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20/04/2012

Urbano I, Papa

Papa Igreja Cristã Romana (222-230) nascido em Roma, sucedendo São Calisto I (217-222) e cujo pontificado coincidiu com a época de tolerância (222-235) do imperador  Alexandre Severo. Não se conhece quase nada de sua vida e de seu papado e, ao que parece, durante seu papado a Igreja gozava de Paz, mas a sua crescente grandeza excitava o ódio dos pagãos. Determinou que as esmolas e os legados ofertados à Igreja fossem aplicados exclusivamente no sustento dos pobres e do culto divino. Estabeleceu pioneiramente o uso de ouro, prata e pedras preciosas em patenas, cálices e vasos sagrados, destinados ao uso do sacrossanto Sacrifício da Missa e decretou também que o sacramento da Confirmação fosse ministrado, após o Batismo,  pelas  mãos de  um bispo. Organizou a Igreja de Roma em 25 unidades eclesiásticas, as paróquias de Roma e consentiu que a Igreja adquirisse bens. Interveio nas disputas sobre o cisma de Hipólito de Roma e ordenou que o patrimônio da igreja doado pelos fiéis não pudesse ser usado, em hipótese alguma, para outros fins a não ser para o sustento dos próprios missionários. Foi um dos grandes pontífices do início do cristianismo, caluniado e perseguido pelo prefeito Almáquio, de Roma, sob o império de Alexandre Severo, durante seus oito anos de defensor máximo da doutrina cristã, distinguiu-se pelo zelo apostólico. Foi responsável por inúmeras conversões, inclusive, de pessoas  de alta classe social, dentre os quais Valeriano, esposo de Santa Cecília, convertida e martirizada,e de Tibúrcio, seu irmão. No local do martírio de Santa Cecília, em Trastevere, fez construir a Igreja onde repousam os restos da padroeira dos músicos, que primeiramente tinha sido sepultada no cemitério de Calisto. Papa de número 160, morreu em Roma e foi sepultado no cemitério de Pretextato, na Vila Ápia, e foi sucedido por São Ponciano (230-235).

Fonte:

UFCG

Calisto I Papa

Papa (217-222) e santo da Igreja Cristã Romana nascido em Roma, sucessor do papa Zeferino, cujo pontificado foi marcado pelo início do cisma que colocou Hipólito de Roma como antipapa. Era diácono durante o pontificado de São Zeferino e, eleito (217), durante cinco anos, lutou contra a heresia do presbítero e teólogo Hipólito, para preservar a doutrina. Mandou construir as famosas catacumbas da Via Apia, onde foram enterrados 46 Papas e uns 200.000 mártires. Foi acusado por Tertuliano e Hipólito de ser demasiado indulgente ao administrar o sacramento da penitência, quando o papa concedeu a absolvição aos pecadores de adultério, homicídio e apostasia. Até então esta absolvição só era dada uma vez na vida e após uma dura penitência pública, enquanto os reincidentes eram excluídos da comunhão eclesial. Acrescentaram-se às divergências pessoais de oposição, a inveja de Hipólito, que nunca se conformou em ser preferido a ele como sucessor do Papa Zeferino. Hipólito chegou mesmo à ruptura total e fez-se ordenar bispo e fundou uma igreja própria, arrastando no cisma parte do clero e do povo de Roma, defendendo sua radical condenação em relação aos adúlteros, para os quais não aceitava a reconciliação e o perdão, que por sua vez eram concedidos pelo Papa. Inconformado continuou fomentando as acusações, calúnias e interpretações de desprezo à pessoa e ao trabalho do papa. Assim, durante uma rebelião popular, o papa foi espancado e, ainda vivo, jogado em um poço onde hoje se acha a Igreja de Santa Maria, em Trastevere. Enterrado como mártir, em Roma, o local de seu sepulcro gerou o histórico sítio denominado de Catacumbas de São Calisto. O termo catacumba é a denominação dos primitivos cemitérios cristãos, constituídas por galerias, cubículos e outras cavidades. Escavados sob os cemitérios ou terrenos baldios situados fora dos muros das cidades, as catacumbas, numerosas sobretudo em Roma como as de Calisto, Domitilae Priscila, também são encontradas em outras localidades do Império Romano, como Marselha, Sevilha, Siracusa, Poitiers. O cisma continuou durante o pontificado de Ponciano, que contudo conseguiu, com a sua magnanimidade trazer Hipólito e o seu grupo de volta à Igreja, depois de 20 anos de separação.

Zefirino, Papa

Papa da igreja cristã romana (199-217) nascido em Roma, eleito após a morte de São Vítor, pelos fiéis de Roma diante de um angustiosa expectativa em que recorreram à oração, por causa das expectativas pessimistas que ameaçavam desabar sobre a Igreja de Deus. Homem de poucas instruções, eleito decretou, entre outras coisas, o uso de pátenas de vidro e que se consagrasse o Precioso Sangue em vasos de cristal, e não de madeira, como o faziam algumas comunidades pela extrema pobreza dos cristãos. Nomeou seu auxiliar Anzio Calisto, seu futuro substituto como papa, e o encarregou de ampliar o cemitério de Via Apia, onde se encontravam os túmulos de ilustres mártires como São Pretextato e Santa Domitila, parenta do imperador Domiciano. Este célebre cemitério, até hoje conhecido sob o nome de São Calisto, tornou-se ilustre por sua extensão e por possuir local distinto para os sumos pontífices. O imperador Severo, no seu governo (193-211) desencadeou (203-211) uma furiosa perseguição aos Cristãos. Nesta quinta perseguição, só abrandada após a morte do imperador (211), o papa foi fundamental na manutenção da fé e no conforto aos fiéis. Segundo exclamava Tertuliano, na sua fé inabalável,O sangue dos mártires é semente de novos cristãos, até a consumação dos séculos. Passados estes dias de insegurança, o papa empenhou-se em livrar a Igreja da heresia montanista, mas não definiu claramente a sua crença na trindade divina. Recebeu em Roma o fenômeno intelectual daquele tempo, o grande Orígenes. Morreu em Roma, foi enterrado junto ao túmulo de São Tarcísio, e tem sua festa celebrada em 26 de agosto.

Eleutério, Papa

Papa de origem grega da igreja cristã (175-189) nascido em Nicópolis do Épiro, Grécia, sucessor de São Sóter (166-175), que com seu empenho e grandes exemplos a todos os cristãos, atingiu na sua evangelização todas as classes, desde as mais pobres até aos altos escalões sociais, como por exemplo,obteve a conversão de vários nobres romanos, enviou missionários a Inglaterra, combateu as heresias e libertou a Igreja cristã de doutrinas e práticas judaicas. Seu pontificado foi pacífico no início, especialmente por que o extravagante imperador Cômodo, filho de Marco Aurélio, odiado pela alta classe dominante, foi benigno para com os Cristãos. Conta-se que recebeu cartas de Lúcio, rei de uma parte da Bretanha, pedindo sacerdotes que o instruíssem na fé cristã. Seria esse o primeiro chefe bárbaro europeu a se converter ao Cristianismo. Na sua grandiosa obra de conversão e extremo empenho na evangelização de todos, pobres e poderosos, fez com que mandasse os Santos Damião e Fugácio como missionários  para a Inglaterra, que por sua vez batizaram o rei Lúcio (São), sua esposa e grande parte da população. Este papa resolveu a questão, de origem judaica, sobre a distinção entre alimentos puros e impuros. Certos alimentos, por exemplo a carne de porco, não são usados pelos judeus até hoje e esta tradição deve-se às normas erradas de Montano, um herege que pregava em Pepúcia, Frígia, Ásia Menor, com um rigor exagerado, um novo reino de Deus, idealizando para os montanistas um desapego completo, que consistia num jejum quase contínuo, na proibição total das artes, dos espetáculos, das festas, em restrições proibitivas do matrimônio, na necessidade do martírio para se conseguir o Céu. Nessa ocasião os fiéis de Lião, França, enviaram Santo Irineu a Roma para tratar do assunto com o Papa, em um dos primeiros gestos do mundo cristão de recorrer ao santo padre para solução de uma questão de fé, estabelecendo o costume de se considerar o Sucessor de Pedro, como autoridade máxima da Igreja. Também estabeleceu as normas mais antigas que se conhecem das festas de Páscoa. Papa de número 13, morreu martirizado em 25 de setembro (1534), em Roma, e foi sucedido por Paulo III (1534-1549). Sua data celebra-se em 26 de maio e diz uma lenda que durante seu pontificado ocorreu o milagre da legião fulminante, toda ela de cristãos, que levavam sobre ele uma chuva indispensável para lhes aplacar a sede, e sobre os inimigos uma tempestade de raios que os batia em retirada.

Fonte:

UFCG

Vítor I, Papa

Papa e santo afro-italiano da igreja apostólica cristã (189-199) nascido no norte da África, indicado bispo da Igreja de Roma em substituição a São Eleutério, cuja ação mais marcante no seu pontificado para a história do catolicismo foi declarar que água comum, de fonte, de poço, de chuva, do mar etc, poderia, no caso de necessidade, servir para a administração do batismo, em substituição ao emprego de água benta, já tradicional nas cerimônias à época, para a bênção das pias batismais. Filho de Félix, é algo incerta a cronologia deste papa, sendo que alguns, seguindo o historiador Eusébio, relatam seu pontificado como até o ano 202. Teria morrido mártir na quinta perseguição, que foi movida nesse ano pelo imperador Sétimo Severo, ou então pouco antes, em uma sublevação de pagãos.  Sob seu reinado a questão da data pascoal, de novo agitada, deu mais brilho à supremacia do Bispo de Roma. A Igreja conservara do ritual judaico o uso de se consagrarem a Deus vários dias de festas. O sábado, tradição judaica, foi cedo substituído pelo domingo em memória do dia da Ressurreição do Senhor. As festas hebraicas caíram em desuso, menos Pentecostes e Páscoa. Por esta é que se estabelecia todo o calendário judaico cristão. Na Ásia era a Páscoa celebrada no 14° dia do plenilúnio de março. Em Roma pretendia-se que a festa fosse sempre num domingo. Os orientais e sobretudo a metrópole de Éfeso, com seu velho e enérgico bispo dos antigos judaizantes, obstinavam-se na conservação do seu costume. O papa, examinando a opinião das demais Igrejas, fixou a Páscoa para o domingo seguinte ao 13° dia do plenilúnio de março e, 130 anos depois, o memorável Concílio de Nicéia (325) confirmou sua decisão. No final do seu papado desenvolveu-se um fato inaceitável para o cristiamismo de hoje: a Igreja de Roma passou a pregar contra a divindade de Cristo (197). Santificado seu dia é celebrado em 28 de julho.

Fonte:

UFCG

Sotero, Papa

Papa de origem grega da igreja cristã romana (166-175) nascido em Fondi, no reino de Nápoles, substituto de Aniceto e  o primeiro pontífice a prescrever, canonicamente, o caráter sacramental da união, apesar de estar já estabelecida desde os primórdios da Igreja. De descendência grega cristã, nasceu e cresceu dentro de uma esmerada educação católica, de forma que tornou-se uma pessoa muito caritativa e amável e grande luminar na Igreja de Cristo. Assim reconhecido, foi escolhido para assumir o governo da Igreja por unanimidade.durante seu pontificado manteve sua preocupação em relação aos problemas e necessidades da Igreja na terra de seus pais. Apesar dos poucos dados biográficos, sabe-se que seu governo foi marcado pela prática da caridade, o zelo e a compaixão pelos mais humildes e a firmeza da fé com relação aos hereges, como se pode concluir pelos fragmentos de uma interessante carta a ele dirigida por Dionisio de Corinto. Promulgou vários decretos canônicos, dentre os quais, um que proibiu as monjas de tocarem os vasos sagrados e corporais, bem como da administração do incenso em cerimônias da Igreja. Tradicionalmente é lembrado pelo seu costume de fazer o bem para todos os irmãos em muitas formas, e enviar esmolas para muitas igrejas em toda cidade, aliviando a pobreza dos que enviavam pedidos e dos irmãos de fé. Dar esmolas já era um velho e tradicional hábito dos romanos que o santo pontífice não só preservou, mas incentivou, além de consolar com palavras abençoadas todos os irmãos que vieram a ele, como um pai amoroso as suas crianças. Coibiu os abusos e ensinou com caridade a verdade. Seu pontificado foi marcado pela cruel e implacável perseguição que o Imperador Marco Aurélio, o imperador filósofo, sob o qual os cristãos foram cruelmente perseguidos. Durante mais esta perseguição contra os cristãos, muitos deles foram lançados aos leões no anfiteatro, outros despedaçados em cadafalsos, e até outros enterrados vivos. Diante  das constantes perseguições e dos espetáculos de horror, dedicava-se em consolar e atender aos fiéis. Publicou instruções, especialmente através de cartas apostólicas, exortando e animando os atormentados cristãos a perseverarem da fé, sempre unidos e obedientes aos ministros da Igreja, para que juntos pudessem sofrer com paciência e resignação todos as investidas e tormentos que surgiam de todos os lados. Pessoalmente visitava lugares subterrâneos e cavernas usadas como refúgio pelos cristãos, levando sua palavra de alento e confiança, aos fiéis perseguidos pela causa de Cristo. Combateu publicamente à heresia de Montano, iniciada quatro anos antes de ser martirizado, elaborando escritos de alta inspiração, que depois foram continuamente empregados pela Igreja para combater vigorosamente o surgimento de novas heresias. Mesmo enfrentando as constantes e cruéis perseguições, não se curvou ao ver os cristãos de Roma, sendo trucidados aos montes e, como todos os seus predecessores, também foi martirizado, dando sua vida em defesa da fé. O papa de número 12 morreu em Roma, foi substituído por Eleutério (175-189) e é comemorado liturgicamente em 22 de abril. Os mártires cristãos puderam contar com o seu auxílio paternal e ele próprio sofreu o martírio e, canonizado, é comemorado a 22 de abril, juntamente com outro papa, mas não mártir, Caio (283-296). Alguns pesquisadores acham que a Segunda Epístola de Clemente,.foi um dos textos de sua autoria.

Fonte:

UFCG

Pio I, Papa

Décimo papa da igreja apostólica romana (141-155) nascido em Aquiléia, norte da Itália, eleito após três dias de jejum e oração dedicados pelos fiéis romanos na escolha do novo Pontífice, em substituição a Higino (136-140), morto no ano anterior. Como a grande maioria dos primeiros papas, pouco se sabe sobre sua vida, especialmente dados sobre nascimento e infância. Sabe-se que era filho de um homem de nome Rufino de Aquiléia, que tinha um irmão escritor, Hermas, e educado na religião cristã, foi enviado para Roma para aperfeiçoar-se na instrução das letras. Aprofundou-se nos conhecimentos religiosos e foi admitido em um colégio de clérigos regulares por suas virtudes, onde se sobressaiu pelo seu comportamento piedoso. Consagrou bispo regional pelo papa Higino, exerceu funções de coadjutor do pontífice. Na função, acompanhou de perto as lutas empreendidas e instruindo na vigilância pastoral contra as heresias de Valentino e Marcião, e o conseqüente martírio de Higino. Após o martírio do papa, os fiéis romanos submeteram-se a três dias consecutivos de jejum e intensa oração para a escolha do novo Pontífice e ele foi o indicado por sua humildade e fé e se tornou no nono sucessor de Pedro, pelo Liber Pontificalis ou Catálogo Liberiano. No seu pontificado foi estabelecido que a Páscoa fosse celebrada no primeiro domingo após a lua cheia de março. Proibiu a transferência dos bens da Igreja e coibiu a negligência dos sacerdotes na celebração dos divinos ofícios e na administração da Eucaristia. Quando assumiu estava consciente da luta a ser continuada contra os obstáculos de seu predecessor, mas com muita determinação e empenho apostólicos prosseguiu condenando as ainda crescentes heresias. Assim seu pontificado foi marcado por questões envolvendo judeus convertidos e com heresiarcas como os gnósticos Valentino, Cerdão e Márcião, criador das marcionitas, que propagaram doutrinas de fé conflitantes com os ensinamentos da Igreja Cristã defendida pelo papa. Valentino, que tinha aparecido fortemente durante o papado de Higino, aparentemente não progrediu. O gnóstico Cerdão, foi mais ativo em Roma em seu período e Marcião chegou a capital do Império para distribuir suas marcionitas. Por não serem convencidos pelo papa a mudarem seus ensinamentos, todos foram excluídos da comunidade do papa e excomungados. Mas também grandes pensadores e professores da Igreja, como Justino, visitaram Roma que lhe trouxeram o apoio suficiente para consolidar Roma como o centro da Igreja Cristã. Conseguiu finalmente impedir que os ensinamentos de seus opositores se alastrassem danosamente, mas seu sucesso provocou a vingança de alguns magistrados gentis que o denunciaram. Preso, foi submetido a tormentos humilhantes e terminou sendo degolado. O Papa de número 10 foi substituído por Aniceto (155-166) e, santificado, a Igreja comemora sua festa no dia 11 de julho. Seu irmão Hermas, logo após sua morte, escreveu um livro intitulado Pastor, um dos mais antigos documentos sobre os padres apostólicos.

Fonte

Higino, Papa

Papa da Igreja Cristã Romana (136-140) nascido em Atenas, na Grécia, eleito como sucessor do papa Telésforo (125-136) e que ficou conhecido por tornar mais precisa a questão da hierarquia na Igreja e pelo estabelecimento do costume de haver padrinho e madrinha no batismo. Filho de um filósofo grego, assumiu a cadeira apostólica, quando reinava o imperador Antonino Pio. Governou a Igreja por apenas 4 anos e teve um pontificado perturbado pelas perseguições aos cristãos e pelos focos de heresia que começavam a nascer na Igreja dos primeiros tempos. Os inimigos da Igreja perseguiam implacavelmente os cristãos, pois sentiam que a adoração dos seus deuses e ídolos em grave decadência, em contraste com a crescente difusão dos princípios da nova doutrina. Entretanto dirigiu a Igreja Católica com muita determinação e coragem, frutos de sua fé e constantes lutas no empreendimento do plano da Salvação. Como não poderia deixar de ser, seu destino foi o martírio, característica que marcou a ferrenha evangelização de seus predecessores. Contando com a ajuda do filósofo convertido Justino, condenou as heresias e os heresiarcas, e conseguiu triunfar com êxito diante desses perigos. Combatendo publicamente os hereges, converteu muitas pessoas ao retorno da doutrina imaculada. De acordo com Ireneu e Eusébio de Cesaréia, como papa teve de enfrentar um movimento gnóstico do qual fizeram parte Valentim e Cerdão. Ambos ousaram enfrentar Roma, espalhando a heresia do gnosticismo, mistura de doutrinas e práticas religiosas com filosofia e mistérios, cujo princípio fundamental era haver uma fé comum que seria suficiente aos incultos, mas que existiria uma ciência reservada aos doutores que ofereceria a explicação filosófica da fé comum. Os dois hereges foram excomungados pelo papa, que também era um notável filósofo de origem ateniense. No pontificado esmerou-se na preservação da integridade do ensinamento evangélico, mexeu nas estruturas hierárquicas e na cerimônia do batismo, instituiu as ordens menores para melhorar o serviço da Igreja e preparação do sacerdócio. Também empreendeu reforma do clero, definindo os respectivos graus hierárquicos e estabelecendo vários regulamentos disciplinares, ordenando cada um dos graus eclesiásticos e as suas respectivas funções. Estabeleceu ainda muitos decretos, especialmente os que tratavam dos ritos e cerimônias na celebração do Santo Sacrifício e introduziu as figuras do padrinho e da madrinha no rito do Batismo. Para na consagração de novos templos, exigiu que fosse celebrado, antes de tudo, o sacrifício da Missa, e ainda, que as igrejas não fossem erigidas nem demolidas sem expressa licença dos bispos. Proibiu que fosse cedido para usos profanos, qualquer coisa que se relacionasse com o culto divino. Não se sabe exatamente a causa de sua morte, mas se acredita que foi preso e condenado a morte no governo do Imperador Adriano e que também tenha morrido martirizado, em Roma. O papa de número 9 foi enterrado no Vaticano, próximo a tumba de São Pedro e sucedido por São Pio I (141-155). Há dúvidas que tenha morrido realmente martirizado e tem sua festa celebrada no dia 11 de janeiro.

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Alexandre, Papa

Papa católico (107-115) nascido em Roma, o quinto depois de Pedro, sucedendo Evaristo, cujo principal legado foi ter instituído o uso de água benta em casa para aspersão. Apesar de apenas 30 anos de idade, era um homem de extrema firmeza de personalidade e exercia já grande influência sobre as pessoas, pela sua extrema piedade e reconhecida santidade, e foi o responsável pela conversão de centenas de pessoas, muitos senadores e grande parte da nobreza romana, dentre os quais um prefeito de nome Hermes e de seus entes. Durante seu pontificado, estabeleceu que durante a celebração da Eucaristia fosse usado na consagração, pão sem fermento, e também decretou que antes da consagração do cálice com vinho, este fosse misturado a um pouco de água, significando a união de Cristo com sua Igreja. Pronunciou a excomunhão contra todos os que impedissem aos legados apostólicos de cumprirem as ordens do Sumo Pontífice. Consagrou cinco bispos, presbíteros e diáconos e escreveu três epístolas, conhecidas como O primeiro tomo dos Concílios, com decretos e ordens, a bênção da água com sal em cerimônias que até hoje a Igreja celebra. Sua atuação acabou culminando na sua prisão, por força de mandado expedido pelo governador Aureliano.  Trancafiado na cadeia, conta-se que fez grandes milagres. Levado a sua presença por Hermes, após sua filha ser curada de grave enfermidade com o toque das algemas do Santo, o tribuno Quirino, também converteu-se ao cristianismo, com sua filha e todos os prisioneiros que estavam no cárcere. Com esta notícia, Aureliano enfureceu-se e ordenou que os carrascos martirizassem o santo papa. Ele foi arrastado por um cavalo, chicoteado, ferido com cortantes e queimado com chamas até a morte Seus seguidores também sofreram os mesmos  tormentos. Infelizmente, como grande parte de seus contemporâneos cristãos, morreu decapitado sob o reinado de Trajano, imperador romano que procurou substituir o culto a Deus pelo culto ao imperador e a si próprio. O sexto Papa da Igreja deixou para a Igreja, uma bela herança de valiosas normas canônicas e de testemunho cristão em grau elevadíssimo. Foi o sexto a tombar em defesa da fé, foi canonizado, e é um dos santos comemorados no dia 3 de maio.

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Anacleto I, Papa

Terceiro Papa da Igreja Cristã (76-88), que segundo o Liber pontificalis, sucedeu o papa Lino, o segundo papa da Igreja, e tornou-se o seu terceiro mártir. De origem romana, da família dos pretorianos e, convertido à fé cristã, tornou-se discípulo de Pedro, destacando-se por seu grande fervor, admirável devoção aos ensinamentos do mestre e defensor implacável da Igreja. Por causa de sua afabilidade, gozando de simpatia mesmo entre os pagãos, foi indicado pelo papa Lino para importantes trabalhos apostólicos em Roma e vizinhanças. Assumiu o trono pontifício logo após o martírio de seu predecessor, o papa Lino, e enfrentou grandes dificuldades, perseguições e constantes investidas, defendendo com muita coragem as causas da Igreja de Cristo, pastoreando os cristãos com extrema vigilância. Durante onze anos de intensas atividades no trono papal, aproveitou um tempo de paz concedida aos cristãos sob o reinado do imperador Vespasiano para organizar o crescimento da Igreja. Ordenou 25 sacerdotes em Roma, sancionou a veneração ao túmulo de Pedro, erigindo um monumento sobre a sepultura do apóstolo de Cristo. Distribuiu uma série de orientações que condenavam o culto de objetos mágicos e de feitiçaria e outras cerimônias envolvendo deuses pagãos. Os escritos de Ireneu e de Eusébio de Cesaréia confirmam sua eleição como Anacleto I ou abreviadamente como Cleto, o que levou alguns a pensar como se fosse dois papas diferentes. O martirológio romano assinala que morreu martirizado durante o governo do Imperador Domiciano, inimigo mortal dos cristãos e que moveu contra a Igreja uma das mais horríveis e atrozes perseguições. Durante a massacrante perseguição não cessava de percorrer todas as cidades e lugarejos, grutas e cavernas, usadas como esconderijo, procurando consolar e assistir os cristãos. Com a ordem dado pelo imperador aos guardas para que o pontífice romano fosse encontrado de qualquer maneira, acabou sendo preso, arrastado e submetido a diversos tormentos, até ser finalmente martirizado. Como um dos mártires da Igreja Católica, foi sepultado ao lado do túmulo de Pedro e foi substituído pelo papa Clemente I (88-97). Tornou-se um dos santos da  Igreja, cuja comemoração litúrgica é celebrada no dia 27 de abril, data tradicional de seu martírio. Algumas listas contam o final do seu pontificado, e portanto sua morte, em 27 de abril de 92.

Fonte:


29/10/2011

Sérgio e Baco 07 de Outubro

Mártires (†t 297/304)


Diz-se que estes santos eram oficiais do exército romano na fronteira com a Síria. Sérgio era o comandante da escola de recrutas e Baco seu subalterno. Ambos gozavam do prestígio do imperador Maximiano, até o dia em que este se deu conta de que sempre, enquanto ia ao templo de Júpiter oferecer sacrifícios os dois soldados ficavam à porta. Imediatamente os mandou chamar para que tomassem parte da cerimônia. Como se negassem a obedecer, o imperador ordenou que suas insígnias militares fossem retiradas e que fossem vestidos com roupas femininas e levados assim por toda a cidade. Depois os desterrou para Rosafa, na Mesopotâmia, onde o governador mandou que fossem tão cruelmente açoitados que Baco veio a falecer durante as torturas. Seu corpo foi jogado na rua, mas os corvos o protegeram contra a voracidade dos cães. (o mesmo se conta de outros santos). São Sérgio foi obrigado a caminhar um longo trecho com unhas de ferro nos pés, até o local onde foi decapitado. Os martirológios e os escritores eclesiásticos antigos dão testemunho do martírio destes santos, porém os detalhes de sua morte não são fidedignos. No ano 431, Alexandre, o Metropolita de Hierápolis, ordenou restaurar uma igreja que estava sobre o sepulcro de São Sérgio. No século VI, as paredes desta igreja estavam cobertas de prata. Alexandre investiu muito dinheiro na restauração desta igreja e, três anos mais tarde, a região de Rosafa se tornou Diocese, ficando esta igreja fora de sua jurisdição, o que o desagradou muito. Em memória deste santo, a cidade passou a se chamar Sergiopólis. Justiniano a fortificou, honrando particularmente a memória destes mártires. A Igreja de Rosafa era uma das mais famosas do Oriente. Sérgio e Baco, juntamente com Teodoro, Demétrio, Procópio e Jorge eram os patronos do exército Bizantino.
São Sérgio foi martirizado na Cesaréia da Capadócia, no tempo do Imperador Diocleciano. A história do seu martírio é cercada de demonstrações de fé e coragem. Os cristãos tinham convidados pelo governador da Armênia e da Capadócia para uma festa em homenagem a Júpiter e, ao entrarem no salão, foram todos presos e obrigados a adorar o ídolo do Império. São Sérgio reprovou veementemente esse culto e proclamou que somente o Deus vivo, Jesus Cristo, era verdadeiramente digno de louvor. Foi conduzido ao governador, que ordenou imediatamente a sua decapitação. O seu corpo foi recolhido pelos cristãos e enterrado por uma senhora em sua própria casa.

Tradução e publicação neste site
com permissão de:
ortodoxia.org
Trad.: Pe. Pavlos
Fonte:

22/09/2011

Acácio de Melitene, 31 de março

Foi um bispo de Melitene no século III d.C.


Ele viveu no tempo das perseguições aos cristãos do imperador Décio e, embora seja certo que ele fora convocado pelo tribunal de Marciano a dar um testemunho de sua fé, não há certeza de que ele tenha morrido nelas. Ele foi de fato condenado à morte, mas o imperador o liberou da prisão após ele ter sofrido consideravelmente. Ele era famoso pelo esplendor de seus ensinamentos doutrinários e pelos milagres que realizava.

Veneração por Igreja Ortodoxa
Festa litúrgica Varia, mas geralmente em 31 de março

02/09/2011

Serapião, 14 de Novembro

Mártir (+ Alexandria, séc. III)



Foi martirizado no Egito, durante a perseguição do imperador Décio. O historiador Eusébio de Cesaréia registra seu martírio, com as seguintes palavras: "Preso Serapião em sua casa, foram-lhe infligidas cruéis torturas. Desfizeram-lhe todas as juntas dos membros e o precipitaram do andar de cima da casa, de cabeça para baixo".

Assim, ainda jovem ele era discípulo de Santo Antônio, o abade no deserto e foi um grande incentivador de Santo Atanásio de Alexandria, que nos conta isso em seu livro "A vida de Antônio". Nos conta ainda que Serapião visitou Antônio e discutiam vários assunto de alto teor teológico e complexidade e quando Antônio faleceu, deixou para Serapião a sua túnica.

Anos mais tarde, quando Serapião foi consagrado Bispo de Thmuis (perto de Diospolis) no delta do Rio Nilo, ele se tornou uma figura líder nos assuntos eclesiásticos. Ele foi um vigoroso oponente do arianismo (doutrina que dizia que o Filho não era consubstanciado com o Pai).
Por isso ele foi banido pelo imperador Constantino, mas foi chamado de o "grande confessor" por São Jerônimo. Tão logo a blasfêmia do macedonianismo apareceu, Serapião vigorosamente se opôs à negação da Divindade do Espírito Santo e informou Atanásio, que logo em seguida escreveu contra ela em quatro cartas dirigidas a Serapião em 359 (enquanto Atanásio estava escondido no deserto).
A principal fonte para as suas obras é Jerônimo (De Vir. Illus., 99 ). Por ele, sabemos que Serapião também escreveu um excelente livro contra o maniqueísmo, além várias cartas e tratados sobre os Salmos, mas que se perderam com o tempo.

Acima de tudo São Serapião tornou-se conhecido por causa de um escrito sacramentário de sua autoria chamado "Euchologion", que foi descoberto e publicado em 1899. Esta coleção de orações litúrgicas foi traduzido para várias línguas, inclusive o inglês, e era destinado primeiramente aos bispos. Não obstante, é muito usado pelo publico em geral em todo o oriente e pela Igreja Copta. Uma das obras dos apócrifos do Novo Testamento, a Vida de João Batista é atribuída a ele.
























Fonte:

Wikipédia

Teodoro,09 de Novembro

Mártir Ásia Menor, séc. III


São Teodoro, jovem soldado romano, é um dos mais célebres mártires do Oriente. Nasceu na Síria, no final do Século III.

Teodoro pertencia a uma legião romana que havia estabelecido seu quarteirão de inverno na cidade de Amasia, onde os editos de perseguição contra os cristãos eram severamente executados. O jovem soldado, cheio do amor de Jesus Cristo, apesar dos riscos que corria, desprezou o perigo que representava não esconder a sua fé; ao contrário, fez questão de professá-la publicamente. Foi também apresentado como cristão ao tribuno de sua legião. Este perguntou-lhe como ousava professar uma religião proibida sob pena de morte, ao que Teodoro respondeu: “Eu não conheço os vossos ídolos; eu adoro Jesus Cristo, Filho único do meu Deus. Abandono a vós o meu corpo; podeis rasgá-lo, fazê-lo em pedaços, entregá-lo às chamas. Se meus discursos vos ofendem, cortai-me a língua.” O tribuno e os juízes, diante de sua juventude, contentaram-se em ameaçá-lo e deixaram-no em liberdade.

Teodoro sonhava apenas em conquistar almas para Jesus Cristo, em fortalecer os outros irmãos que professavam sua fé; ele teve até mesmo coragem de pôr fogo no templo da deusa Cibele. Foi em vão que tentaram fazê-lo manifestar algum arrependimento a esse respeito: ele enfrentou todas as ameaças da mesma forma como riu de todas as promessas que lhe foram feitas. Foi então cruelmente açoitado e trancado numa masmorra, sem comida, para ali morrer de fome. Durante a noite, Jesus Salvador foi visitá-lo, prometendo-lhe que o alimentaria com um alimento invisível e fortificou-o para o último combate.

Esta visita deu a Teodoro tanta alegria que ele se pôs a cantar louvores a Deus. Conta a lenda que anjos vestidos de branco vieram unir suas vozes à sua. Os carcereiros e os guardas, o juiz em pessoa, todos foram testemunhas deste milagre, porém sem se converterem. Prometeram-lhe que, se ele apenas fingisse a mínima submissão, seria posto em liberdade. Tendo respondido a essas novas súplicas com uma firmeza invencível, Teodoro foi então rasgado com ganchos de ferro, queimaram-lhe as costelas com tochas ardentes, condenando-o depois a ser queimado vivo. O valente soldado, colocado sobre a fogueira, fez sobre si o sinal da Cruz e logo sua bela alma voou para o Céu.

Fonte:
Hágios da Trindade

Santos Escultores, 08 de Novembro

 Mártires (+ Panônia, 306)

Na Panônia, atual Hungria, cinco escultores cristãos foram decapitados porque se recusaram a esculpir estátuas de ídolos. Seus corpos foram lançados ao rio Danúbio.

A Panónia ou Panônia é uma região da Europa Central, banhada pelo rio Danúbio, correspondendo atualmente à parte ocidental da Hungria e oriental da Áustria. Na Antiguidade, era habitada pelos panónios, povo de raça ilírica. Dominada por Roma de 35 a.C. a 10 d.C., era região na fronteira deste império e sofreu o choque de muitas invasões bárbaras. A região foi fortemente romanizada. Cidades principais da época romana: Vindobona (atual Viena), Carnutum (atual Petronell-Carnuntum, na Áustria) e Aquincum (atual Ôbuda, um dos bairros de Budapeste).























23/08/2011

Ambrósio, 07 de Dezembro



Bispo, Confessor e Doutor da Igreja (+ Milão, 397)

Nascido em Trier, na Alemanha, no ano de 340 e falecido em Milão a 4 de abril de 397, provinha de uma antiga família convertida ao Cristianismo, Santo Ambrósio era filho de Ambrósio, prefeito do pretório das Gálias, que dominava os atuais territórios da França, Grã-Bretanha e Espanha, juntamente com Tingitana, em África, e que era uma das quatro maiores prefeituras do Império Romano e o mais alto cargo que algum súbdito poderia ter. Era o mais novo dos seus irmãos, Marcelina, que veio a ser monja, e de Satírio, que se demitiu da prefeitura para viver com Santo Ambrósio, quando este foi nomeado para o episcopado. Após a morte do pai, a família mudou-se para Roma, onde Santo Ambrósio estudou, assistido pela sua irmã Marcelina, religiosa e dez anos mais velha, tendo feito progressos tanto nos seus conhecimentos seculares como nas suas virtudes de piedade. Da irmã, Santo Ambrósio adquiriu o respeito e devoção pela virgindade, traço que marcou a sua vida eclesiástica. Os seus conhecimentos da língua e da literatura gregas foram complementados pelo estudo e pela prática do Direito, tendo-se Santo Ambrósio rapidamente distinguido pela sua eloquência e a habilidade com que defendia as suas causas na corte de Anicius Probus, o prefeito do pretório da Itália, que mais tarde lhe conseguiu, junto do Imperador Valentiniano, a nomeação de cônsul governador da província da Ligúria-Emília, com residência em Milão. O prefeito despediu-se de Santo Ambrósio com as proféticas palavras "Vai, e tem uma conduta não de juiz, mas de bispo". O seu trabalho nesta província granjeou-lhe uma grande estima por parte dos seus súbditos, numa espécie de preparação de uma grande mudança que se viria operar na sua vida, tanto que toda a província e sobretudo a cidade de Milão estava num estado de caos religioso, provocado, sobretudo, pelas intrigas da fação ariana.
A morte do bispo ariano Auxêncio, em 374, encerrou um período de tirania e violenta perseguição dos cristãos da tradição. Os bispos da província, temendo os tumultos previstos por uma consequente substituição, pediram ao imperador um substituto de Auxêncio nomeado por édito imperial. O imperador recusou, alegando que a eleição se deveria processar da forma habitual e recomendou a Santo Ambrósio que mantivesse a ordem na cidade durante este período tão delicado. Na basílica onde estava reunido o clero e o povo, Santo Ambrósio fez um discurso, em tom conciliatório, que apelava à paz e à moderação, de uma extraordinária eloquência. Interrompido pela voz de uma criança que gritou "Ambrósio, bispo", toda a assembleia repetiu estas palavras. Para seu grande espanto, foi ali mesmo aclamado bispo. Apesar de qualquer intervenção divina, Santo Ambrósio era o único candidato possível, dado agradar a cristãos pela sua crença no Credo de Niceia e aos arianos pela sua aversão às controvérsias teológicas. Apesar da sua relutância em aceitar, pela sua falta de preparação para o cargo, a sua nomeação foi confirmada pelo imperador Valentiniano. O santo acabou por aceitar e recebeu o batismo das mãos de um bispo cristão, em 7 de dezembro de 374, seguindo-se a ordenação e a consagração episcopal.
Uma da suas primeiras iniciativas foi despojar-se de todos os seus bens terrenos que deu aos pobres e à Igreja, depois de prover ao sustento da sua irmã. A dedicação do seu irmão Satírio em lhe tratar dos assuntos temporais deixou-lhe mais tempo para se dedicar aos seus deveres espirituais. Dedicou-se ao estudo das Sagradas Escrituras e a sua fama como expositor eloquente da doutrina católica correu o mundo inteiro. O seu poder de oratória valeu-lhe imensos elogios e a conversão do experimentado retórico Santo Agostinho que dizia que "Ele é um daqueles que fala a verdade e fala-a bem, judiciosamente, com precisão, beleza e poder de expressão". Como bispo da corte imperial desenvolveu uma grande atividade política, conseguindo, nos primeiros anos de Valentiniano II, evitar que fosse reerguida no Senado, a estátua da deusa Vitória; protestou, em 388, contra a exigência que o imperador Teodósio queria fazer ao bispo de Calinico de reconstruir a sinagoga destruída por monges daquele lugar e impôs grave penitência ao mesmo imperador por ter mandado massacrar a população de Tessalonica devido a uma revolta que teve lugar em 390.  Os seus discursos de Domingo atraiam multidões à Basílica e um dos seus assuntos favoritos, a importância da virgindade, foi tão bem defendido junto das jovens que as mães as proibiam de ouvir os sermões de Santo Ambrósio. O santo teve mesmo de se defender da acusação de estar a depauperar o império de habitantes dada a grande dificuldade dos jovens em encontrar mulheres para casar. Santo Ambrósio defendia que o aumento da população era diretamente proporcional ao valor dado à virgindade. Era tão estimado pelo seu povo e tão universalmente popular e bem sucedido que a herética imperatriz Justina não tivera coragem de o mandar assassinar ou exilar por medo da reação da multidão. Santo Ambrósio pregou contra o arianismo, opondo-se à imperatriz Justina quando esta assumiu a sua preferência por esta doutrina após a morte do imperador. Quase todas as obras de Santo Ambrósio são de índole eminentemente prática e têm origem nos sermões que pregou, caracterizando-se geralmente por um tom edificante ou de catequese e evitando pretensões filosóficas ou especulativas. Teve ainda o mérito de difundir no Ocidente as doutrinas dos padres gregos, em particular Orígines, Basílio, Dídimo e Atanásio, e de expor com muita clareza o dogma cristão de Éfeso e Caledónia. As suas obras dogmáticas, De fide, De Spiritu Sancto, De incarnationis dominice sacramento são muito simples. Destacam-se os seus escritos sobre a Virgem e a Eucaristia, pois é um dos primeiros padres a dar a Maria um lugar fundamental na moral e na espiritualidade cristãs, considerando-A na sua De institutione virginis como figura da Igreja e segunda Eva, um modelo de virtudes. Foi pioneiro na formulação da doutrina de transubstanciação, em De misteriis, embora sem empregar a palavra.  Santo Ambrósio teve ainda muita importância na concretização dos deveres cristãos e dos ensinamentos morais, fixando a norma do agir com mais clareza sem comparação com nenhum outro até São Tomás, com o tratado De oficiis ministrorum. Os seus escritos sobre a virgindade, De virginibus ad Marcellinam, De verginitate, e Exhortatio virginitatis foram muito influentes no Ocidente. As obras de Santo Ambrósio são preciosas para o conhecimento do culto cristão e da prática sacramental, assim como para o conhecimento dos costumes cristãos da época.
O desgosto marcou os últimos anos de vida de Santo Ambrósio quando, em 393, Valentiniano II foi assassinado na Gália quando o bispo de Milão se lhe juntava para o batizar. O usurpador Eugénio proclamou a sua decisão de restaurar o paganismo romano, mas fê-lo por pouco tempo já que imperador Teodósio derrotou o tirano em 391, tendo depois vindo a morrer em 395. Quando Santo Ambrósio ficou gravemente doente, em 397, o Conde Stilicho com medo que a sua morte implicasse a destruição do império, enviou-lhe uma embaixada implorando-lhe que rezasse a Deus para prolongar os seus dias. Após a sua morte, ocorrida numa Sexta-feira Santa, Santo Ambrósio foi enterrado na Basílica ao lado dos santos mártires Gervásio e Protásio.
Fonte:

Infopédia

Melquíades, 10 de Dezembro

Papa e Mártir (+ Roma, 314)


Sucessor de Santo Eusébio, Melquíades era natural de África - talvez um berbere - e assumiu o trono pontifício em Roma em 311, após o imperador Maxêncio ter exilado Eusébio para a Sicília. Durante seu pontificado, em outubro de 312 dC, Constantino derrotou Maxêncio e assumiu o controle de Roma. Constantino presenteou o papa com o Palácio laterano, que se tornou a residência papal e sede do governo cristão. Logo no início de 313 dC, Constantino e seu companheiro imperador Licínio chegaram a um acordo no Édito de Milão, indicando que eles iriam garantir a liberdade religiosa aos cristãos (e outras religiões) e restaurar as propriedades eclesiásticas. O Liber Pontificalis, compilado a partir do século V dC, atribuiu a introdução de diversos costumes posteriores à Melquìades, incluindo a abstenção do jejum às quintas e domingos, embora os estudiosos atualmente acreditem que estes costumes já existiam no tempo dele.
No século XIII dC, a festa de São Melquíades (como ele então chamado) foi criada, com a classificação incorreta de mártir, no Calendário Romano para ser celebrada em 10 de dezembro.
 Em 1969, ela foi removida deste calendário de celebrações litúrgicas obrigatórias e sua festa foi transferida para o dia de sua morte, 10 de janeiro, com seu nome modificado para Miltíades e sem a indicação de mártir. Também em 313 dC, Melquíades presidiu um Sínodo Laterano em Roma que inocentou Cecílio e condenou Donato Magno como um cismático. Ele foi então convidado para o Concílio de Arles, mas morreu antes de poder participar.

Fonte:

Wikipedia

16/08/2011

Leocádia, 09 de Dezembro

Virgem e Mártir (+ Toledo, 304)

Era jovem, bela e de nobre família. Cristã fervorosa, foi presa durante a perseguição de Diocleciano. Confessou com firmeza sua fé em Jesus Cristo, foi torturada atrozmente e sem se quebrantar recebeu a palma do martírio. É padroeira da cidade de Toledo, na Espanha.

Perseguição de Diocleciano

Foi a última e talvez a mais sangrenta perseguição aos cristãos no Império Romano. Em 303, o imperador Diocleciano e seus colegas Maximiano, Galério e Constâncio emitiram uma série de éditos em que revogavam os direitos legais dos cristãos e exigiam que estes cumprissem as práticas religiosas tradicionais.Decretos posteriores dirigidos ao clero exigiam o sacrifício universal, ordenando a realização de sacrifícios às divindades romanas. A perseguição variou em intensidade nas várias regiões do império: as repressões menos violentas ocorreram na Gália e Britânia, onde se aplicou apenas o primeiro édito; enquanto que as mais violentas se deram nas províncias orientais. Embora as leis persecutórias tenham indo sendo anuladas por diversos imperadores nas épocas subsequentes, tradicionalmente o fim das perseguições aos cristãos foi marcado pelo Édito de Milão de Valério Licínio e Constantino, o Grande.

Primeiro édito

Em 23  de fevereiro de 303 Diocleciano ordenou que a igreja cristã recentemente construída em Nicomédia fosse arrasada, as escrituras queimadas e apoderou-se dos seus tesouros. O dia 23 de fevereiro era a festa da Terminália, em honra a Términus, deus das fronteiras. Os imperadores pensaram que era apropriado: seria o dia em que terminaria o cristianismo No dia seguinte Diocleciano publicou o "Édito contra os cristãos". Os objectivos principais deste édito eram, como já tinham sido durante a perseguição de Valeriano, a propriedade cristã e o clero. O decreto ordenava a destruição das escrituras cristãs, dos livros litúrgicos, e dos lugares de culto em todo o império, e ainda a proibição de fazer construções para o culto. Além disso, estavam os cristãos privados do direito de petição junto dos tribunais, tornando-os alvos potenciais de tortura judicial; Os cristãos não podiam responder às acções interpostas contra si em tribunal; Os senadores, equites, decuriões, veteranos e soldados cristãos foram privados dos seus postos, e os cidadãos imperiais foram reescravizados.
Diocleciano pediu que o édito se exercesse "sem derramamento de sangue", contra as exigências de Galério de que todos os que recusassem o sacrifício deviam ser queimados vivos. Apesar do pedido de Diocleciano, os juízes locais aplicavam muitas execuções durante a perseguição, e a pena de morte era um dos seus poderes discricionários. A recomendação de Galério — execução na fogueira — tornou-se num método comum de execução dos cristãos no Oriente. Depois de o édito ter sido publicado em Nicomédia, um homem chamado Eurius arrancou-o e rasgou-o, gritando "aqui estão os teus triunfos góticos e sármatas". Foi preso por traição, torturado e queimado vivo pouco depois, convertendo-se no primeiro mártir do édito. As medidas do édito foram conhecidas e impostas na Palestina em março ou abril (mesmo antes da Páscoa), e o édito foi usado pelos oficiais locais no Norte de África entre maio e junho. O primeiro mártir em Cesareia Marítima foi executado em 7 de junho; O édito entrou em vigor em Creta a partir de 19 de maio. O primeiro édito foi o único édito legalmente obrigatório no Ocidente.No Oriente, desenvolveu-se progressivamente legislação mais rigorosa.

Segundo, terceiro e quarto éditos

No verão de 303, seguindo uma série de rebeliões em Melitene e Síria, um segundo édito foi publicado, ordenando o arresto e encarceramento de todos os bispos e sacerdotes. Na opinião do historiador Roger Rees, não era logicamente necessário este segundo édito de Diocleciano, indicando que o primeiro édito era inconsistente, ou que não funcionava tão rapidamente quanto era preciso. Depois da publicação do segundo decreto, as prisões ficaram cheias — o sistema penitenciário subdesenvolvido da época não podia manter tantos diáconos, leitores, sacerdotes, bispos e exorcistas. Eusébio de Cesareia escreve que o decreto produziu o encarceramento de muitos sacerdotes e que os criminosos comuns ficaram muito "apertados", e tiveram de os libertar.
Antecipando o vigésimo aniversário do seu reinado em 20 de novembro de 303, Diocleciano declarou uma amnistia geral através de um terceiro édito. Qualquer membro do clero podia ser liberto, desde que concordasse em sacrificar aos deuses Diocleciano poderá ter querido uma boa imagem para a sua legislação, ou também querido abalar a comunidade cristã ao publicitar as apostasias do clero. A exigência de sacrificar era inaceitável para muitos dos aprisionados, mas os guardas obtinham por vezes consentimentos tácitos em tais práticas. Alguns acediam, outros só após serem torturados. Eusébio, no seu Mártires da Palestina, recorda o caso de um homem que após ser conduzido a um altar, completou com as mãos presas uma oferenda de sacrifício, tendo sido rapidamente solto. Outros afirmaram ter sacrificado quando nada tinham feito.
Em 304, o quarto édito ordenava que todas as pessoas, sejam homens, mulheres ou crianças, que se reunissem em lugar público e oferecessem um sacrifício colectivo. Se recusassem, seriam executados. A data precisa do édito é desconhecida,mas terá provavelmente sido emitido em janeiro ou fevereiro de 304, e foi aplicado nos Balcãs em março.O édito foi válido em Tessalónica em abril de 304, e na Palestina pouco depois. Não entrou em vigor, porém, em todos os domínios de Maximiano e Constâncio, tendo no Oriente sido aplicado até ao Édito de Milão de Constantino e Licínio, em 313.

Fonte:

Wikipédia
Lepanto

15/08/2011

Os mártires da Igreja

Os nossos dias exigem muitas coragem para viver. Há tantos motivos de preocupação e tantas angústias, mesmo se, no fundo, é também belo viver neste tempo, tão cheio de esperanças de um futuro mais sereno e mais humano. Muitos arriscam a vida, também, para defender suas idéias e sua liberdade, e não faltam exemplos luminosos de heroísmo. O cristão é levado, igualmente, a arriscar para permanecer tal. Não será verdade, talvez, que em algumas partes da humanidade ainda existe opressão e perseguição, levando os que desejam permanecer fiéis a Cristo a viverem escondidos, como no tempo das perseguições? E, muitas vezes, quando descobertos, pagam com a vida. Mesmo onde não se chega a tanto, há sempre uma perseguição latente: és boicotado, colocam-te mil obstáculos, és ridicularizado só porque queres viver seriamente como cristão! Essa perseguição, entretanto, não é novidade. Desde quando Cristo foi colocado numa cruz, teve início uma longa história que já dura dois mil anos: a história dos mártires cristãos, que jamais conhecerá a palavra "fim". Ele disse: "Se perseguiram-me, perseguirão também a vós". É uma nota característica e perene da Igreja de Cristo: ela é Igreja de Mártires. Existem, porém, algumas páginas nessa história que merecem uma grande atenção, e são as que se referem aos mártires dos primeiros séculos da Igreja Cristã, quando o sangue foi derramado em grande abundância. É muito útil, e até necessário, voltar a essa história (mas atenção: é história verdadeira, não lenda; história documentável, não fábulas ou mitos), porque é uma história que se torna escola: nela aprenderemos a ser também intrépidos na profissão da fé e corajosos na superação das provas do nosso martírio, qualquer que ele seja (...).

  • Os mártires de Alexandria do Egito
    Os mártires da Tebaida
    Os mártires de Tiro da Fenícia
    Os mártires do Ponto
    Martírio de Santa Sinforosa e seus sete filhos
    Martírio dos Santos Ptolomeu, Lúcio e outro desconhecido
    Martírio de São Máximo
    Martírio dos Santos Silitanos
    Martírio dos cristãos de Alexandria
    Martírio de São Marino, centurião

Martírio de São Êuplio, diácono
Os quarenta Mártires de Sebástia
Martírio de São Simeão
Martírio de São Policarpo
Martírio dos santos Carpo, Papilo e Agatonice
Martírio de Santo Apolônio
Martírio de São Piônio
Mártires a não mais acabar
Martírio de São Conão
Martírio dos ascetas Xiamuna e Gurias

Fonte: OS MÀRTIRES DA IGREJA

A construção da imagem do Mártir na obra Apologeticum de Tertuliano

TERTULIANO: UMA ANÁLISE DO MARTIRIO NOS PRIMEIROS
SECULOS DO CRISTIANISMO.

O Martírio é com certeza um dos acontecimentos mais relevantes da história do cristianismo. Vários apologistas destacaram-se dentro do cristianismo, mas poucos da envergadura de Tertuliano. Este Teólogo-Filósofo-Historiador é responsável por toda uma perspectiva sobre o cristianismo que marcou indelevelmente a história do ocidente cristão. Não só no terceiro século, mas todos os pensadores cristãos posteriores são devedores, ao menos parcialmente, de sua perspicácia e capacidade analítica sobre o cristianismo e em especial a sua análise do martírio e sua função dentro da teologia cristã. Para ler o texto completo, clique aqui


Palavras- chave: Tertuliano, Cristianismo,Apologética, Martírio.


Fonte:
 Eduardo Soares de Oliveira

Vida monástica no cristianismo

A vida monástica no cristianismo surgiu como uma forma de busca por uma vida de maior consagração a Deus, com o objetivo de se afastar do mu...