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17/03/2016

O matrimônio – entre o ideal cristão

Por Mestranda em Teologia do Programa de Estudos Pós Graduados em Teologia, PUC/SP. E-mail: reginagraciani@uol.com.br

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No AT, obedece ao desenvolvimento histórico-cultural de Israel: baseado em documentos bem antigos, aparece a família patriarcal, onde o marido é o núcleo fundamental em torno do qual se organiza a família israelita. O matrimônio permite a poligamia, mas a monogamia foi o estado mais frequente na família judaica e considerada a forma ideal (Gn 2,21-24). Ainda relacionado ao matrimônio, há em Israel:

• o tabu do incesto

• o levirato: um irmão ou parente deve dar descendência ao defunto com a viúva

• o divórcio: por meio de libelo ou de repúdio; as mulheres não podiam pedir o divórcio

O casamento adquire um caráter religioso ao ser introduzido no âmbito da Aliança.

O livro de Tobias descreve um matrimônio ideal reunindo todos os elementos positivos: fecundidade, amor personalista, clima religioso. Na família de Tobias se vê como os valores humanos e terrenos são vividos à luz de Deus, com quem o casal trata confidencialmente.

No NT, se vê que a revelação de Jesus Cristo vem completar o mistério do amor conjugal: seu ensinamento se coloca na linha de querer levar à plena realização a realidade do amor tal como foi dado pelo Criador.

A Igreja primitiva, seguindo a orientação de Jesus, se ateve ao ideal de indissolubilidade: entre cristãos não pode existir divórcio. O NT reprova explicitamente o adultério, que é avaliado com gravidade. Além da falta de justiça que ele supõe, expressa no AT, ele adquire maior gravidade por ir contra a indissolubilidade do matrimônio, imagem da união de Cristo com a Igreja, e da igualdade em Cristo.

Na era patrística, o matrimônio é considerado como um âmbito da vida real no qual se devem verificar e pôr à prática as atitudes morais cristãs: é o âmbito da vocação cristã. A doutrina de Clemente de Alexandria diz que os fins do matrimônio não se reduzem à procriação, também contam o mútuo apoio e a vida de relação entre os casados. 

 Há o esboço de uma moral sexual matrimonial nesse sentido, aprofundada por Santo Agostinho. A moralidade da relação conjugal deste santo pode ser sintetizada assim: 

• a procriação dos $lhos é o $m do matrimônio; por conseguinte, o ato conjugal não é pecaminoso, embora ele não encontre nenhum outro ato humano que sirva de ocasião para que se transmita o pecado original; 

• é um ato legítimo e honroso, mais ainda, um dever, enquanto encaminhado para o $m ao qual está naturalmente ordenado. A experiência pessoal pecaminosa de Agostinho vivida em sua própria sexualidade pesou muito na atitude que adotou diante da condição humana. 

Os pensadores posteriores utilizaram tal teologia agostiniana como um critério seletivo, centrando-se principalmente em seus aspectos pessimistas. Assim, por esse caminho, se chegou a identi"car o prazer sexual como uma consequência da queda do homem e um pecado.

Na Idade Média, os séculos XI, XII e XIII foram decisivos para a sacramentalidade matrimonial, quando se esclarece a “essência” do casamento, prevalecendo a perspectiva de contrato diante da consumação sexual.

Para Alberto Magno, não há pecado na cópula matrimonial: a relação carnal entre esposos tem uma "nalidade sacramental além da intenção de procriar. Tomás se afastou da tendência agostiniana de suspeitar de todo prazer: é um fato natural enquanto governado pela razão. Diz ele que “Deus nada faz em vão”; se existem órgãos sexuais, é para que sejam utilizados. 

Dois aspectos re+etem a notável originalidade teórica e a grande sensibilidade prática de Tomás: a vida conjugal como máxima amizade e a instituição matrimonial como bem civil, a dimensão social ou cultural do matrimônio. As seitas heréticas dos séculos XII e XIII atacaram decididamente o conceito do matrimônio e se opuseram a um comportamento sexual normal e equilibrado. Os mais destacados adversários foram os cátaros, cujas teses eram: – todo prazer da carne é culposo; o matrimônio não é mais que a organização desse prazer (é um meretricium, um lupanar); – a geração humana é obra do diabo; ela faz descer a um corpo miserável uma alma que vivia feliz junto a Deus. – O concílio de Trento em sua doutrina sobre o matrimônio constitui a consolidação de um processo de “teologização” e “eclesialização” da instituição matrimonial. Trento introduziu a grande.


O crescimento da igreja e os grupos familiares

 Por  José Olavo da Costa, Mestre em Teologia pelo Instituto Bíblico Betel Brasileiro-PB, Especialista em Psicopedagogia pela FACINTER, Graduado em Pedagogia pela UFRN e em Teologia pela Escola Superior de Teologia-EST, e Aluno do Curso de Filosofia da Faculdade Dom Heitor Sales – FAHS

É pertinente observarmos que a igreja primitiva surge e se estabelece por um longo período nos lares. Havia grade comunhão, pois “[...] partiam o pão de casa em casa e tomavam suas refeições com alegria e singeleza de coração” (At 2.46). Compreendemos que o propósito da comunhão e da singeleza de coração da igreja primitiva, ocorria na relação dos pequenos grupos familiares, ou seja, “de casa em casa”. As igrejas nos lares possibilitam um espaço ideal, para vivermos em favor do outro com responsabilidade recíproca. Isso não dispensará a confissão mútua de pecados. Como afirma Simson:
 Quando as pessoas confessam uma diante das outras seus pecados e se perdoam mutuamente (Cl 2.13), elas param de ter uma vida dúplice uns perante os outros, rompendo o poder do pecado oculto. Confessam suas próprias carências de perdão e graça, podem tirar as belas máscaras e finalmente ser autênticas, ganhando assim a aceitação e o amor de outros pecadores, que na verdade estão na mesma situação (Simson, 2001, p.104).

Somente os pequenos grupos, que se reúnem regularmente para desenvolver a mutualidade, geram o espaço onde os relacionamentos profundos podem acontecer. A igreja não conseguirá outro meio de ser igreja a menos que fracione seu rebanho em pequenas células (que chamamos de pequenos grupos) reprodutoras de relacionamentos (KIVITZ, 2008, p.63).

Para Grudem (2005, p. 88): “um pequeno grupo deve tratar de como as ovelhas podem aprender e graciosamente cuidar uma das outras conforme a palavra de Deus”. Vendo a necessidade que a igreja possui de compreender sobre a importância do cuidado mútuo de um para com o outro, seguindo o exemplo do amor de Cristo. Faz-se necessário discorre-se sobre a importância do ministério de casais como instrumento de crescimento da igreja local e do fortalecimento da comunhão no convívio familiar.

O crescimento da igreja e o ministério de casais

Entre o casal, ocorre à evangelização recíproca, feita por palavras e por gestos que testemunham o milagre intimo operado por Deus em cada um: “os cônjuges cristãos constituem um para o outro, para os filhos e demais familiares, cooperadores da graça e cooperadores da fé”. (SPREAFICO, 1992, p.82). 


21/07/2015

IGREJA PRIMITIVA E O MATRIMÔNIO

O Pastor de Hermas

O pastor de Hermas é uma obra apocalíptica da primeira metade do século II depois de Cristo. Nesta obra temos a seguinte citação:

“O que o marido deve fazer, se a mulher continuar em disposição [de adultério]? Que ele se separe dela, e que o marido continue solteiro. Mas se ele se separar de sua esposa, e se casar com outra, ele também comete adultério.” (O pastor 4, 1, 6)



Inácio de Antioquia

“Foge às más artes, prega antes contra elas. Fala às minhas irmãs, que amem o Senhor e se contentem com os maridos na carne e no espírito. Da mesma forma, recomenda aos meus irmãos em nome de Jesus Cristo que amem suas esposas como o Senhor ama a Igreja. Se alguém é capaz de perseverar na castidade em honra da carne do Senhor, persevere sem orgulho. Caso se orgulhar, está perdido; se ainda for tido como mais do que o Bispo, está corrompido. Convém aos homens e às senhoras que casam contraírem a união como consentimento do bispo, a fim de que o casamento se realize segundo o Senhor e não conforme a paixão. Tudo se faça para honra de Deus.” (Carta a Policarpo, V)



Justino Mártir

“No que diz respeito à castidade, [Jesus] tem isto a dizer: ‘Se alguém olhar com cobiça para uma mulher, ele diante de Deus já cometeu adultério em seu coração’ E, ‘Quem casa com uma mulher que se divorciou de outro marido, comete adultério.’ De acordo com o nosso Mestre, assim como eles são pecadores que contraem um segundo casamento, apesar de estar de acordo com a lei humana, assim também são eles pecadores que olham com o desejo sensual para uma mulher. Ele repudia não só quem realmente comete adultério, mas mesmo quem deseja fazê-lo, não só para as nossas ações são que manifestas a Deus, mas até mesmo os nossos pensamentos.” (Primeira Apologia 15).



Clemente de Alexandria

São Clemente (não confundir com o Papa Clemente Romano) foi um teólogo grego antigo e chefe da escola catequética de Alexandria. Nasceu em Atenas, (a data é desconhecida) e morreu por volta do ano 215 d.C. Ele foi também professor de Orígenes.

“Agora que a Escritura aconselha o casamento, e não permite liberação da união, é expressamente contido na lei, ‘Tu não deve se separar da tua mulher, a não ser por causa de fornicação’, e que considera a fornicação, o casamento daqueles separados enquanto que a outra ainda está viva. Não se enfeitar e adornar além do que está a tornar-se, torna a mulher livre de suspeita caluniosa. Enquanto ela dedica-se assiduamente à oração e súplicas, evitando saídas freqüentes da casa, e fechando-se, tanto quanto possível do ponto de vista de todos os não relacionados a ela, e considerando limpeza mais da conseqüência do que da impertinente futilidade. ‘Aquele que toma uma mulher que foi repudiada’, diz-se, ‘comete adultério, e se repudiar sua mulher, ele faz dela uma adúltera’, isto é, obriga-a a cometer adultério. E não é só ele quem a coloca culpada disto, mas o que a leva, dando à mulher a oportunidade de pecar, pois se ele não levasse, ela iria voltar para o marido.” (Stromata / Cristo, o Educador, Livro 2, Capítulo 23)



Tertuliano

Estritamente falando, Tertuliano não é considerado um pai da Igreja, mas um apologista e escritor eclesiástico, já que no final de sua vida cai em heresia abraçando o montanismo. Porém foi lido antes de seu abandono da Igreja Católica. Tanto em seu período ortodoxo quanto em seu período herético temos em Tertuliano um testemunho que nos informa sobre a prática primitiva da Crisma na Igreja.

“De onde devemos encontrar (palavras) totalmente suficientes para dizer a felicidade de que o casamento que a Igreja consolida, e a oblação confirma, e os sinais e selos bentos; (que) anjos levam de volta a notícia (para o céu), (que) o Pai espera para ratificar? Pois mesmo em filhos da terra não casam correta e legalmente sem o consentimento dos seus pais.  Que tipo de jugo é o de dois cristãos, (participantes) de uma esperança, um desejo, uma disciplina, um e o mesmo serviço? Ambos (são) irmãos, ambos companheiros servidores, sem diferença do espírito ou da carne; não, (são) verdadeiramente, ‘dois em uma só carne’. Onde a carne é uma, um é o espírito. Juntos oram, juntamente prostrar-se, juntamente realizam seus jejuns; mutuamente ensinam, exortam-se mutuamente, mutuamente sustentam-se igualmente, (são) ambos (encontrado) na Igreja de Deus, igualmente, no banquete de Deus, igualmente em dificuldades, nas perseguições, na boaventura. Nem se escondem do outro; nem evita o outro; nem é problemático para o outro.” (A minha esposa, 2,8:4)



Orígenes

Ilustre teólogo e escritor eclesiástico. Nascido em Alexandria por volta do ano 231, foi reconhecido como o maior mestre da doutrina cristã em sua época, exercendo uma extraordinária influência como intérprete da Bíblia.

“Assim como a mulher é adúltera, ainda que ela pareça estar casada com um homem, enquanto o ex-marido ainda vive, assim também o homem que pareça casar com ela que se divorciou, não se case com ela, mas, de acordo com a declaração de nosso Salvador, ele comete adultério com ela.” (Comentários sobre Mateus 14, 24)



Concílio de Elvira

“Da mesma forma, as mulheres que deixaram seus maridos, sem causa prévia e uniram-se com outros, não podem sequer na morte receber a comunhão” (Cânon 8).

“Da mesma forma, uma mulher batizada que deixou um marido adúltero batizado e casar com outro, seu casamento dessa forma é proibida. Se ela assim se casou, ela não pode mais receber a comunhão até a morte do seu ex-marido pelo menos, mas por acaso, no caso de necessidade de doença, que lhe seja dado.” (Cânon 9).



São João Crisóstomo

Doutor da Igreja, nascido em Antioquia, em 347 d.C, morreu em Commana em Pontus em 14 de Setembro de 407. É considerado o mais proeminente Doutor da Igreja Grega e tido como o maior pregador que já subiu em um púlpito cristão.

“‘O que Deus uniu, o homem não separe’ (Mateus 19:06). Veja a sabedoria de um professor. Quero dizer, o que foi perguntado: É lícito? Ele não disse de uma só vez, Não é lícito, para que não ser perturbado e colocar em desordem, mas antes da decisão pelo Seu argumento rendeu esse manifesto, mostrando que ele próprio é também o mandamento de Seu Pai, e que não está em oposição a Moisés que Ele mandou essas coisas, mas em pleno acordo com ele ... mas, agora, tanto pelo modo de criação, e pelo modo legislar, ele mostrou que um homem deve viver com uma mulher continuamente, e nunca romper com ela.” (Homilias sobre São Mateus, 62, 1)



Basílio Magno

Nasceu por volta do ano 329 em Cesaréia da Capadócia. Chegou a ser um dos Padres da Igreja grega que mais brilharam no século IV. Morreu em torno do ano 379.

“Um homem que se casa com a mulher do outro homem que foi levada para longe dele será cobrado com o adultério, no caso da primeira mulher; mas, no caso de segunda, ele será inocente.” (Segunda Carta Canonica a Amphilochius 199, 37)



Ambrosiaster

“‘Pois esta razão deixará o homem pai e mãe e se unirá à sua mulher e serão dois numa só carne.’ Para recomendar esta unidade ele fornece um exemplo de unidade. Justamente como um homem e uma mulher são um em natureza assim Cristo e a Igreja são reconhecidos como um pela fé. ‘Este é um grande mistério - Quero dizer, em referência a Cristo e a Igreja.’ Ele quer dizer que o grande sinal deste mistério está na unidade de homem e mulher... Assim como um homem abandona seus pais e se unirá à sua mulher, também têm abandona todos os erros e se unirà a Igreja e se sujeitará a sua Cabeça, que é Cristo.” (Em Efésios 5, 31)



Santo Ambrósio

Bispo de Milão entre os anos de 374 à 397, nasceu provavelmente em 340 d.C, em Trier, Arles, ou Lião, morreu em 4 de Abril de 397. Foi um dos mais ilustres Padres e Doutores da Igreja.

“Não há quase nada mais mortal do que estar casado com alguém que é um estranho para a fé, onde as paixões da luxúria e da dissensão e os males do sacrilégio são inflamados. Uma vez que a cerimônia de casamento deve ser santificada pelo véu sacerdotal e abençoada, como isso pode ser chamado de uma cerimônia de casamento em que não houve acordo na fé?” (A Virgílio, Carta 19, 7)

“Ninguém está autorizado a conhecer uma outra mulher que não seja sua esposa. O direito marital é dado por esta razão: a menos que você caia na armadilha e peque com uma mulher estranha. ‘Se você está ligado a uma mulher não peça o divórcio’, pois você não está permitido, enquanto sua esposa vive, para se casar com outra.” (Abraão 01:07:59)

“Nós não dizemos que o casamento não foi santificado por Cristo, uma vez que a Palavra de Deus diz: ‘Os dois serão uma só carne e um espírito. Mas antes de nascermos somos levados ao nosso objetivo final, e o mistério da operação de Deus é mais excelente do que o remédio para as fraquezas humanas. Justamente é a boa esposa louvada, mas uma virgem piedosa é mais justamente preferida.” (Para Sircius, Carta 42, 3)



Paciano

“E estas são as núpcias do Senhor, para que como essa grande sacramento eles possam se tornar dois em uma só carne, Cristo e a Igreja. Destas núpcias ao povo cristão nasce, quando o Espírito do Senhor desce sobre esse povo.” (Sermão sobre o Batismo, 6)



São Jerônimo

“O apóstolo tem assim cortado cada apelo e declarou claramente que, se uma mulher se casa novamente, enquanto o marido está vivo, ela é adúltera... Um marido pode ser um adúltero ou um sodomita, ele pode estar manchado com todo crime e pode ter sido deixado por sua esposa por causa de seus pecados, mas ele ainda é o marido dela e, enquanto viver, ela não pode se casar com outra.” (Cartas, 55)



Papa Inocêncio

Inocêncio I foi bispo de Roma de 401 a 12 de março de 417. Um líder capaz e enérgico. Efetivamente promoveu o primado da Igreja Romana e cooperou com o Estado imperial para reprimir a heresia.

“A prática é observada por todos a respeito de como uma mulher adúltera que se casa pela segunda vez, enquanto o marido ainda vive, e a permissão para fazer penitência não é concedida a ela até que um deles esteja morto” (Carta 2, 13:15)



Santo Agostinho

Bispo de Hipona e doutor da Igreja, é reconhecido como um dos quatro doutores mais distintos da Igreja latina. Nasceu em 354 e chegou a ser bispo de Hipona durante 34 anos. Combateu duramente todas as heresias de sua época e morreu no ano 430.

“A mulher não começa a ser a esposa de nenhum outro marido, a menos que ela deixe de ser a esposa de um ex. Ela deixará de ser a esposa de um ex-marido, no entanto, se o marido morrer, não se ele cometeu adultério. Um cônjuge, portanto, é legalmente separado por causa de fornicação;., mas o vínculo da castidade permanece é por isso que um homem é culpado de adultério se ele casar com uma mulher que tenha sido indeferida, mesmo por essa mesma razão de adultério.”(Casamentos adúlteros , 2, 4:4).

“Certamente não é a fecundidade apenas, o fruto do que consiste em prole, nem castidade, cujo vínculo é a fidelidade, mas também um certo vínculo sacramental no casamento, que é recomendado para os crentes em casamento. Assim sendo, é advertido pelo apóstolo: ‘Maridos, amai vossas mulheres, como também Cristo amou a Igreja’. Desse vínculo a substância, sem dúvida, é esta, que o homem e a mulher que se unem em matrimônio devem permanecer inseparáveis enquanto eles viverem ..”(Sobre o casamento e concupiscência, 1,10 [11])



Cirílo de Alexandria

São Cirilo de Alexandria  foi o Patriarca de Alexandria quando a cidade estava no topo de sua influência e poder dentro do Império Romano. Um dos Padres gregos, Cirilo escreveu extensivamente e foi o protagonista liderante nas controvérsias cristológicas do final do século IV e do século V.

“Quando o casamento foi celebrado [Em Cana], é claro que ele era inteiramente decoroso: de fato, a Mãe do Salvador estava lá; e convidado, juntamente com Seus discípulos, o Salvador também estava lá, trabalhando milagres mais do que ser entretido em festejar e, especialmente, para santificar o princípio da geração humana, o que certamente é uma questão relacionada a carne.” (Comentário sobre João, 2, 1)



Papa Leão Magno



O Papa Leão I ou Leão o Grande, reinou de 440 até 461 d.C, data da sua morte.  O Local e data de nascimento são desconhecidas. O pontificado dele junto ao de São Gregório I, é o mais significativo e importante na antiguidade cristã. Na altura em que a Igreja estava experimentando os maiores obstáculos para seu crescimento em consequência da desintegração acelerada do Império Ocidental, enquanto o Oriente estava profundamente agitado por causa controvérsias dogmáticas, este grande Papa, com sagacidade e uma mão poderosa, orientou o destino da Igreja Romana e Universal no caminho da ortodoxia.

“A esposa é diferente de uma concubina, mesmo como uma escrava de uma livre. Por qual razão também o apóstolo, a fim de mostrar a diferença dessas pessoas, cita  Gênesis, onde é dito a Abraão: ‘larga a escrava e seu filho, porque o filho da escrava não será herdeiro com meu filho Isaac ‘(Gênesis 21, 10). E, portanto, uma vez que o laço do casamento era desde o princípio assim constituído, pois além da junção dos sexos para simbolizar a união mística de Cristo e Sua Igreja, é indubitável que essa mulher não tem parte no matrimônio, em cujo caso é mostrado que o mistério do casamento não ocorreu.” (Carta, 167, 4)





São Gregório Magno



Papa e doutor da Igreja, é o quarto e último dos originais Doutores da Igreja latina. Defendeu a supremacia do Papa e trabalhou pela reforma do clero e da vida monástica. Nasceu em Roma por volta do ano 540 e faleceu em 604.

“Pois, se eles dizem que deve ser dissolvido o casamento por causa de religião, seja sabido que, embora a lei humana admita isso, mas a lei divina proíbe. Pois a Verdade em pessoa diz: ‘O que Deus ajuntou não o separe o homem’ (Mateus 19, 6). Além disso, ele diz: ‘Não é lícito ao homem repudiar sua mulher, exceto por causa de fornicação’ (Mateus 19, 9). Quem pode, então, contradizer este legislador celestial?” (Livro 11, 45)





São João Damasceno

“A virgindade é a regra de vida dos anjos, a propriedade de toda a natureza incorpórea. Isso que dizer, sem falar mal de Casamento: Deus me livre! (pois sabemos que o Senhor abençoou o casamento de Sua presença, e nós sabemos o que disse, o matrimônio e o leito sem mácula), mas sabendo que a virgindade é melhor do que o casamento, no entanto, bom.” (Exposição da Fé Ortodoxa, livro 4, capítulo 24)



Existem muitas outras passagens dos pais da Igreja sobre o Matrimônio que omitimos aqui por brevidade da matéria.



CONCLUSÃO



Como podemos ver o casamento indissolúvel e é um sacramento. Muito embora sejam claras as provas tanto na Tradição da Igreja, quando na bíblia,

“Ele respondeu: Nunca lestes que o Criador, desde o princípio, os fez homem e mulher e disse:  ' De modo que eles já não são dois, mas uma só carne'. Portanto, o que Deus uniu, o homem não separe” (Mateus 19, 6).

Muitos ainda teimam (principalmente alguns protestantes) que se houver “traição” a pessoa pode se separar e casar novamente. O versículo que usam como base é o seguinte:

"Ora, eu vos declaro que todo aquele que rejeita sua mulher, exceto no caso de fornicação, e desposa uma outra, comete adultério. E aquele que desposa uma mulher rejeitada, comete também adultério."

“Λέγωδὲὑμῖνὅτιὃςἂνἀπολύσῃτὴνγυναῖκααὐτοῦ, μὴἐπὶπορνείᾳ, καὶγαμήσῃἄλλην, μοιχᾶται· καὶὁἀπολελυμένηνγαμήσαςμοιχᾶται.” (Mateus 19, 9)

A palavra grega usada é πορνείᾳ (pornéia). Esta palavra é usada para todas as uniões falsas e ilícitas, ou seja Jesus está falando que se alguém se casar falsamente pode se divorciar, ou seja se você casar com uma irmã, casar forçado, casar com uma pessoa já cas1ada, ou casar por interesse, nesses casos e outros Jesus fala que pode se divorciar por que na realidade nunca houve o casamento.

A tradução correta é:

“Ora, eu vos declaro que todo aquele que rejeita sua mulher, exceto no caso de matrimônio falso, e desposa uma outra, comete adultério. E aquele que desposa uma mulher rejeitada, comete também adultério.”

Não é possível entender como é que eles interpretam “União ilícita”, como que é caso de traição, na realidade união ilícita, diz respeito a um matrimônio falso. Se Jesus quisesse falar em “traição”, ele teria usado outra palavra μοιχᾶται.  Vamos mostrar um dicionário bíblico protestante que traduz a palavra da seguinte maneira:

4202 πορ νεια porneia

de 4203; TDNT - 6:579,918; n f

1) relação sexual ilícita

1a) adultério, fornicação, homossexualidade, lesbianismo, relação sexual com animais etc.

1b) relação sexual com parentes próximos; Lv 18

1c) relação sexual com um homem ou mulher divorciada; Mc 10.11-12

2) metáf. adoração de ídolos

2a) da impureza que se origina na idolatria, na qual se incorria ao comer sacrifícios

oferecidos aos ídolos.

A união ilícita, ou seja, um ato no qual não há o casamento, como um casamento de adultero, um casamento entre parentes próximos.



BIBLIOGRAFIA

http://theology1.tripod.com/readings/fathersofthechurch.htm

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