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25/04/2013

Ordem Franciscana Secular


Foi fundada por volta de 1221 para congregar os leigos que desejavam seguir São Francisco de Assis participando do movimento franciscano. Tem como padroeiros Santa Isabel da Hungria e São Luis IX, Rei de França.

O primeiro casal a seguir a vocação franciscana secular foi o Bem-Aventurado Luquésio (ou Lúcio) e sua esposa Buonadona. Sua memória comemora-se no dia 28 de abril.

Tantas outras pessoas ilustres participaram da Ordem, como Dante Alighieri, Thomas More, o Beato Pio IX, Papa Leão XIII, São Pio X, Beato João XXIII (e mais outros 2 papas), Chiara Lubich etc.
A primeira regra para conduzir a vivência dos irmãos terceiros foi aprovada, em 1289, pelo Papa Nicolau IV. Essa regra, com pequenas alterações, existiu até 1883 quando o Papa Leão XIII lhe aplicou grande reforma. Essa alteração visava ampliar a contribuição dos franciscanos seculares diante dos problemas sociais da época. Em 24 de junho de 1978, o Papa Paulo VI aprovou a Regra atualmente em vigor.


A Ordem Franciscana Secular é constituída por Fraternidades abertas a todos os cristãos seculares. Nelas há lugar para jovens, para casados, viúvos e celibatários no mundo; para clérigos e leigos; para todas as classes sociais, todas as profissões, para todas as raças; para homens e mulheres. Há lugar para todos porque se busca viver segundo o Santo Evangelho como irmão e irmãs da penitência.
Os franciscanos seculares constituem uma verdadeira Ordem na Igreja. Não formam um mero movimento ou associação qualquer, mas uma ordem reconhecida como tal pela Igreja, que lhe apresenta uma forma de vida chamada Regra.

Ordem Franciscana no Brasil


A terra de Vera Cruz, de Santa Cruz, do Brasil foi descoberta, em 1500, para o Rei por D. Pedro Álvares Cabral, para a santa religião pelos franciscanos. Achavam-se estes em companhia de Cabral, que navegava para as Índias.

Frei Henrique, superior da caravana de missionários, celebrou no dia 26 de abril, domingo da Pascoela, a primeira missa no ilhéu da Coroa Vermelha, na qual fez “solene e proveitoso sermão”.

Outra missa celebrou no mesmo no dia 1° de maio; mas já foi na terra firme e com assistência de muitos índios, que todos, em atitude semelhante à dos descobridores, acompanharam o ato solene.

Nesta ocasião, Cabral e Frei Henrique ergueram uma grande Cruz, sinal da tomada de posse em nome de Cristo e do Rei. Em seguida, Cabral continuou a viagem às Índias e com ele os franciscanos.

Não tardou, porém, a chegada de outros missionários da Ordem Seráfica. De 1503 a 1505, estiveram em Porto Seguro dois, que, tendo zelosamente exercido o seu ministério, foram ambos trucidados pelos selvagens e assim se tornaram os protomártires do Evangelho no Brasil.

Decorridos trinta anos, em 1532, aportaram com Martim Afonso a São Vicente dois franciscanos, onde celebraram, junto com o padre secular Gonçalo Monteiro, que ficou de vigário, o primeiro culto divino e levantaram uma capela em honra de Santo Antônio.

Um deles teve de oferecer a Deus o sacrifício de sua vida, pois foi flechado por um índio ao atravessar um rio. Em 1534, achamos alguns franciscanos na Bahia, onde batizaram duas filhas naturais de Diogo Álvares Correia, o lendário Caramuru.

Retiraram-se com Martim Afonso de Souza para as Índias. Não consta se um deles tivesse ficado, mas certo é que uns quinze anos depois um franciscano percorria a zona da Bahia doutrinando os tupinambás. Construiu uma capela em honra de São Francisco.

Poucos anos depois, temos notícia de cinco franciscanos espanhóis que, em viagem ao Rio da Prata, foram acossados pela tempestade até ao porto de Dom Rodrigo, hoje São Francisco do Sul, e em seguida missionaram entre os carijós. O seu superior Frei Bernardo escreveu em 1° de maio de 1538 que mal bastavam as horas do dia para batizar a todos que pediam o sacramento.

A estes missionários refere-se Nóbrega ao chegar a São Vicente (1549) com estas palavras: “Os gentios são de diversas castas, uns se chamam guaianases, outros, carijós. Este é um gentio melhor do que nenhum desta casta. Os quais foram, não há muitos anos, dois frades castelhanos [na verdade foram cinco] ensinar e tomaram tão bem a sua doutrina, que têm já casas de recolhimento para mulheres como de freiras e outras de homens como de frades”.

Já se vê, pelos frutos, que o trabalho dos cinco franciscanos foi metódico e incansável. Depois da chegada dos inacianos, em 1549, as crônicas dão notícia de dois frades menores que durante alguns anos puderam exercer benéfico apostolado.

São Frei Pedro Palácios e Frei Álvaro da Purificação. O primeiro, apesar de irmão leigo, missionou na Capitania do Espírito Santo de 1558 a 70. Frei Álvaro, que em 1577 foi levado por ventos contrários da ilha da Madeira para as costas do Brasil, trabalhou em Olinda tão zelosamente que era geral o pedido de ele ficar, e o donatário D. Jorge de Albuquerque Coelho instou que obtivesse de Portugal maior número de franciscanos. Não só não o conseguiu, mas teve o desprazer de receber ordens para voltar.

Por este tempo consta de mais alguns mártires. No dia 4 de outubro de 1580 foram mortos pelos selvagens diversos frades em Olinda ou nos arredores e, em 1583, foi assassinado por um soldado espanhol, em São Paulo, o irmão leigo Frei Diogo, que repreendeu o soldado por causa das suas constantes blasfêmias.

Tinha vindo com outros três franciscanos na armada de Diogo Flores Valdez. Foi dito que o donatário não conseguiu mais franciscanos por intermédio de Frei Álvaro. Por isto, passados alguns anos, ele mesmo fez igual pedido ao Rei Felipe, que por sua vez, o transmitiu ao ministro geral da Ordem, Frei Francisco Gonzaga.

Achava-se este em visita canônica aos conventos de Portugal e quando celebrou Capítulo em Lisboa, aos 13 de março de 1584, decretou a fundação de uma Custódia no Brasil – a Custódia de Santo Antônio – e destinou para isso seis religiosos de virtude e zelo, sendo superior Frei Melquior de Santa Catarina, com, patente de custódio. Todos eles pertenciam à Província reformada de Santo Antônio chamada dos Currais, cujos religiosos o povo alcunhava de “capuchos” por causa do capuz piramidal que traziam.

A palavra “capucho”, que não se deve confundir com “capuchinho”, encontra-se frequentemente nos documentos e não significa outra coisa que franciscano, pobre, observante. A dita expedição chegou a Pernambuco aos 12 de abril de 1585 e foi recebida com grandes demonstrações de júbilo e veneração. O primeiro Convento que se fundou foi o de N. Sra. Das Neves de Olinda.

Uma generosa benfeitora, D. Maria da Rosa, havia antecedentemente construído para os frades uma casa com capela ao lado e de tudo fez doação à Ordem por escritura de 27 de setembro do mesmo ano de 1585. Oito dias depois, na festa do Seráfico Patriarca, os fundadores passaram para essa residência em solene procissão, assistida pelo donatário com seu senado, clero e muito povo.

Desde logo iniciaram os frades o seu trabalho na vila e arredores e de tal modo granjearam a estima de todos que, decorrido apenas um ano, isto é, em 1586, abriram noviciado para os candidatos à Ordem e juntamente um seminário, isto é, educandário para os filhos dos índios.

Na catequese dos indígenas, destacou-se nesses anos até 1590 Frei Francisco de São Boaventura. As suas excelentes qualidades de índole unia um conhecimento perfeito da língua brasiliense, que em pouco tempo falava tão bem que os próprios Índios se admiravam, tendo-o por grande feiticeiro. Enquanto os poucos missionários franciscanos labutavam arduamente na vinha do Senhor nas partes de Pernambuco, a fama de seu zelo e religiosa observância espalhava-se pelas outras capitanias. De diversas localidades vinham pedidos de fundação de conventos e missões.

Em 1587, o Custódio acedeu à solicitação do bispo e do governador geral, aceitando por escritura de 8 de abril o sítio para um Convento na Baía, iniciando ele mesmo a construção. Quando, em abril de 1588, o Custódio voltou a Olinda, encontrou a recém-chegada segunda turma de seis missionários. Com isto se animou a aceitar novas fundações.

A primeira foi a de Iguaraçú, em junho do mesmo ano. A Câmara e o povo haviam oferecido um sítio com casa, que foi transformada em Convento. Os seus melhores esforços dedicaram os franciscanos ali à catequese dos índios, doutrinando-os e arrebanhando-os em aldeias. As três missões de Itapessima, Ponta das Pedras e Itamaracá passaram para a história como obra de Frei Antônio de Campomaior, que as fundou na sua segunda estada em Iguaraçú, de 1592 a 94.

Em 1589 principiou-se a fundação de um Convento na vila de Paraíba, a instâncias do Cardeal Alberto, Governador do Reino de Portugal. Na mesma ocasião, o Custódio providenciou acerca das missões entre os índios daquela zona. Tal era o estado, próspero na verdade, da missão franciscana no Brasil, quatro anos depois da chegada dos fundadores da Custódia.

Foi justamente em 1589 que dois religiosos vieram para a capitania do Espírito Santo encaminhar a fundação do Convento de Vitória, o primeiro convento franciscano nas partes do Sul, como também o primeiro da que mais tarde foi a Província da Imaculada Conceição.

18/04/2013

Ordem dos Irmãos de Nossa Senhora de Belém


A Ordem dos Irmãos de Nossa Senhora de Belém foi fundada na Guatemala em 1658 pelo terciário franciscano natural das Ilhas Canárias São Pedro de San José de Betancur (1619-1667) como uma irmandade para a evangelização dos índios, de assistência aos pobres e às crianças doentes e abandonadas.
A Coroa espanhola aprovou a fundação no dia 2 de Maio de 1667 permitindo que os membros construíssem o Antigo Hospital de Nossa Senhora de Belém.

Sob a liderança do irmão Frei António da Cruz, que sucedeu a São Pedro de Betancur como superior geral da fraternidade, os Irmãos Betlemitas transformaram-se em religiosos mendicantes de votos solenes submetidos à Regra de Santo Agostinho e, pouco depois, a fraternidade foi aprovada pelo Papa Inocêncio XI enquanto ordem religiosa com a bula pontifícia a 26 de Março de 1687 e reiterada pelo Papa Clemente XI a 3 de Abril de 1710.


Desaparecida em 1820, a espiritualidade da Ordem dos Irmãos de Belém foi resgatada pela madre superiora Beata Encarnación Rosal (1815-1886) que, em 1861, fundou o ramo feminino da ordem sob o nome de Instituto das Irmãs Betlemitas Filhas do Sagrado Coração de Jesus. Por seu lado, o ramo masculino foi restaurado em 1984 pelo próprio Papa João Paulo II que, em 2002, canonizou o fundador da Ordem. A 31 de Janeiro de 2005, a Ordem dos Irmãos de Nossa Senhora de Belém contava com tinha sete religiosos e dois conventos.

Ordem da Imaculada Conceição


D. Beatriz da Silva nasceu em Campo Maior, Portugal, filha de Rui Gomes da Silva, alcaide da vila, e D. Isabel de Meneses, esta última aparentada com as casas reais de Espanha e Portugal.
Ao unir-se em segundas núpcias o Rei João II de Castela com D. Isabel de Portugal, é nessa altura que chega à corte castelhana a nobre D. Beatriz para ser a dama de honor da nova Rainha de Castela.

Segundo a tradição, D. Beatriz teve uma aparição em que Santíssima Virgem Maria que lhe confiou o desejo de fundar uma ordem consagrada ao culto e à sua honra da Imaculada Concepção de Maria. Nesse momento, D. Beatriz saiu da corte e refugiou-se no Mosteiro das Irmãs Dominicanas de Toledo, vivendo 30 anos em ambiente religioso, apesar não ser na altura freira. A Rainha D. Isabel, a Católica, filha da referida Infanta D. Isabel de Portugal, Rainha de Castela, a que foi dama Beatriz e a ajudou muito na fundação da nova Ordem, doou-lhe o Palácio de Galiana em Toledo e facilitou-lhe também as negociações com a Santa Sé.

D. Beatriz da Silva, então religiosa, começou sua nova vida contemplativa com doze companheiras. A Ordem da Imaculada Conceição foi aprovada pelo Papa Inocêncio VIII no dia 30 de Abril de 1489, com direito ao uso de hábito religioso e outros usos próprios.

No ano de 1492, na sua cama, doente e vestida com o seu hábito religioso, faleceu a fundadora da Ordem da Imaculada Conceição. Isso fez com que, a partir desse momento, com o seu desaparecimento e orientação, a Ordem tenha ficado desprotegida.
Esta Ordem religiosa não nasceu franciscana, apesar de logo se notar a sua grande influência desde o início, e foi com as reformas levadas a cabo pelo Cardenal Cisneros em que Igreja Católica espanhola determinou que a mesma ficasse sobre a regra de São Francisco de Assis. Desse modo, esta passou também a estar relacionada com os franciscanos.

Ordem de São Basílio Magno



A Ordem Basiliana é considerada como a mais antiga comunidade de vida religiosa existente no mundo. A vivência e a prática da espiritualidade desta comunidade fundamenta-se no ensinamento e no projeto de vida cristã comunitária de São Basílio Magno ( 330 - 379 ), um Padre grego, dos mais destacados da Antiguidade cristã.


A vida religiosa segundo os ideais de S. Basílio — que se encontra presente em diversos lugares do Oriente— adquiriu um caráter próprio em terras ucranianas. No século 17, dois grandes vultos da Igreja ucraniana, o bispo-metropolita José Benjamin Rutskei e São Josafat, levaram a termo uma reestruturação da Ordem Basiliana, imprimindo-lhe uma orientação particular e configurando-a como um ramo distinto da família basiliana, que por isso recebeu a denominação de "Ordem Basiliana de São Josafat".


O fluxo migratório que, no final do século passado, trouxe ao Brasil milhares de ucranianos, motivou os Pa¬dres Basilianos a acompanhá-los a fim de lhes prestar assistência espiritual e pastoral.

    O primeiro basiliano a desembarcar no Brasil, foi o Pe. Silvestre Kizema, em junho de 1897. Depois dele, vieram outros, e desde o início, lado a lado do Povo de Deus, eles se puseram a desenvolver uma intensa atuação missionária em diversos núcleos populacionais ucranianos, nos Estados do Paraná e Santa Catarina.

    Em 100 anos, a comunidade basiliana cresceu, se tornou Província religiosa e conta hoje com 110 membros, muitos deles trabalhando até em outros países.

    No Brasil, os basilianos continuam a desempenhar sua atuação preferencial no meio étnico ucraniano disperso na região Sul. Sua expressão cristã e litúrgica é o rito bizantino-ucraniano e seu trabalho caracteriza-se pela ação pastoral em paróquias, promoção de missões e atividade educacional em suas casas de formação.

11/04/2013

Ordem de S. Jerónimo


O movimento eremítico inspirado em S. Jerónimo surgiu em Itália no século XIV, dando origem a várias famílias religiosas. Uma delas desenvolveu-se à volta da figura de Tommasucio da Foligno. O facto inseriu-se num movimento de explosão da vida eremítica, ao qual não foram alheias as conturbações sociais e religiosas da época. Com a morte do mestre italiano, vários dos seus seguidores foram para a Península Ibérica onde, em contacto com núcleos de eremitas espanhóis, fundaram a Ordem hieronimita. Um dos discípulos de Tommasucio que tinha ido para Espanha era Vasco Martins. Natural de Leiria, regressou a Portugal e, a 1 de Abril de 1400, obteve do Papa Bonifácio IX, com a Bula Piis Votis Fidelium, autorização para a construção de dois mosteiros - Penhalonga, em Sintra, e Mato, em Alenquer. Realizava-se assim o desejo e necessidade que se vinha sentindo nos meios eremíticos de trocar a vida desabrigada e sujeita a diversas contingências pela vida conventual. Outros conventos foram posteriormente fundados: S. Marcos (1451), no termo de Coimbra, e Nossa Senhora do Espinheiro (1457), próximo de Évora.

No reinado de D. Manuel I, a Ordem, que sempre se caracterizou pela sua ligação e serviço à monarquia, conheceu um grande incremento. O monarca tinha a intenção de erguer doze conventos Jerónimos, obtendo o beneplácito papal, mas tal não se concretizou totalmente. Fundaram-se então, na primeira metade do século XVI, os mosteiros de Santa Maria de Belém (Lisboa), Nossa Senhora da Pena (Sintra), Berlengas (Peniche), o qual, por razões de segurança foi substituído pelo de Valbenfeito (Óbidos) Santa Marinha da Costa (Guimarães) e um Colégio Universitário (Coimbra). Um Provincial - autoridade a quem os monges deviam obediência - presidia à Ordem cuja sede, em Portugal, foi inicialmente o mosteiro da Penha longa e depois o de Belém. Durante o período da ocupação espanhola (1580?-1640), os mosteiros portugueses perderam a autonomia, mas logo a recuperaram com a restauração da independência do Reino em 1640.

Os monges Jerónimos adoptaram um hábito branco, sobre o qual envergavam o escapulário castanho. Seguiam a Regra de Santo Agostinho, baseando-se num conjunto de princípios sobre a vida da comunidade e, para os aspectos concretos, regiam-se por umas Constituições e Estatutos. Assim, fazia parte do quotidiano dos monges a oração litúrgica e a individual, distribuídas pelas várias horas do dia, bem como a frequência dos sacramentos, os jejuns e abstinências da carne, as penitências, o silêncio e o recolhimento, a leitura, o estudo da gramática, da moral e da música sacra. Proibidos de "carpentejar", ou seja, de trabalhar com as mãos para obter daí algum rendimento, os monges Jerónimos constituíam uma ordem contemplativa, com um pendor fortemente humanista e um elevado grau de cultura, como o atestam as livrarias dos respectivos mosteiros.

O Mosteiro de Sta. Maria de Belém:

A devoção e o especial interesse que o Rei tinha pela Ordem de S. Jerónimo ficaram a dever-se à natureza da espiritualidade contemplativa da própria Ordem, à sua inovação na vida religiosa e ao estatuto que já possuía em Espanha. A Ordem teve sempre enorme devoção por parte da realeza pois, para além dos seus "bons e exemplares costumes", enquadrava-se no tipo de religiosidade do Rei e nos seus objectivos políticos para a Península Ibérica. Por isso, escolheu-a para ocupar o Mosteiro onde ele próprio seria sepultado e que veio a servir de panteão ao ramo dinástico Avis-Beja por ele iniciado.

O Mosteiro dos Jerónimos foi doado aos monges Jerónimos que ficavam perpetuamente obrigados a celebrar uma missa diária pelas almas do Infante D. Henrique, de El-Rei D. Manuel I e dos seus sucessores. Havia, assim, uma ligação privilegiada entre o Rei e a comunidade monástica: o primeiro protegia-a e esta encarregar-se-ia de glorificar e perpetuar a sua memória e a dos feitos grandiosos dos portugueses. Atender em confissão e prestar assistência espiritual aos marinheiros e navegadores que da praia de Belém partiam à descoberta de outros mundos eram, também, suas regulares funções.

Com o advento do liberalismo, em 1833, foi decretada a extinção das ordens religiosas em Portugal. A comunidade dos monges foi dissolvida, desocupando este lugar onde tinha permanecido durante quase quatro séculos. O Mosteiro dos Jerónimos foi integrado nos bens do Estado e o espaço conventual destinado a colégio até 1940.

Ordem de São Domingos


Domingos de Gusmão nasceu em Caleruega, Castela, tendo cedo descoberto a sua vocação religiosa. Estudou em Palencia e tornou-se cónego no Cabido de Osma. O seu bispo Diego foi enviado à Dinamarca a negociar o casamento de uma princesa com o filho do rei e Domingos acompanhou-o. No regresso, ao passarem pelo sul de França depararam-se com um cenário de verdadeira guerra civil, provocada pela grande influência das heresias dos albigenses também chamados cátaros em toda a zona designada como Languedoc. Demorando-se pela região, os dois descobriram que a pregação e esforços dos legados do Papa Inocêncio III enviados para tentar demover as heresias e levar as populações novamente para o seio da Igreja não resultavam. Tal devia-se ao facto de aqueles enviados se apresentarem com todas as suas honras, mordomias e autoridade face a heréticos que pregavam e viviam uma vida de simplicidade, informalismo e cujas teorias advogavam um cristianismo baseado na humildade e vida comunitária.
Domingos e Diego envolveram-se na pregação, utilizando as mesmas técnicas dos heréticos: despidos de qualquer sinal de autoridade, falando uma linguagem que todos compreendiam, disputando debates públicos, em praças, igrejas, e mesmo tabernas. O seu sucesso foi imediato. Convenceram os legados papais e alguns monges cistercienses a segui-los nos seus métodos e durante algum tempo prosseguiram a sua ação pregadora. Diego, como bispo, teve no entanto de regressar à sua Diocese falecendo pouco depois.
Domingos viu-se em pouco tempo praticamente sozinho na sua missão, percorrendo toda a região durante alguns anos, a qual se viu assolada pela guerra, em virtude de uma cruzada ter sido lançada pelo Papa, com o apoio do rei de França que pretendia conquistar a região e derrubar os senhores feudais locais, apoiantes das heresias por estas defenderem o fim da instituição eclesial e como tal deixarem de interferir nos seus poderes.
Em 1206, Domingos consegue que um grupo de mulheres convertidas da heresia se constituam como comunidade, encontrando uma casa onde se estabelecem e apoiam a missão da «santa pregação, na vila de Prouille. Foi a primeira fundação do que viria a ser a Ordem dos Pregadores.
Domingos prossegue com a sua missão e em 1216 tem um pequeno grupo de 16 seguidores, para os quais solicita, em Roma, a aprovação de uma Regra para a constituição de uma nova ordem monástica. Mas o Papa, limitado pela decisão do recente Concílio de Latrão que proibiu a aprovação de novas ordens, pretendendo de qualquer forma apoiar o projecto de Domingos, sugere que adotem a regra de Santo Agostinho, o que fazem.

Assim, em 1216 é aprovada oficialmente a constituição da Ordem dos Pregadores, uma ordem de religiosos inteiramente dedicados à missão da pregação, função até então exclusivamente reservada aos bispos.
Nesse mesmo ano, e face a um grupo ainda em formação, Domingos decide dispersar essa pequena comunidade. Uns são enviados para a Universidade de Paris, por forma a adquirirem competências de ensino, uma vez que o estudo será, para todo o sempre um elemento fundamental da ordem dominicana. Outros são enviados para Espanha, Itália, Inglaterra, Polónia a fim de fundarem novas comunidades e exercerem a pregação nos moldes originais de Domingos.

Em Roma, conheceu São Francisco de Assis, a quem se ligou em íntima amizade. Em 1218 foi a Bolonha fundar um convento, perto da Igreja de Nossa Senhora de Mascarella. Um ano depois, teve Domingos a satisfação de fundar outro na mesma cidade, sendo que este, tempos depois, veio a ser um dos mais importantes da Ordem na Itália. O exemplo de São Francisco de Assis e o admirável desenvolvimento da Ordem por ele fundada, influiu grandemente no espírito de São Domingos. Como o Patriarca de Assis, introduziu S. Domingos na sua ordem o voto de pobreza em todo o rigor.

Em 1221, em Bolonha, realiza-se o primeiro Capítulo Geral da Ordem, na qual são aprovadas as primeira regras de funcionamento, estabelecendo-se como a primeira ordem de cariz democrático, uma vez que para o desempenho de todos os cargos, do mais alto (Mestre geral) ao mais pequeno, sempre se exige a respectiva eleição. Acresce ainda uma forma dupla de governo: Capítulo, isto é assembleias em que estão presentes os responsáveis hierárquicos - Províncias, podendo aprovar as medidas que entenderem. Sendo que o capítulo geral seguinte é formado por representantes eleitos dos conventos, isto é, das «bases», com iguais poderes. E todas as medidas aprovadas apenas entram em vigor com a aprovação consecutiva de 3 capítulos gerais. Dessa forma, pretendia-se evitar «precipitações» e dar tempo a alterações de pormenor que tornassem as medidas, quando em funcionamento, já depuradas de imperfeições e devidamente testadas.

A História da Ordem de Santo Agostinho


Em 1244, sob o patrocínio da Santa Sé, reuniram-se os eremitas de muitos conventos da Toscana. Começou assim a história da Ordem de Santo Agostinho. Em 1256, o Papa Alexandre IV deu um novo impulso à Ordem fundada na Itália, através da bula "Licet Ecclesiae catholicae", à qual foram unidas várias ordens e congregações.

A Grande União aconteceu no convento romano de Santa Maria del Popolo e, no ato de sua fundação, a nova Ordem abarcava 180 casas religiosas na Itália, Áustria, Alemanha, Suíça, Países Baixos, França, Espanha, Portugal, Hungria, Boêmia e Inglaterra.
A União de 1256 foi um passo importante na reforma da vida religiosa da Igreja. Com isso, o Papa procurava por fim à confusão provocada pelo excessivo número de pequenos grupos religiosos, canalizando suas forças espirituais no apostolado da pregação e cuidado pastoral nas muitas cidades européias. Os Agostinianos foram assim colocados no rol das Ordens Mendicantes, junto aos Dominicanos, Franciscanos e, pouco depois, os Carmelitas. Sua característica básica é a de serem "frades", "freis" - irmãos -, vivendo sua vocação imersos no mundo urbano.
O movimento mendicante do século XIII foi uma resposta revolucionária a uma situação também revolucionária. A unidade da Igreja vivia continuamente ameaçada pelas heresias. Surgiam novos desafios ocasionados pelas mudanças sociais e econômicas da sociedade. Os frades foram enviados diretamente aos centros de desenvolvimento comercial para pregar às crescentes classes instruídas, à nova classe que surgia - a burguesia - e levar a espiritualidade evangélica às classes populares.

A Expansão da Ordem
A nova Ordem conheceu uma rápida expansão já no primeiro século de existência, espalhando-se por toda a Europa, com mais de 500 conventos e cerca de seis mil religiosos, com renomados exemplos de santidade, destacando-se a figura de São Nicolau de Tolentino e Santa Rita de Cássia.
Desde o início levou a sério a filiação espiritual de Santo Agostinho, denominando-o "nosso Pai e Fundador". Surgiu daí a Escola Teológica Agostiniana, cujo fundador foi Egídio Romano, sucessor de Santo Tomás de Aquino na cátedra de Paris. Marcada por um tomismo moderado, a Escola teológica da Ordem caracterizou-se por um sadio ecleticismo, priorizando os temas bíblicos e patrísticos, inspirada nos passos de Santo Agostinho.
Na decadência da Cristandade Medieval teve também seus momentos de profundas crises, ocasionadas, entre outros fatores, pelo arrefecimento dos ideais da fundação, pela ausência de observância religiosa, decadência nos estudos e apostolado, conflitos internos, além de fatores exteriores, como a própria decadência geral da Igreja, a peste que dizimou a Europa, a Guerra dos 100 Anos.
Como em outras Ordens, o espírito religioso foi retomado através das chamadas Congregações de Observância, que se inserem no quadro da ampla reforma que vinha se preparando silenciosamente dentro da própria Igreja. Provenientes desse desejo fervente de retorno aos fundamentos do carisma agostiniano, despontaram duas congregações: os Agostinianos Recoletos, na Espanha (1588) e os Agostinianos Descalços, na Itália, França e Alemanha (1592), que se tornaram ordens independentes, em 1912 e 1936, respectivamente.
Da Congregação de Observância da Saxônia, saiu o monge inquieto que iria desencadear o movimento da Reforma Protestante, Martinho Lutero. Na Itália despontou o cardeal Jerônimo Seripando, o líder dos Agostinianos que iria trabalhar no Concílio de Trento pela Reforma Católica.

Os Agostinianos chegam à América

Em 1533, cinco missionários agostinianos desembarcam na Nova Espanha, o México, provenientes da reformada Província Observante de Castela, que tinha dado excelentes frutos, como o literato Frei Luís de León, o Beato Afonso de Orozco, Santo Tomás de Villanova e São João de Sahagún. Entre os frades que vieram no primeiro grupo, estava Fr. Alonso de Veracruz, co-fundador da primeira universidade americana, e ardoroso defensor das causas indígenas, num momento em que a conquista e o genocídio dos povos deste continente já eram uma tristíssima realidade.
Os Agostinianos participaram, como outros grupos religiosos, do processo civilizatório e evangelizador da América Latina, como também da África e Ásia. Nossa história tem suas "luzes e sombras". Reconhecendo nossas faltas históricas, em atitude penitencial, queremos seguir o exemplo de profetismo evangélico de nossos Maiores, como Fr. Diego Ortiz, protomártir do Peru; Antonio de Moya, grande catequista do México; Agostinho de la Coruña e Gaspar de Villaroel, bispos missionários da Venezuela e do Chile; Luis López de Solís, evangelizador do Equador. Sem esquecer Santo Ezequiel Moreno, bispo Agostiniano Recoleto de Pasto, na Colômbia, proclamado em Santo Domingo, 1992, modelo de bispo evangelizador das Américas.

Em 1693, os Agostinhos Reformados da Observância de Portugal chegam a Salvador, na Bahia, aí permanecendo até 1824. A implantação definitiva dos Agostinianos no Brasil se deu, porém, em 1899, com a vinda dos Agostinianos espanhóis das Filipinas, os quais se estabeleceram em São Paulo e abriram missões no Amazonas e em Goiás, além de outras frentes em São Paulo, Minas Gerais e Paraná.
Sucessivamente chegaram outros grupos procedentes da Espanha: os Agostinianos do Escorial (1929) e os Agostinianos de Castela (1931). Em 1962 vieram os Agostinianos de Malta. Hoje a presença agostiniana encontra-se disseminada pelos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Paraná, Goiás e Mato Grosso, em cerca de trinta comunidades.

No início, estabeleceram obras tradicionais como paróquias, missões e colégios, assumindo, pouco a pouco a caminhada da Igreja do Brasil, não sem conflitos e dificuldades, mas com muita generosidade e dedicação. Atualmente, além das "obras históricas" e de assistência social e promoção humana, dedicam-se à formação de novos frades, assessorias de pastorais e movimentos populares e de grupos e pastorais ligadas à promoção dos direitos humanos, da justiça e paz.

26/03/2013

Ordem de Cister (Cistercienses)


A sua origem remonta à fundação da Abadia de Cister (em latim, Cistercium; em francês, Cîteaux), na comuna de Saint-Nicolas-lès-Cîteaux, Borgonha, em 1098, por Roberto de Champagne, abade de Molesme. Este, juntamente com alguns companheiros monges, deixara a congregação monástica de Cluny para retomar a observância da antiga regra beneditina, como reação ao relaxamento da Ordem de Cluny.
Através da "Charta Charitatis", em complemento à regra da Ordem de São Bento, Estevão - terceiro abade de Cister - estabeleceu que a autoridade do suprema da Ordem seria exercida por uma reunião anual de todos os abades. Os mosteiros eram supervisionados pelo mosteiro-sede, em Citeaux, e pelos quatro mosteiros mais antigos da Ordem.
A ordem terá um papel importante na história religiosa do século XII, vindo a impor-se em todo o Ocidente por sua organização e autoridade. Uma de suas obras mais importantes foi a colonização da região a leste do Elba, onde promoveu simultaneamente o cristianismo, a civilização ocidental e a valorização das terras .
Restauração da regra beneditina inspirada pela reforma gregoriana, a ordem cisterciense promove o ascetismo, o rigor litúrgico e erige, em certa medida, o trabalho como valor fundamental, conforme comprovam seu patrimônio técnico, artístico e arquitetônico.
Além do papel social que desempenha até a Revolução Francesa, a ordem exerce grande influência no plano intelectual e econômico, assim como no campo das artes e da espiritualidade, devendo seu considerável desenvolvimento a Bernardo de Claraval (1090-1153), homem de excepcional carisma. Sua influência e seu prestígio pessoal o tornaram o mais célebre dos cistercienses. Embora não seja o fundador da ordem, continua sendo o seu mentor espiritual.
Atualmente, a ordem cisterciense é de fato constituída de duas ordens religiosas e várias congregações. A ordem da « Comum Observância contava em 1988 com mais de 1300 monges 1500 monjas, distribuídos em 62 e 64 monastérios, respectivamente. A ordem cisterciense da estrita observância (também chamada o.c.s.o.) compreende atualmente quase 3000 monges e 1875 monjas, distribuídos em cento e dois monastérios masculinos e setenta e dois monastérios femininos, em todo o mundo. São comumente chamados "trapistas", pois a criação da ordem resultou da reforma da abadia da Trapa (em Soligny-la-Trappe, Baixa-Normandia,França).
Mesmo separadas, as duas ordens têm ligações de amizade e relações de colaboração. O hábito também é semelhante. Os cistercienses são conhecidos como monges brancos em razão da cor do seu hábito.
Embora sigam a regra beneditina, os monges cistercienses não são propriamente considerados beneditinos. Foi no IV Concílio de Latrão (1215) que a palavra "beneditino" surgiu, para designar os monges que não pertenciam a nenhuma ordem centralizada, em oposição aos cistercienses.


Os Cistercienses no Brasil



Desde 1938, a Abadia de Hardehausen estava transferindo seus monges e seu abade, para o Brasil. Em 3 de abril de 1952, a Santa Sé suprimiu a Abadia de Hardehausen, na diocese de Paderborn, Alemanha, que existia desde 28 de maio de 1140, e transferiu para o Mosteiro de Nossa Senhora da Assunção de Itatinga, na Arquidiocese de Botucatu.
A abadia de Itatinga recebeu: "todos os direitos e privilégios que até então canonicamente, possuía a Abadia de Hardehausen e de que, em geral, gozam as Abadias Cistercienses".
Em 16 de agosto de 1951, o bispo de Botucatu D. Henrique Golland Trindade e o então governador do estado de São Paulo, Lucas Nogueira Garcez, lançaram a pedra fundamental da Abadia em Itatinga. Além da Abadia e da paróquia de Itatinga, os monges cuidavam ainda por uns tempos da paróquia de Mairinque.
O Abade de Itatinga ficou sendo D. Alfonso Kiliani Heun até 1957 (era Abade desde 1933) quando foi transferido para a Alemanha por Ordem do abade-geral D. Sigardo Kleiner. Foi eleito, em seu lugar, D. Roberto Fluck, antigo prior de Itaporanga, que recebeu a bênção abacial em 30 de maio de 1957, e no mês de julho foi eleito abade-presidente da Congregação Cisterciense Brasileira.
Em 15 de setembro de 1993, alguns jovens, com a aprovação de seu Bispo, começaram a viver sob a Regra de São Bento e, depois de alguns anos de contato com a Ordem Cisterciense, fundaram em 1998 o Mosteiro Nossa Senhora de Nazaré, localizado no município de Rio Pardo, no Rio Grande do Sul. Essa Comunidade de monges, que foi inicialmente acolhida pelo senhor Bispo da Diocese de Santa Cruz do Sul, o qual lhes deu aprovação canônica, já figura entre as pré-fundações da Ordem Cisterciense, e, pelo contato com o Abade Geral, com o Sínodo e com o Capítulo Geral da Ordem, apoiada pelo Bispo da Diocese, busca aprofundar uma comunhão que deseja chegar à incorporação definitiva à Ordem Cisterciense. Apesar do acento fortemente contemplativo dessa Comunidade monástica, vão até ali muitos visitantes, ansiosos por descobrir o Mosteiro, ou por encontrar-se com Aquele a quem os monges consagraram suas vidas: o Cristo Jesus.


Ordem de São Bruno (Cartuxos)


Quem era Bruno ?

Nasceu em Colônia por volta do ano de 1030 e chegou, sendo ainda jovem, a estudar na escola catedralícia de Reins. Adquirido o grau de doutor e nomeado Cônego do Capítulo da catedral, foi designado em 1056 escolaster, isto é, Reitor da Universidade. Foi um dos maestros mais renomeados de seu tempo : « …um homem prudente, de palavra profunda ».

Bruno encontra-se cada vez menos a vontade numa cidade onde não escasseiam os motivos de escândalo por parte do alto clero e inclusive mesmo do Arcebispo. Depois de ter lutado com sucesso contra estes problemas, Bruno experimenta o desejo de uma vida mais entregue exclusivamente a Deus..

Depois de uma experiência de vida solitária de breve duração, chegou à região de Grenoble onde o bispo, o futuro São Hugo, ofereceu-lhe um lugar solitário nas montanhas de sua diocese. No mês de junho de 1084 o mesmo bispo conduziu Bruno e seus seis colegas ao deserto do maciço montanhoso de Chartreuse (Cartuxa) que dará seu nome à Ordem. Ali constroem seu eremitério formado com algumas casinhas de madeira que se abrem a uma galeria, que permite aceder sem sofrer demasiado pela intempérie do tempo aos lugares de vida comunitária : A igreja, o refeitório e o Capítulo.

Depois de seis anos de aprazível vida solitária, Bruno foi chamado pelo Papa Urbano II (que fora seu aluno em seu tempo de maestro) ao serviço da Sede Apostólica. Crendo sua novel comunidade que não poderia continuar sem ele, sua Comunidade pensou primeiramente em separar-se, mas finalmente se deixou convencer por continuar a vida na qual tinham sido formados. Conselheiro do Papa, Bruno não se sentia à vontade na Corte Pontifícia. Ele permaneceu somente uns meses em Roma. Com a aprovação do Papa fundou um novo eremitério nos bosques da Calábria, ao sul da Itália, com alguns novos colegas. Ali faleceu a seis de outubro do ano de 1101.

Um depoimento de um de seus irmãos da Calábria :

« Por muitos motivos merece Bruno ser louvado, mas sobretudo por um: Foi um homem de caráter sempre igual (estável). De rosto sempre alegre, e a palavra modesta. Juntava à autoridade dum pai a ternura de uma mãe. Ante ninguém fez ostentação de grandeza, senão que se mostrou sempre manso como um cordeiro. Foi nesta vida, o verdadeiro israelita. »

Espiritualidade Carmelita


A ligação de Nossa Senhora com os carmelitas remonta às origens da Ordem. Os primeiros eremitas latinos que se fixaram no Monte Carmelo, no final do séc.XII, instalaram-se em grutas e construíram no centro delas um oratório dedicado a Nossa Senhora.

Escolheram a Virgem Maria como Patrona da Ordem, a Senhora do Lugar, demonstrando que estavam em honra e a serviço dela, de quem esperavam toda a proteção. Assim os primeiros carmelitas colocaram-se inteiramente à disposição, consagraram-se e viveram em obséquio (dedicação total) de Jesus Cristo e também de sua mãe Maria.

Consideravam-na como Mãe e modelo de vida contemplativa: ela nos ensina a acolher, a meditar e a conservar a Palavra de Deus no coração.Maria também é irmã dos carmelitas que têm como título oficial da Ordem: Irmãos da Bem-Aventurada Virgem Maria Mãe de Deus do Monte Carmelo, conhecida como Ordem do Carmo.

Os carmelitas sempre estiveram em sintonia com a virgindade de Maria, que é não apenas física mas espiritual. Significa ter o coração inteiramente e exclusivamente dedicado a Deus, não dividido. Maria viveu só as coisas de Deus, esvaziando-se para Ele (vacare Deo) de tudo o que era terrestre e humano, para ocupar-se apenas dele.

É cheia de graça, pois teve êxito em esvaziar-se para que Deus ocupasse totalmente o seu coração. O ideal de todo carmelita. Não se pode compreender o Carmelo sem a presença viva de Maria. Ela é o modelo perfeito do ser consagrado ao Senhor. Com Maria sentimos a coragem de ser, no meio do povo e da Igreja, aqueles que oferecem o Cristo, gerado na oração.

Fonte:

Província Carmelitana Santo Elias

Ordem do Carmo no Brasil


A nossa História no Brasil começou em 1580 quando aqui chegaram, vindos de Portugal, quatro Religiosos Carmelitas liderados por Frei Bernardo Pimentel Ord. Carm. Sucederam-se então as fundações dos nossos conventos:

Em 1584 o Convento de Olinda/PE,
Em 1589 o de Santos/SP,
Em 1590 o do Rio de Janeiro/RJ,
Em 1594 ode São Paulo/SP,
Em 1608 o de Angra dos Reis/RJ,
Em 1627 o de Mogí das Cruzes/SP,
Em 1622 o de Vitória/ES,
Em 1718 de ltú/SP.

Até aqui, esses conventos pertenceram como Vice-Província à:

Província Carmelitana de Portugal e somente em 1720 constituiu-se a; Província Carmelitana Fluminense que em 1963 passou a chamar-se Província Carmelitana de Santo EIias.

A Ordem do Carmo no Brasil cresceu muito, chegamos até a ter três Províncias: a do Rio de Janeiro, a da Bahia e a de Pernambuco e ainda uma Vigararia, a do Maranhão. As atividades apostólicas dos Carmelitas estenderam-se por todo o litoral de São Luís do Maranhão até a cidade de Santos e, as suas atividades missionários se estenderam até o Pará e o Amazonas.

Há uma tradição de que o imenso convento de Salvador chegou a abrigar até 100 Religiosos. Entretanto, nas épocas de Brasil-Colônia e Brasil-Império a Ordem do Carmo passou momentos sombrios, tenebrosos, de muitos conflitos com o envolvimento de Vice-reis, da Rainha D. Maria I, das autoridades eclesiásticas, etc. Um dos momentos mais dolorosos de nossa História foi a proibição de aceitar Noviços, resultado de uma circular do Ministro da Justiça e de sua Majestade o Imperador (D. Pedro II), que cassava a licença de entrada de Noviços nas Ordens Religiosas. Com esta medida governamental a Ordem do Carmo experimentou os estentores da agonia. Em 1881 havia na nossa Província apenas quatro Religiosos nos conventos da Lapa, de Angra dos Reis e de Mogí das Cruzes. Os conventos de Belém do Pará, Itú, Santos e Vitória estavam sem Carmelitas.

A situação era tão dramática e desoladora que o Papa Leão XIII em 1891 submeteu as Ordens Religiosas do Brasil à inteira dependência dos Prelados Diocesanos tanto no temporal como no espiritual. Foi então que o internúncio apostólico confiou aos Beneditinos Belgas a restauração dos mosteiros Beneditinos do Brasil; aos Franciscanos da Alemanha a restauração dos conventos Franciscanos e aos Carmelitas Espanhóis a restauração dos conventos Carmelitas: A 15 de novembro de 1889 aconteceu a Proclamação da República no Brasil, D.Pedro II e a Família Real retornaram a Portugal. Foi decretada a separação entre a Igreja e o Estado e as Ordens Religiosas receberam a autorização do governo de fundar conventos, abrir noviciados e administrar os seus próprios bens.

Em 1892 governava o Brasil o Marechal Floriano Peixoto de quem herdamos este feliz pronunciamento: Não é nem pode ser intenção do Governo da República apossar-se dos bens que a piedade dos fiéis doou as Ordens Religiosas, mas não lhe pode ser indiferente vera decadência em que se acham; trate a Santa Sé de reformá-las e conte com o meu apoio! Com estas palavras o Marechal Floriano Peixoto deu um belo testemunho de bom senso de Magistrado do Governo Brasileiro. Em 1893, iniciaram-se os entendimentos entre o Pe. Geral Aloísio Maria Galli e o Provincial espanhol Frei Anastácio Borras. Deste entendimento resultou a vinda da Espanha de seis Religiosos Carmelitas, liderados por Frei Joaquim Maria Guarch; isso aconteceu a 08 de agosto de 1894.

Além deste primeiro grupo, sucederam-se outros grupos Religiosos espanhóis entre sacerdotes, professos e irmãos leigos, totalizando 21 Religiosos espanhóis que muito se empenharam em restaurar o Carmelo Brasileiro nas três Províncias: a Fluminense, a da Bahia e a de Pernambuco.De 1894 a 1904, muita coisa aconteceu no Carmelo Brasileiro; dificuldades inúmeras de relações em que estiveram envolvidos: a Santa Sé, a Província Espanhola, os Religiosos Carmelitas do Rio de Janeiro, da Bahia, de Pernambuco, etc. Até que em abril de 1904, num Capítulo Provincial da Espanha foi resolvido que os Carmelitas espanhóis deixariam o Rio de Janeiro e a Bahia e iriam a Recife.

Em junho de 1904, iniciaram-se os entendimentos entre o Pe. Geral Frei Pio Mayer e o Provincial holandês Frei Lamberto Smeets; ficou decidido que a Província Carmelita da Holanda iria assumir a Missão de continuar a restauração da Província Fluminense.  A 31 de outubro de 1904 seis sacerdotes e dois irmãos leigos, tendo como superior o Frei Cirilo Thewes, embarcaram em Antuérpia, Bélgica, num vapor alemão; quatro deles desembarcaram em Salvador e alguns dias depois seguiram para o Rio de Janeiro e na madrugada do dia 27 de novembro, os outros quatro aportaram no Rio de Janeiro.

No mesmo dia, 27 de novembro de 1904, Frei Eliseu Duran por delegação do Pe. Geral, Frei Pio Mayer, entregou a Província Carmelitana Fluminense aos Carmelitas holandeses que, com muita dedicação se atiraram à penosa missão de dar continuidade ao zeloso trabalho iniciado pelos Carmelitas espanhóis: restaurar a Província Carmelitana Fluminense. A 27 de novembro a Província Carmelitana de Santo Elias procederá à abertura do Centenário de Restauração de nossa Província.

Fonte:

Província Carmelitana Santo Elias

21/03/2013

Lista de algumas Ordens religiosas


Ordem do Carmo (Carmelitas), O.Carm.
Ordem de São Bruno (Cartuxos), O.Cart.
Ordem de Cister (Cistercienses), O.Cist.
Ordem de Santo Agostinho (Agostinianos), O.S.A.
Ordem dos Frades Eremitas Descalços de Santo Agostinho (Agostinianos Descalços), O.A.D.
Ordem dos Recoletos de Santo Agostinho (Agostinianos Recoletos), O.A.R.
Ordem de São Bento (Beneditinos), O.S.B.
Ordem de São Domingos (Dominicanos ou Pregadores), O.P.
Ordem de São Jerónimo (Jerónimos), O.S.H.
Ordem de São Basílio Magno (Basilianos), O.S.B.M.
Ordem da Imaculada Conceição (Concepcionistas), O.I.C.
Ordem dos Irmãos de Nossa Senhora de Belém (Betlemitas), O.F.B.
Ordem Cisterciense da Estrita Observância (Trapistas), O.C.S.O.
Ordem de São Francisco (Franciscanos), O.F.M.
Ordem dos Frades Menores Conventuais (Franciscanos Conventuais), O.F.M.Conv.
Ordem dos Frades Menores Capuchinhos (Franciscanos Capuchinhos), O.F.M.Cap.
Ordem dos Frades Franciscanos da Imaculada (Franciscanos da Imaculada), O.F.F.I.
Ordem de Santa Clara (Clarissas), O.S.C.
Ordem das Irmãs Clarissas Capuchinhas (Clarissas Capuchinhas), O.S.C.Cap.
Ordem dos Mínimos de São Francisco de Paula (Mínimos), O.M.
Ordem de Nossa Senhora das Mercês (Mercedários), O. de M.
Ordem da Visitação de Santa Maria (Visitandinas), O.Visit.
Ordem dos Servos de Maria (Servitas), O.S.M.
Ordem da Anunciação (Anunciadas), O.Ann.M.
Ordem da Santíssima Anunciação Celeste (Celestes), O.SS.A.
Ordem da Santa Cruz (Crúzios), O.S.C.
Ordem dos Celestinos (Celestinos), O.S.B. Coel.
Ordem de Santa Úrsula (Ursulinas), O.S.U.
Ordem da Santíssima Trindade (Trinitários), O.S.S.T.
Ordem Camaldulense (Camaldulenses), O.S.B.Cam.
Ordem Premonstratense (Premonstratenses), O.Praem.
Ordem Religiosa das Escolas Pias (Escolápios), O.R.S.P.
Ordem dos Clérigos Regulares (Teatinos), O.C.R.
Ordem dos Clérigos Regulares de Somasca (Somascos), O.C.R.S.
Ordem dos Clérigos Regulares Ministros dos Enfermos (Camilianos), M.I.
Ordem do Verbo Encarnado e do Santíssimo Sacramento,

Ordem religiosa


As Ordens religiosas são a forma mais comum da vida consagrada na Igreja Católica. Pelo menos segundo a hierarquia católica, os monges ou frades (que compõem a maior parte dos membros das ordens religiosas) podem ser leigos ou clérigos consagrados. Eles vivem em comunidades fechadas (mas muitas vezes não isoladas), afastadas do mundo, e geralmente seguem uma rígida rotina religiosa.
Basicamente, existem quatro tipos de Ordens religiosas:
monásticas: são formadas por monges ou monjas que vivem enclausurados em mosteiros. Exemplos: Anunciadas, Beneditinos, Camaldulenses, Capuchinhas, Cartuxos, Celestes, Clarissas, Cistercienses, Concepcionistas, Jerónimos, Mínimas, Monges e Monjas de Belém, Premonstratenses, Trapistas e Visitandinas.
mendicantes: são formadas por frades ou freiras que vivem em conventos. Eles não são tão isolados como os monges, tendo por isso um apostolado mais activo no mundo secular (ex: obras de caridade, serviço aos pobres, pregação e evangelização). A sua sobrevivência depende das esmolas e dádivas dos outros, porque eles renunciaram a posse de quaisquer bens, compromentendo-se em viver radicalmente na pobreza. Exemplos: Agostinianos, Carmelitas, Dominicanos, Franciscanos, Mercedários e Servitas.
regrantes: são formadas exclusivamente por cónegos regrantes. Exemplos: Ordem dos Cónegos Regrantes de Santo Agostinho e Ordem Premonstratense.
as de clérigos regulares: são formados exclusivamente por clérigos regulares ou consagrados (os cónegos são excluídos). Eles não vivem uma vida comunitária tão enclausurada e austera como os monges ou como os frades, tornando-se por isso muito mais disponíveis para o apostolado. Com isto, eles ajudam grandemente o clero secular em áreas como a liturgia, a administração dos sacramentos, a educação e a evangelização. Exemplos: Crúzios, Escolápios, Jesuítas, Somascos e Teatinos.
As Ordens religiosas são diferentes das congregações religiosas, porque as últimas professam somente a versão simples dos votos evangélicos, enquanto que as primeiras professam a versão solene e mais austera (ou radical) destes mesmos votos. Os seus estilos de vida também os diferenciam.

Fonte:

Wikipédia

14/03/2013

Inácio de Loyola, Santo


Filho de uma rica família espanhola, Inácio de Loyola, o soldado que virou santo, trocou o sabre pela Bíblia e, com seus jovens seguidores da Companhia de Jesus, lutou até o fim da vida pela Igreja Católica.

Nascido em 1491 e pertencente a uma família nobre espanhola, Iñigo López de Loyola, como era chamado antes da conversão religiosa, viveu os primeiros 26 anos de sua vida com muita vaidade e ostentação. Era do exército espanhol e, numa batalha contra a França, foi gravemente ferido. Este foi o fim de sua carreira militar e o início de sua conversão.

Enquanto se recuperava no castelo de sua família, começou a ler alguns livros que falavam da vida de Cristo e histórias de santos. O fascínio foi instantâneo e, a partir daquele momento, Iñigo López abandonou as armas e converteu-se ao catolicismo. Sua vida passou a ser de penitências e orações, e sua intensa experiência resultou na obra "Exercícios Espirituais", manual para meditações com base em suas vivências místicas.

Com a vida religiosa, sentiu que era importante retomar os estudos e ingressou na universidade em Paris. Nessa época, atraiu para os seus ideais um grupo de estudantes, batizado de Companhia de Jesus. Reconhecidos pelo Papa, esses estudantes, liderados por Inácio de Loyola, fundaram a nova ordem religiosa em 1540.

Rapidamente espalharam-se pelo mundo no contexto da "guerra espiritual" entre católicos e protestantes, que começavam a ter uma forte influência na vida cultural da época.

No Brasil, os jesuítas tiveram um papel importante durante a colonização, deixando como herança diversas obras entre igrejas e colégios, do Rio Grande do Norte ao Rio Grande do Sul. A primeira missão da Companhia de Jesus chegou ao país durante os governos gerais, sob o comando do padre Manuel da Nóbrega.

Estabelecidos no litoral, contribuíram para a expansão de Salvador e Rio de Janeiro e, em 1554, fundaram em Piratininga aquela que viria a ser a maior cidade da América Latina: São Paulo.
Outra causa assumida pelos jesuítas no Brasil foi a proteção dos índios contra as investidas dos colonizadores que pretendiam escravizá-los. No interior, eles também fundaram colégios, abriram estradas e estreitaram sua ligação com as nações indígenas, chegando até mesmo a aprender diferentes idiomas nativos. Nas escolas, eram responsáveis pela formação dos órfãos enviados de Lisboa e dos curumins (crianças indígenas).

Além da educação, os jesuítas tiveram grande influência na arquitetura, nas artes, na medicina, no ensino de ofícios, na indústria de laticínos, no cultivo de cana-de-açúcar e de numerosas plantas européias e asiáticas como uva, cidra, limão, figo, legumes, algodão e trigo.

Em São Paulo, a ordem participou da fundação da Pontíficia Universidade Católica (PUC), com os padres beneditinos, e ainda hoje dirige colégios e faculdades como o São Luís, o São Francisco Xavier e a Faculdade de Engenharia Industrial (FEl).

Inácio de Loyola morreu em 31 de julho de 1556, aos 65 anos. Nessa data, os jesuítas lembram a sua memória e a missão da Companhia.

FONTE

www.santoinacio.com

Congregação Jesuíta


A mudança radical de vida de um cavaleiro basco, Inácio de Loyola, em 1521, deu início a uma caminhada árdua e variada para a criação da Companhia de Jesus. Em outubro de 1537, acompanhado por Pedro Fabro e Diogo Laynez, Inácio estava viajando para Roma, quando, numa pequena capela em La Storta, hoje situada na área metropolitana romana, teve uma visão de Cristo carregando sua cruz, e, o Pai, dizendo a Jesus: "Quero que tomes este por teu servidor". Nesse momento, o nome da Companhia de Jesus foi confirmado e a própria Companhia começou a existir espiritualmente. Três anos mais tarde, o Papa Paulo III conferia à Companhia sua vida canônica com a Carta Apostólica "Regimini militantis eclesiae".
A jovem Companhia cresceu rápida, principalmente, durante o primeiro século de sua existência. Quando Inácio morreu em 1556, o seu número contava 938 e em 1910, 1999. Ela se revelou na Contra-Reforma, avivando o catolicismo, espiritual e intelectualmente na França, nos Países Baixos, na Europa Central e Oriental. Sentiu-se sua influência no Concílio de Trento pela atuação de Diogo Laynez e Afonso Salmerón e, depois, na teologia pastoral e dogmática, com os trabalhos de São Pedro Canísio, São Roberto Bellarmino e Francisco Suárez.
Desde o início, a educação se tornou o trabalho principal da Companhia. Inácio não o tinha previsto, mas os pedidos de papas, bispos e leigos para estabelecer escolas modificaram sua opinião. E no fim de seu generalato, 75% dos jesuítas disponíveis, excluindo Irmãos e Escolásticos, trabalhavam em educação. Mais tarde, em 1749, os Jesuítas tinham 669 colégios, 176 seminários e 61 casas de estudos jesuíticos, além das 24 universidades que eram total ou parcialmente controladas pela Companhia.
A maioria dos colégios jesuíticos foram para externos e seus alunos vieram de todas as classes. Não houve anuidades porque os colégios eram patrocinados pelo sistema fundacional. Neles, as humanidades predominaram e suas atividades e produções dramáticas influenciaram o desenvolvimento do teatro moderno. Os Jesuítas se destacaram, também, na educação do clero.
O Colégio Romano, inaugurado em 1551 e desde o tempo de Gregório XIII conhecido como a Gregoriana, foi a instituição mais famosa e o primeiro seminário moderno. Com tanta ênfase em educação, não é surpreendente que se desenvolvesse a "Ratio Studiorum", um sistema pedagógico para todas essas entidades. Depois da educação, o apostolado das missões tem ocupado o maior número de jesuítas.
A Companhia nasceu depois das grandes descobertas no fim do século XV e no início do século XVI, e a aquisição de territórios enormes, pelas nações católicas de Espanha e Portugal, fez com que a Companhia se incorporasse na colonização deles. Em 1749, 3276 jesuítas se encontravam distribuídos em cinco continentes. Desse número, 90% estavam trabalhando nos territórios controlados pela Espanha e Portugal, nas Américas e na Ásia.
Os futuros missionários recebiam treinamento especial, como aquele oferecido pelo Colégio de Coimbra onde passou a maior parte dos 1700 missionários portugueses, durante dois séculos. Aprendiam línguas e como se adaptar às culturas diferentes. Esse método de aculturação foi realizado brilhantemente por Matteo Ricci e Roberto de Nobili na Ásia e Indonésia. Seu êxito, porém, nem sempre agradou às autoridades eclesiásticas, como fica claro através das controvérsias dos Ritos Malabares e Chineses.
As atividades missionárias foram maciças nas Américas. Nos territórios franceses, hoje Canadá e o nordeste e meio-oeste dos Estados Unidos, Santo Isaac Jogues e São João Brebéuf semearam o cristianismo nos povos indígenas e Jacques Marquette acompanhou a expedição de Joliet do Rio Mississipi até o Golfo do México. Na América Espanhola os jesuítas se estabeleceram no Peru e no México.
Em 1710, eles eram 1768 e na metade do século XVIII a Companhia tinha, na América Espanhola, 2 universidades, 79 colégios e 16 seminários. Um outro trabalho famoso foram as reduções de índios. Houve cerca de 100 delas e as mais conhecidas foram aquelas dos 30 povos Guaranis, localizadas, principalmente, no Paraguai. Os trabalhos da Companhia foram interrompidos pela expulsão dos jesuítas dos territórios de Portugal decretada em 1759 pelo Marquês de Pombal. Essa expulsão foi apenas o primeiro capítulo da campanha contra a Companhia. Tudo terminou com sua supressão, em 1773, pelo Papa Clemente XIV, com o Breve "Dominus ac Redemptor".
As razões para a supressão da Companhia, contando então com 24000 membros, são variadas. A orientação do pensamento iluminista, no entanto, na sua forma mais radical, querendo eliminar o cristianismo e o catolicismo da vida cultural da Europa, foi o grande culpado. As casas reais influenciadas pelo Regalismo da França, da Europa, de Nápoles e da Áustria, faziam pressões tão intensas que Clemente XIV foi quase obrigado a decretar a supressão da Companhia. Frederico II, da Prússia, porém, só permitiu a divulgação da ordem da supressão, nos seus reinos, em 1780 e Catarina II, da Rússia, nunca a permitiu.
Portanto, sempre existiu um pequeno grupo de cerca de 200 Jesuítas, até a restauração em 1814. O Papa Pio VII restaurou a Companhia, inicialmente, no Reino das Duas Sicílias, em 1804, e, na Igreja Universal, em 1814, com a Bula "Sollicitudo". Os primeiros tempos da Companhia de Jesus restaurada assemelham-se bastante aos primórdios dos anos da fundação.
Foi um período heróico, rico de personalidades excepcionais no campo da ação. Na falta de pessoal para atender todas as necessidades, correm para satisfazer o mais urgente. Nesse período de restauração, o desafio do conflito de gerações entre os jesuítas da antiga Companhia e os novos está muito presente. Os jesuítas preocupam-se em adaptar-se aos novos tempos zelando em recolher as tradições. Desde o princípio, deparam-se com uma seara abundante de perseguições e expulsões. A nova Companhia teve progressos bem maiores que a antiga. Repôs em funcionamento pleno e normal as instituições inacianas, particularmente a formação dos religiosos, renovou o estudo dos Exercícios Espirituais de Sto. Inácio e da pedagogia inaciana e retomou a atividade missionária, adaptada às condições modernas. Viu também as perseguições golpear repetidamente a maioria das Províncias.
Os jesuítas foram expulsos da Bélgica (1818) e da Rússia (1820). Em 1828 foram fechados os colégios na França; em 1834 e 35 foram expulsos de Portugal e da Espanha; em 1847 da Suíça. Em 1848 foram dispersos e expulsos na Itália, Áustria e Galízia; em 1850 na Colômbia e no Equador; expulsos novamente da Espanha (1868); e da Alemanha (1872). Em 1873 viram o confisco de muitas casas na Itália, especialmente em Roma; os Superiores Gerais residiram em Fiésole de 1873 a 1892. Os jesuítas foram de novo dispersos na França (1880 e 1901); expulsos do Equador novamente (1879), e de Portugal (1910); dissolvidos na Espanha (1932 a 1936). As perseguições, geralmente oficiais, tornaram-se, muitas vezes, sangrentas: na Espanha (1822, 1836, 1932-35), em Paris (1871), no México (1927), para não falar dos mártires das missões na China (1860,1900-02), na Síria (1859-60) ou em Madagascar (1883 e 1896).
Desde a restauração a Companhia de Jesus apresenta um desenvolvimento numérico e uma complexidade de obras: em 1940 os jesuítas eram mais de 26.000 divididos em oito Assistências e 50 Províncias. Em 1950, cerca de 5.000 jesuítas trabalhavam nas missões, continuando uma das principais atividades da Companhia de Jesus. Nas missões, como nas províncias, o ministério da educação se desenvolveu como importância de primeira ordem. Aos colégios se ajuntaram numerosas universidades. Em muitos países, o esforço educativo atingiu também a formação do clero, não só nas missões, mas ainda em Roma com a Universidade Gregoriana e os Institutos Bíblico e Oriental. O ministério dos Exercícios Espirituais tomou novo e imponente desenvolvimento.
Os Exercícios Espirituais a operários não são senão uma parte do apostolado social. A velha obra das Congregações Marianas, se apresentou na primeira metade do século como uma das formas mais desenvolvidas da Ação Católica. O Apostolado da Oração, fundado no escolasticado da Companhia de Vals, na França (1844) se espalhou prontamente por todo o mundo. Daí surgiu também a Cruzada Eucarística para crianças e jovens. No campo da imprensa a Companhia dispunha de 1.100 periódicos nos mais variados ramos do saber. Acrescenta-se outros meios de comunicação social em que damos os primeiros passos. Entre escritores de obras que se tornaram universais, destacamos o padre Teilhard de Chardin, cientista de grande influência entre os intelectuais modernos. A Companhia participou solidariamente dos sofrimentos derivados das duas Guerras Mundiais (1914 e 1939), procurando remediar seus resultados funestos de fome, doenças, degradações morais, amarguras e desesperos.
O surto do comunismo na Rússia e em todo o leste europeu, na Coréia e no Vietnã, custou à Companhia de Jesus muitos mártires e um esforço intelectual muito forte para debelar sua ideologia em todo o mundo. Durante o Concílio Ecumênico Vaticano II (1962-65), convocado por João XXIII e encerrado por Paulo VI, os jesuítas cooperaram para seu pleno êxito, não só pela ação de seus bispos missionários mas também pelo aporte brilhante de seus teólogos.
O Concílio veio responder à necessidade de renovação interna da Igreja e de abertura para um mundo em processo de rápidas transformações. O Concílio aceitou o desafio de estabelecer um diálogo com este mundo, procurando iluminar a busca de soluções com a luz do Evangelho. A Companhia de Jesus se esforçou para acompanhar o movimento de renovação da Igreja, realizando a sua 31ª Congregação Geral (1965-66), na qual foi eleito Geral o Pe. Pedro Arrupe (1965-1983), provincial do Japão( o Concilio Vaticano 2° concluira seu monumental trabalho em dezembro de 1965). Posteriormente, a Companhia de Jesus, como todas as outras Ordens e Congregações religiosas, sentiu pela primeira vez em toda a sua existência um decréscimo constante de vocações. Esse fenômeno universal para os sacerdotes e religiosos da Igreja, representa uma purificação e um convite para um trabalho de seleção e de formação mais acurada e condizente com os tempos atuais. A 32ª Congregação Geral (1974) destacou como dimensão fundamental da Companhia hoje, o serviço da fé e a promoção da justiça. A 33ª Congregação Geral (1983) elegeu Superior Geral o Pe. Peter-Hans Kolvenbach. Deu forte apoio ao apostolado intelectual, urgindo a mútua colaboração entre os estudiosos da Companhia e os membros da pastoral. 34ª Congregação Geral (1995) reafirmou a missão do jesuíta como servidor da missão de Cristo, no serviço da fé que busca a justiça, dialoga com outras tradições religiosas e evangeliza as culturas.

Fonte:
www.jesuitasbrc.org.br

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