. Os catequistas, ainda, ensinavam os catecúmenos a orar, liam e explicavam as Escrituras e os benziam ao final de cada sessão. Baseando-nos nisto, não deveríamos hesitar em considerar as sessões catequéticas durante a época patrística como ritos litúrgicos. Na realidade, se baseavam no formato da liturgia da Palavra, composta pela leitura das Escrituras, ensinamento, oração e bênção.

A preparação próxima para o Batismo

a) Os “eleitos” A outra forma de catequese estava reservada aos eleitos, que estavam próximos de receber os sacramentos de iniciação. Esta etapa do catecumenato se iniciava com uma compreensão mais sistemática das verdades reveladas. A Igreja, durante a época patrística, lhes proporcionava ritos litúrgicos, especialmente à medida que se aproximava o batismo. 

O momento da admissão ao batismo foi importante desde os começos da iniciação. Exigia-se o arrependimento dos pecados, a aceitação da fé da Igreja e a decisão de transformar a própria vida. Era um novo exame sobre a conduta dos catecúmenos durante o tempo de instrução, no qual intervinham de novo os padrinhos 

A preparação próxima tinha início no começo da Quaresma. Durante a quaresma, que era o grande retiro dos catecúmenos, acompanhados pelos jejuns e orações dos fiéis, realizava-se a preparação próxima para o batismo, na noite da Ressurreição,61 em que “toda a comunidade acompanhava os futuros iniciados, renovando seu próprio caminho na direção da regeneração até o momento da eucaristia solene da noite da Ressurreição”.62 Hipólito fala de uma preparação mais intensa nas proximidades desta solenidade.63 Quem assume esse compromisso ganha outro nome: no Oriente, chamam-se photizómenoi (os “iluminados), isto é, aqueles que serão iluminados pela profunda instrução nos mistérios da fé. No Ocidente chamam-se competentes, isto é, aqueles que se empenham pela recepção imediata do Batismo. E, em Roma, chama-se electi, os “eleitos”, isto é, aqueles que foram selecionados e aceitos através do exame do bispo.

b) A inscrição do nome

O catecúmeno, segundo a Tradição apostólica, 65 é apresentado ao bispo por seu padrinho que dá um depoimento a respeito de suas disposições. Da parte do catecúmeno, trata-se de um ato de candidatura e de eleição pela Igreja que o escolhe em nome do Senhor. Este procedimento adquire mais importância, a partir do momento que aumenta o número dos “ouvintes” que não se apressam na direção da fonte da graça. Tal etapa constitui então, mais do que a entrada no catecumenato, o momento quando são determinados os verdadeiros discípulos de Cristo.66 Os exercícios, portanto, concentravam-se agora de tal modo que as últimas semanas de preparação coincidiam com o precioso e oportuno tempo dos cristãos, isto é, o tempo da santa “Quarentena” ou Quaresma. A liturgia quaresmal, ainda hoje, deixa transpirar belas alusões a esse costume. Mesmo que a duração da quaresma variasse conforme as épocas e as Igrejas, via de regra, é no começo do jejum que se dá o acesso a esta intensa preparação.

O tempo da quaresma, desde o seu aparecimento, sempre foi considerado um momento em que se dispensam, de forma mais abundantes, os tesouros da Palavra de Deus. As comunidades são convidadas a reuniões freqüentes, durante as quais os bispos (a não ser que se confiem esta tarefa a sacerdotes escolhidos devida à sua competência) comentam a Sagrada Escritura. Os “eleitos” tomam parte, juntamente com os fiéis, nestas assembléias, que, em determinadas Igrejas, são iniciadas ou concluídas por ritos catecumenais.68 Os “eleitos” são também convocados para catequeses que lhe são próprias, nas quais são expostos os diversos artigos do “Credo”. Terminado este ensinamento e, em dias que variam segundo os costumes locais, dá-se a traditio symboli: o símbolo da fé lhes é “entregue”.

Eles deverão aprendê-lo de cor e serem capazes, no fim da Quaresma, de dizê- lo publicamente, exprimindo desta forma sua adesão pessoal à fé que lhes foi transmitida: “devolvem” o Credo. É a redditio symboli. Diz Santo Agostinho: 

Dentro de oito dias restituireis o que recebestes hoje. Os vossos pais, que vos acolhem hão de ensinar-vos também, para que estejais preparados, e o modo como haveis de permanecer em vigília até o canto do galo, para as orações que aqui celebrais. Começamos a apresentar-vos aqui o Símbolo, para que o aprendais com cuidado; mas ninguém tenha medo; o medo não deve impedir ninguém de o recitar. Tende confiança: nós somos vossos pais, não temos a palmatória nem as varas do mestre da escola. Se alguém se enganar numa palavra, não erre na fé 

As catequeses não são mero ensino intelectual e, menos ainda, exercício escolar. Integram-se na celebração. Geralmente, o comentário do Credo é seguido da explicação do Pater, que será também objeto de uma traditio e de uma redditio.70 A catequese era acompanhada por uma série de exorcismos, com imposição das mãos. Essas cerimônias eram designadas pelo nome de escrutínios, para mostrar que os candidatos recebiam a ação transformadora de Deus em sua luta contra o mal. Em certo sentido, tudo isto fazia parte do processo chamado catequese, “que não se dava como um simples ensinamento em forma de aula, mas que se fazia conjuntamente com os ritos litúrgicos”.

 A iniciação sacramental

O ponto culminante do período de instrução catequética e formação espiritual se dava na celebração pascal do batismo, da confirmação e da sagrada Eucaristia. O Cristo Ressuscitado é o centro da vida de fé, do ensinamento, da liturgia e da vida comunitária, que faz a Igreja ser uma comunidade de fé, de culto e de caridade. As festas pascais são consideradas o tempo mais oportuno para a celebração da iniciação. Tertuliano afirma expressamente: “o dia mais solene para o batismo é por excelência o dia da Páscoa, em que é consumada a paixão do Senhor, na qual somos batizados”,72 de modo que liturgia e catequese se coordenavam, e o batismo se apresentava como participação na Ressurreição de Cristo. Esta iniciação sacramental consta de diversos momentos:73 a) três dias antes do batismo, na quinta-feira anterior à Páscoa, os eleitos tomam um banho; b) na sexta-feira começam o jejum; c) no sábado se reúnem com o Bispo, que lhes impõe as mãos exorcizando-os, sopra-lhes no rosto e marca-os na fronte, nos ouvidos e nas narinas e, d) durante a noite inteira faz-se vigília, rezando e ouvindo a Palavra de Deus. No decorrer da vigília pascal celebra-se o rito sacramental propriamente dito:74 a) Enquanto os batizandos se preparam para o rito, despojando-se dos seus trajes, o bispo consagra os óleos (o do exorcismo e o da ação de graças, que correspondem aos nossos óleos dos catecúmenos e o santo crisma). b) Cada candidato pronuncia a renúncia a Satanás e, em seguida, o presbítero o unge com óleo do exorcismo. c) Segue-se o Batismo, com três imersões, correspondentes à profissão de fé dialogada nas três pessoas da Trindade. d) Depois do batismo o neófito é ungido com o óleo de ação de graças. e) Em seguida, os recém-batizados, tendo vestido as suas vestes brancas, se apresentam à comunidade reunida. Neste ponto o bispo cumpre alguns ritos que correspondem ao sacramento da confirmação: imposição das mãos, unção com o óleo de ação de graças, sinal da cruz na fronte, e o beijo de paz ao neófito. f) Após, os neófitos rezam com todo o povo e participam da Eucaristia. 

Esta primeira participação eucarística é marcada por um rito especial: além do pão e do vinho, os neófitos recebem uma mistura de leite e mel. Como recém-nascidos, abandonaram o Egito da escravidão para habitar “numa terra onde corre leite e mel”.75 A iniciação cristã, na teologia dos Padres, visa a inserção do candidato adulto na comunidade eclesial. O candidato é acolhido como novo membro com a recepção dos três sacramentos da iniciação cristã: batismo, confirmação e eucaristia. Todo aquele que tenha recebido a fé e a tenha confirmado pode aproximar-se do banquete eucarístico. Os processos posteriores de preparação para a confirmação e a recepção da eucaristia, como fazemos hoje, não são concebíveis pela teologia dos Padres. 

A catequese mistagógica 

Durante a semana da páscoa, os neófitos, cheios de alegria e ansiedade, iam diariamente à Igreja para receber as catequeses mistagógicas76 ou sacramentais, para que os recém-iniciados aprofundassem a consciência dos símbolos experimentados. Em algumas igrejas eram instruídos sobre certas exigências morais. Durante esta semana, os neófitos usavam veste branca.77 Os Padres, quando organizavam suas catequeses mistagógicas, levavam em conta não só a instrução, mas o rito, pois sua vivência e compreensão eram ministradas depois da recepção dos sacramentos.

Mesmo que os candidatos ignorassem ainda o total significado e detalhes dos ritos litúrgicos, se consideravam preparados espiritual e moralmente. Durante os oito dias seguintes à celebração, se reuniam ao redor do bispo para revisar a experiência da noite de Páscoa e discernir sobre novos pensamentos doutrinais e espirituais 


Era preciso ser batizado para ter acesso ao mistério do batismo e dos demais sacramentos, pois o mistério tem que ser experimentado antes de poder ser interpretado. E isso não tanto por respeito à lei do arcano, que proibia comunicar os divinos mistérios aos pagãos, mas, sobretudo por causa da convicção de que os sacramentos eram acontecimentos, não noções. Tinha-se por princípio que “a explicação prévia iria tirar do batizando a receptividade para o evento e, conseqüentemente, a experiência do mistério”.79 Era preciso vivê-los primeiro; a explicação vinha depois 80. É o que nos confirma São Cirilo de Jerusalém: 

Desde há muito tempo desejava falar-vos, filhos legítimos e muitos amados da Igreja, sobre estes espirituais e celestes mistérios. Mas como sei bem que a vista é mais fiel que o ouvido, esperei a ocasião presente, para encontrar-vos, depois desta grande noite, mais preparados para compreender o que se vos fala e levar-vos pelas mãos ao prado luminoso e fragrante deste paraíso.

É preciso levar em conta que, para os Padres, os sacramentos não se explicam antes de serem recebidos. Os mistérios primeiro se vivem e somente depois se entendem. Tal concepção é de grande importância para a atividade pastoral, pois permite dar continuidade ao primeiro anúncio e ao catecumenato.82 Certamente vislumbra-se aqui um pensamento comum aos Padres da Igreja, segundo o qual o rito tem um valor propedêutico, isto é, prepara o fiel para um ensinamento mais completo. Não se trata, pois, exclusivamente, de ensinar e de “saber” coisas sobre a fé, mas transmitir o conteúdo da fé da Igreja e, desta maneira, ajudar a mudar de vida, de acordo com a fé, e de conduzir as pessoas às portas do encontro com Jesus Cristo, que vem ao encontro delas pelos sacramentos. À explicação dos mistérios dá-se o nome de catequese mistagógica, pois mistagogia quer dizer, exatamente, “iniciação aos mistérios” ou sacramentos recémcelebrados. A catequese mistagógica83 da semana pascal introduz os neófitos na seqüência do rito ao mistério, à compreensão do que experimentaram na Vigília Pascal. Hipólito observa que, se algo deve ser lembrado aos que tiverem recebido o batismo, o bispo, o fará em segredo, para que os não-fiéis não sejam informados, a não ser depois que o houverem também recebido.84 Dentre as catequeses mistagógicas deste período, tomamos como referência as de Cirilo de Jerusalém. 85 Nas suas cinco últimas catequeses, oferece uma explicação dos ritos do batismo, da confirmação e da eucaristia. Portanto, nesta época, adquirem grande importância as catequeses patrísticas86 sobre a iniciação cristã. Os neófitos mantinham-se de veste branca e completavam a sua instrução sacramental pelas catequeses mistagógicas até o segundo domingo da Páscoa “in albis deponendis” (quando as vestes brancas são depostas). Era assim que terminava a catequese de iniciação na comunidade cristã. Enquanto não acontece todo este processo, não se pode dizer que um cristão tenha completado a iniciação cristã. 




15/07/2015

Imersão ou aspersão? uma história comparada do rito batismal no cristianismo




por João Oliveira Ramos Neto

Sobre o autor[1]

O batismo tem sido praticado por diversas religiões ao longo da História. Não é de hoje que fiéis e devotos percebem na água uma função mística e sagrada de ligação com o transcendente. Segundo Goedert[2], “a palavra batismo, de origem grega, “babtizo” significa primeiramente imergir, afundar, (...); simultaneamente, assume o sentido de purificar (...) lavar.” Inicialmente, nas religiões da Antiguidade, as pessoas praticavam rituais de mergulho na água como meio de purificação. Goedert[3] cita os ritos gregos a Baco e Ísis e os banhos dos egípcios no Rio Nilo, dos babilonenses no Rio Eufrates. Até os dias atuais, os hindus têm o ritual de lavagem no Rio Ganges para purificação. Historicamente, sobre o batismo nas sociedades antigas, é ainda Goedert[4] que afirma: “aspiração inerente a todo homem no desejo de purificar a sua consciência de tudo aquilo que julga ser falta ou pecado.” Na Bíblia, encontramos no livro de Reis a narrativa da cura do general Naamã após mergulhar sete vezes no Rio Jordão (2 Rs 5,14).

É com o surgimento do cristianismo que o ato de mergulhar tomou outro aspecto e ficou conhecido como batismo. No cristianismo, o batismo foi introduzido primeiramente por João Batista (Jo 1,28). Com o surgimento das primeiras comunidades cristãs, o batismo passou a ter o significado de iniciação do novo adepto na comunidade de fé como conseqüência da sua decisão: “Todos os crêem recebem o batismo de água, num ato público e litúrgico que exprime a fé e a concretiza sacramentalmente. Com o batismo, o crente está agregado ao povo messiânico”.[5] Batizar-se, no cristianismo, tornou-se prerrogativa para o pertencimento a uma determinada comunidade. É ainda, sobre o batismo no cristianismo, que Goedert afirma: “é prefigurado por acontecimentos, gestos e sinais (...) intimamente ligados (...) à pertença a um povo e à iniciação em uma comunidade de fé”.[6] A diferença, portanto, do batismo cristão em relação aos rituais antigos está no fato de ter passado a ser praticado uma única vez, não mais como ritual de purificação, mas como ritual de iniciação.

Conforme Silva[7], o rito é um “ato carregado de sentido que se elabora por uma lógica própria”, que ele denomina de “lógica ritual”. E ainda, o rito é uma “relação dos sujeitos com uma realidade social que se constrói ou que se busca garantir a sua manutenção”. Silva também afirma que os ritos são carregados de símbolos. Dessa forma, “comunicam por uma lógica diferenciada da lógica da razão discursiva”. E ainda: “rito é essencialmente valor e emoção (...) comunicação de valor e emoção”.

Conforme Taborda[8], “iniciação” “é um conceito da antropologia e da ciências da religião para designar um conjunto de ritos e instruções orais, cuja finalidade é levar a cabo uma transformação no status religioso e social de determinada pessoa.” Assim, sobre a iniciação, Taborda também afirma que “atinge o indivíduo enquanto membro de uma comunidade e, desta forma, diz respeito à própria comunidade e a transforma”.[9] O cristianismo também foi responsável por introduzir a figura do celebrante. O ritual de mergulho passou a ser, não mais individual ou autônomo, mas praticado por outra pessoa.

O pensamento religioso, para Durkheim[10], é aquele que distingue entre profano e sagrado e é composto pelas crenças e pelos ritos, isto é, aquelas regras de conduta segundo as quais os homens, no âmbito coletivo, devem se comportar em relação às coisas sagradas. São meios pelos quais o grupo social se reafirma periodicamente. Estes ritos podem ser positivos e negativos. Estes são as proibições que preparam o indivíduo para o âmbito do sagrado. Aqueles são as festas e outras celebrações alegres. Dessa forma, entendemos que o rito são atos formalizados portadores de uma dimensão simbólica e, conseqüentemente, portadores de gestos e ações articulados com a crença na transcendência. Portanto, ao ser introduzido no cristianismo, o batismo passou a ser o ritual que separava a pessoa do âmbito do profano, introduzindo-a no âmbito do sagrado, isto é, aqueles que não eram rebatizados, estavam fora da comunidade e estavam no estágio de profano.

No Primeiro Testamento, para os hebreus, o profano e o sagrado se transmitiam por meio do contato. Por isso, desenvolveu-se a necessidade da purificação por meio da água. Mas no período do Primeiro Testamento, entre os judeus, lavava-se não somente as pessoas, mas também os objetos: “E tudo aquilo sobre o que cair alguma coisa deles estando eles mortos será imundo; seja vaso de madeira, ou veste, ou pele, ou saco, qualquer instrumento, com que se faz alguma obra, será posto na água, e será imundo até à tarde; depois será limpo.” (Lv 11,32)

A princípio, o banho na água, para os judeus, servia como ritual de purificação, mas, na Idade Média, passou a servir também como ritual de iniciação para os prosélitos[11], isto é, aqueles indivíduos pertencentes a outros povos que decidiam fazer parte do povo judeu, abraçando a crença destes. Isto porque, os judeus acreditavam ser um povo santo, separado pela sua divindade e, por isso, precisava de um ritual de purificação para aqueles que desejassem fazer parte. Em outras palavras, desenvolveu-se a idéia de que quem não fosse israelita era impuro e precisava passar por um rito de purificação, que ficou designado de “batismo dos prosélitos”. Este tipo de batismo era oficializado por dois rabinos. Goedert[12] também informa que isto se dava pela tradição da história de que o povo hebreu havia sido liberto da opressão egípcia através da travessia milagrosa pelo mar vermelho, o que simbolizava, de certa forma, um batismo.

Gennep[13] foi além da separação entre profano e sagrado e, partindo do social e dentro do contexto do rito, analisou estes como passagens, segundo o qual, os ritos são cerimônias que marcam a mudança de status das pessoas em suas comunidades. Dessa forma, para Gennep, em um ritual, estão presentes três estados: separação, margem e agregação. No cristianismo, o batismo passou a assumir estes estados, no sentido de que o gentio, isto é, o não convertido, encontra-se no estado de separação. Ao se converter ao cristianismo, ele é iniciado em novas doutrinas que o preparam para receber o batismo, mas a conversão antes do batismo ainda não o torna um legítimo membro de sua comunidade. Somente após o batismo é que ele se torna um agregado.

Por causa dessa herança, isto é, o batismo ser um ritual de purificação, ele era praticado pelos cristãos por imersão. Imersão é a forma do batismo ser praticado quando o celebrante mergulha a pessoa completamente na água. No entanto, mudanças na Idade Média levaram o batismo a ser praticado pelos cristãos, não mais por imersão, mas por aspersão. Aspersão é a forma do batismo ser praticado, não mergulhando a pessoa inteiramente na água, mas apenas borrifando um pouco de água na cabeça. Para compreender a transformação do batismo por imersão para o batismo por aspersão, é importante, antes, compreender a diferença entre o batismo infantil e o batismo adulto, outra querela dentro do cristianismo.

Quando a Igreja Católica tornou-se uma Igreja oficial, ela teve a sua teologia baseada nas interpretações e sistematizações doutrinárias dos sacerdotes que ficaram conhecidos como pais apostólicos. Um grande expoente pai apostólico foi Agostinho de Hipona (354-430). Uma das idéias defendidas por ele era a existência do pecado original. Isto é, havia uma corrupção inata no ser - humano que o degradava e, por isso, Agostinho sugeriu a idéia de que as crianças já nasciam corrompidas e por isso, também necessitavam de serem batizadas para alcançar a salvação, a saber, uma vida além-túmulo no paraíso em não no lugar de castigo.

Em relação à incapacidade de discernimento da criança, Agostinho argumentou que a fé dos pais da criança seria um substituto para a mesma. “Se no Mar Vermelho pereceram os egípcios, inimigos o povo de Deus, nas água do batismo, vermelhas pelo sangue de Cristo, que brota do seu lado juntamente com a água, são perdoados os pecados, nossos inimigos.”[14] Portanto, é em Agostinho que surge a idéia de salvação através do batismo para a Igreja Católica e por isso, esta passa a batizar as crianças recém-nascidas. Em Agostinho, o batismo vira um sacramento[15], pois liberta a pessoa do pecado original e a une à Igreja, que responde conscientemente como mediadora pelas crianças.

Se parássemos nesta explicação, estaríamos sendo reducionistas, pois estaríamos negligenciando a importância que a Igreja Católica passou a dar para o sacramento da crisma. Se a Igreja pratica o sacramento do batismo na criança, ela aplica o sacramento da crisma, isto é, a confirmação, no adulto, quando este já está consciente e faz a opção por escolha própria.

Para Taborda[16], o problema está no fato das pessoas participantes da Igreja passar a pensar na crisma como algo separado do batismo como dois eventos distintos cronologicamente e teologicamente: “o batismo a torna filho ou filha no Filho, pela ação do Espírito simbolizada na crisma”[17]. A crisma, explicando de forma breve, surgiu da necessidade de aplicar o sacramento da eucaristia (ceia) no cristão. Biblicamente, como informa ainda Taborda, na Igreja Primitiva, a ministração da ceia é posterior ao batismo (At 16,34. At 11,3. At 9,19). Como, então, passar por um ritual de iniciação que habilite para a participação da ceia se a pessoa já foi batizada quando criança? Através de um segundo ritual de confirmação do batismo. Nas palavras de Taborda[18], tanto o batismo como a crisma são rituais de iniciação: “o batismo a torna membro da Igreja; a crisma acentua que a ação do Espírito a faz Igreja”.

Tendo ficado claro a passagem do batismo de adultos para o batismo de crianças na Igreja Católica, resta compreender também o porquê da passagem do batismo por imersão para o batismo por aspersão. Quanto a isso, Bossy[19] informa que para a Igreja do norte da Europa, o batismo era “um rito de exorcismo[20]”, em que o sacerdote expulsava o Demônio[21] existente na criança.”. Tal prática, acreditava-se, era devido justamente à amarra ao pecado original passado de geração a geração, doutrina que, como vimos, foi proposta por Agostinho. Acreditava-se que a criança precisava ser libertada o mais rápido possível. Após ser exorcizada na porta da Igreja, era então conduzida à pia batismal. No norte da Europa, as pessoas chegaram ainda a acreditar que o batismo dava saúde.

No início, portanto, os dois rituais eram realizados separadamente, sendo que no segundo momento, isto é, o batismo, a criança era mergulhada na água. Essa prática, no entanto, com o passar do tempo, foi substituída por uma pequena borrifação de água na nuca da criança por passarem a assimilar as duas práticas, tanto o exorcismo como o batismo, em um só ritual, dentro do prédio da Igreja e não mais restringindo o primeiro ritual à porta.

É interessante ainda que segundo Gonzalez[22], o batismo também teve um significado especial nas campanhas militares e religiosas dos francos empreendidas e lideradas por Carlos Magno no século VIII. Este imperador acreditava ser possuidor de uma missão cristã de propagar sua fé pela Europa e, nas suas campanhas militares, submetia os outros povos ao batismo. Conforme ainda nos informa Gonzalez[23], havia mesmo uma relação estreita entre o militarismo de Magno e o batismo cristão, uma vez que este imperador acreditava que se os saxões aceitassem o batismo, tornar-se-iam cristãos e deixariam de ser guerreiros, aceitando a cultura dos francos e deixando de ser uma ameaça. Assim, Gonzalez[24] também nos informa que, de fato, o batismo tinha mesmo certo poder de pacificação dos saxões, pois estes acreditavam que uma vez batizados por ordem de Carlos Magno, os seus deuses os abandonariam e, para não ficarem desfavorecidos sem nenhuma proteção divina, passavam a cultuar o Deus dos cristãos.

Transformações políticas na Alta Idade Média levaram à submissão do Estado à Igreja Católica. Por causa de sua estrutura administrativa e sua difusão em todo o Ocidente, a Igreja Católica tornou-se a base do Império Carolíngio. No ano de 754, o chefe franco Pepino entregou as terras da Itália central ao papa Estevão II, o que deu origem ao Estado Pontifício. Os clérigos passaram a participar do conselho real, os bispos passaram a ter poder civil e os livros sagrados passaram a ter força de lei.

É neste contexto político e religioso que Martinho Lutero (1483-1546) realiza a Reforma Protestante no Século XVI. Este evento, que teve como início os questionamentos levantados pelo monge agostiniano, foi responsável pela cisão no cristianismo ocidental. Seu principal questionamento foi contra as indulgência e a usura, práticas que a Igreja medieval havia desenvolvido para comercializar a fé individual. Por outro lado, Lutero, talvez justamente por ser um monge agostiniano, nada questionou sobre o rito do batismo. Seus seguidores mantiveram a mesma prática. Isto é, batizar crianças por aspersão. Tal prática também continuou sendo adotada pelos seguidores do reformador João Calvino (1509-1564).

Para Taborna, o batismo infantil é um ato da Graça[25]. Se por um lado, grupos houveram que questionaram o batismo infantil, como demonstraremos a seguir, pela incapacidade intelectual de uma criança em tomar uma decisão, por outro lado, o batismo é um ato de fé, não no sentido da fé como resposta, como aceitação do oferecimento de Deus mas, a fé que Deus derrama gratuitamente no coração da criança. Taborna destaca: “A vantagem desta postura é acentuar o aspecto fundamental da prioridade da graça, a fé como dom, já que a criança não tem méritos para apresentar diante de Deus.”.[26] Assim, Taborna nos informa que “Lutero louvava a Deus, porque pelo menos esse sacramento se havia conservado ilibado, sem mescla de impurezas humanas. No batismo de crianças, ele via preservado o princípio da “sola gratia.””[27].

Pereira[28] nos informa ainda que, para o reformador suíço Zwínglio, o batismo infantil estava ligado à analogia da circuncisão (ritual judaico de passagem infantil) do Primeiro Testamento, com base em Cl 2,11 que, no Segundo, abarcava toda a totalidade das famílias e nações: “nele fostes circuncidados, por uma circuncisão não feita por mão de homem, mas pelo desvestimento da vossa natureza carnal, essa é a circuncisão de Cristo”. Assim, para Zwínglio, não batizar crianças seria como impedi-las de ir a Cristo. Ao mesmo tempo, baseava-se também nos exemplos bíblicos em que famílias inteiras receberam o batismo na Igreja Primitiva, sendo, portanto, um indício que havia crianças presentes, as quais também receberam o batismo (At 16,33. 18,8. 1Co 1,16).

Mas a Reforma do século XVI não foi protagonizada apenas por Martinho Lutero, João Calvino, o Rei Henrique e o suíço Zwínglio. Um grupo de dissidentes minoritários denominados de Anabatistas foram responsáveis pelo movimento que ficou conhecido como Reforma Radical. O nome, Anabatistas, tem sua origem no grego (“ana”, negação e “baptizo”, batismo) não porque negassem o batismo, mas porque negavam a forma como o batismo era praticado pela Igreja Católica e, posteriormente, pelos demais reformadores, isto é, o batismo infantil. Ressaltemos que os próprios Anabatistas não se viam como rebatizadores, uma vez que não reconheciam o batismo infantil como válido. Ao rebatizar uma determinada pessoa, acreditavam estar realizando o primeiro batismo de fato. Este nome, com tom pejorativo, foi atribuído pela Igreja Católica.

Sobre o questionamento Anabatista, Pereira informa: “Não encontraram vestígio do batismo de crianças na Bíblia e denunciaram-no como uma invenção do Papa e do Demônio”. E ainda: “Batismo, para eles, pressupõe instrução, fé e conversão, que é impossível no caso de infantes.” Por fim, não criam que o batismo poderia conferir salvação, mas “os infantes podem ser salvos pelo sangue de Cristo e o batismo é necessário para membros de igreja como sinal de conversão.”[29]

O senso comum tem, ao longo dos tempos, dado aos Anabatistas a responsabilidade pelo retorno do batismo por imersão, mas esta não foi a principal discussão levantada pelos reformadores radicais. O principal questionamento era referente ao batismo infantil e Pereira nos informa que o primeiro caso de batismo por imersão entre os Anabatistas aconteceu quando o suíço Wolfang Uliman, após converter-se, decidiu-se que seria batizado imergindo-se completamente no Rio Reno. Após este evento, outros adeptos começaram a procurar tal forma de batismo.

A base para isto era encontrada, primeiramente no significado semântico da palavra batismo (imersão, como demonstramos anteriormente) e na leitura que os reformadores ditos radicais faziam da Bíblia, como no texto de Jo 3,23: “batizava em Enom, perto de Salim, pois lá a água era abundante” e At 8,36: “chegaram onde havia água, e disse o eunuco: “Eis aqui água, quem impede que eu seja batizado?””.

O que podemos afirmar, portanto, é que os Anabatistas questionaram o rito do batismo como conseqüência política da união entre Igreja e Estado. Isto é, com a junção da Igreja com o Estado, quem nascia cidadão, era também cristão e já recebia o batismo. Para os Anabatistas, quem nascia era cidadão, pois fazia parte do Estado, mas não era membro da comunidade de fé, porque estar no Estado é estar no estágio profano e, somente após a decisão individual e à submissão consciente ao ritual do batismo é que o novo adepto estava no estágio do sagrado. Logo, as comunidades Anabatistas levantaram o questionamento de que a Igreja deveria ser separada do Estado por causa da convicção de que o mesmo era profano. Assim, a participação na Igreja não se daria de forma automática por todos os cidadãos, mas por decisão individual. Após a decisão individual, a conversão deveria ser demonstrada publicamente por meio do batismo adulto e imerso para se tornar membro de uma dada Igreja local. Isto é, a comunidade de crentes passou a ser formada pela adesão voluntária e não por nascimento.

Este novo dogma oriundo dos Anabatistas passou a influenciar as novas denominações protestantes que surgiram a partir da Reforma. Na atualidade, a Igreja Católica e as denominações protestantes, Luterana e Presbiteriana, herdeiras da Reforma, conservam a prática do batismo infantil por aspersão. Outras denominações cristãs, como a Metodista, são ecléticas e realizam o ritual do batismo tanto por aspersão como por imersão e tanto em adultos como em crianças. E atualmente, a maioria das denominações protestantes, como a Batista, bem como as denominações pentecostais e neopentecostais, no sentido de rito de iniciação, herdeiras do Anabatismo, realizam o batismo por imersão de adultos.

REFERÊNCIAS

BOSSY, John. A cristandade no Ocidente. Lisboa: Edições 70, 1985.

DURKHEIM, Émile. As formas elementares da vida religiosa. São Paulo: Martins Fontes, 2000.

GENNEP, Arnold Van. Os Ritos de Passagem, Petrópolis: Vozes, 1978.

GOEDERT, Valter M. Teologia do Batismo. São Paulo: Paulinas, 1987.

GONZÁLEZ, Justo. Uma história ilustrada do cristianismo. São Paulo: Vida Nova, 1995. Volume 5.

PEREIRA, João Damásio. Os Anabatistas sob o estigma do sectarismo e da violência. Goiânia: UFG, 1994.

SILVA, Wellington Teodoro. Ritual e política: excerto. In: Revista de Estudos da Religião. PUC-SP. N. 2. P. 75-91. Março de 2008. http://www.pucsp.br/rever/rv1_2008/t_silva.pdf Acessado em 14 de fevereiro de 2009.

TABORDA, Francisco. Nas fontes da vida cristã: uma teologia do batismo-crisma. São Paulo: Loyola, 2001.

[1] O autor é aluno do 5º período do curso de Bacharel em Teologia da Faculdade Batista do Rio de Janeiro e mestrando do Programa de Pós-Graduação em História Comparada da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Orientadora: Drª. Maria Regina Cândido).

[2] GOEDERT, Valter M. Teologia do Batismo. P. 8.
[3] Op. Cit.

[4] Op. Cit.

[5] Op. Cit. P. 25.

[6] Op. Cit. P. 5.

[7] SILVA, Wellington Teodoro. Ritual e política: excerto. P. 76.

[8] TABORDA, Francisco. Nas fontes da vida cristã. P. 31.

[9] Op. Cit.

[10] DURKHEIM, Émile. As formas elementares da vida religiosa.

[11] “Prosélito” é um termo grego que significa “aquele que se agrega”. Segundo a tradição hebraica, indica propriamente o estrangeiro, o não-judeu que vem morar em Israel e que ao povo judeu se agrega pela observância de suas leis civis e religiosas.

[12] GOEDERT, Valter M. Teologia do Batismo. P. 23.

[13] GENNEP, Arnold Van. Os Ritos de Passagem.

[14] Citação de Agostinho de Hipona. APUD: GOEDERT, Valter M. Teologia do Batismo. P. 46.

[15] A palavra “Sacramento” significa “uma coisa separada como santa”. Neste caso específico, trata-se da crença na Igreja em um rito instituído por Jesus, transmitido por um texto, mas que não deveria ser apenas lido ou recitado, mas também, encenado.

[16] TABORDA, Francisco. Nas fontes da vida cristã. P. 21.

[17] TABORDA, Francisco. Nas fontes da vida cristã. P. 32.

[18] Op. Cit. P. 31.

[19] BOSSY, John. A cristandade no Ocidente. P. 29.

[20] Exorcismo, neste caso, para Bossy, trata-se do ritual em que se acreditava expulsar o Demônio (ver nota abaixo) que estaria dentro de uma determinada pessoa.

[21] Durante várias épocas, a figura de uma força maléfica sobrenatural tomou diferentes formas em diferentes culturas. Quando se fala em Demônio (do latim Daemon), Bossy está referindo-se ao imaginário medieval em que se concebia o demônio como um espírito do mal, intermediário entre o homem e Deus.

[22] GONZALEZ, Justo. A Era das Trevas. P. 147.

[23] Op. Cit.

[24] Op. Cit.

[25] TABORDA, Francisco. Nas fontes da vida cristã. P. 36.

[26] Op. Cit.

[27] Op. Cit.

[28] PEREIRA, João Damásio. Os Anabatistas sob o estigma do sectarismo e da violência. P. 337.

[29] PEREIRA, João Damásio. Os Anabatistas sob o estigma do sectarismo e da violência. P. 337.

O Batismo Infantil Foi Praticado Pela Igreja Primitiva?

Tradicionalmente, os defensores do batismo infantil (ou pedobatismo) alegam que sua prática remonta aos apóstolos. Entretanto, não há provas para essa afirmação. Não existe nenhuma evidência clara para o batismo infantil anterior ao terceiro século.  Até mesmo a declaração de Agostinho de que o batismo infantil era um “costume firmemente estabelecido” na igreja está imprecisa. Tão tardios quanto os escritos de Agostinho (final do quarto e início do quinto século), muitos pais da igreja também não praticaram o batismo infantil ou nem mesmo eles próprios receberam o batismo até se tornarem adultos. Somente após a morte de Agostinho, no século V, poderíamos nos referir ao batismo infantil como um costume firmemente estabelecido.
Para entendermos essa questão precisaremos abordar dois aspectos:
(1) Nós devemos discutir qual foi o motivo para o batismo infantil criar raízes no terceiro século e tornar-se uma pratica generalizada por volta do quinto século.
(2) Nós devemos mostrar que o batismo infantil não era a prática dos cristãos primitivos no período entre a época dos apóstolos e o século III.
Entretanto, antes de fazermos essas duas coisas, devemos ter em mente a ideia principal que parece dirigir o argumento pedobatista ao longo da história: Se o batismo infantil foi uma adição tardia, então por que não houve controvérsia sobre sua introdução dentro das igrejas? A resposta a essa questão é dupla: em primeiro lugar, não há evidência clara do batismo infantil anterior ao terceiro século, e o pedobatista deve lidar com isso. Quaisquer discussões sobre a razão pela qual o batismo infantil veio à cena com pouca oposição registrada não obscurece o fato de que o batismo de crentes é a prática evidente antes do século III ― e o batismo infantil não é. Em segundo lugar, Tertuliano argumentou contra a introdução do batismo infantil, o que nós discutiremos em breve.
Agora, voltando ao aspecto (1), por que o batismo infantil foi introduzido no terceiro século? Sobre isso, há duas coisas que temos de discutir: primeiro, o sistema catecúmeno, e segundo, a questão da condenação infantil e a regeneração batismal. O sistema catecúmeno já estava estabelecido no início do século II. Nesse sistema, as pessoas se submetiam a um período de instrução depois da conversão e antes do batismo. Os primeiros pais da igreja colocaram tanta ênfase na instrução na fé como algo precedente ao batismo, que a maioria dos convertidos se submeteu a meses ou anos de instrução catequética antes de se batizar.
Muitos dos mais conhecidos pais da igreja submeteram-se a tais catequeses e não receberam o batismo até a maioridade, mesmo sendo filhos de pais cristãos. Isso inclui, entre outros, homens como Atanásio, Basílio, Clemente de Alexandria, Hipólito, Gregório de Nissa, Crisóstomo, Jerônimo e o próprio Agostinho. [1] Se o batismo de crianças era um costume desde o tempo dos apóstolos, certamente esses homens teriam sido batizados antes da idade adulta. No entanto, esses homens foram resultados do sistema catecúmeno. Eles foram catecúmenos que se submeteram a instrução na fé por muitos anos antes de serem admitidos no batismo.
Assim, dado esse contexto, como o batismo infantil veio a substituir o sistema catecúmeno? Foi simplesmente assim: As pessoas começaram a crer na errônea doutrina da condenação dos infantes e na regeneração batismal, o que logo se tornou comum nas igrejas.
Agora, analisando o aspeco (2), nós devemos lidar com as provas existentes, anteriores ao terceiro século, de que o batismo era administrado somente aos crentes e não aos infantes. [2] O melhor lugar para começar é na igreja primitiva do século II. Toda referência que nós encontramos na igreja do segundo século apresenta a confissão de fé como uma qualificação essencial para o batismo. [3]
A melhor e mais antiga fonte sobre o batismo de crentes é o Didaquê (ou “O Ensino dos Doze Apóstolos” A.D. 100-110). Este documento entra em mais detalhes sobre o batismo do que qualquer outro tratamento do século II. O Didaquê não estabelece apenas as qualificações morais para quem está prestes a se submeter ao batismo, mas também exige que o candidato ao batismo jejue por um ou dois dias. [4]
Paul K. Jewett pergunta, “como é que vamos explicar a omissão de qualquer referência ao pedobatismo neste manual primitivo sobre o uso adequado do batismo? É difícil imaginar tal omissão ocorrendo sobre a tutela de Católicos Romanos, Anglicanos, Luteranos, ou mesmo Presbiterianos, Metodistas ou congregacionais…. Não é, portanto, altamente implausível que o Didaquê tenha sido produzido por uma comunidade de Pedobatistas primitivos que apenas nada disseram sobre o batismo infantil?” [5]
Todas as outras referências ao batismo no século II rendem os mesmos resultados. Pedobatistas têm há muito tentado atribuir um sentido incorreto a Justino Mártir como se ele ensinasse o batismo infantil quando ele fala de “muitos homens e mulheres que, tornando-se discípulos de Cristo desde criança, permanecem incorruptos até os sessenta e setenta anos”. [6] No entanto, nenhum Batista negaria que se uma criança é madura o suficiente para ser um “discípulo de Cristo” ― e é um ―então ela pode ser admitida para o batismo. Longe de suportar o batismo infantil, o comentário de Justino Mártir suporta o batismo de discípulos.
Muitos autores pedobatistas, tais como Joachim Jeremias, têm dito que Irineu cria no batismo infantil, por causa de sua declaração (c. A.D. 180) de que, através de Cristo, pessoas de todas as idades são renascidas, incluindo infantes. [7] Entretanto, como argumenta Everett Ferguson, “Antes de nos precipitarmos em aceitar uma referência ao batismo infantil aqui, devemos ser cautelosos”. Ferguson argumenta que Irineu usa o termo “renascer” (renascor) para a “a obra de Jesus de renovação e rejuvenescimento concretizada pelo seu nascimento e ressurreição, sem qualquer referência ao batismo. . . . A vinda de Jesus trouxe um recomeço a toda a raça humana. Ele santificou todas as idades da vida. Aceitar sua renovação ao ser batizado é outra questão e cai fora do âmbito desta passagem”. [8] Essa é a interpretação padrão batista articulada por autores tais como Hezekiah Harvey and Paul King Jewett. No entanto, essa visão sobre Irineu é também compartilhada por pedobatistas como Kurt Aland. [9]
A medida que avançamos para o início do terceiro século, nós encontramos Tertuliano, que escreveu o primeiro tratado completo sobre batismo, De baptismo. Favorecendo fortemente o sistema catecúmeno, ele acreditava que as pessoas deveriam adiar o batismo até que elas fossem instruídas na fé por um longo tempo: “Por conseguinte, tendo em conta as circunstâncias e a vontade, até mesmo a idade de cada pessoa, o adiamento do Batismo é mais vantajoso , em particular, no entanto, no caso de crianças. . . . O Senhor, na verdade diz: ‘Não as impeçais de vir a mim’ (Mt 19). Que venham, então, enquanto elas estão crescendo; venham enquanto estão aprendendo, enquanto elas estão sendo ensinadas para onde devem vir; deixai-as tornarem-se cristãs, quando elas foram capazes de conhecer a Cristo. Por que se apressa a idade da inocência para a remissão dos pecados?” [10] Esta passagem mostra que Tertuliano écontrário ao batismo infantil, precisamente porque ele é a favor do batismo de crentes.
Batistas, é claro, concordam que o batismo infantil criou raízes no terceiro século. Pais da igreja como Cipriano, Orígenes e Agostinho o aprovaram. No entanto, Orígenes foi defensivo sobre o assunto, dizendo que o batismo de infantes “é uma coisa que causa frequentes questionamentos entre os irmãos”. [11] Essa declaração trabalha contra o argumento pedobatista de que ninguém protestou contra a introdução gradativa do batismo infantil.
Não há nenhuma evidência direta para a afirmação de que o batismo infantil era praticado nos primeiros dois séculos da igreja cristã. Pelo contrário, toda a evidência estabelece crentes como os únicos sujeitos aptos para o batismo antes do século III. Quando colocado ao lado dos dados do Novo Testamento sobre o batismo, isso demonstra que o batismo apostólico era para crentes somente.
Fonte: http://www.fwbtheology.com/was-infant-baptism-practiced-in-early-christianity/
Tradução/adaptação: Samuel Coutinho
________________________
[1] HARVEY, Hezekiah. The Church: Its Polity and Ordinances (Philadelphia: American Baptist Publication Society, 1879; repr. Rochester, NY: Backus, 1982), 211; ARGYLE, A. W. “Baptism in the Early Christian Centuries,” inChristian Baptism, ed . A. Gilmore (Chicago: Judson, 1959), 187, 202-03, 208.
[2] Para um dos melhores e mais sucintos tratamentos da visão dos cristãos primitivos sobre o batismo, ver Paul King Jewett, Infant Baptism and the Covenant of Grace(Grand Rapids: Eerdmans, 1978). 13-43. Ver também Steven McKinion, “Baptism in the Patristic Writings,” em Thomas R. Schreiner e Shawn D. Wright, eds., Believer’s Baptism: Sign of the New Covenant in Christ(Nashville: B&H Academic, 1006), 163-88.
[3] Ver, p. ex., A Epístola de Barnabé (c. A.D. 120-130), o qual advoga o batismo de crentes somente: “Nós descemos para a água cheios de pecados e impurezas, e retornamos dando frutos em nossos corações, temor e esperança em Jesus no Espírito” (Ante-Nicene Christian Library, Apostolic Fathers, I, 121). Obviamente, infantes são incapazes de exibir este tipo de comportamento. Outro exemplo é encontrado no Shepherd de Hermas, escrito na metade do Segundo século. Hermas coloca o arrependimento como condição para o batismo (Jewett, 40).
[4] “Antes de batizar, tanto aquele que batiza como o batizando, bem como aqueles que puderem, devem observar o jejum. Você deve ordenar ao batizando um jejum de um ou dois dias” (Didache, 7.4).
[5] Jewett, 40-41.
[6] Citado em Harvey, 202.
[7] JEREMIAS, Joachim. Infant Baptism in the First Four Centuries. Tradução: David Cairns (Philadelphia: Westminster, 1962), 73.
[8] FERGUSON, Everett. Baptism in the Early Church: History, Theology, and Liturgy in the First Five Centuries (Grand Rapids: Eerdmans, 2009), 308.
[9] Harvey, 203-04; Jewett, 25-27; Kurt Aland, Did the Early Church Baptize Infants? Traduzido por G. R. Beasley-Murray (Philadelphia: Westminster, 1963), 58-59. Para um tratamento batista primitivo de Irineu similar a este, ver John Gill, Infant Baptism a Part and Pillar of Popery (Philadelphia: American Baptist Publication Society, 1851), 22-23. Ver também “The Baptismal Question in the Light of Scripture and Church History,”Freewill Baptist Quarterly 26 (1859), o qual questiona, “Se o batismo infantil era praticado por Cristo e seus apóstolos  e no primeiro e segundo séculos, não é extremamente estranho que nossos amigos pedobatistas não possam encontrar nenhuma prova disso, mas só essa passagem de Irineu, que, afinal, não diz nada sobre o batismo?” (128).
[10] TERTULIANO. Tertullian’s Treatises: Concerning Prayer, Concerning Baptism. Tradução: Alexander Souter (New York: Macmillan, 1919), 69.
[11] Citado em Jewett, 30.

Vida monástica no cristianismo

A vida monástica no cristianismo surgiu como uma forma de busca por uma vida de maior consagração a Deus, com o objetivo de se afastar do mu...